Terça-feira, Abril 28, 2009

A Aventura da "Balada dos Amores"

Possivelmente escapou a efeméride a muitos, senão a todos. Mas de facto, mais vale tarde que nunca.


Fez no ano transacto de 2008 precisamente 70 anos - ao dia de hoje, já perfez 71 - que o Tango-Canção "Amores de Estudante" foi interpretado pela 1ª vez no Teatro Carlos Alberto, no Porto, mais precisamente a 2 de Janeiro de 1938. Da autoria de Aureliano da Fonseca (com quem tive o previlégio e honra de partilhar um Jurado de certame de Tunas nos anos 90) e Paulo Pombo, Orfeonistas, Tunos e membros da famosa Orquestra Universitária de Tangos de então, os "Amores" assumiram ao longo destes 70 - e mais um - anos a condição de Hino dos estudantes nacionais, fruto de uma letra simplesmente irrepetivel e ilustradora da vivência estudantil bem como fruto de uma musica que facilmente entra no ouvido e se trauteia com ainda mais facilidade.


A sua inegável intemporalidade, transversal ainda hoje a várias décadas, momentos sociais, etc, foi igualmente marcada pelas várias versões que teve o mesmo tema. Os "Amores de Estudante" conheceram inúmeras versões - desde as alteradas na sua letra original com mais ou menos cariz "picante" e cantaroladas nos Liceus da Invicta pelos liceais - passando por versões que vão desde a original - Tango - correndo o "Chá Chá Chá", a Rumba, Valsa, Marcha e pasme-se até, já tocada numa versão "electrónica" a fugir para o techno-dance, conforme se pode verificar no CD do O.U.P. intitulado "Academia" datado de 1995, prova inequívoca quer da sua eficácia musical mas essencialmente da sua perenidade e intemporalidade. São várias as edições discográficas em Vinil e depois em formato digital onde consta este tema.



Mais que um simples tema musical, os "Amores" são, como provavelmente mais tema algum não será, o hino de todo o estudante universitário, esteja ele onde estiver, passando largarmente a esfera meramente tunante e, por tal, património estudantil nacional em abstracto, conhecida aquém academias e além academias.



Ainda nas efemérides - esta sim mais certeira - comemorar efusivamente os 20 anos daquele que considero o mais belo Fado de Coimbra (sempre pessoal, decerto): A Balada do Quinto Ano Jurídico 88/89, do grupo Toada Coimbrã, dos meus bons amigos João Paulo Sousa e António Vicente.



De facto, se há tema que nos transporta imediatamente para o Fado da Lusa Atenas, é seguramente este "o" tema. Uma raridade, la créme de la créme dos Fados, que nos coloca no plano das "simples" e "meras" emoções ao escutá-lo devidamente interpretado. É um tema que seguramente faz parte da banda sonora de muitos e muitos que um dia foram estudantes e que hoje, ao saborea-lo, sentem-se de novo como naqueles tempos. É provavelmente o tema que faz com que os estudantes queiram ouvir Fado - e não o Fado que faz com que os estudantes queiram escutar a Balada. E isso, meus caros, não tem preço. A Balada do Quinto Ano Jurídico 88/89 está de parabéns precisamente por tudo o atrás dito mas principalmente porque assume a condição nestes vinte anos de banda sonora das nossas vidas estudantis naquilo que realmente importa, que fica, que permanece.



E que melhor "casamento" poderíamos ter nesta "Aventura" a que chamei, prepositadamente, da "Balada dos Amores"... quem não conhecer um deles não é estudante; quem não conhece ambos, um dia quando conhecer, saberá o que é Ser estudante....

Sábado, Abril 25, 2009

Sexta-feira, Abril 24, 2009

A Aventura da Neo-Queima

Acordemos para a realidade. De facto, andamos todos adormecidos e cristalizados pelo passado reminiscente e tradicionalista que em nada tem a ver connosco hoje em dia. Os tempos mudam e há que coerentemente, adaptar os tempos, inovar como agora se diz à boca cheia. Avançemos, saíamos desta hibernação caduca e a cheirar a mofo que é a Queima Tradicional, vendida faz tempo aos altos interesses dos próprios estudantes - como quem os representa não o fossem também...

Sejamos, então, coerentes e façamos o devido facelift ou restyling ou upgrade à Queima Tradicional, por coerência com o que hoje ela é. Por partes então:

A Monumental Serenata deveria ser substituída em coerência pela Monumental Rave; afinal a malta vai à Serenata fazer tudo menos escutá-la com respeito e sentimento, ou seja, não vai lá pela lógica que a própria Serenata encerra em sí mesma. Paciência mas os tempos são outros; se a coisa não vai lá com Fado e Sentimento, então espeta-se com uma Monumental Rave, muito mais coerente de facto (algo como substituir um "ahhh, Saudade" por um "ahhh, Vibe!")

Depois, a Missa de Benção das Pastas, ainda que diga muito aqueles estudantes mais católicos praticantes, poderia eventualmente ser substituída pela Missa da Benção do Guronsan; não deixava de ser uma missa, mantinha os traços mais introspectivos e religiosos e apenas substituía a Pasta - que na Queima dos dias de hoje só estorva a ver pelo que se vê - pelas capacidades divinas e sobre humanas do Guronsan, esse sim, objecto de culto e adoração até. Mais um upgrade, portanto, sempre a inovar, é bom de ver...

O Dia da Beneficiência que se segue bem que poderia, até pelo seu lado solidário intrínseco, ser substituído por algo como o Dia da Bilhetência, tal é a procura de bilhetes para entrar no Queimódromo que até esgotam no dia anterior. Mantinha-se a beneficiência só que aqui ao contrário; em vez do Estudante recolher fundos que reverterão a favor de uma ou mais instituições de solidariedade social através da venda de miniaturas de pastas académicas em cartão com fitas dos diferentes cursos e versos alusivos a estes, o comum mortal ou "candongeiro" de ocasião oferecia neste dia umas quantas "borlas" para o Estudante entrar no Queimódromo logo à noite. Evitavam-se assim filas descomunais e bilhetes vendidos a preços altamente proibitivos na caça a esse bem precioso mas mantinha-se o lado benéfico do dia em questão. Há que manter o Espírito Académico, ora essa!

O Concerto Promenade poderia passar a ser o Concerto Pró Mais Nada, onde nada seria relevante a titulo musical, colocando de lado aquele cariz bolorento da música erudita do Promenade tradicional a lembrar a Antena 2, substituindo o mesmo por sons mais alternativos a oscilar entre a musica popular do Alto Volta e o rock progressivo do Suriname.

O Cortejo Académico é o que se afigura de solução mais fácil porque já está todo revisto, actualizado e aumentado, passando-se a chamar Cortejo Baiano Elektro tal a proliferação actual de Trilhos ligados aos 220 volts da ordem numa espécie de Kadok com rodas mas à moda brasileira, só faltando o devido upgrade em coerência, substituir os Fitados e Fitadas em cima do Trilho por Baianas semi-nuas para gaúdio da populaça estudantil e "futrica". Perde-se na criatividade (como se esta já não estivesse perdida...) das mensagens dos carros dos diferentes cursos e Universidades mas ganha-se em alegria com sabor bem tradicional Brasileiro, pois então. Finalistas à frente do Cortejo substítuidos por escolas de samba vindos em barda de vôos charter directamente da Sapucaí. O Dux daria lugar ao Martinho da Vila ou à Ivete Sangalo, sem mais delongas. Tudo tirando o pé do chão!

O Baile de Gala poderia ser perfeitamente substítuido pelo Baile de Golada, pois representa historicamente o fim da vida académica dos Estudantes e portanto o começo do longo martírio em encontrar emprego que só é suportável com umas boas goladas de penalty a cada entrevista "ao lado" que se vai tropeçando nesse calvário futuro.

O Rallye Paper daria lugar neste upgrade ao Rallye Magalhães, pois estamos na era da sociedade da informação e se antes o papel importava, agora importa o Gigabyte. Perguntas online, controles via GPS e tá a andar de pópó. O único entrave aqui é encontrar nesta semana condutores cool.

O Chá Dançante é demodé, coisa do passado, fossil. Agora deveria ser a Cerveja Dançante tal é a força comercial e de marketing das Queimas de hoje e face às grandes cervejeiras. No essencial seria trocar o chá pela bela da "bejeca" e andaria pelos mesmos moldes, mais coisa menos coisa.

A Garraiada deveria passar a ser definitivamente não num campo de Touros mas na plateia em frente ao palco do Queimódromo, trocando-se o nome para Mochada, bem mais actual, adaptado aos novos tempos, inovador, mais à frente e que afinal, continua circunscrito não por um redondel mas antes pelas grades do Queimódromo. Os garraios seriam substituídos pelos profissionais do INEM ( a barraquinha com os únicos e originais Shot´s de sôro..) e o "Inteligente" passaria a ser um DJ de renome internacional. Tudo em nome da inovação.

No meio desta inovação e upgrade, sobram o Sarau Cultural e o FITA, que a bem dizer ainda acabam por ser o ultimo resquício de alguma Tradição de facto e que vão permitindo que seja algo - ainda - de estudantes e para estudantes. Menos mal.

É preciso deitar abaixo o bolor, acabar com as teias de aranha! Há que inovar, com a breca!

Fica, pois, a proposta constante em Acta e para memória futura, agora que estamos em vésperas de mais uma semana altamente lucrativa.... perdão, sentida e até, quiçá, sofrida.....


"São como as mokas de um dia, as noites do Estudante, que o INEM logo levou...."

Terça-feira, Abril 21, 2009

A Aventura das Regras

http://www.fap.pt/file/queimaBarraquinhas_2009/Regulamento%20das%20Barraquinhas%20(23-02).pdf


É curioso. Quando se fala tanto no mundo tunante de regras, aplicação das mesmas, da sua eficácia versus a sua não aplicação, da regra versus a espontaneidade, eís que me deparo com o link acima e sinceramente fico a pensar perante tamanha "coisa"....

Porque será que quando toca a movimentar dinheiro ele há regras para tudo e mais alguma coisa e a malta não diz nada, não pia, não estrebucha, junta o guito nem que tenha que cravar à avó pra ter uma barraquinha no Queimódromo e quando se aplicam algumas regras num mundo tão "indisciplinado e espontaneo" como o é a Tuna, Aqui D´el Rei que vem aí o "Anti-Cristo das Tunas", que isto de regras é tudo uma politiquice pegada????

Curiosa dualidade. Não tão espantosa se atendermos à "fast moral reinante" universitária de hoje em dia... Bons negócios prá "estudantada"!


Post Scriptum: Profissionalização dos organizadores de certames, já!!!!!!!!!!Ordenados para os Juris, já!!! Jurado amigo, as Tunas estão contigo!!!! Contra o Layout Tunante!!!!!!!!!!!!!

Segunda-feira, Abril 20, 2009

A Aventura da Música de Tuna

Mais uma reposição, pela sua pertinência e hiperactualidade, quando se assiste "curiosamente" ao advento das "fotocópias" dos maus "originais"....


Basicamente, levanto estas questões:

- Há diferenças entre a Tuna Académica e Universitária e as restantes expressões musicais ( e só musicais?)

- Se há diferenças, elas estão onde e porquê?

- Se não houvessem diferenças, levantar-se-ia alguma vez a questão "o que é musica de tunas?"


Perante tais questões, de resposta penso que mais ou menos pacifica, não posso deixar de afirmar os seguintes considerandos:

- Se a expressão artistica da tuna académica e universitária é distinta na sua base genética de qualquer outra, por muito eclética e universal que a musica seja enquanto expressão cultural, não cabem ás tunas incursões por musicalidades que a ela lhe são de todo alheias: resta definir quais são as que a ela são caras, certamente outros "500" e que só o tempo poderá aclarar.


- A adopção de um cancioneiro de tuna como aconteceu em Espanha seria mau para as tunas nacionais (??); mas foi graças a ele que a tuna espanhola se manteve muito mais fiel à sua condição genética - para o bem e para o mal - do que no caso nacional; se hoje há desvios claríssimos a titulo musical em ditas de tunas nacionais, será precisamente porque o crime compensa e então, à falta de parametros mais ou menos claros, assentou-se na base do permissivo. O preço está a ser pago como se comprova pela festivalite aguda que grassa hoje em Portugal (Em Espanha não ocorrem por ano sequer 1/4 dos certames que há por cá, Portugal tem menos 15 tunas que Espanha e esta é 6 vezes maior que o nosso país geográficamente, só no Porto há 77 tunas e Madrid - que é Madrid - tem 60 e pico e por aí fora). Isto reflete muita coisa a meu ver.


- A Tuna deve manter traços claros e distintos de qualquer outro agrupamento seja de que natureza seja, universitária ou não; caso oposto, a Tuna deixa de o ser nas suas bases genéticas. Se sofremos a seu tempo influências de fora - o tocar de pé, o estandarte e seu bailar , etc - por alguma razão foi e não foram influências de grupos de rock mas sim de tunas, no caso espanholas. Manter a distinção e a nossa base genética é naturalmente mais complicado por cá do que em Espanha; mas confesso que a ortodoxia tunante só se coloca quando existe liberalismo desenfreado, prova que se há uma corrente que defende as bases estéticas musicais nacionais é porque há quem não as defenda, vincule ou cultive, antes sim quem as ataque consciente ou inconscientemente. Isso prova que há de facto, um limite para a decência tunante musical. Qual é? Boa pergunta. Mas que há, isso há. Será antes saber-se o que é indecente e não tanto o que será decente. Porque se há jazz e quejandos nas tunas nacionais, nada impede em rigor que haja gospel, manbo, rumba, R & B, Hip Hop, trance ou techno.


- Por outro lado, a necessária produtividade e avanço musical das tunas como forma de marcarem a qualidade musical não se pode resignar ao sempre básico "dó sol fá", absolutamente de acordo. Mas voltamos ao mesmo, à luz de tal premissa pacifica, temos logo quem tome o braço pela mão. Porquê? Porque ao contrário dos ortodoxos espanhois, nunca se delimitou - eu acho que sim mas no Porto a coisa tomou contornos estéticos muito próprios - até onde se poderia musicalmente ir ou deixar de ir.


- Outra questão paralela: A bandeira da musicalidade serviu e serve em muitos casos - a sua liberalização - para se esquecer ou fazer tábua raza da base genética da Tuna face a qualquer outro grupo musical seja de estudantes ou não. E isso não deve ser premiado, mais até, permitido no seio das tunas nacionais, sob pena de, à custa da musicalidade e só desta, um dia, não haverem tunas.


São algumas reflexões pessoais. Mas entendo o ponto de vista daqueles que são mais abertos ao evoluir musical e até, em certos casos, corroboro e incentivo a mesma. Mas como em tudo na vida, com regras. Onde elas estão? Não sei.

Quinta-feira, Abril 16, 2009

A Aventura da Tuna Espanhola no Franquismo (II)

Já abordei de alguma forma esse período da História da Tuna espanhola em post anterior . Será pertinente que também se contextualize historicamente e nesse período - que marcou o surgimento do certame competitivo de Tunas - como funcionava o mesmo e, por outro lado, algum desmistificar de uma noção que "cola" a um determinado contexto político que, para lá do referido no tal post que em tempos aqui coloquei, não trouxe só desvantagens, também trouxe contributos efectivos ao fenómeno como veremos adiante, sendo que alguns traços são mais tarde importados por nós em Portugal.


A Tuna em si representava um colectivo potencialmente perigoso aos olhos da ditadura de Franco que, como todas as ditaduras, impôs um duro controle relativamente ao direito de associação e reunião, sobretudo se tivermos em conta as suas bases, ou seja, estar integrada por estudantes (eventualmente subversivos) e exercer o seu domínio quando o dia caí e a noite surge...


Deram conta muito tarde desta circunstância as hierarquias do regime e quando o quiseram fazer já a Tuna gozava das simpatias dos cidadãos. Os que ainda eram meninos quando a guerra civil começou e, por tal, desconheciam a tradição, viam na Tuna uma curiosa novidade, em contrapartida, aos mais velhos, trazia recordações dos tempos de paz. O fenómeno agudizou-se com a proliferação inusitada de agrupamentos juntamente com a vontade que tinham cada vez mais de difundir a sua arte para lá da fronteira dos Pirinéus para fugirem, assim, à guerra.


A contingência de que há Tunos contrários ao sistema procura-se controlar por dentro do próprio grupo, exigindo como requisito de admissão que o candidato, além de ser universitário maior de 17 anos e menor de 27 e com suficientes conhecimentos musicais, careça de “nota desfavorável no expediente sindical” (art. 3º da Ordem de 12 de Novembro de 1955 núm. 195 (BOE 7 Dezembro 1955, referência Aranzadi 1672. Boletim de movimento núm. 642 de 1 de Dezembro, que pretendeu regular a própria organização e funcionamento das tunas)


Trata esta regulamentação outros temas que aparentemente parecem ser menores mas que pouco a pouco se revelam maiores, quando normalizam certos complementos do traje de Tuno, que identificam o seu proprietário, ou as insígnias que obrigatoriamente terão de usar na bandeira da Tuna.


Como se não bastasse, incide-se na necessidade de evitar dentro do possível a formação de Tunas de Faculdade ou Escola Especial, salvo em casos que circunstâncias especiais o aconselhem, devendo-se solicitar ao Serviço Nacional de Tunas a autorização respectiva (art 8º).


A Tuna de Ingenieros Tecnicos de Valência (Peritos Industriais) foi fundada em 1956, tendo sido a 1ª classificada dos Certames Nacionais em Oviedo nos anos de 1962 e 1965, bem como obtido o 2º lugar no Certame Nacional de Tunas de Córdoba, em 1964. Os participantes naqueles eventos relatam que existiam muitas diferenças entre os certames de então e os actuais, sendo que os certames dessa época eram realizados à porta fechada e com a única presença do Jurado, sendo valorizada exclusivamente a qualidade musical das interpretações, sem que fosse permitido o mínimo devaneio humorístico, e frequentemente com interpretações obrigatórias de música clássica (Beethoven, Mozart) inclusivamente com partitura (e aqui caí o mito que por cá vogou que a Tuna não pode interpretar música dita erudita ou clássica..)


Um Decreto datado de 1955 dizia expressamente então que só poderia existir uma Tuna por cada Distrito Universitário espanhol - forma de organização geográfica universitária em Espanha, então - sendo que por força do mesmo muitas tunas surgidas começam a utilizar o termo Estudiantina para contornar o dito cujo decreto. As Tunas do S.E.U. levavam para as suas actuações ilusionistas, músicos profissionais, humoristas, etc que matriculavam numa Escola ou Faculdade para dar cumprimento à normativa legal vigente nessa época.

Aquando dos primeiros certames de tunas somente era permitida uma tuna por Distrito universitário – forma organizacional geográfica na Espanha universitária de então e que hoje não existe – e no caso de existirem várias no mesmo Distrito, ou se elegia criteriosamente a que ia ou se fazia um concurso sendo que a que ganhava estaria presente no certame. O 1º Certame de Tunas ocorrido no pós Guerra Espanhol, sob a alçada da Jefatura Nacional do então S.E.U. - Sindicato Espanhol Universitário - organização estudantil inserida na Falange Espanhola do Caudillo Franco, realizou-se em Madrid nos dias 5 e 6 de Março de 1945 tendo nele participado as então Tunas de Salamanca, Valência, Valladolid, Santiago de Compostela, Córdoba e Madrid. O 2º certame realiza-se igualmente em Madrid mas 9 anos depois e o 3º em Cadiz, no ano de 1956.


No Certame Nacional de Tunas celebrado em Saragoça, entre 16 e 19 de Março de 1959, a Tuna Cordobesa, verdadeira orquestra de câmara, onde figurava inclusivamente um ou outro instrumento não característico de Tuna, não alcançou nenhum dos troféus em disputa, no entanto o Jurado recordou que a Tuna de Córdoba é a melhor de todas as que desfilaram por estes concursos nacionais, mas não lhes foi adjudicado o 1º prémio por não cumprirem com as normas estabelecidas (Diário de Córdoba – 20/3/1959).


As Tunas Universitárias do S.E.U. ofereceram alguns apontamentos e contribuições significativos:

Tornaram a Tuna mais popular difundindo-a, graças a uma enorme quantidade de edições discográficas que foram editadas nessa época e suas frequentes aparições em programas televisivos e filmes cinematográficos.

A maioria das músicas mais conhecidas foi criada nessa época. Foi igualmente neste período que se juntou à indumentária de Tuno a Beca, que com o proliferar das Tunas de Faculdade, Escolas Especiais e Colégios Mayores substituiu o laço que com a sua cor identificava os estudos que cada Tuno seguia.

As fitas (cintas) bordadas de cores várias como recordação feminina e que os Tunos pendiam das suas Capas, dando-lhes uma policromia muito superior àquela que tinham as Tunas antes da Guerra Civil, e cuja origem se encontra nas que os cavaleiros medievais recebiam das suas Damas.


Também surgiram neste período os símbolos ou escudos de distintos países ou cidades visitadas cozidos nas suas capas – influência da moda mochilera tão em voga então. Lamentavelmente e em sentido oposto desapareceu hoje o Bicórnio, muito usado então e que hoje raramente é visto.


Quanto ao reportório, apresentavam temas ditos de Tuna, temas nacionais, peças de música clássica e temas do vasto folclore sul-americano. Esta variedade de estilos trouxe a normal variedade de instrumentos necessários para os executar. Normal era também o uso do acordeão, os violinos continuaram a ser usados embora cada vez menos e o Laúd aumentou de prestígio e importância.


O S.E.U. entendeu proteger a pureza instrumental das Tunas, autorizando a utilização única em concurso de Bandurrias, Laúdes, Bandolins, Guitarras, Violinos e Pandeiretas, devendo o Jurado do certame controlar se os instrumentos presentes em palco correspondiam ou não aos acima descritos.



Nota de Autor: Para percebemos o que fazemos e como fazemos hoje é extremamente relevante perceber, em sequência cronológica, o que aconteceu antes, atrás. Será pertinente pois analisar esta "Aventura" numa perspectiva profilática, projectando a mesma no que hoje ocorre. Quiçá, será o melhor contributo para que o certame competitivo em Portugal se auto-dignifique e auto-responsabilize, mesmo descontando o facto histórico de nesta "Aventura" a tuna ser retratada e historiada num tempo ditatorial e não democrático - como o é (vai sendo) o de hoje...

Quinta-feira, Abril 09, 2009

A Aventura da Credibilidade versus Espontaneidade

Da nossa credibilidade e espontaneidade. Ou seja, o que fazemos todos nós para nos credibilizar e como a nossa espontaneidade auxilia ou pelo oposto prejudica a procura dessa tal credibilidade.


Vou tentar não pregar seca mas procurando dissecar o essencial desta dualidade.


Enquanto cultura estudantil e tradicional todos sabemos que a Tuna em sentido geral não merece por parte da sociedade civil uma visão minimamente séria, fruto precisamente do seu carácter sui generis, tradicional, boémio e portanto amador. Ou seja, fruto da sua jovial espontaneidade ao fim e ao cabo. A cultura tunante nem sequer é apercebida como tal pela esmagadora maioria dos "futricas", restando uma ínfima parte de entendidos - ou porque por ela passaram ou porque a ela estão ligados de algum modo em particular - que reconhecem à Tuna Universitária a sua condição de cultura estudantil per sí, ou seja, sem qualquer diferença face a outras culturas existentes, tradicões, formas de estar, etc. Dizer como exemplo que qualquer miúdo do liceu reconhece o Hip Hop como sendo uma cultura - urbana no caso - mas dificilmente reconhecerá esse estatuto à Tuna Universitária, por exemplo. Todos os que na Tuna militamos e nela vivemos sentimos a tremenda dificuldade em explicar o que somos, fazemos e reproduzimos a um comum mortal, levando regra geral da parte deste último o postal cantado " ahhh, a Mulher Gorda para mim não me convém..sei, sei, são uma malta porreira, pá!." , o que convenhamos, será tudo menos ilustrador do que somos enquanto cultura. Pior, nem a esse patamar somos elevados, somos basicamente uns "gajos fixes que tocam umas cenas com pandeiretas e assim...". Mais, quando alguns pretendem credibilização com poucos milhares de discos vendidos dá vontade de rir assistir a uma humilde entrevista dada pelos U2 que venderam 145 milhões de discos em toda a sua carreira (ok, ok, esta "tuna" Irlandesa já anda nestas coisas há bué, yá...). E por aí fora, e por aí fora...


Porque será que as coisas são assim? Seguramente fruto da espontaneidade genética da Tuna Universitária - e largamente difundida historicamente por uns e olimpicamente deturpada por outros... - que leva a que a mesma se "ponha a jeito" - para o seu não reconhecimento cultural de facto, ou seja, uma espécie de filho de um Deus Cultural menor ou quiçá, nem isso. Muito dirão - onde naturalmente me inclúo - que sem espontaneidade não existe Tuna Universitária enquanto tal. Parece-me líquido. Já me parece altamente pertinente perceber onde é que essa espontaneidade termina e começa por sua vez a credibilidade e vice-versa. É que a noção de espontaneidade é como a virtude, é uma coisa que está ali no meio e que serve para tudo e mais alguma coisa. Serve a espontaneidade para por exemplo, coisas tão diametralmente opostas como será fazer-se uma Serenata nocturna ou para organizar um qualquer evento tunante. Com resultados obviamente também eles diametralmente opostos. Isto para dizer que se a espontaneidade de uma Seranata credibiliza a Tuna em sentido abstracto, já a mesma espontaneidade prejudica a Tuna quando "usada" para "organizar" espontaneamente um evento tunante - com maus resultados óbvios para a credibilidade de todos.


As Tunas na sua organização interna - e com reflexos da mesma ou falta dela no seio de uma comunidade - não devem ser apenas geridas na exclusiva base da sua credibilidade, deixando de lado o sentir espontaneo tão próprio da Tuna. Mas uma Tuna que queira procurar credibilizar-se e credibilizar a cultura onde se insere não pode ser gerida internamente como se se tratasse de uma casa de "meninas" onde a espontaneidade é a única "regra" existente para lá da "Madame" e da tabela com o preçário. Se se procura a credibilidade da Tuna em sentido abstracto é fulcral a gestão da credibilidade 1º do seu grupo para depois essa credibilidade se espelhar necessáriamente na credibilidade de todos, de uma cultura. Quando uma Tuna não tem, nunca teve ou teve e perdeu essa gestão da credibilidade, então estamos necessáriamente no âmbito da livre e total espontaneidade, com tudo o que isso significa de bom e mau. E aqui preocupa-me sobremaneira o lado negativo dessa espontaneidade, porque a mesma pode e deve coexistir em paz com a credibilidade.


A credibilidade da Tuna em sentido abstracto, na sociedade de hoje, não se resume a tocar e a cantar muito bem mas antes a uma série de factores que precisamente aliam de forma inteligente e perspicaz as noções de credibilidade e espontaneidade Tunante, marcando claramente fronteiras e demarcando necessariamente o que é ser-se credivel e o que é ser-se espontaneo. Muita coisa passa para fora como espontanea e que disso nada tem. Muita coisa passa para fora como sendo credivel quando de todo o é. E aqui é necessário referir o lastimável serviço que o certame competitivo que assenta na capa da "espontaneidade" - quando apenas é um lamentável granel sem qualquer nexo, regras e logo, sem crédito algum - presta precisamente à falta de credibilidade da Tuna em sentido lato. Quando se vêm "coisas" como as que ultimamente se têm visto, vamos convir que é uma facada à nossa credibilidade porque quem as promove, faz, organiza e pratica anda refugiado de "espontaneidade em espontaneidade" dizendo a celebérrima e néscia frase batida "o que interessa é conviver e participar e blá blá blá". Esta frase é precisamente uma das maiores facadas que se vão dando à credibilidade da Tuna em sentido geral porque raramente é dita com a credibilidade de todos como pano de fundo mas antes sim quase sempre é proferida para "limpar" moralmente as asneiras que se vão cometendo.


Tunas ditas "crediveis" a portarem-se como miudos espontaneamente sós, Tunas ditas "espontaneas" que são do mais frio e calculista que se possa imaginar, Tunas ditas "crediveis" para fora e que por dentro são caixas de Pandora perfeitamente desregradas, Tunas que usam e abusam da sua "espontaneidade" para fazerem tudo e mais alguma coisa que oscilam entre o que de facto é espontaneo e o desrespeito, desonra, descrédito. Deles e nosso. Quem diz que uma Tuna se resume exclusivamente a música não é Tuno, é músico; altamente credivel mas nada espontaneo portanto. Quem diz que uma Tuna se resume a borga não é Tuno, é borgista; altamente espontaneo mas pouco credivel. Para credibilizar a Tuna Universitária tem de se ser genuínamente espontaneo e usar isso para ser correctamente credivel.


É a credibilidade de todos que me preocupa neste particular, porque a nossa espontaneidade sempre existiu, falta é a credibilidade. É que assim, pelo andar da carruagem, vamos continuar por muitos e longos anos a ser vistos como o que cada um quiser ver-nos menos pelo que de facto somos e devemos ser: uma cultura. Cada vez mais me parece que poucos estão preocupados em dar à sociedade a real imagem da Tuna, antes a falsa, a convenientemente umbiguista, a porreira, a demasiado "espontanea" que, por tal, de espontaneo nada tem.


Desculpem-me esta espontanea seca....

Quinta-feira, Abril 02, 2009

A Aventura "Tunariana"

Novamente um termo novo: Tunariano, misto de Tuno com Ariano. Teorias de Darwinismo Social - que nada têm a ver com Darwin, note-se - procuraram justificar esta ideia.

Arthur de Gobeniau (1816-1882), no seu "Essai sur l'inégalité des races humaines" (Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas) de 1853, supôs que a raça indo-européia seria a ancestral de todas as classes dominantes da Europa e da Ásia Ocidental, sobretudo da nobreza francesa da qual ele alegava ser descendente (este moço era esperto, carago!)

Este trabalho, também, aponta para uma análise retrospectiva e pessimista, apontando que o declínio da raça superior devia-se ao contexto democrático que evoluía. Essas idéias cativaram a simpatia em diversos ambientes cultos, sem que ninguém lha contestasse. Segundo cientistas actuais, esta superioridade da raça ariana foi comprovada que é falsa. Ela foi utilizada apenas para induzir a população alemã que realmente eles eram superiores e justificar suas medidas de extermínio.

Para quê este introíto? Nas Tunas nacionais ainda se vive em alguns quadrantes ditos "cultos" em pleno Século IX neste aspecto, há que o dizer frontalmente. Ainda encontramos adeptos de uma "Raça Tunante Ariana", o Tunariano, portanto, nos dias de hoje, uma espécie de Ku Klux Klan tunante mas agora vestidos de preto - o que na confusão cromática tunante nacional é deveras engraçado, deve-se realçar.

O Tunariano português advoga princípios que em nada ficam atrás das noções do Sr. Gobeniau: "superioridade natural", oriunda das mais "remotas castas tradicionais", de "genes limpos" e de "elevada concepção moral", com "capacidades inatas" acima de qualquer outra "raça" existente. Seria lindo se não fosse - para lá de ridículo - um imenso exercíco de idiotice pegada, já para não falar de um claro complexo de inferioridade não assumido que não se percebe, de todo.

O Tunariano português é alto, loiro e de olhos azuis - meninas, calma, vá ... - toma banho todos os dias, lê Proust - "A ambição embriaga mais do que a glória" - e Kierkgaard - desenvolvendo assim o conflito entre o homem estético e o homem ético - nas viagens de autocarro para os espectáculos, toca piano e sabe falar Francês. Um primado, em suma, do Tunarianismo nacional. Um Deus ex Machina das Tunas nacionais, portanto.

Não aceita como hipótese sequer uma corda desafinada, uma voz rouca derivada da fria noite, um reparo sequer à sua condição magnânime de Tunariano, numa moral acima de todas as outras, incapaz por tal de sequer ser colocado à consignação dos reles mortais tunantes a hipótese de com eles ser misturado até, que fará parecido. Porque igual é que não se acha.

É conversa " à Constantino", ou seja, a fama que vem de longe. Estão a ir e já nós os comuns Tunantes estamos a chegar. Desde o dealbar do recomeço da Tradição Tunante nacional que se escuta e vê os Tunarianos, de archote em riste, a querer queimar tudo o que é "raça tunante inferior" e das mais diversas formas. Acabam com tanta mistificação e altivez por ser sim e antes a chacota tunante nacional. São a anedota in vivo a cada passo que vão dando em falso - coisa que não se apercebem como bons Tunarianos que são. Pior, deixaram no passado um legado a actuais gerações de Tunarianos que mais não são que uma pálida fotocópia do original e, por tal, herdam apenas o que de mau havia na herança, não acrescentando nada de bom actualmente, ou seja, muita "cagança" e nenhuma "pujança". É definitivamente um sério caso de saúde pública tunante que apenas penaliza - vá lá - os doentes.

No meio desta imbecilidade toda, temos coisas curiosas. Se bem se recordam Hitler não era propriamente o primado da raça Ariana. Se bem se recordam os nazis chegaram ao poder na Alemanha de 1933 por via democrática. Exemplos que servem como uma luva para atestar a "moralidade " destes "Tunarianos" que não se misturando com os comuns mortais mantêm actividade no seio deles. Ou seja, não se misturam misturando, aliás, um mal cada vez mais generalizado no fenómeno tunante português, o chamado popularmente "uma no cravo outra na ferradura", estar bem com o Diabo e Deus ao mesmo tempo. Sem dúvida, uma prática dúbia que atesta sobremaneira o tipo de "raça" de que estamos a falar. Bem sei que não se pode tomar o todo pela parte e que em alguns ambientes nem mesmo o seu seio é 100% preto ou 100% "tunariano". Mas no âmbito dos reais valores tunantes e estudantis, quer-me parecer - e sem qualquer laivo revolucionário - que o que sobressaí é o anormal, o que ressalta é o imbecil, o que deixa marca registada é a sobranceria inata.

Tunarianos há-os em todo o lado. Uns a uma escala e outros a outra. Seguramente que aqueles que deveriam assumir-se como o primado da igualdade na diversidade, como o exemplo a dar pela responsabilidade histórica, como a imagem clara e objectiva na defesa dos mais rigorosos preceitos estudantis e tunantes no caso muitas vezes dão o exemplo precisamente oposto, tentando de forma néscia ridicularizar o meio onde os mesmos vão não raras vezes comer e beber para saciar a sua pretensa "superioridade moral".

É uma lástima mas só para os próprios, que entre Proust e Kierkgaard vão polindo o seu ego com coisinhas futeís e insignificantes que em nada têm a ver com o Ser-se e Estar-se na Tuna. São os "Senhores da Guerra" que tão bem a Luz&Tuna recriou incomensuravelmente em palco. Quando de senhores nada têm - e com tudo para o ser - e muito menos embarca o mundo Tunante real e normal em tolices deste calibre que apenas se passam - felizmente - nas cabeças de alguns. D. Quixote de La Mancha combateu moínhos de vento. Os manicómios estão repletos de Napoleões. Os Tunarianos são essencialmente, parvinhos. Chavalada a precisar de umas palmadas à antiga Portuguesa, é o que é, mais para exemplo do que por importância....


Post Scriptum - Uma correcção pertinente apenas. O grupo do género mais antigo são os "Terra a Terra" (1977). Fica a reposição dos factos.

Quarta-feira, Abril 01, 2009

A Aventura do 1º de Abril...

Em 1564 depois da adopção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX de França determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1 de Janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano iniciaria a 1 de abril. Gozadores passaram então a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como plaisanteries.

Esta será, porventura, uma das muitas explicações históricas para o surgimento do dia das mentiras. Mais haverão seguramente. No mundo das Tunas nacionais - onde muitas vezes a verdade de hoje é a mentira de amanhã e vice-versa - paradoxalmente é algo complicado "utilizar" este dia para "enfiar barrotes" à malta, mesmo que a imaginação seja grande e a disposição para a mesma exista. Como vamos vendo e ouvindo cada coisa que até parecem duas, já não se percebe muito bem o que é verdadeiro ou falso. Bom, ainda há quem consiga ver, menos mal. Gostava de "usar" o dia de hoje para dizer que há quem use kilt´s nas Tunas mas tá dificil. Por tal lavro neste post um "protesto" contra o nosso mundo tunante nacional por ser o máximo responsável do retirar do verdadeiro sentido ao 1º de Abril!! Está lavrado! Por este andar qualquer dia também já não há luar - a Serenata extinguiu-se como o Lince da Malcata ... - nem Donzelas - só há virgens nas maternidades....

Em todo o caso, como hoje é 1 de Abril, deixo aqui a passagem da efeméride que, para lá de apenas ser assinalada, não deixa de ser uma forma engraçada de reflectirmos todos sobre algumas mentiras que vão grassando durante todo o ano tunante, de vário tipo e feitio, quase que a dispensar que se use o dia de hoje para o seu propósito tradicional, sempre sem malícia, já se vê.