Segunda-feira, Janeiro 26, 2009

A Aventura do Quinto Centenário..


De facto, a grandiosidade e a perenidade de uma cultura acabam sempre por se manifestar de forma inequívoca e indelével a dado momento. Santiago de Compostela a dado passo tomou como "sua" a cultura Tunante e andou desde então a par e passo com essa mesma cultura Tunante, acarinhando-a na mesma medida da sua grandiosidade. La Casa de la Troya já no "Aventuras" tipificada é uma das muitas provas perenes dessa precisa importância que Santiago e a sua Universidade emprestam desde sempre.


Entre os dias 22 e 25 de Novembro de 1995 a Universidade de Santiago prestou homenagem à cultura Tunante organizando, por intermédio de todas as suas Tunas activas então - aquele que terá sido muito provavelmente o maior certame de Tunas alguma vez realizado e no âmbito das comemorações do seu quinto centenário.









Como diz o prospecto do evento, "as comemorações não seriam completas sem um espaço dedicado a uma das mais tradicionais e coloridas formas de associativismo estudantil" e a mesma levou às ruas de Santiago quase um milhar de Tunos oriundos de vários pontos cardeais de Espanha, Portugal e Holanda, sendo que se dividiu por duas eliminatórias preliminares e depois a final composta pelas 8 Tunas seleccionadas nas duas eliminatórias anteriores. Mas o importante é que ao largo desses 3 dias Fonseca, a velha Fonseca, não ficou nem triste e muito menos "sola" como diz aquela famosa canção, tamanha a festa, colorido e tradição que se abateu nesta peculiar cidade Galega.



Participaram então as seguintes Tunas (e atente-se à época e à qualidade das mesmas): Magistério de Sevilha, Medicina de Murcia, Distrito de Granada, Estudantina de Coimbra, Veterinária de Lugo, Arquitectura da Corunha, Obras Públicas de Burgos, Universitária de Vigo, Ciudad de Luz Eindhoven, Direito de La Laguna, Universitária do Porto, Farmácia de La Laguna, Aparejadores de La Laguna, Medicina de Cádiz, Medicina de La Laguna, Universitária de Deusto, Feminina de Zaragoza, Feminina de Valência, Direito de Pamplona, Direito de Murcia, Industriales de Gijón, Direito de Alicante, Distrito de Las Palmas e Universitária de Barcelona. Organizaram a Tuna Compostelhana, Medicina, Direito, Farmácia e Tuñina, todas de Santiago.


Este cartaz foi - e ainda hoje seria - absolutamente ímpar em toda a história dos certames alguma vez ocorridos (sendo que por exemplo nele se encontram 6 Tunas que já venceram pelo menos e contabilizando "por alto" umas 11 edições do FITU Cidade do Porto - algumas repetiram o 1º premio - bem como outras (poucas) que literalmente já não existem, sendo curioso destacar o facto de que a maioria ainda se encontra de boa e/ou excelente saúde tunante. A 3ª classificada então foi a Tuna Universitária do Porto, a 2ª a Tuna de Deusto e a grande vencedora deste irrepetivel evento ficará para a história porque para lá do feito histórico, hoje a mesma não existe pelo menos em actividade, a Tuna de Ingenieros Industriales de Gijón.

Fica o detalhe histórico pela grandiosidade, envolvência entre Tunas e sociedade local, carácter, cenário natural e acima de tudo, pela exclusividade do mesmo pois de lá para cá - e já lá vão 14 anos... - nada de parecido ocorreu nem em Santiago nem em parte alguma. Talvez por estes mesmo factos este evento passe quase despercebido no historiar da Tuna; seguramente por isso merece este evento uma "Aventura" a ele dedicado.

Post Scriptum: Fica o desafio dirigido a alguma vetusta Academia. Para quando algo pelo menos parecido? Sempre é uma excelente forma de fugir ao tipico Sábado à noite de palco tunante sempre quentinho....










































Quarta-feira, Janeiro 21, 2009

A Aventura do PortugalTunas take 3

Um pouco mais a frio - como convém nestas matérias até para não se cair em exageros - faço agora a minha análise, embora por dentro, da nova versão do PortugalTunas estreada sensivelmente fará agora uma semana.


Para essa análise contribui em muito o conhecimento in loco, fruto do natural acompanhamento nos bastidores de toda a evolução não só na transição da versão anterior para a presente mas inclusivé desde o remoto ano de 2003, quando em Fevereiro desse ano 3 "malucos das Tunas" resolveram fundar aquele que é o mais completo, eficaz, multifacetado e antigo orgão de informação tunante online em Portugal: Eu próprio, Helder Pestana e José Rosado.


Compreende-se as criticas feitas - as positivas e as negativas - e posso afiançar que muitas das mesmas são feitas por uma simples e única razão: a importância que o PortugalTunas detêm. Nada que fosse insignificante resultaria em tão tamanhas doses de critica, seja ela de cariz + ou -. Essa é a 1ª - e mais importante - elacção a retirar, tal como aconteceu na estreia então em 2003 e tal como ocorreu na transição da versão 1. para a versão 2., então. Resumindo, nada de novo nesta matéria e ainda bem; ninguém conseguiu até à presente data substituir-se ao PortugalTunas pese o facto altamente positivo de haver vários outros produtos nos quais este presente blog se incluí (e no caso do "Aventuras" com mais propriedade se afirma, pois este último não pretende sequer ser sucedâneo do PortugalTunas, tem outras missões que, por mera casualidade, se podem eventualmente cruzar num ou noutro momento).


Serve esse pioneirismo - e presente isolacionismo na matéria - para dizer que, claramente, se poderá avançar dois tempos na informação sobre o mundo tunante nacional: até ao PortugalTunas e depois do PortugalTunas. Dado inegável por força essencialmente de duas ordens de razão: a atenção ao mesmo dispensada por todos os Tunos nacionais - e não só - ao longo de seis anos - e uma forte convicção nos princípios gestores do portal. Estas duas realidades aliadas foram elas por si só - e são hoje igualmente - catalizadoras da real importância que o PortugalTunas detêm, mesmo se em dado momento esses dois factores estiveram mais ou menos presentes. Houve, como em tudo, alturas de desilusão, alguma acomodação (em todas as Tunas isso ocorre e não se pode, até por isso, exigir ao PortugalTunas que tal não suceda...) mas que foram sucessivamente combatidas com trabalho efectivo. Houve tempos mais ou menos complicados, reuniões acaloradas e outras quase dispensáveis mas o PortugalTunas manteve-se, manteve-se porque fiel aos seus principios e finalidades genéticas nunca permitindo desvios que se poderiam revelar fatais à sua missão: formar e informar.


A comunidade tunante, por força de muitos factores que aqui não cabem a sua dissertação, muitas vezes confundiu e em alguns casos confundiu-se: não é o PortugalTunas patrocinado pela Santa Casa da Misericórdia, Ministério da Cultura ou Cooperativa em tempos de PREC; é uma entidade absolutamente privada com fins claros e acima transcritos na ultima linha do parágrafo anterior. Não é o PortugalTunas uma embrião de uma Federação, Associação ou motor de arranque para contra-revoluções de alecrim e manjerona; É sim um opinion-maker em defesa da Tuna enquanto cultura e forma de Ser e Estar. Não é o PortugalTunas o orgão oficial das Tunas mais fracas ou mais fortes musicalmente, das mais alegres ou mais sóbrias, das mais bonitas ou feias ou das mais masculinas e mais femininas; é um orgão de informação tunante ponto período. Doa a quem doer. E vai "doer" mais doravante, posso afiançar desde já. Quase para perguntar "onde está a novidade?"


A novidade surge pela 3ª vez com a estreia de um novo layout e base de dados - ao user comum só interessa o layout e as funcionalidades pois este esquece-se da importância que uma boa base de dados detêm e no caso do PortugalTunas. Quando se alberga em backoffice informações que juntas dariam para um museu, compreender-se-á que a critica mais leve e desinformada pode ser pertinente mas quase igual a uma critica sobre qual o 11 que o Mourinho escolheu este fim de semana para pôr o Inter a jogar: por muito que saibamos, o Mourinho no Inter é que sabe realmente quem são os 11 jogadores mais aptos e eficazes para um determinado fim em concreto. Webmaster´s e gestores de conteúdos há tantos como treinadores de bancada. Mais uma vez, aqui não há novidade alguma.


E é essa falta de novidade pela positiva que se constata desde logo: opina-se, sugere-se, diz-se como se faria, como se não faria e é precisamente nesse feedback que reside a prova do sucesso e importância do PortugalTunas no actual cenário webjornalístico tunante nacional e internacional. Aliás, é forte aposta desta versão o alargar de horizontes geográficos, procurando captar mais e mais utilizadores de facto - e não meramente estatísticos porque isso nada significa no essencial - quer nacionais, quer de outros países onde a cultura tunante está presente, nomeadamente Espanha e América Latina e Central, para lá do natural e óbvio segmento nacional que é e será sempre a alma mater.


Gostos à parte sobre as cores, os floreados e os rodapés, o essencial é que a versão 3. do PortugalTunas é uma excelente base, alicerce, para se poder fazer muitas coisas que até agora eram impossiveis ou inviáveis. Tudo está a renascer ao fim e ao cabo, até para quem por dentro vive o PortugalTunas. Certo certo é que eu até gostava de ver esta versão com uma máquina a debitar finos para a malta mas não é possivel de todo. E há que compreender que há muitas sugestões meritórias, por certo, que não se afiguram possiveis por força de 3 principios basilares que norteiam o PortugalTunas: pertinência da sugestão, praticabilidade da sugestão e a mais importante, decisão final sobre a mesma por parte de quem gere o Portal, porque o conhece, sabe, sente, trabalha dia a dia no mesmo desde 2003 e por aí fora.


Por mim, gosto imenso: é uma maquina sobria de imagem e conteúdos - que crescem à medida dos tempos como sempre foi (mais uma não-novidade) - oriundos das vertentes que fazem o sumo das funções genéticas do Portal. A melhor forma de contribuir com o PortugalTunas é ajudando o mesmo na sua missão pois para o gerir há quem e com provas mais que dadas.


Pelo que posso afiançar, este é o começo da 3ª etapa, etapa essa que trará muitas mais novidades. Posso avançar uma - que surgirá a seu tempo - que pode ilustrar a vontade, trabalho e motivação actuais: terá versões em inglês e espanhol para lá de versões para PDA e outros suportes actuais existentes. A ver vamos.



Hoje a preocupação essencial reside nos alicerces do PortugalTunas; porque azulejos e a cor das paredes, essas trocam-se com facilidade. Mau seria haver frescos de Miguel Ângelo numa casa em ruínas....

Quinta-feira, Janeiro 15, 2009

A Aventura da 3ª versão

A cerca de 24 horas sensivelmente da inauguração da 3ª versão do PortugalTunas, faço desde já uma espécie de "levantar do véu" em jeito de antecipação. Não, não há screenshot´s disponiveis sequer pois retirariam algum efeito surpresa - mas pode-se avançar com uma pálida imagem por escrito do que será possivel desvendar - e desenvolver - entretanto.

Imagem mais sóbria e que "provocará" seguramente reacções; umas serão positivas e outras negativas, como em tudo nestas coisas. A imagem terá papel de destaque face às duas anteriores versões e estará quase sempre ou mesmo sempre anexada às palavras. A arrumação dos temas e sua segmentação está mais clara e objectiva, o que possibilita mais discernimento informativo e formativo. O forum mantem os tópicos da versão anterior - agora com possibilidade de terem a sua foto anexa ao post que colocam - para que haja alguma lógica sequencial e identificação entre nomes e caras e os user´s terão mais ferramentas disponiveis para poder chegar ao portal mais informação. A base de dados é nova e por tal terão todos os leitores de se registar novamente, num registo mais completo e fidedigno, possibilitando discernir o user a titulo pessoal do user tuna institucional até. A equipa de colaboradores será toda reformulada de acordo com esta versão.

Uma nota apenas: Esta versão está naturalmente em desenvolvimento e irá tendo mais modificações ligeiras e pontuais de acordo com o avançar do tempo, bem como verá algumas secções modificadas no seus conteúdos e que se irão disponibilizando entretanto.

Em conclusão: 1º estranhar-se-á e depois entranhar-se-á....

Daqui a pouco estará online. E que chovam as pedras - e as flores...!

Quarta-feira, Janeiro 14, 2009

A Aventura à Roda....



Os comentários, desta vez, ficam por conta de Vªs. Exªs.....

Quarta-feira, Janeiro 07, 2009

A Aventura da Tuna Feminina em Espanha

Deixo-vos com o relato do Maese Chencho da Tuna de Medicina de Córdoba e ilustre Tunólogo, numa tradução livre:

"Dito de forma clara: não há razão histórica para negar a natureza das Tunas femininas.

Quando a tradição de "correr la Tuna" desaparece nas suas razões de ser (o traje e o foro escolar...) em meados do Século XIX, aparecem as estudiantinas carnavalescas, que com o tempo evoluem até ao que hoje são as Tunas espanholas.

Estas nascem como sendo comparsas de Carnaval que se vestem de estudantes mas que não são integradas por estudantes. Ocorre que a fórmula teve êxito - pelo seu colorido e musicalidade muito superior a das outras comparsas, pois estas estudiantinas integram não raras vezes músicos profissionais que criam peças exclusivas para elas - e começa a generalizar-se um tipo de comparsa que veste de estudante e que com o tempo recebe o nome de estudiantina (até então o término designava os estudantes como colectividade ou como adjectivo qualificativo aplicável aos estudantes).

Esta tipo de comparsa é a origem de dois grupos que por sua vez também o nome de estudiantina, as formadas por estudantes verdadeiros, seguramente alicerçados pelo uso de uma tradição (“correr la tuna”) criada pelo seu grupo social e outras estudiantinas que não são senão orquestras profissionais que se vestem de estudantes para os seus espectáculos e digressões (como a "Estudiantina Figaro" que faz digressões por toda a Europa e América, a cujo passo origina a criação de agrupamentos similares no continente sul-americano .

Pouco a pouco as estudiantinas formadas por estudantes verdadeiros começam a utilizar para denominar-se para se diferenciarem das outras o termo "Tuna" que até então não existia (existia o termo "correr la tuna", ou seja, costume próprio aplicável ao período de ócio que consistia em garantir sustento durante o mesmo).

Por exemplo, em 1878, a Revista Cordobesa (periódico científico, literário e de interesses gerais) nº 90 de 8 de Março diz: " Esta noche, a las ocho y media, se efectúa en el Gran Teatro un concierto por la estudiantina La Tuna Madrileña". Outra forma de diferenciar menos problemática e que também tem muito êxito é a seguinte: Estudiantina Escolar Gaditana, uma estudiantina integrada por estudantes da Universidade de Cádiz.

A comparsa de estudantes (que conviverá com as duas seguintes) é a origem das estudiantinas escolares e das profissionais. Comparsas estudiantinas femininas existem desde o início, logo partilha-se a origem, pois a única diferença é que umas são formadas por estudantes verdadeiros e outras não, fazendo precisamente o mesmo. Só saem à rua pelo Carnaval, formando-se o tempo necessário antes para ensaiar um repertório. Logo ampliarão as suas actividades a actos beneficentes, serenatas a personagens importantes, etc, tanto umas como outras.

Que não havia tunas femininas na antiguidade? Claro, a Mulher não havia entrado nela, como tal, era impossível à Mulher formar estudiantinas universitárias.

Quando a Mulher entra na Universidade, forma-as então: após a guerra civil nascem as tunas del SEU (no inicio também denominadas de estudiantinas) na década de 40
. A primeira Tuna feminina de que tenho constância é a do SEU de Barcelona de 1958, também a de Ciencias de Barcelona de 1961, a Tuna Escolar Juvenil de Bilbao de fins dos anos 50, princípios dos 60, da feminina da Universidad de Oviedo fundada com motivo do certamen nacional de tunas de Oviedo de 1965.

Na época do SEU - Sindicato Espanhol Universitário - era impensável que uma mulher usasse calças, pelo que a Feminina de Barcelona (...) seguramente tiveram que vestir o "uniforme" que o SEU lhes impôs. O resto das tunas femeninas atrás faladas vestiam o traje que é derivação do usado pela Estudiantina Española de 1878.

No Século XIX recordo que as mulheres não detinham plenos direitos políticos nem civis, bem como não podiam cursar estudos universitários.

A Aventura das Curiosidades...

Sobre a Tuna Espanhola há de facto muita matéria pese que dispersa sendo que muito do que existe carece por vezes de contraditório e por isso, de alguma credibilidade.


Deixo-vos com algumas - poucas - curiosidades históricas sobre a Tuna Espanhola:

- Após a Guerra Civil Espanhola é que se realizou o 1º certame de Tunas alguma vez feito, no ano de 1945 e em Madrid com a particpação das 5 únicas Tunas que existiam então em Espanha; o 2º certame realiza-se igualmente em Madrid mas 9 anos depois e o 3º em Cadiz no ano de 1956.

- Um Decreto datado de 1955 dizia expressamente então que só poderia existir uma Tuna por cada Distrito Universitário espanhol - forma de organização universitária em Espanha, então - sendo que por força do mesmo muitas tunas surgidas começam a utilizar o termo Estudantina para contornar o dito cujo decreto.

- A Tuna espanhola de Faculdade mais antiga data de 1898, a Tuna de Direito de Granada.

- O Sindicato Espanhol Universitário (da falange Franquista que geria as Tunas de então) editou um livro em 1954 intitulado "Qué es el SEU", que dizia "Hay Tunas Universitarias en las siguientes jefaturas del SEU:... Madrid... .También hay Tunas Universitarias en Barcelona, constituidas por los alumnos de las Escuelas de Ingenieros y peritos industriales, conjuntamente. En Madrid, en las Facultades de Ciencias, Ciencias Políticas y Económicas, Bellas Artes, Comercio y Periodismo, y en Cartagena en la Escuela de Peritos Industriales"

- No anos dos primeiros certames de tunas ia somente uma tuna por Distrito universitário, no caso de haver várias no mesmo, ou se elegia a dedo a que ia ou se fazia um concurso e a que ganhava ia ao certame.

- Na época Franquista uma Tuna quando visitava outra cidade tinha de ir visitar o governador civil (para que desse permissão para actuar) e também passavam pelo Ayuntamiento para uma pequena recepção e lanche.

A Aventura da Poetisa...

Alfonsina Y el Mar, registada pela 1ª vez em tempos muitos idos - 1973 no albúm "Cantan A Hispanoamérica, Vol. 2" pelos Los Sabandeños e rearranjada pelos mesmos no album "Mar" - 1996 - é seguramente um dos mais belos temas que as Tunas souberam "usar" nos seus reportórios.

Fica aqui o mesmo tema por uma não menos soberba Tuna, a de Deusto - Bilbao - com arranjos próprios e que não obstante a perca de qualidade própria dos videos online, mostra de forma cabal quer a beleza do tema quer a qualidade dos seus interpretes. A merecer por isso mesmo uma "Aventura".

Terça-feira, Janeiro 06, 2009

A Aventura Introspectiva

Isidoro Vila Soler publicou em 1994 um estudo antropológico sobre a Tuna - debruçando-se mais especificamente sobre a Tuna de Direito de Alicante nas suas componentes actividades, relações de poder, relações externas, costumes, traje, etc - onde termina o mesmo documento com uma conclusão deveras importante e que mantem toda a sua actualidade e pertinência, mais para mais no actual contexto em que a Tuna é encarada pela maioria dos seus pretensos difusores. Passo a transcrever numa tradução livre:


" São Tunos, o que quer dizer muito mais do que pertencer. Esta é uma das características que diferencia a Tuna de qualquer outro agrupamento estudantil ou não. Neste últimos, pertence-se ou está-se. Na Tuna não se está e não se pertence (os Tunos nunca falam desta maneira); É-se (está-se na esfera da própria personalidade)." (fim de citação).


Parece evidente que esta conclusão se prende intrinsecamente com a forma e vivência da Tuna espanhola desde sempre, onde a picaresca tunante, o viver a Tuna é base, aliçerce, consistência e consciência sociocultural da função primária da Tuna enquanto tal. Foi aliás esta premissa que foi "importada" aquando do ressurgimento tunante dos anos 90 do Século passado em Portugal que aliou à mesma a vertente de representatividade praxistica de cada casa de Altos Estudos Universitários, algo que acontecendo em Espanha é bem menos patente ainda hoje no relacionamento intra-tunas - a Tuna espanhola por via de regra não valoriza tanto a representatividade da sua escola específica como acontece do lado de cá da fronteira - sendo que a Tuna espanhola sempre se viu mais como agrupamento de vivências internas do próprio grupo, mormente orgulhar-se e representar a sua faculdade, universidade ou cidade. Acresce a esta noção o simples facto de que muitas vezes as Tunas espanholas se apresentarem com elementos de outras Tunas - por força de uma noção Tuno versus Tuna - e que deriva de um amplo reportório comum que obviamente facilita essa noção, para lá da forma de estar transversal de cada Tuno espanhol ser regra geral similar e bem menos tribal que a noção que por cá sempre correu e corre.

Esta noção "importada" então pelas Tunas portuguesas - entre muitas outras "importações" de costumes e usos espanhoís que então fizemos, como o tocar de pé, o balançar da Tuna, o baile de pandeiretas e estandarte, entre outros - foi decaíndo ao longo dos tempos, dando lugar a outras premissas cada vez mais afastadas da tradicional noção que nos indica "É-se Tuno" por oposição ao "Estar-se" ou "Pertencer-se" à Tuna. Ou seja, a Tuna portuguesa procurou o seu caminho baseada numa noção deveras caricata que aproveitou o que de melhor a Tuna espanhola poderia oferecer em cima do palco e descartou o que de melhor a Tuna espanhola legou, a sua própria noção de Tuno, numa clivagem que poderá apresentar inúmeras causas mas sobretudo hoje apresenta deste lado muitas mais - graves - consequências.

A Tuna portuguesa abandonando paulatinamente a noção de "Ser-se Tuno" e dando primazia aos outros dois factores catalizadores do ressurgimento tunante - a representatividade abandeirada da sua casa e o cruzamento com a Praxe Académica - acabou por deixar cair o mais importante aliçerce de todos os factores culturalmente identificativos e de distinção entre uma Tuna e um grupo de estudantes universitários vestidos de igual forma e que tocam instrumentos.

É esse "apagar" introspectivo por parte da esmagadora maioria dos que militam nas Tunas nacionais que catalizou e cataliza as rivalidades competitivas, as guerras entre casas, as disputas e a malidicência, ou seja, é esse desconhecimento total da verdadeira essência Tunante que potencia as restantes visões do "estar" e "pertencer" a uma Tuna como se de uma qualquer associação entre individuos de tratasse, quando a Tuna não está de todo nessas esferas como sendo condições primeiras e basilares da sua existência. Neste aspecto continuamos por cá a anos-luz da postura do Tuno espanhol que herda sucessivamente a noção de "Ser" Tuno das gerações anteriores como sendo a mais importante, indispensável e basilar condição para se exercer o Negro Magistério.

É essa falta introspectiva e desvio sociocultural em que a Tuna portuguesa caíu provavelmente a sua mais importante lacuna, com falsas noções e desvios sistemáticos que, em separado ou conjugados, fazem do fenómeno tunante português actualmente uma autêntica "Caixa de Pandora" onde raramente se sabe o que, depois de aberta, de lá sairá.

Sexta-feira, Janeiro 02, 2009

A Aventura de Atlantes - Parte IV


Segue foto oficial do grupo de plectro/vocal mais recente das Ilhas Canárias, Atlantes, para a posteridade e devidamente ataviados a rigor. Se repararem nas caras, mais de metade são para lá de conhecidas....

Ao que consta o cachet para actuações nem sequer é elevado, portanto, promotores de espectáculos e afins que queiram abrilhantar - com excelentes e conhecidos músicos e que agora vestem nova roupa e roupagem musical - os seus eventos ou até mesmo certames tunantes, já sabem.

E mais uma novidade extra: CD já em 2009.

http://asminhasaventurasnatunolandia.blogspot.com/2007/06/aventura-canria.html

http://www.bienmesabe.org/foro/index.php?topic=766.0

http://www.canariasmusica.com/web/contenidos/noticias/el-grupo-atlantes-en-puerto-de-la-cruz