Terça-feira, Fevereiro 09, 2010

A Aventura do "Mito Popular"....

Derivando da última "Aventura":


Uma das mais erradas concepções existentes no mundo tunante nacional, ainda hoje – erro que urge clarificar definitivamente – prende-se com a suposta obrigatoriedade em se tocar temas populares portugueses, um dogma ainda maior do que o da Imaculada Conceição ou mesmo do que o Dogma da Infalibilidade Papal. Criou-se o preconceito – completa e objectivamente errado – de que tuna que é tuna tem de tocar musica popular portuguesa obrigatoriamente, forçosamente, exclusivamente. Caso oposto, não é tuna. Errado, aliás, nada de mais errado se pode afirmar sobre esta matéria em concreto.

Confunde-se, e para adensar mais o equívoco, na mesma temática duas noções distintas, que são o só se toca e o também se toca música popular portuguesa em tunas, sendo que a 1ª é um disparate monumental e a segunda é uma opção estética, apenas e tão somente, de cada grupo. No caso português em concreto, tendo sido a Tuna resgatada pelo meio universitário ao meio rural também, este erro assume com mais ênfase contornos de escândalo, por duas ordens de razão: O estudante universitário tem obrigação de investigar, saber, ler, comprovar, pois essa é a sua profissão e, em 2º lugar, porque a tuna popular e de âmbito rural – partindo do pressuposto que quem defende essa tese “baseou-se” no precedente existente, ou seja, a tuna rural – não tinha nos seus reportórios apenas, exclusiva e dogmaticamente, música popular. Errado, completamente errado.

E se nem as tunas populares tocavam só temas populares, onde sustentar historicamente tamanha atoarda como sendo “tuna que é tuna só pode tocar música popular portuguesa”? Se se baseou apenas nos grupos de música popular portuguesa e/ou ranchos folclóricos então trata-se de erro de casting chamar-se tuna universitária a algo que de tuna universitária nada tem. O que talvez explique muita coisa, note-se, por um lado, sendo que mais absurdo se torna a sustentação da tese “tuna que é tuna só toca musica popular portuguesa” por manifesta vontade em se querer ser mais papista que o Papa.

José Alberto Sardinha, na sua obra “Tunas do Marão” – portanto, obra que trata a tuna popular, no caso, as maronesas – diz a dado passo e reportando-se como exemplo à Tuna de Pomarelhos (Vila Real) e por volta do ano de 1930 “O seu reportório compunha-se de valsas, marchas, polcas, mazurcas, e, mais tarde, corridinhos e tangos. Tinham acesso a partituras, que lhes eram fornecidas pelo Manuel Fonseca ou “Manuel do Pote”, mestre da Banda da Cumieira. Quem as lia era o seu irmão Manuel, que sabia música muito bem e que ensinava depois os restantes membros da tuna. Este Manuel Jorge, por ser um bom músico, chegou a ensaiar tunas aqui em redor, como a de Tuizendes, na freguesia de Torgueda, e a da Granja, freguesia de Parada de Cunhos.” (fim de citação).

Ora, várias conclusões saltam à evidência: Ou das duas uma, a Valsa, a Polca, a Mazurca e o Tango são estilos musicais tipicamente portugueses, quiçá maroneses e por isso afinal não nasceram – e respectivamente – na Alemanha, Boémia, Polónia e no Rio da Prata ou então algo está profundamente errado e alguém ajudou no erro, propagando e propagandeando o mesmo – o que é ainda mais grave. Note-se que o texto – este e muitos outros sobre a matéria, deve-se referir – diz a dado passo que tinham acessos a partituras, sendo que os que sabiam música ensinavam os restantes elementos da tuna. E quando não sabiam ler partituras tocavam “de ouvido” inclusivamente peças clássicas de autores famosos como Mozart p.ex. Ou seja, não era por ser uma tuna popular ou rural que não se detinha a capacidade técnica em ler partituras, por exemplo, para a transmissão dos temas. E não era por ser uma tuna rural que não se podia tocar temas clássicos, polcas, mazurcas e tangos, que os tocavam, fazendo parte dos seus vários reportórios. Tocavam temas populares? Naturalmente. Também e não só, como acima está provado.

Ou seja, a tuna popular e/ou rural nem sequer pode servir de estereótipo a quem, nesciamente procura defender o indefensável. "Mitologicamente" nascido no “boom” tunante dos anos 80 e 90 do Século XX, é imperioso que se afirme sustentadamente que não há uma única razão para que uma tuna universitária portuguesa toque exclusivamente temas populares portugueses.

Mais adianta José Alberto Sardinha, de forma cabal: “Mas o que mais alegria lhes dava era tocarem nos bailes da aldeia, aos domingos (excepto na Quaresma) e nas “esfolhadas”, em Setembro e Outubro. Tocavam valsas, viras, marchas, polcas e mazurcas, bem como o “dobrado” (“chamávamos-lhe assim, mas é um pasodoble, que tem o mesmo andamento que a polca, em dois por quatro”). Perguntado, respondeu que não tocavam a chula nem a tirana.” (página 249).

Ora, constata-se que em determinadas circunstâncias e contextos, nem sequer música popular portuguesa tocavam as tunas populares e/ou rurais.....

Cito finalmente José Alberto Sardinha numa conclusão que desmonta completamente este mito (mal) criado no mundo tunante universitário nacional (e porventura fruto de uma certa postura de idos do "boom" que se quis "cosmopolizar" à força com o advento da Praxe e das Tradições Académicas...):

A música tradicional está em permanente mutação. Não existe tal coisa como a música popular genuína, intemporal, conservada intacta desde há séculos, como se estivesse isolada da sociedade e das transformações de hábitos e costumes que se vão operando ao longo dos tempos. Bem ao contrário, a música tradicional é um género dos mais mutáveis, recebendo e adoptando constantemente novas contribuições exteriores, as quais, depois de assimiladas e testadas pelo tempo (no sentido de permanecerem, por fazerem sentido, funcionalmente falando, para a
vida das comunidades em questão), passam também elas a fazer parte do corpo musical
tradicional. Trata-se, pois, de um género musical permanentemente contaminado,
receptivo a influências e transformações provindas de outras camadas sociais, de
outras terras, de novos tempos com novos hábitos. O reportório musical das tunas
é um bom exemplo desse tipo de contribuição. Quantas modas populares tradicionais
são, na verdade, adaptações, por vezes simples cópias, de marchas e valsas? E de contradanças, polcas e mazurcas? O que é o corridinho, senão uma chotiça, que
por sua vez é uma polca mais lenta criada em meados do séc.XIX na Europa Central
e vinda até nós através do teatro musical e de agrupamentos musicais aparentados,
ou do género, das tunas? E o que é a moda de dois passos (nalguns sítios conhecida
por valsa de dois passos) senão uma mazurca
?( fim de citação).


As tunas populares, como grupos organizados, nasceram em meados do Século XIX, na segunda metade do mesmo mais propriamente, ou seja, antes das tunas estritamente e exclusivamente universitárias de finais, apenas, do mesmo século. Naturalmente esta ultima “bebeu” das outras influências, processos de transmissão de conhecimentos, etc. Mais, quando as – duas – tunas universitárias existentes se debatiam com períodos de maior ou menor folgor ao longo de todo o Século XX, ao longo do mesmo período viveram-se por todo o país bem como ilhas uma autêntica paixão e fulgor pelos agrupamentos instrumentais de cordas, tanto nas vilas e cidades, como nas mais recônditas aldeias. Quase não haveria uma freguesia do país onde não tivesse existido uma tuna.

Definitiva e comprovadamente: não há qualquer razão historicamente sustentável que comprove a exclusividade da música popular portuguesa na tuna universitária nacional. Nenhuma razão. Não cabe à Tuna universitária esse ónus e, por tal, não é mais ou menos tuna aquela que toque ou deixe de tocar exclusivamente temas populares portugueses, populares espanhóis ou outros.

Conclui-se: é anti-cultura tunante afirmar que “tuna que é tuna só toca música popular portuguesa”; isso sim, não é de Tuna com T grande, é antes uma “calinada” monumental que serviu alguns propósitos estéticos em idos do “boom” e que se revelaram feridos de qualquer sustentabilidade prática ou teórica.

Segunda-feira, Janeiro 25, 2010

A Aventura das 5 Mentiras Tunantes Nacionais....

Seguem em baixo - e sem qualquer ordem sequencial ou de importância - as 5 maiores mentiras tunantes, propagadas aos sete ventos da Lusa Pátria como sendo "verdades" e que dela nada têm.....


I - "A Tuna nasceu há quinhentos anos"...


Asneira. Nasceu em finais do Século XIX, apenas. Até então existia um hábito, um costume, um modo de vida - e não uma instituição organizada, com regras e hierarquia e de carácter permanente, chamada Tuna tal qual hoje a conhecemos.


II - " A Tuna nasce no seio da Universidade "...


Em Portugal, de todo, é um erro crasso afirmar tal. No caso nacional, a Universidade é que resgata a Tuna para o seu seio - em idos dos anos 80 e 90 do Século XX por força do resurgimento das Tradições e Praxe - e não o oposto. Antes do "boom" tunante atrás referido, Tunas Universitárias em Portugal só existiram duas, com carácter permanente, constància no tempo e como tunas-intituição: TAUC e Tuna do OUP/Tuna Académica do Porto/Tuna Universitária do Porto. A par destas estão relatadas inumeras estudantinas não-universitárias e tunas populares.


III - " A Tuna pode tocar música popular portuguesa "...


Disparate monumental e sem qualquer sustentabilidade histórica. A Tuna Universitária pode tocar também música popular, portuguesa ou de outras paragens até. Como pode - e deve - tocar música clássica até, pois sempre o fez históricamente.
A Tuna Universitária portuguesa não tem qualquer obrigatoriedade em dar o exclusivo à música popular porque esse exclusivo cabe aos grupos de música popular, ranchos folclóricos e a Tunas de carácter popular, mais rurais face às suas congéneres universitárias, mais cosmopolitas. Nos reportórios das 1ªs Tunas de carácter exclusivamente universitário não se encontram temas populares pura e simplesmente, pois as Tunas de carácter popular há muito que o faziam e bem, para lá de tocarem também elas temas clássicos de "ouvido" até (Vide Alberto Sardinha, Tunas do Marão). A titulo de exemplo, no programa artístico da TUP dos anos 1937/1938 pode-se ler no que ao reportório diz respeito "Marcha Turca das Ruinas de Atenas " de Beethoven, "Serenata" e "Momento Musical" de Shubert, por exemplo, para lá de solos de harpa, Fados, canções, guitarradas, recitativos, rábulas, coisas piadéticas, ilusionismo e até prestidigitação . É portanto uma falácia dizer-se tal, aliás, falácia essa oriunda do "boom" tunante dos anos 80 e 90 do Século XX (e não antes) e que não tem qualquer suporte histórico ou mesmo lógico, para lá do mero gosto estético de cada Tuna Universitária em os interpretar - ou não.


IV - " A Tuna é mais e melhor Tuna por tocar temas originais "...


Outra bola à trave. Sem desprestigiar o mérito do(s) autore(s), nem é mais nem melhor por tocar temas originais da mesma. Não há qualquer relato históricamente defensável, até, que o comprove, sequer. Se a Tuna Universitária em Portugal foi resgatar várias influências no seu surgimento nem sequer faz sentido dizer-se que o tema de criação própria tem mais valor face a um tema popular ou clássico ou castelhano. Não há qualquer relação entre "mais e melhor Tuna" e ter-se um ou vinte temas originais, sem desprestigio e mérito ao tema original (e sendo eu autor de alguns, particularmente à vontade estou). Outra mentira herdada do "boom" Tunante que andou de mãos dadas com a mentira acima mencionada no ponto III.


V - " A Tuna é música"...


Nada de mais profundamente errado. A cultura tunante universitária, quer na recriação de costumes, hábitos e usos de outros séculos, quer na sua vertente mais recente como Tuna-Instituição nunca previlegiou apenas e tão somente a música para a sua subsistência e permanência ao longo dos tempos. A música é o veículo de uma cultura mais ampla que a tradição Tunante encerra e, como tal, ao reduzir-se a música apenas acaba por colocar a Tuna na mera esfera musical não a distinguindo, enquanto cultura, de outros fenómenos musicais. Como o folclore não se reduz às músicas que apresenta, a Tuna Universitária idem.

Sábado, Janeiro 23, 2010

A Aventura da "Latest New´s"...

Aqui ao lado, na subsidiária "AventuNas TV" podem ver a dada altura uma entrevista a alguns componentes da Tuna Universitária de San Martin de Porres - Lima (Perú), sendo que a dado momento, quando o apresentador pergunta "quando surgem as Tunas?", a resposta é imediata da parte do Tuno: Em 1500.

Latest New´s: Wrong. Errado. Equivocado. Em 1500 existia antes o hábito, o costume, de correr a Tuna, tunar, vadiar, coisa completamente distinta da formação de uma Tuna de facto, ou seja, uma coisa será retratar um hábito antigo e desprovido de qualquer carácter vinculativo e/ou organizado, porque expontâneo, outra será marcar a formação de uma instituição de facto, com todos os quesitos para tal, algo que ocorre somente em finais do Século XIX.

Este é outro dos grandes "mitos" da História Tunante que, a seu tempo, será devida e eficazmente desmontado. Até lá, há que pensar nas coisas de facto: uma coisa será retratar um hábito, um costume, outro será insttiucionalizar o mesmo (sendo que no caso Tunante, a instituição Tuna em muitos pontos nem sequer reproduz fielmente o hábito anterior de correr a Tuna, Tunar, Vadiar...).


A seu tempo, a seu tempo se mostrará mais e comprovadamente. Até lá, fiquem com esta: A Tuna de facto nasce em finais do Século XIX, até lá existia um hábito expontâneo, um costume repetido, apenas. Portanto, é um erro crasso dizer-se que a Tuna nasceu em 1500....

A Aventura do "Replay"....

Esta escrevi eu em Agosto de 2006, no "sitio do costume", no meio de um debate de tema mais concreto e específico. Resultou então a conclusão abaixo ( e atente-se à actualidade que a mesma mantêm, hoje...):

"....Denota-se igualmente que quem troca informações sobre o que é o fenómeno tunante de facto, quem se interessa por ele de facto, não se reduz aos "clichés" e mujito menos deturpa os mesmos - é que quem deturpa à medida do seu umbigo nem sequer na maioria dos casos está a deturpar o que é de facto mas antes o que "viu, vai vendo e ouvindo e dizendo", o que corresponde a uma deturpação ao quadrado, ou seja, invenção de três quartos de mês. Muita asneira se diz por aí, pior quando ela é dita sustentada em intentos nada altruístas face ao fenómeno mas antes egoísticamente feitos por medida como se de um fato feito por alfaiate se tratasse.

Esses "clichés" ocorrem lá e cá, não é coisa exclusivamente nacional e em Espanha ainda hoje se debate, por exemplo, qual é a Tuna mais antiga de Espanha - debate interminável - quando poucos debatem o estágio anterior que será saber-se o que é a Tuna-instituição e quando ela nasceu de facto, com regras, hierarquias, organização e intervenção cultural concreta, por exemplo. Ou seja, debate-se se nasceu 1º o ovo ou a galinha e não se debate o essencial que será perceber-se quando é que nasceu a Tuna de forma mais ou menos similar ao modelo hoje conhecido - antes existira comparsas de estudantes, desorganizadas e sem caracter regular ou organizado, que surgiam em ocasiões concretas como Carnavais, por exemplo, ou recepções aos Monarcas espanhois de então. Poucos por cá saberão, por exemplo, que em Espanha existiu um traje de estudante (não de tuno) até 1835 e que foi abolido então. Poucos saberão que a beca usada por tunos espanhois é uma peça recente na historia das Tunas, surgida em meados dos anos cinquenta do Século XX, por exemplo e mais os há, que desmontam "clichés" useiros e veseiros.

Tal como por cá, existem esses "clichés" fundamentados no imaginário colectivo de erros ditos repetidamente que, por repetidos, se tornaram em "verdades" absolutas. Daí o perigo das deturpações feitas à medida da Tradição Tunante. Daí a urgência do investigar a fundo das coisas."

Disse...( é ler abaixo o que escrevi sobre o "meu conceito de Tuna" e está tudo dito....)

Terça-feira, Janeiro 19, 2010

A Aventura da Disseminação....

Depois da Tuna de Cork, na República da Irlanda, nascida na segunda metade dos anos 90 e entretanto desaparecida, eís que a Tuna regressa às Ilhas britânicas, agora na vetusta e clássica Oxford.

Fiquemos com este video da Tuna Universitária de Oxford, registado em 2008, sendo que a mesma ao que parece é composta por portugueses. De acordo com as ultimas notícias, Cambridge, acusando o toque, pensa seriamente em fundar uma Tuna para assim, poder reeditar em formato certame competitivo, a célebre picardia entre as duas universidades, só que desta vez molhados...por dentro!


Segunda-feira, Janeiro 18, 2010

A Aventura do " Meu conceito de Tuna"

Não me restam muitas mais dúvidas a este respeito, salvaguardando uma ou outra mais preemente até por força do estudo empreendido desde há uns anos a esta parte. Em amena cavaqueira com um Tuno, dizia-me ele a dado passo que " ...e segundo o meu conceito de Tuna". Ora, aqui mora um dos maiores equívocos genéticos oriundos do "boom" tunante e que se prolongou até aos dias de hoje, com cada mais ênfase. É que, por muito que custe ler isto, não há, e no caso português, a ideia de "meu conceito de Tuna", lamento informar.

A imensa Babilónia de paletes e resmas de "meus conceitos de Tuna" é somente uma construção muito própria, individual e perfeitamente única que cada um faz quando chega a este mundo particular, não raras vezes confundido com o conceito "a minha forma de estar na Tuna" - uns assim, outros assado e por aí fora - e que se cruza com um 3º conceito ainda, que é a prática reiterada da Academia/Tuna onde se insere. Uma coisa será a forma que cada um tem de estar na Tuna, outra é ainda a forma como o seu meio o molda e define na sua atitude perante a Tuna. Agora, conceito de Tuna Universitária só há um, não há um por cada Tuno porque isso é um tremendo exercício de egoísmo egocêntrico que não raras vezes serve para auto-justificar coisas que, de outro modo, nunca fariam em casa, no trabalho, na sociedade em geral.

Evidentemente que "o meu conceito de Tuna" é um dos maiores inimigos da Tradição Tunante per sí, sem mais delongas, precisamente porque ao livre arbítrio de cada douta cabecinha e não inserido nas naturais linhas delimitadoras de um fenómeno cultural.

Imagine-se por disparate (!!??) que cada romeiro da Senhora da Agonia tinha o "seu conceito de folclore minhoto" ou então que cada Fallera Valenciana tinha o "seu conceito de Fallas": Corriamos o sério risco de ver Minhotas de mini-saía ou Falleras vestidas de bombeiro a apagar as fogueiras. Por aqui se percebe o risco tremendo de medir uma tradição cultural delimitada no tempo e espaço pelo nosso "conceito de Tuna".

Por força da explosão tunante de idos de 80/90 do Século passado, onde o fenómeno ultrapassou rapidamente a velocidade a que deveria ter andado, sem pontos de referência históricos onde se sustentasse, por falta do pensar a Tuna universitária, delimitando-a no tempo e espaço enquanto tradição cultural, tudo foi paulatinamente "permitido" à sombra do "meu conceito de Tuna". Esta frase é - e com o devido respeito - o Haiti de hoje da Tuna nacional, é um escombro sobre a Tuna, é a pilhagem da Tuna enquanto cultura, é a tragédia. É à sombra do "meu conceito de Tuna" que surgem "coisas" no seu seio dignas de algo que pode ter o seu valor intrínseco mas que de Tuna nada tem. Quem disse que o conceito de Tuna Universitária é algo democratico e democratizante, qual Wikipédia onde todos podem editar, cortar e colar?

Só há um conceito de Tuna Universitária. Há sim várias formas de a exprimir, de a reproduzir, que balizadas pelo óbvio, aceitável e digno, me parecem altamente interessantes. Daí em diante é o "conceito de Tuna" do Quim das Iscas que, de uma segunda para terça, se lembra de formar uma Tuna com sampler´s dizendo alto e bom som " é o meu conceito de Tuna". E isso, santa paciência, não é uma Tuna, é o que ele quer fazer pura e simplesmente á custa da Tuna.

A frase " o meu conceito de Tuna" para lá de uma tremenda irresponsabilidade, é de uma arrogância brutal, ofensiva da Tuna enquanto cultura e no limite, uma barbaridade que vai sustentando certas palhaçadas a que vamos assistindo.

Segunda-feira, Janeiro 11, 2010

A Aventura Republicana

Para o retratar do nascimento da República em Portugal é necessário perceber-se a sua génese, o embrião de todo um movimento que veio a culminar com a deposição da Monarquia e consequente instauração da República Portuguesa. E desconhecido ainda é um facto: A instauração da República teve como embrião a reacção ao Ultimatum Britânico, feita pelos estudantes da Academia do Porto e que veio posteriormente a alastrar a Coimbra e Lisboa.

A este propósito cito o Presidente da Comissão de Propaganda da Academia do Porto, Jerónimo Moreira, no jornal "El Fomento"de 7 de Abril de 1890 (capa e página 2):

" Los estudiantes portugueses han anunciado su visita á los españoles en el siguiente mensaje:

«Camaradas: Después del insulto lanzado por Inglaterra á la faz del honrado Portugal, los estudiantes portugueses, alzados en un movimiento de patriótica protesta, recibieron de sus colegas de Europa las más gratas pruebas de adhesión y simpatía. Entre todos, se distinguieron como siempre, por la espontaneidad conque nos brindaron su concurso, los hijos de la hidalga España, algunos de los cuales, trasponiendo la frontera, vinieron á traernos un abrazo fraternal y á confirmarnos su solidaridad cariñosa.

Desde entonces fué constante deseo para los estudiantes de Oporto el manifestar su gratitud á los caballerescos colegas españoles; pero ocupados en los trabajos de la federación académica portuguesa, no han podido hasta ahora determinar y anunciar su visita á las Universidades de Salamanca y Madrid. El numeroso grupo que se dispone á estrechar todo lo posible las ya cordiales relaciones entre los universitarios de la Península sale el lúnes 7 de este mes para Salamanca, de donde pasará á Madrid tras una corta demora. Contando de antemano con vuestra adhesión, os pedimos que presteis apoyo á la comisión de la estudiantina que llegará á Madrid el día 9 por la mañana.

El presidente de la comisión de propaganda de La Academia de Oporto- Jerónimo Moreira


Em 11 de Janeiro de 1890 dá-se a entrega de um Memorando do governo britânico fazendo um Ultimato a Portugal, para a retirada das forças militares existentes no território compreendido entre as colónias de Moçambique e Angola - o chamado Mapa Côr de Rosa -, no actual Zimbabwe, a pretexto do incidente provocado entre os portugueses e os Macololos.

O JN de 10 de Janeiro de 2010 tem uma vasta reportagem precisamente sobre o papel fundamental do Estudante Portuense em todo este processo, que aconselho vivamente a ler, para lá de vasta documentação histórica que nos comprova isso mesmo.

Fica a "dica" para os mais interessados.

A Aventura das "Machonas"...

De facto, foi preciso - ou não...- chegar ao Ano Novo para que, e quiçá imbuid"a"s pelo mais igualitário ideário digno de Nelo e Dália tão bem reforçado pela nova Lei do Casamento entretanto aprovada - que não contesto nem apoio, note-se - para que as "Machonas" costumeiras dessem um ar da sua - fraca - graça, entre dois pontos cruz no forro das calças e uma passagem de "Gillete" pelo buço. Cuidado, que o ar de "tia" engana....

O ideário feminista - que não feminino, esse sim bem bonito, digno e essencial até - no seu esplendor, a julgar que nada se sabe nem descobre. A psicopatia é aguda, a ver pela "perseguição" movida - nem se imaginaria que povoavamos os pensamentos diários de alguém que não nós mesmos. Nada que valha a pena saber sequer. Mas quando menos se espera, sabe-se. De facto, com tanta "macholisse" parola, bem disfarçada pela aparência angelical, diga-se, até dá é vontade de rir. Formiguinhas a querer tossir à "macho", é o que é....

Conselho - e mais sábio é o que o escuta do que aquele que o dá: Muito ponto cruz e bordado de arraiolos, aprender piano e francês e recato, doravante muito recato. É que, por ora, fica-se por aqui, de hoje para amanhã....podem ser outras contas.....ahhh, e aproveitem, já não precisam de ir a Tuy, com ou sem desvio a Norte...

Sempre atentos....

Post Scriptum: Dedicada exclusivamente a quem se prestou a tal "papel", não a mais ninguém que inocentemente nada terá a ver.

Quarta-feira, Dezembro 23, 2009

A Aventura do Essencial..

Provavelmente será esta a última "Aventura" do ano. Bom, vamos a ela...

A escocesa Susan Boyle é seguramente por todos nós conhecida. Participou no programa "Britans´s Got Talent", uma espécie de "Idolos" da Grande Ilha. Hoje, um caso de sucesso tremendo não só no seu país como também no estrangeiro. Uma voz magnífica, sem qualquer dúvida.

Curiosamente, não foi ela a vencedora do concurso. Pergunto eu: Sabem quem é que o venceu?

Pois...será procurar no Stº Google....retirem-se, pois as elacções que bem se quiserem retirar. Para mim, o que interessa é a essência, o óbvio, o evidente....


Para todos um Excelente Natal e um ainda melhor 2010!