Sexta-feira, Janeiro 13, 2012

A Aventura do Defeso...

Esta altura do ano é conhecida por ser uma época, a nível tuneril, mais dada ao defeso, ou seja, a actividade é praticamente nula, havendo aqui e ali uma jantarada e pouco mais. Nada que não saibamos de antemão. Com o envelhecimento das tunas nacionais, cada vez mais a sobreviverem de activos que já não estudam e que têm os seus empregos, seria de esperar que os intervalos das pausas - duas anuais, uma no 1º trimestre de cada ano e outra correspondente aos meses de Verão - fossem cada vez mais curtos. E de facto, são mais curtos, tendem a encurtar por força da cada vez menor rigidez do calendário, calendário esse que sendo escolar, já não espartilha que  não estuda, logo, possibilitando outra gestão.

Ainda assim é facto incontornável que a actividade tuneril por excelência se confina a dois grandes tempos no calendário anual, os que estão fora - necessariamente - das pausas acima. Mas será que tal ocorre mais por hábito reiterado do que propriamente por força das actuais circunstâncias? Penso que será um misto das duas coisas. Sempre defendi que a actividade tuneril deveria ser algo transversal ao calendário anual e que não deveria estar refém de uma lógica "estudantil"; no entanto sempre a compreendi, necessariamente. Hoje em dia começa a ser notório que a tuna se pode alongar no calendário, por força do dito acima. O que, a meu ver, só a beneficia, só a credibiliza até e lhe confere uma maior respeitabilidade: Não há épocas fortes e fracas do Fado, há Fado o ano inteiro. Logo, por que raio não pode haver Tuna o ano inteiro? Sim, sei ser  comparação algo arrojada por até incomparável na sua esmagadora maioria dos pontos em análise. Mas a sazonalidade de uma cultura torna a mesma refém de um dado mainstream, deixando-a quase marginal face ao todo. Seria pertinente pensar-se em certames no Verão, p.ex. Porque não?

No defeso joga-se muito à defesa. O problema é que o defeso tuneril é a forma mais fácil de a tuna não marcar...golos, pontos. Pensem nisso....

Segunda-feira, Janeiro 02, 2012

A Aventura do Sétimo Ano....

Dizem que as crises conjugais se reflectem mais ou menos aquando do sétimo ano de vigência do matrimónio. Graças a Deus/Alá/Vacas/Iemanjá/whatever que não casei o "Aventuras" com nada nem ninguém. Logo, o repto mantém-se como sempre, aquela maravilhosa tasca onde só entram os amigos para beber um copo e os outros ficam a ver a tainada do lado de fora, ao passar pela janela. Menos mal, vá.

É esse o gozo, sempre foi e não vai, por essa mesma razão, mudar nada por cá, assim de relevante. Devo alterar um pouco a decoração mas pouco mais, já se sabe o que casa gasta. Bom 2012 para todos!!!!!!!!!

Quarta-feira, Dezembro 28, 2011

A Aventura dos votos....

Simplesmente desejar-vos um Bom Ano de 2012. Que seja o melhor possível! Entretanto, cá andaremos com mais "Aventuras"......

Terça-feira, Dezembro 20, 2011

A Aventura de 2011...

É chegado aquele momento do ano onde se fazem resumos, balanços, se analisa com mais ou menos precisão o que para trás decorreu.

Fazendo então o rewind, o festival é cada vez mais o momento "por excelência" da actividade tuneril nacional, onde quase tudo se foi passando grosso modo - e o quase aqui não é irónico.. - e onde, por tal, as novidades foram quase nenhumas; regra geral, surpresas praticamente não houve. Tivemos um assalto à Tusófona em meados de Abril, cenas animadas em bares de teatros, alguns a assinalar 20 anos de existência, Tunas e organizações de semanas académicas "à turra", tunas portuguesas a brilhar em Espanha, tunas a confirmarem e a confirmarem-se no panorama, outras a arrastarem-se penosamente e algumas a cair a pique. Em suma, pouco mesmo de novel haverá a assinalar. Muita Tuna a migrar para o Facebook e algumas até só mesmo lá é que exercem actividade; em oposição os sites institucionais são cada vez menos e "às moscas" estão, salvo raras excepções. O PortugalTunas continua sozinho na tarefa sempre ingrata de informar e formar, reflectindo-se também o cenário actual na sua produção, portal que conheceu em Fevereiro de 2011 uma ampla renovação de quadros e se projecta já em Janeiro de 2012 mais uma de monta, com novidades a ver futuramente. O ENT cumpriu-se e novamente em Bragança e ao que sei, vai continuar a cumprir-se, agora noutro local do país, seguramente. Lamentou-se a fatalidade da perda humana de alguns Tunos neste ano que finda agora.

Em contra-mão a esta tendência de marasmo, e qual suicida em plena auto-estrada, a Praxe a colidir literalmente de frente com a Tuna, com uma clara "cabazada" de 73 (Tunas) - 4 (trupes musicais) no resultado final na Invicta Academia, coisa típica do basquetebol, onde se enfiou num cesto os "inteligentes" que se dizem ser representantes da praxe, num ""processo" que hoje até dá vontade de rir. Já antes em Castelo Branco alguns quiserem meter a pata onde não podem nem devem e ficaram mal no filme, para variar. Tendência de 2011 que provavelmente se arrastará em 2012, infelizmente.

De registar e também em contra-ciclo a novidade do 1º livro exclusivamente dedicado à tuna estudantil portuguesa e não só, com novidades que farão corar alguns, as delicias de outros mas essencialmente servirão toda uma comunidade que, deste livro em diante, já poderá distinguir claramente o que é tradição de invenção, o que é de tuna e o que a deturpa; já não há com este livro, concluí-se, qualquer razão para inventar, excepto a má fé. Aguarda-se o mesmo nos escaparates a qualquer instante.

Bom Ano de 2012 para todos e um Santo Natal!

Terça-feira, Novembro 29, 2011

A Aventura do Peso Certo......

Esta é daquelas que volta e meia, assaltam as mentes de alguns, poucos. Acho até que, de forma mais directa, nunca foi coisa abordada. Mas pronto, cá estamos a fazer a pergunta que engasga - alguns: Será que o nome tem...peso? A denominação pode ser algo a pesar? Influi o suposto peso do nome que se tem? Ainda há aquela coisa do pedigree, tipo as famílias brasonadas e depois a ralé, o povo? Será que esse pedigree não será hoje uma coisa esticada para os cantos, uma espécie de pedigree pal (plus) nesta imensa televisão tuneril??? Ou não, ainda contará a origem e a heráldica familiar como atestado automático de idoneidade tuneril???

Depois de muito pensar em torno da matéria, a resposta será nim, ou seja, nem uma coisa nem outra, nem sim nem não, muito pelo contrário; há efectivamente uma zona cinza, neutra, uma terra-de-ninguém, um Paralelo 38, onde e caso a caso, poderemos perceber muitas coisas, efectivamente. Se por um lado, parece evidente que - e na sequência do "boom" - muita da denominação adoptada - principalmente a que recorreu aos prefixos ao termo "tuna" e não só - encheu a nossa iconografia de N nomes, alguns perfeitamente disparatados, outros até a descredibilizar o todo do fenómeno, que fará a própria (nas tintas para essas coisas, seguramente), já outra linha tomou esta questão da forma mais simplista e quanto a mim mais lógica, a denominação tal qual ela é ou deveria ser, aquela que traduz somente o que está à vista, sem paródias semânticas pelo meio. Parece pacifico.

Depois há nomes que, aparentemente jocosos e/ou parodiantes, resultam na prática em algo credivel - crédito que se constrói paulatinamente - e há outros que, com nomenclatura tão higiénica, vai-se a ver na prática e afinal não passa a higiene do nome, porque no resto a coisa muda de figura; são as excepções à regra acima, será bom de ver. Olhando para o cenário geral, poucas são estas excepções, vamos convir, o que atestariam a aparente regra. Algumas tunas até foram fazendo uma certa inflexão nesta matéria, ora adoptando a forma mais simplista ou então abandonando a mesma e resgatando uma forma mais "formal" de denominação.

Certo certo é que em certas e determinadas situações, ora o suposto peso é abanado qual estandarte pelos próprios ou então assola as mentes o dito cujo pesar mas agora de terceiros. A questão nem estará, porventura, na dimensão e extensão histórica do nome e seu significado, seguramente. Estará porventura e antes a questão do suposto peso em causa quando se trata de aferir a sua real importância ao momento certo, concreto, de facto; aí sim, é que a questão se pode levantar, mais digo, levanta e em alguns casos, confunde. Sempre os mais incautos e desavisados, claro está.

Um dos vários problemas a jusante da tuna estudantil portuguesa prende-se com a constante confusão que alguns, muitos, operam entre dois conceitos completamente distintos: orgulho e arrogância. Orgulho não pode ser a ante-câmara de algo mais nefasto como o é a arrogância; pior, quando esta ultima é a gasolina que move o suposto orgulho; pior ainda quando essa arrogância vem somada ao tal pedigree pal plus que vem de longe-  qual "Constantino" - não se percebendo então porque hoje, ao invés de arrogante não se é somente orgulhoso de feitos que, regra geral, em nada contribuíram para - porque feitos passados. Para ajudar à festa, esse pedigree pal plus surge hoje como uma espécie de "trunfo adicional" que, pasme-se, serve - supostamente - para os dispensar de algo ou então para os elevar à partida a uma condição supostamente "inabalável", uma espécie de pole-position sem cronometragem de tempos e face aos demais, sejam eles quem forem e onde for. Nada de mais absurdo, diria até.

Mas quem, afinal, caí nesta falácia onde se procura capitalizar algo que merece sem dúvida respeito, orgulho dos mesmos e demais salamaleques derivados mas que em caso algum pode servir para mais do que isso, para discriminar positivamente ou negativamente?  Quem embarca nisto, afinal? Quem é desavisado, quem não distingue o lógico, evidente e claro como água. A Prima do Mestre de Obras não é a mesma coisa que a Obra Prima do Mestre, como bem sabemos. Como a Estrada da Beira é uma coisa e a beira da estrada outra.  Não se trata de uniformizar ou normalizar, nada disso. Trata-se antes de distinguir-se claramente, respeitando quem tem vetusto background, pedigree, linhagem ou LOP e por aí fora, e nada a obstar - e eu muito menos, até como curioso sobre a história tuneril que sou, respeitador incondicional da mesma - entre o que se é e/ou foi e o que se faz ou deixa de fazer; são verbos distintos, claramente: O que somos e o que fazemos não é a mesma coisa. Confunde-se muito dois conceitos que são na sua génese distintos, completamente distintos, ainda que se cruzem. Cruzem, mas não devem confundir - nem confundam.

A diferença entre os anéis e os dedos é que os primeiros são sempre dispensáveis - mesmo que de família, a transitar de geração em geração - e os segundos já não, fazem falta, manifestamente, porque mais importantes, fulcrais, valiosos, indispensáveis. É esta diferença que faz toda a diferença, porque a mesma demonstra claramente o que é importante e o que é acessório, dispensável, mesmo que respeitável até. Podem ser anéis muito bonitos, da colecção privada da Coroa Britânica até; sem dedos para os colocar de nada valem, não passam de peças de museu para inglês ver.

O Peso Certo, é, afinal, a mistura em doses equilibradas do cruzamento do que fazemos com o que somos. Quando há desequilíbrio, naturalmente algo está errado; o problema é que se porventura poderemos ser aquilo que fazemos, já não fazemos apenas e só porque... somos ou fomos; Lenine era comunista e andava de Rolls Royce; na verdade, dizia-se comunista quando tudo o fazia, afinal... capitalista (menos o parlapié).

Estou particularmente à vontade para discorrer sobre esta matéria e por motivos cronologicamente óbvios. O que, curiosamente, me deixa mais à vontade ainda para perceber e apreender todo o contexto em questão. Concluo, pois: Não há qualquer duvida que os nomes pesam e devem pesar mas apenas e só naquilo que deve, exclusivamente, ser ponderado, respeitado e com isso, acarinhado até. Fora desse âmbito mais, digamos, romântico/histórico, deve ponderar sim aquilo que se é, tenha-se o nome que se tenha (preferencialmente bonito e decente, vá....:)))))) ) e mostrando orgulhosamente sempre o que se faz (e não arrogantemente o que se julga bem fazer.....). O que num contexto mais abrangente como o nosso, o tuneril, obriga todos a portarem-se à altura dos acontecimentos, sabendo-se distinguir aquilo que é distinto, sabendo-se perceber o que é para ser percebido, sem mais delongas. Nem se espera outra coisa, sequer.

Sexta-feira, Novembro 25, 2011

A Aventura da Consciência Credibilizante.....

Só o português é capaz de separar a consciência dos actos que pratica, já dizia alguém. E pelos vistos até faz algum sentido, bem vistas as coisas. O discurso dito "consciente" por norma resulta numa prática algo desviante da mesma consciência que, pretensamente, preside ao acto. Coisa muito "tuga", façamos a devida vénia....

Já por algumas vezes - pelos vistos, poucas - abordei esta temática. Outros blogues idem e até com mais acutilância, devo dizer. Talvez porque se acredita - mesmo assim - que a credibilidade é algo que se conquista naturalmente e não se impõe ao berros, à força, pela saturação ou através de outras coisas, digamos, pouco ortodoxas.

Mas afinal, o que é credivel e o que não é credivel, neste mundo tão particular? Será por se dizer até á exaustão que algo é "credivel" que esse algo efectivamente o será? Temo que não seja exactamente assim, devo dizer. Neste mundo tão peculiar toma-se como sendo verdade insofismável e portanto, incontrariável - ou seja, um dogma - algo que basta ao seu remetente dizer: "Eu sou credivel e o que eu faço também o é". E pronto, temos automaticamente a credibilidade chapada em Outdoor e obviamente, aí de quem disser o oposto. Pior que isso, se alguém se "atreve" a dizer o oposto - tendo ou não razão de facto para tal - então é "dôr-de-coto", "azia" ou  "inveja". Ou seja, um must,  a famosa pescadinha-de-rabo-na boca, onde para se sair deste circuito fechado dá efectivamente trabalho, necessita-se de alguma capacidade argumentativa mas acima de tudo, de credibilidade. Consciente, preferencialmente.

É, na tuna "tuga", um exercício de altíssimo risco, mais perigoso que atravessar o Afeganistão vestido com a bandeira do Tio Sam da cabeça aos pés. Demonstrar que algo, supostamente credivel, afinal não o foi ou não o é, neste mundinho, é mais arriscado do que jogar à Roleta Russa. Pior, correndo-se o risco de sair da faena com o rótulo costumeiro - "dor-de-coto", "azia" ou "inveja" e por aí fora. Como bom espartilho que esta coisada é, só dele saí, das duas uma , quem é descendente de Houdini ou então, quem efectivamente pode dele sair porque é conscientemente credivel, mantendo uma postura assertiva onde não procura diminuir ninguém, nem justificar nada, mas antes e sim perceber a verdade dos factos. Até por uma questão de consciência, nada mais, nada menos. Só para alguns - geralmente os patrocinadores da tal pescadinha-de-rabo-na-boca - é que a procura da verdade é igual a azia, dor-de-coto e quejandos. E mais afirmo: se o é para esses tal coisa confusa, então são esses mesmos os principais interessados em que não se saiba a verdade, se não esclareça as coisas. Porquê? Porque lhes interessa que assim seja., simples.

Apurar factos não é procurar polémica, justificações inócuas - que de nada servem - ou tentar diminuir algo ou alguém, é simplesmente apurar factos. E é por força dessa postura naturalmente tranquila, normal e natural, mais diria, perfeitamente aceitável - tratando-se de Tunos, digo eu... - que se credibiliza conscientemente todos os intervenientes e, em suma, o todo do fenómeno. Procurar confusão na mistura de coisas absolutamente distintas só atesta da falta de rigor, veracidade e da má-fé até, de quem mistura estações tão distintas como o são a água e o vinho.

Regressando ao inicio desta "Aventura"  a consciência deve acompanhar o acto, tentando-se alguma coerência entre o propagado e o realizado, no limite. Credibilizar em -e as - tunas é como na vida em geral, não carece de grandes delongas. Contudo, conforme acima descrito, muitos, a maioria, pregam algo que não "bate certo" com o que fazem e  pior, nestas matérias, caem no tal Dogma da Auto-Infalibilidade Supra-Terrena, tornando assim difícil distinguir coisas naturalmente distintas, muitas vezes reforçando essa mesma confusão como forma de esvaziar a tal procura dos factos.

A Consciência Credibilizante é aquela que devemos ter para fazer a auto-critica - não esperando pelos outros, pelos Júris, pelos vídeos, pelas palmas - quando ela deve ser feita - o que nos ajuda no árduo caminho daquilo a que nos propomos -  mas também é aquela que devemos ter para não credibilizar o que não tem de todo qualquer credibilidade; o maior favor que muitas vezes uma tuna faz a terceiros é simplesmente falar sobre esses, seja lá o que for dito ou mesmo pensado. Ser-se conscientemente Credível é apurar factos e não alimentar o tal espartilho que acima referi . É saber olhar no espelho por se ter a consciência de que é possivel falhar - e não dispensar o espelho por se achar o maior da rua. É saber gerir a sua própria credibilidade com a credibilidade dos outros que também a têm - e não patrocinar a falta dessa mesma credibilidade que outros claramente NÃO têm. É ser-se maduro na análise dos factos - e não "puto" parvo a medir as pilas.

Com isto dizer igualmente que, em tunas, aquilo que elas fazem também é sujeito ao escrutínio de terceiros, como em tudo na vida. E não basta - lá voltamos nós - dizer que e por exemplo. "este festival é do melhor que há por aí"; como diz um Tuno espanhol meu amigo "este certamen es muy bueno hasta el dia en que deje de lo ser". Ou seja, não basta repetir até à exaustão os clichés costumeiros, há que demonstrar de facto, concretamente, que o é; não conheço nenhum certame cujos organizadores digam à partida que "isto é fraquinho mas pronto, quem dá o que tem a mais não é obrigado". Logo, deduz-se que, sendo o discurso o mesmo em todos, o que os distingue de facto é o que fazem, de errado ou de correcto, no terreno. E aqui é que se mede a real credibilidade consciente ou não; quando se facilita e se coloca nas mãos de terceiros a nossa própria credibilidade, a coisa mais tarde ou mais cedo vai dar mau resultado. E sim, há quem dê tiros nos pés, permita asneiras colossais em sua própria casa, se ponha a jeito para o absurdo. Há, claramente há.

Falar mais alto regra geral não é falar melhor. E muito menos bem. E para falar bem e melhor há que ser credivel. Conscientemente credivel. Um discurso muito bonito a apelar à paz feito por um Taliban é tudo menos credivel.

Quarta-feira, Novembro 23, 2011

A Aventura "Mentalista".....

Há, num desses canais por cabo que se dedicam exclusivamente a séries de culto, uma intitulada "O Mentalista", que basicamente se reporta ao facto de um bacano - não percebi muito bem se policia, se não.. - muito bem parecido (dizem Elas...) e melhor vestido, com um Citroên DS - o famoso "boca-de-sapo".... - e que consegue prever, ler a mente das pessoas por força das expressões faciais, body language, olhar, coloração da tez, etc etc etc. Uma espécie de Zandinga mas em versão mais softcore, adaptada para seriado televisivo norte-americano de transmissão à escala mundial. Para soap opera parece-me lindamente, entretém e assim - embora a mim, pessoalmente, pouco ou nada me atraíam estas séries.

Mas ao ver de raspão "O Mentalista", não pude de deixar de estabelecer paralelos engraçados, curiosos e desafiantes até para as mentes mais rebuscadas, devo confessar; um exercício contra a preguiça mental do melhor que pode haver, tendo sempre o cuidado de não cair - por exagero - nas comédias a la carte ou então na "Teoria da Conspiração" - pessoalmente, prefiro a Teoria da Transpiração... - onde nos arriscamos a ver o Mel Gibson a perseguir tudo e todos de uma forma quase psicótica (excelente papel, by the way, bem melhor que aqueles collants ao interpretar Hamlet......).

De facto, há nas tunas nacionais quem se preste ao papel - tão ingrato quão ridículo por previsível...-  quer do Mentalista, quer do Mel Gibson em versão conspiratória. Por partes, então.

O mentalista das tunas é aquele que tipo que, prestando-se a um papel regra geral para o qual não é minimamente qualificado, aproveita o mesmo ensejo para, qual "xico-esperto", lançar as raízes para o futuro próximo na perspectiva de, com isso, obter algum dividendo objectivo para si e para os seus. É aquele cromo que pensa assim: "bom, já que estou neste papel, vou potenciar o mesmo a meu favor, ficando bem na fotografia dos gajos Y e assim, pr´ó ano, a coisa já corre melhor!". Um must de premonição, lembrando a Maya  nos seus tempos áureos. É o gajo que atira os búzios para ver se colam à parede de alguém. É o que joga com o baralho todo mas "se esquece" diligentemente de retirar dele os Joker´s. É o verdadeiro Alexandrino da premonição tunante. A "Pomba Gira" do que obviamente se prepara de véspera para soar depois a "destino". A Alcina Lameiras mas sem juntar os joelhos, antes os apartando....a alguém.

O mentalista das tunas é mais mentalista por força da semântica do que propriamente por força da adivinhação. "Mente" mais o mentalista das tunas do que propriamente adivinha. É mais, portanto, um "petalista" do que "mentalista". E como bom "petalista" que é, faz um esforço titânico, quase sobrenatural, para estar bem com Deus e o Diabo ao mesmo tempo enquanto está a atirar os búzios contra a parede, qual barro. Só que os búzios não colam à parede, antes caem. Como é evidente. E o mentalista das tunas, assim, fica com a careca à mostra. O mentalista das tunas regra geral é aquele gajo de uma tuna que, sabendo que não vai lá de forma correcta, normal e pacifica, arranja uma mezinha para ver se futuramente a coisa cola. Mas não cola, os búzios caem. Essa, nem Iemanjá conseguiria disfarçar. E por causa disso, os outros sim é que já sabem o que irá acontecer a dado momento. Resta saber se os outros lá estarão para assistir a mais uma "coisa do destino".....


Depois temos o "Mel Gibson versão conspirativa das tunas"; é o freak de uma dada tuna que nunca reconhece a normalidade dos factos, o evidente do empírico, a lógica natural das coisas (trabalho+ talento=sucesso) e se refugia, constantemente na teoria do inimigo externo, "aqueles-gajos-que-não-dormem-só-para-me-lixarem-a-vida!", procurando insistentemente com isso justificar o que de errado faz por sistema, sucessivamente, umas atrás das outras e sempre da mesma maneira. Como não tem discernimento para reconhecer os seus próprios erros pois acha que o que faz é top (??!!), transfere-os imediatamente para os outros, regra geral, os que competente e saudavelmente agem. O "Mel Gibson versão conspirativa" elege um ou dois alter-egos (um dia gostaria de ser assim, como eles....) e projecta o seu fel nos mesmos, tornando-os, assim, naquilo que um dia gostaria de ser. E como bom cromo que é, não percebe nesta coisa aparentemente contraditória, de ódio-amor, que incorre em 3 erros crassos: 1º) continua a fazer o que faz mal e porcamente, porque perde mais tempo com os outros do que consigo próprio, 2º) ao odiar está a elevar ainda mais quem odeia e 3º) os outros estão-se nas tintas para o cromo......


Ao fim e ao cabo, os "Mentalistas" e "Mel Gibsons" são uma espécie de palhaço rico e palhaço pobre deste cenário, o 1º mais rebuscado, elaborado mas igualmente trágico por óbvio e o 2º mais simples e acessível mas igualmente óbvio, divertido e por tal, apalhaçado, como só um tolinho o é.....

Bom, tudo isto é o que é, vale o que vale, serve para o que serve. Até porque, mais tarde ou mais cedo, tudo fica no seu devido lugar. Em alguns casos até, demasiadamente rápido. Mas tudo isto não muda em nada a essência das coisas, daquilo que elas de facto, são.