Terça-feira, Junho 30, 2009

A Aventura dos Colégios Mayores



De quando em vez surge em Portugal uma Tuna espanhola com um "ante-título" tão curioso quanto desconhecido da esmagadora maioria dos estudantes portugueses: Colégio Mayor. Mas afinal, que é isso de Colégio Mayor?


Históricamente, especialmente nas universidades espanholas da Baixa Idade Media e no Antigo Regime um Colegio Mayor era uma instituição que dava formação universitária de graus maiores (licenciatura e doutoramento), para lá de oferecer alojamento aos estudantes. Eram por vezes uma espécie de prolongamento de uma Universidade e foram noutros casos mesmo a semente de uma Universidade. Também eram fundações de mecenas com uma finalidade determinada (p.ex. o Colegio Mayor de Santiago el Zebedeo, de Salamanca foi criado pelo Arcebispo de Santiago de Compostela, Alonso de Fonseca, para os estudantes galegos).


Funcionavam com grande autonomia. Os próprios colegiais regiam o seu Colégio nos aspectos administrativos e económicos e nomeavam o Reitor entre eles. Os estudantes dos colégios mais conceituados faziam gala durante toda a sua vida de ter pertencido a eles.

Na Espanha do Século XVII não existiam mais que seis Colegios Mayores; 4 em Salamanca: os de San Bartolomé o Colegio Viejo, (1401), de Cuenca (1500), de Santiago el Zebedeo (1519) e de Oviedo (1521); uno en Valladolid: o de Santa Cruz (1482) e outro em Alcalá de Henares: o de San Ildefonso (1499).

Também existiam os Colegios Menores (ou simplesmente Colégios), onde se dava o grau menor: bacharelato, que então já servia para exercer uma profissão.

Actualmente os Colegios Mayores são centros que proporcionam alojamento e promovem a formação dos estudantes universitários. Frequentemente estão integrados numa organização universitária mas noutros casos são autónomos. Na realidade e actualmente são residências universitárias e não colégios, pois já não se lecciona neles.

As Tunas dos Colégios Mayores espanhóis nascem na sua maioria durante o apogeu do S.E.U., ou seja em pleno Franquismo, como já aqui foi referido no "Aventuras". Existe constância de algumas Tunas de Colégios Mayores - Barberan, Mendel, Chaminade, Loyola de Granada, Guadalupe, Jorge Juan de Madrid (curiosamente Tuna esta que esteve presente na 2ª edição do FITA na cidade do Porto), etc - tendo inclusivamente nos anos 90 existido um circuito de Tunas desta "casta" (passo a expressão) sendo que estive pessoalmente presente e participado extra-competição no realizado em Madrid no ano de 1998, organizado pela Tuna del Colégio Mayor Mendel de Madrid, que tinha estado por sua vez na cidade do Porto e na VII edição do "Lusíada - Festival Internacional de Tunas Universitárias", a 9 de Maio.

Actualmente são ainda menos as Tunas de Colégios Mayores em actividade, num plano sempre distinto face às Tunas Universitárias que não raras vezes vêm recrutar às de Colégios Mayores alguns elementos para fazer face à cada vez menor adesão à Tuna em sentido lato que vai ocorrendo em terras castelhanas. A imagem acima refere-se à capa de um Disco da Tuna do Colégio Mayor Loyola de Barcelona (e não da conhecida homoníma de Granada) e é datada de 1968.

Sexta-feira, Junho 19, 2009

A Aventura Socialmente Tunante II

E eís-nos chegados ao dias de hoje, tempos incomensurávelmente estranhos mas aos mesmo tempo tão fáceís de decifrar: a ocasião f(e)az o ladrão.

Estranhos pela contra-natureza de um certo mainstream Tunante que assenta num misto entre a permissividade por omissão dos valores reais da Tuna em sentido lato e uma certa parolice instantânea intencionalmente virada para o 1º lugar. Como se não bastasse os araútos desta corrente absurdamente oportunista - porque aposta claramente numa bandalheira tunante portuguesa que em nada tem a ver com as regrada forma tunante espanhola - continua a cometer os mesmos erros de sempre: refugia-se na palavra "inovação" sendo que dela nada têm - a inovação pressupõe a existência de algo anterior, tremenda incongruência dos que não respeitam o antes, o passado... - aposta na invenção chapada em tons de "e agora para algo absolutamente inédito e quanto mais inédito, melhor"- quando em Tunas já está tudo inventado faz anos e anos.

A 3ª evidência é a mais conclusiva de todas: Nunca conseguem justificar a javardisse que fazem a não ser de uma forma: insultando, vilipendiando ou alimentando ainda mais a "patranha" monumentalmente metida. E pior, sempre recorrendo a este expediente pueril e mal intencionado quando percebem que, após a devida argumentação factual, real, tradicional, correcta e feita de forma elevada, não conseguem justificar os valentes absurdos que propagam por óbvia impossibilidade inteligentemente técnica. Em suma, a Tuna de hoje tem no seu meio Tunas e pseudo-tunas, sendo que estas últimas julgam ser Tunas - porque o meio é definitivamente atractivo, quando for o andebol universitário passam a ser andebolistas, obviamente - e as que realmente são Tunas limitam-se em 98% dos casos (há 2% que seguramente apontam o dedo sem qualquer complexo) a ignorar ou prepositada e por tal cobardemente a passar ao lado de tudo "isto" como se nada disto fosse com eles. Mas é, mais dia menos dia, será.

Colhe-se o que se semeou, não tenhamos a mínima das dúvidas. No entanto, querendo-se reparar os erros percebe-se que tal é manifestamente impossivel porque 1º) patrocinados são pela demissão das tais 98% de Tunas e 2º) porque os próprios "Professores Pardais" do meio Tunante nem sequer admitem que se lhes aponte competente e correctamente o dedo, que fará admitir o erro em que caíram. É um círculo vicioso alimentado a actividades circenses, arrogância aparolada, uma dose substancial de má educação e uma ainda maior de falta de humildade. A pazada final é dada pelo aparente sucesso competitivo de ocasião - que cataliza o erro ainda mais - e, ironia das ironias, precisamente pelas tais 98% de Tunas que incompreensivelmente vão dando espaço no seio Tunante a quem dele nada tem a ver por opção própria (shame on you!).

Há na Tuna de hoje em Portugal algo que é absolutamente inadmissível e intolerável, que é passar-se a ideia de que, à custa da "amizade, entre copos e tainadas e blá blá blá" (um belo esquema para se vender porcarias travestidas de Tuna) se vá paulatinamente passando a ideia de que a defesa da Tuna em sentido lato é uma espécie de "peste negra" e, consequentemente, quem faz essa defesa é que é freak. Não, meus caros e caras, é ao contrário, completamente ao contrário, absoluta e convictamente ao contrário. Freak é quem não sabe, não quer saber e tem raiva de quem sabe.

A Tuna portuguesa hoje está, pois, em dois planos distintos: o da Tuna de facto e o da ContrafacTuna. Podem existir ContrafacTunas? claro que sim. Desde que se assumam como ContrafacTunas que o são e até disso fazem gala, pasme-se, ó Tunas de facto!!!!!. E como é tão fácil identificá-las torna-se óbvio que elas estão aqui, no meio, quando deveriam estar ao lado, em cima, em baixo, fora. Mas no meio, nunca.

Se não se colocar literalmente o dedo na ferida, não tardará nada e veremos ContrafacTunas a usar samplers, backing tracks, escafandros ou fatos de Astronauta e pior que tudo isso ainda se chegará (??!!) ao ponto extremo de se dizer "olhem-me estes gajos de Capa e Batina com cordofones e pandeireta!!! Não pode ser, isto é contra a "tradição"....!!!!!!!!!!!!!!!

Tudo isto me faz lembrar uma anedota que reza assim: A NASA entrevistou um francês, um inglês e um tuga para escolher um deles a fim de assumir uma missão arriscadíssima, oferecendo 5 milhões de Euros ao escolhido. Pergunta ao francês: que faria com os 5 milhões de euros se fosse escolhido? Este responde que guardaria todo o dinheiro. Ao inglês a mesma pergunta respondendo que gastava 1 milhão e o resto guardaria no banco. Chega ao tuga e, face à mesma pergunta do Director Geral da NASA a resposta foi " bom, meu caro amigo, alabêre, para já dou-lhe dois milhões de mokas para me escolher a mim, guardo outros dois milhões na minha conta bancária e com o milhão que sobra arranjaremos um otário qualquer que vá na missão....." . Ou seja, aparentemente toda a gente sairía a ganhar com este esquema cuja única prejudicada é uma entidade qualquer abstracta que, no nosso caso é nada mais nada menos que a Tuna. Formidável!

Da minha - e de muitos - parte é como manda a educação Tunante que sempre tive: se for preciso, orgulhosamente sós.

Terça-feira, Junho 16, 2009

A Aventura Socialmente Tunante

A abordagem da Tuna enquanto grupo social é hoje mais do que pertinente e serve para explicar de forma cabal o que muito de errado, equivocado e enganador pulula no nosso meio.

Hoje a Tuna é vista - e de dentro para fora - como uma forma previlegiada de afirmação por um lado e como capa confortável para, e sob a mesma, se fazer aquilo que nunca se faria em qualquer outra circunstância sem que o mesmo valesse pelo menos uma repreensão, quando deveria a Tuna hoje ser vista - e novamente de dentro para fora - como forma de afirmação de uma cultura única, tradição única, representação do Estudante em sentido geral, com tudo o que isso implica de responsabilidade perante a sociedade.

A Tuna em Portugal com o advento da Democracia e posterior pujança do Ensino Superior derivada de vários factores - desde o "boom" de natalidade dos anos 70 do Século XX passando pelo proliferar de instituições de Ensino Superior numa sociedade cada vez mais liberalizada e liberalizante, entre outros factores de relevância socialmente contextualizados na época - resgata a Tuna como forma de extrapolar o sentir Académico e a representatividade estudantil, assentando na Tradição Académica e misturando esta última com a Tuna que, por força da mesma mistura, se torna Tuna Académica e/ou Universitária.

A forma de organização da Tuna então - salvo raras e pontuais excepções - é assente na Tradição existente então em Espanha - O Magister, o caloiro, o Tesoureiro, o Secretário, etc - e nos poucos exemplos que retomaram as rédeas dessa tal forma de expressão académica através da Tuna. O carácter boémio, académico, despreendido, pujante e jovial, adicionado à novidade que era a Tuna Académica então soma-se a um tempo conhecido que foi como "boom" tunante, onde se dava um pontapé numa pedra e debaixo da mesma saíam 20 Tunas de uma só vez. A forma de "organização" escolhida foi a maravilhosa desorganização que só o Academismo pode proporcionar, com coisas altamente positivas e outras negativas (mais a prazo e não sentidas naquele momento particular de novidade pujante).

Já a visão de fora para dentro, ou seja, de como eram as Tunas então vistas, era de profunda novidade permissiva, expressão novel que representava cada Casa de Altos Estudos numa espécie de continuação do Cortejo se visto pelo lado da representatividade e expressão académico/estudantil, algo também novo e em pleno crescimento então, portanto, não ferido de saturação, cansaço e por tal, despido de sentido critico até (será ver como as Tunas eram vistas pela sociedade civil no dealbar dos anos 90 e como são agora vistas). O terreno era então fertil, despido de qualquer preocupação profilática e ainda por cima, incentivadas eram as Tunas a tudo e mais alguma coisa com o beneplácito da Academia, dos Reitores, dos pais e das mães e já agora de toda a gente incluíndo o próprio contexto politico/social de então. Fartar vilanagem, portanto, onde não havia tempo para pensar a Tuna enquanto tal, sequer. É nesta época que nascem, por força deste contexto, os principais equívocos que abrem precedentes vindouros e é por força deste contexto que os mesmos se explicam, nascem e propagam, pela ausência de tempo para dispender ao espírito auto-critico Tunante até.

Ou seja, era fácil formar uma Tuna pois existiam todos os ingredientes para fazer o cocktail Molotov que se veio a revelar explosivo em alguns casos: Democracia a rodos (confundida com bandalheira...), jovens ávidos por serem universitários, gente ainda mais ávida em fundar Universidades em qualquer sitio que fosse, Estado a pactuar com tal (por oposição a hoje, que as vai fechando), ressurgir das Tradições Académicas em força e o factor novidade (sempre tão belo como enganador se mal gerido).

Ora, torna-se assim evidente que a Tuna já então nada tinha a ver com a Tuna de finais do Século XIX, inicios do Século XX, começando pelo facto de poucas existirem então e que não assentavam seguramente em tal cenário acima descrito. Isto significa desde logo dois tempos completamente distintos a todos os titulos e que, obviamente, condicionam o fenómeno no tempo e espaço. A somar a tudo isto, o resgatar da Tuna nos anos 80 e 90 do Século XX assume dois caminhos claros então: a influência do único modelo de Tuna existente à data - o espanhol, também ele mimetizado na América Central e do Sul - e que foi preconizado principalmente pelas tunas da Academia do Porto e um outro caminho assente na musica popular portuguesa e sua influência seguido pelas Tunas da Academia de Coimbra, respectivamente pela T.U.P. e pela E.U.C., principais impulsionadoras do fenómeno tunante nessa época, logo mimetizadas por todo o país e com o mesmo a seguir ora um caminho, ora outro, porventura casos pontuais existiram de uma mistura de ambas com traços muito próprios.

Actualmente o que se constata é que - e num tempo onde as mudanças sociais se sucedem a um ritmo vertiginoso, levando quase a aferir-se que um ano hoje vale por cinco da década de 90 - os tempos são outros, o meio Universitário nada tem a ver com o de então, o jovem que a ele acede não é o mesmo jovem que chegou caloiro à Faculdade nos anos 90, o tecido Universitário tem outro tipo de comportamentos e prioridades, as Universidades já não estão tão abertas à Tuna como estavam e assim sucessivamente; hoje procura-se passar rapidamente pela Universidade quando antes se vivia (n)a Universidade. E isto muda tudo.

Logo, se a Tuna de hoje ainda assenta em premissas de organização social daquela época, obviamente que estamos perante um problema no que se refere à forma de encarar a própria Tuna desde logo, com claros reflexos no Ser Tuno desde logo. Hoje, resfriados os animos do "boom" já se pensa a Tuna. Hoje, a Tuna que nos finais dos anos 80, inicios de 90 se regia por metodologias sociais completamente fundidas no ressurgir de então das Tradições Académicas e num contexto de época continua a auto-gerir-se sob as mesmas premissas de organização social, sendo que a esmagadora maioria nem sequer possui regulamento interno ou estatutos, não é tão pouco uma associação autónoma devidamente registada em sede própria, ou seja, vive num mundo de hoje sob regras de antes. Pode e deve aproveitar as que melhor a servem mas não apenas viver nessas, devendo adaptar-se aos tempos de hoje. Essa sim seria a verdadeira inovação a que as Tunas deveriam estar comprometidas.

Porque não ocorre tal? Pelo simples facto de que o ponto fulcral da existência da Tuna hoje, no actual contexto, assenta na música e na procura insaciável e única de excelência musical, descurando tudo o resto que faz a Tuna por génese. Por isso é que socialmente a Tuna de hoje sobrevive e segue porque apenas tem como único ponto de sustentação a música. Pergunto: Havia mais Tunas a fazer Serenatas naqueles tempos ou será que hoje há mais Tunas a fazer Serenatas? Pergunto: o que movia a Tuna então numa época em que certames eram 20% e o resto fazia 80% da actividade da Tuna? O que movia essa gente então, os trintões a puxar prós quarenta, de hoje?

E por mais incrivel que possa parecer, é a música e a procura da sua excelência interpretativa que hoje move, gere e até mais afirmo, "organiza" socialmente a Tuna, desfigurando-a completamente enquanto tal e transformando-a num mero grupo para-profissional de música remunerada com, pasme-se, estátuas e diplomas (um absurdo quando alguns gastam verdadeiras fortunas para manter ensaiadores, por exemplo, ou seja pelo ponto de vista meramente comercial é um péssimo negócio gastar muitos euros para obter estatuas com valor facial irrisório).

Ou seja, temos este cenário actualmente: Tunas de hoje com bases de organização social internas de então, portanto, desactualizadas. Para piorar o cenário, resgatam as mesmas quando convém e fazem girar toda a sua estrutura organizativa na reprodução de temas musicais, ponto período (salvaguardo excepções pontuais por conhecidas). É evidente que este Vacatio Legis, ou seja, esta falta de regra, incentiva todo o tipo de fenómenos ditos de Tunantes e obviamente que dificulta o upgrade da Tuna enquanto organização social no seu tecido interno, com claras consequências no plano exterior e no que se refere à sua actividade, representatividade e mais adianto, no que respeita à sua respeitabilidade (passo a redundância) enquanto Tuna. Não se comporta como Tuna, não transmite essa cultura para fora do fenómeno, gira em torno de si mesma por força da competição musical e esquece-se que quem vai ver Tunas espera também ver Tunas e não só ouvir musica, vive organizada socialmente em torno dessa Jihad Musical e é esta que subsidia os actos sociais internos e deixa de lado tudo o resto.

Socialmente a Tuna portuguesa necessita a meu ver de 20% das premissas de então, 20% de adaptação interna aos tempos que vivemos (não confundir com essas invenções que agora andam na moda) e os restantes 60% de bom senso e perspectiva de futuro assente no passado de uma Tradição que somos, devemos reproduzir e essencialmente sentir.

Como alguém disse certa vez, uma Tuna é algo que, um belo dia, nós poderemos levar os nossos país e avós a ver e escutar sem ter de sentir vergonha ou embaraço e no final eles digam que viram e ouviram uma Tuna de facto. Porventura simplista mas mesmo assim, coerente.

Conclúo: Não tem nada a ver a Tuna de finais do Século XIX, inícios do Século XX com a Tuna ressurgida em finais dos anos 80, inícios de 90 do Século passado - e no que se refere à sua organização interna social.
A Tuna de hoje já algo distinta da Tuna do "boom" de finais dos anos 80, inicios de 90, deverá a meu ver procurar sabia e tranquilamente evoluir, reproduzindo o essencial, mantendo o tradicional, adaptando-se no que tem de se adaptar e com tudo isto, rejeitar liminarmente o que não lhe serve, de forma definitiva, dando primazia à Tuna de facto e não a um único factor que ainda por cima é o mesmo - único - factor que serve o Festival da Eurovisão, o Chuva de Estrelas ou a Operação Triunfo.

A Aventura do "Triangulo das Bermudas" Tunante

Triangulo das Bermudas. Mitico espaço onde tudo desaparece e esquece.

A propósito de esquecimentos e "esquecimentos" , em idos escrevi o seguinte:

Sem duvida alguma, a descontinuação entre as Tunas de outros tempos e as tunas ressurgidas em fins dos anos 80, inicios dos 90 do Século XX criou uma espécie de "Triangulo das Bermudas" na memória colectiva de todos nós (ou quase), fazendo com que esse ressurgimento, surgido em circunstâncias muito especificas e especiais até do Ensino Superior, perdesse a noção imediatamente anterior do que seriam as Tunas Académicas e/ou Universitárias em Portugal, que já existiam antes e apenas referenciadas na memória dos tempos quase como algo constatável apenas dos livros de história.

Esse lapso temporal fez com que não se observasse quase nunca o que para trás, em Portugal, existiu e suas especificidades, provocando essa "amnésia" colectiva com que muitos hoje partem do principio - errado - que não havia nada (ou quase nada) antes de fins dos 80, inicios dos 90, a tal época do "boom" tunante. Falso, completamente falso. "Pegou-se" em premissas que foram, porque repetidas até à exaustão, tratadas como verdades claras a 100% - influência da música popular, influência das tunas espanholas - e que se comprovam facilmente não serem, cada uma delas, a única verdade insofismável.

Passo a exemplificar; se hoje uma tuna aparecer em palco com a sua 1ª fila sentada, é em rigor histórico, algo completamente plausivel e aceitável porque o modelo do "tocar de pé e abanar" é importado de Espanha e das tunas espanholas. Curioso seria sim de ver a reacção de alguns "iluminados" perante tal cenário, ficando "escandalizados" até porque "nada a ver" e depois ver imediatamente a seguir uma dita tuna a fazer tudo e mais alguma coisa menos a "tunar" achando tal absolutamente normal, porque "os tempos são outros". É este contra-senso que só demostra em rigor, falta de informação clara sobre as origens da Tuna Portuguesa, por um lado, e a criação mental e mitológica de algumas coisas que nada têm a ver com a Tuna em sentido concreto, por outro, sendo aceites à luz de uma pretensa "evolução".

Tenho para mim que a pretensa "evolução" apregoada a torto e a direito mais não é que uma forma camuflada para justificar a invenção de tradições com 3/4 de mês. Como já escrevi (...) várias vezes, é importante ver a questão ao contrário, i.é, o que NÃO é Tuna Académica e/ou Universitária, dada a diversidade existente dentro de uma uniformidade (em teoria) patente.

Se não se consegue definir em Portugal o que é uma Tuna Académica e/ou Universitária - eu consigo claramente e outros também - então faça-se o oposto: defina-se o que NÃO é claramente uma Tuna Universitária ou Académica.

Eu continuo com a "minha" visão, que mais não é do que a definição clara do que é uma Tuna académica ou universitária, sendo ela fenómeno cultural estudantil, histórico e de prática reinterada: Há traços comuns que definem uma Tuna académica e ou universitária, cheirem a mofo ou não, é-me perfeitamente igual. Uma coisa será ar fresco outra será ar forçado, ar contrafaccionado ou ar estragado ainda.

Não reconheço a quem os não tem - traços que definem histórica e culturalmente uma tuna Académica e/ou Universitária - o estatuto de Tuna académica e ou universitária. Não reconheço pessoalmente a um qualquer grupo o estatuto de Tuna Académica e/ou Universitária só pelo facto de a mesma assim se nomear ou designar: (...) Os hospícios estão cheios de Napoleões.

Que cada um queira viver num mundo que não é o real, é uma opção livre e aceito a liberdade dessa opção, como aceito que qualquer "Napoleão" diga que o é de microfone em riste numa praça cheia de gente a escutá-lo. É-me indiferente porque essa liberdade não dá direito à deturpação da realidade. Se quem quer fazer tábua raza da natureza clara e inequívoca da Tuna académica e ou universitária assumisse de facto esse desprendimento, tudo seria mais fácil porque claro e devidamente apartado (não basta dizer que a malta é toda fixe, porque pode-o ser mas ser-se fixe não basta para ser-se Tuno ou Tuna).

Sou, por tal e em consequência, rigor e verdade, assumidamente a favor de um claro "apartheid" entre o que é uma Tuna Académica e/ou Universitária e o que não o é de todo. É um problema de informação e de desinformação essencialmente; se uns querem cultivar esta arte, já outros parecem estar-se nas tintas para a mesma. Estão no seu direito. Que é o mesmo para aqueles que não se estão nas tintas em defender o que é a essência tunante de facto, na prática reinterada de usos e costumes, cultural e histórica. Têm estes ultimos a obrigação de defender uma nobre, antiga e unica culturalmente Tradição. Nada de mais simples. Os restantes que defendam seja lá o que for e queiram, desde que não "vendam gato por lebre".

Quinta-feira, Junho 04, 2009

A Aventura do Pasacalles

É uma coisa por demais, devo dizer. A dificuldade (!?) que é escrever-se correctamente Pasacalles é de uma assustadora inquietude . Todos os dias se vê um pontapé ao termo Pasacalles, dado com muita força e sem qualquer respeito.

Ele é Passacales (dois S juntos e um L no fim???) , Passacalles (os belos dos dois S no fim, uma cena muito SS.....), Passa Calhes (Os omnipresentes dois S mas agora partindo o termo a meio e o LH no fim que fica tão portuga!!), Passa-Calhes (e a diferença enooormeeeee que faz um traço a meio...no meio de tanta calinada) e por aí fora que são tantas as variantes/calinadas que nem me atrevo a ir mais além.

Não será por nada mas pronto, o termo é castelhano e assim sendo, é PASACALLES, com um S e dois L no final lendo-se como se fosse "lhe" ; é tudo junto e não se manda o pasa para fora da calle e muito menos se separa os dois com um traço.

PASACALLES. Basta, sem grandes complicações ou "talões de desconto" e assim.

Em alternativa e se forem assim, muito patriotas, usem então DHES-FILE ou então DES-PHILE....

Gracias!

Segunda-feira, Junho 01, 2009

A Aventura do Sistema Avaliativo (Parte II)

Agora que – finalmente – finda a 1ª metade do ano Tunante e no que toca a certames competitivos, abordo uma vez mais – embora por prisma mais directo – a temática relativa a avaliação criteriosa e sua articulação com o regulamento de um certame competitivo.


O sistema avaliativo que se segue data de 1991 nos seus traços mais gerais e de uma base bastante simples, foi evoluindo numa lógica dinâmica – e portanto, amovível – que se prendeu essencialmente com a correcção e afinação dos mesmos princípios avaliativos, adaptando-se o sistema à realidade e não o contrário, através quer da própria experiência acumulada – nomeadamente os erros, p.ex. – quer do contributo que os próprios Jurados ao longo dos anos foram aportando com a sua própria experiência pessoal.


Ou seja, estamos perante um sistema avaliativo que tem grosso modo 18 anos embora o que seja apresentado hoje pouco tenha a ver com o sistema resumido e básico datado de 1991, prova da evolução (!?) do fenómeno ao longo dos tempos, tendo este sistema avaliativo feito sucessivamente os devidos upgrades sem prejudicar o essencial do mesmo, a defesa da cultura e tradição tunantes por génese.


O sistema apresentado foi criado no âmbito do “Lusíada – Festival Internacional de Tunas Universitárias “ do qual fui seu co-organizador em doze edições e tendo sido utilizado ao longo de doze anos consecutivos por jurados com diferentes nacionalidades até (vários espanhóis e um mexicano), 12 edições onde participaram tunas de cinco países - Portugal, Espanha, México, Porto Rico e Peru - podendo hoje afirmar que aplicado foi com amplo sucesso, tendo sido posteriormente o mesmo sistema entretanto adoptado por vários outros certames internacionais e nacionais de Tunas de norte a sul do país, com as devidas adaptações pontuais em razão de contexto próprio mas sem desvirtuar o essencial do mesmo.



Este sistema, contudo, assenta em algumas premissas que são absolutamente fundamentais:



1º - Não é infalível; quando seres humanos avaliam outros não existe sistema algum absolutamente infalível. Procura antes este sistema reduzir o risco de erro potenciando por sua vez a lógica do mérito ao invés da lógica punitiva, apostando na qualidade dos componentes do Jurado (condição fundamental para que este sistema “funcione”). Não é por tal este sistema uma malha apertada – que apenas potencia erro – mas antes uma relação óbvia entre a qualidade do Jurado, sistema avaliativo e regulamento do certame no que toca à sua aplicação como forma de valorização dos participantes.


2º - Defende valores; este sistema avaliativo promove valores genéticos da Tuna enquanto tradição e com a sua defesa, potencia os resultados finais. Daí a articulação com o regulamento do certame, obrigando a uma atenção redobrada por parte da organização quanto aos itens abaixo relativos ao prémio Tuna mais Tuna e hipotéticas desclassificações. Ou seja, responsabilidade tripartida entre organização, Jurado e Tunas presentes – daí o cuidado na escolha das mesmas que também este sistema pressupõe – e cada uma a seu nível. Não é, portanto, este sistema avaliativo aconselhável a tunas que violam por sistema os mais básicos pressupostos da Tuna enquanto tradição musical estudantil.


3º - Não utiliza a matemática para avaliar Tunas; entendo pessoalmente - e por experiência própria - que a votação matemática numa arte como o é a Tuna pode originar resultados completamente opostos ao que o sistema em questão defende e pior, provocar injustiças flagrantes e até inexplicáveis.


4º - Não é estático; antes promove a atribuição nos itens de avaliação de factores de menor ou maior ponderação, ou seja, em cada prémio há itens avaliativos que poderão uns pesar mais do que outros (e aqui fica ao critério de cada organização ponderar os itens de cada prémio como bem entender, sendo que este sistema usa factores de ponderação maior ou menor, simplificando desta forma ao máximo).


5º - Promove o bom senso avaliativo; ou seja, partindo de todos os pressupostos atrás, “obriga” a que o Jurado use de sensatez e ponderação tendo à disposição toda a informação e “armas” argumentativas (itens e respectivos critérios) para fazer valer o seu ponto de vista em caso de dúvida, potenciando a decisão justa e rápida – e não o resultado puro e duro da matemática, absolutamente desprovido de sensatez e que reduz o jurado a um conjunto de números e não a um conjunto de opiniões sustentadas criteriosamente com base nos itens e critérios avaliativos.



Posto estes 5 pontos prévios, alicerces de todo este deste sistema avaliativo e sem os quais o mesmo não funciona, passo a explanar o mesmo sistema prémio a prémio – os mais comuns pelo menos – e no que se refere a itens de avaliação e critérios de avaliação:




Melhor Pandeireta


Itens de avaliação
(e aqui pode-se atribuir a cada item um factor de maior ou menor ponderação – 1 e 2 p.ex.)


- Marcação Rítmica. (1)

- Coreografia e graciosidade / Originalidade. (1)

- Dificuldade de execução. (2)

- Coordenação Rítmica com temas apresentados. (2)


Critérios de avaliação


Para avaliar este apartado, o Jurado considerará tanto a actuação individual como a de um grupo de Pandeiretas, baseando-se nos seguintes critérios:
Variedade de tipo de movimentos assim como coreografia (s) com outras pandeiretas e/ou Estandarte; Dificuldade de passos e sua espectacularidade simultaneamente; Agilidade, ritmo e alegria; Elegância e porte nos passos executados; Originalidade tanto a nível individual como colectivo; perfeita coordenação rítmica com os temas apresentados. Referir ainda que a descoordenação rítmica motivada por queda das pandeiretas ou outros motivos influí negativamente na apreciação deste apartado.



Melhor Solista

Itens de avaliação


- Afinação/Respiração

- Timbre e colocação de voz

- Harmonia com instrumentos/vozes

- Postura e palco/imagem

- Dificuldade dos temas interpretados


Critérios de avaliação


Este prémio é estritamente de carácter individual, e embora seja atribuído à Tuna de uma forma geral, é valorizado como a interpretação vocal de um (ou mais) dos seus Tunos, sendo que será sempre por conta e risco de cada Tuna a apresentação de mais que um solista, independentemente da actuação que cada um possa ter, baseando-se nos seguintes critérios:
Voz, seu timbre e colocação (técnica); afinação e respiração correcta; dificuldade do(s) tema(s) interpretado(s); Empatia com o público e feedback do mesmo ; Correcta coordenação com o tema interpretado pela Tuna ; Postura e porte em palco.



Melhor Estandarte

Itens de avaliação


- Coreografia e Graciosidade

- Postura em palco

- Beleza do Estandarte

- Respeito pelo Estandarte

- Variedade/dificuldade movimentos/classe e porte


Critérios de avaliação


O Jurado considerará apenas um único Estandarte apresentado, o da Tuna, bem como o estrito respeito pelo mesmo enquanto símbolo da Tuna, não o arrastando pelo palco de forma ostensiva, p.ex., baseando-se nos seguintes critérios:
Variedade de movimentos; dificuldade, dinamismo e alegria; Classe e porte; perfeita coordenação rítmica com os temas apresentados e sentido de oportunidade; Coreografia (s) com pandeireta(s).



Melhor Instrumental

Itens de avaliação


- Qualidade interpretativa

- Qualidade/dificuldade dos arranjos

- Instrumentos utilizados



Critérios de avaliação


Qualidade musical na interpretação dos temas, a nível de instrumentação e sua correcta utilização, bem como qualidade de arranjos.
A utilização de instrumentos não próprios de uma Tuna Universitária desvaloriza a actuação.



Melhor Pasacalles

Itens de avaliação


- Temas interpretados.

- Coreografias efectuadas.

- Alegria e contacto com o público.

- Resposta do público.


Critérios de avaliação


O Jurado avaliará, em determinados pontos do percurso, os temas interpretados e sua qualidade, bem como adequação ao pasacalles, para lá das coreografias efectuadas e sua complexidade, eficácia e preparação prévia. A empatia com o público bem como o feedback do mesmo serão critérios a observar como importantes neste apartado.




Tuna Mais Tuna

Itens de avaliação


- Postura Tunante fraterna com todos os agentes envolvidos no certame

- Indumentária

- Cumprimento do Regulamento e demais normas do certame.


Critérios de avaliação


O mais importante por Tradição, este é atribuído exclusivamente pela Tuna organizadora, de acordo com a observação de todos os momentos constantes no programa de actos do certame, bem como, obviamente, pela actuação em palco das mesmas. Recomenda o Jurado que a Tuna organizadora tenha particular atenção com a postura, indumentária correcta e comportamento durante todo o evento.



3ª, 2ª e Melhor Tuna

Itens de avaliação


- Entrada e saída de palco

- Postura em palco

- Indumentária

- Apresentação dos temas

- Repertório apresentado

- Afinação instrumentos/vozes

- Interpretação musical

- Interpretação vocal (baixos, barítonos, tenores)

- Apresentação de temas originais

- Originalidade da actuação

- Pandeireta (s)

- Estandarte

- Solista (s)

- Empatia com o público

- Cumprimento do tempo de actuação

- Postura/comportamento da Tuna ao longo do certame

- Tema de Serenata em palco.


Critérios de avaliação


Repertório apresentado: Será valorizado o ecletismo das escolhas, ou seja, diversidade de estilos musicais numa actuação completa, dando-se especial ênfase à Serenata como sendo a maior expressão de uma Tuna Universitária por excelência.

Execução musical: Qualidade musical na interpretação dos temas com correcta utilização dos instrumentos, seus arranjos e harmonia entre os mesmos e com vozes. A utilização de instrumentos não próprios para uma Tuna Universitária desvaloriza a actuação de cada uma das presentes.

Execução Vocal: Qualidade musical na interpretação dos temas com correcta utilização das vozes – baixos, barítonos, tenores – seus arranjos e harmonia entre os mesmos e com os instrumentos.

Indumentária: Correcta uniformidade quer da Tuna, quer a nível individual (ponto que tem vindo a ser descurado ao longo dos anos). Respeito pelo Traje envergado, no cumprimento da Tradição Tunante.

Entrada e Saída de palco: Originalidade e qualidade da entrada em palco, bem como da saída do mesmo, respeitando o tempo concedido pelo Regulamento.

Originalidade: Palavra que deve percorrer toda a actuação e em qualquer dos prémios em disputa, respeitando a Tradição Tunante.

Postura em Palco: Correcta distribuição da Tuna em palco, bem como cuidado visual e características inatas de uma Tuna Universitária em função dos temas apresentados. Apresentação dos temas a interpretar, com qualidade.

Empatia com o público: Alegria e simpatia durante toda a actuação e respectivo feedback do público.

Solista: Utilizam-se os critérios referidos no apartado “Melhor Solista”.

Estandarte: Utilizam-se os critérios referidos no apartado “Melhor Estandarte”.

Pandeiretas: Utilizam-se os critérios referidos no apartado “Melhor Pandeireta”

Postura da Tuna ao longo de todo o certame: Será o Jurado devidamente informado da postura assumida pelas várias Tunas a concurso, ao longo de todo o Programa de Actos do certame e de acordo com o Regulamento do mesmo, factor de ponderação que pode ser utilizado para valorizar esta ou aquela Tuna.




Quanto a Desclassificações feitas pela Organização e/ou em articulação com o Regulamento do Certame e Jurado:


Porque também pode ocorrer, deveremos aqui deixar claro quais os motivos que podem levar a uma hipotética desclassificação, de acordo com os pontos 6, 8, 11, 15, 16 e 19 do Regulamento:


- Não cumprimento do Regulamento em qualquer dos seus pontos,
- Atitudes danosas para com a Organização, Jurado, Tuna Organizadora, público e/ou outras tunas,
- Mau comportamento ou comportamento ofensivo à instituição Tuna em qualquer circunstância, - Atitudes causadoras de danos materiais em qualquer local, por parte de um ou mais Tunos (sendo imediatamente imputados os mesmos ao Magister e/ou Chefe de Tuna em causa).


O Jurado SÓ desclassifica em função dos critérios para cada prémio; Os restantes motivos para desclassificação (em cima) são da exclusiva responsabilidade da Organização, que deve informar de imediato o Jurado de tal situação.

Lembrar o Ponto 17 do Regulamento: “ Das decisões do Jurado não cabe qualquer tipo de recurso, sendo inapeláveis e definitivas após pronunciamento das mesmas”.




Quanto ao Regulamento - que se segue abaixo - deve ser do conhecimento das Tunas participantes com a maior antecedência possível e face à data do evento, bem como deve ser enviado às Tunas que aceitaram participar os itens e critérios avaliativos em causa para cada prémio.

Alerto que o regulamento abaixo está alinhado com o sistema avaliativo acima, sendo que qualquer alteração menos atenta quer a um quer a outro documento poderá provocar incongruências graves, note-se.



Todas as Tunas participantes, assim como os seus membros - ou outros que com elas actuem – estão sujeitos ao cumprimento das seguintes normas de carácter geral:


1. A Organização é composta por elementos da Tuna XXXXXX,, sendo esta organização a única competente para aplicar ou modificar qualquer aspecto que se prenda com a organização do certame.

2. Participarão Tunas Universitárias de acordo com os convites previamente endereçados pela Organização.

3. A Organização terá a seu cargo o alojamento e a alimentação programadas dos elementos das Tunas participantes durante os dias do certame, ficando a cargo de cada Tuna a deslocação.

4. A Organização assume os gastos mencionados no ponto 3 até ao máximo de XX Tunos, devendo cada Tuna cobrir os gastos adicionais ao número estabelecido de integrantes, bem como cobrir os gastos que derivem do não cumprimento do número de dormidas estabelecidas previamente, ou seja, havendo marcação para XX Tunos e a comparência de XX (em cada noite), a diferença entre marcações e dormidas de facto é assumida pela Tuna em questão.

5. As Tunas participantes deverão enviar Historial, fotografia recente e símbolo oficial via mail para a Organização até dia XX de XXXXX de 200X.

6. Todas as Tunas participantes comprometem-se a cumprir o programa de actividades previamente definido e divulgado pela Organização.

7. As Tunas participantes cedem todos os direitos de gravação, televisão, imagem e som durante a celebração do certame sem prejuízo do estipulado legalmente pelo Código de Direitos de Autor e Conexos. Pode cada Tuna, através dos seus próprios meios, colher imagem, som ou fotografia para os seus arquivos pessoais.

8. Os Magister´s e/ou chefes de cada Tuna velarão pela boa conduta dos seus elementos e são civil e juridicamente responsáveis pelos actos dos mesmos em qualquer circunstância decorrente do certame.


9. A duração máxima de actuação por Tuna será de XX minutos mais XX minutos extra de tolerância, sendo que o incumprimento deste ponto acarretará de imediato a desclassificação desta Tuna para qualquer prémio em disputa.

10. A ordem de actuação das Tunas participantes será previamente definida e publicitada pela Organização, sendo que obedecerá a critérios que defendam o normal prosseguimento do certame, após eventual consulta às Tunas participantes.

11. A participação no pasacalles (desfile) é obrigatória – com um mínimo de 10 elementos por Tuna – sendo que o incumprimento deste ponto acarretará a desclassificação da Tuna para os três primeiros prémios.


12. Os prémios serão atribuídos pelo Jurado - à excepção do prémio Tuna Mais Tuna que será atribuído pela Tuna Organizadora.

:: Tuna Mais Tuna (atribuído pela Tuna organizadora)
:: Melhor Pandeireta
:: Melhor Estandarte
:: Melhor Solista
:: Melhor Instrumental
:: Melhor Pasacalles
:: 3ª Melhor Tuna
:: 2ª Melhor Tuna
:: Grande Prémio para a Melhor Tuna.


Ponto 13. A Organização reserva o direito de fazer as alterações que considere necessárias ao longo do certame, sendo que qualquer alteração será comunicada atempadamente aos Magister´s e/ou Chefes de Tuna.

Ponto 14. A Tuna organizadora abrirá e encerrará o certame, fora de concurso.

Ponto 15. O comportamento dos participantes deverá ser em qualquer momento fraternal e exemplar tanto com os assistentes do certame como com os demais companheiros das restantes Tunas presentes.

Ponto 16. O incumprimento de qualquer destas normas poderá ser motivo de desclassificação do certame pela Organização e, em última análise, de expulsão do evento de acordo com a gravidade dos actos.

Ponto 17. Das decisões do Jurado não cabe qualquer tipo de recurso, sendo inapeláveis e definitivas após pronunciamento das mesmas. Fica igualmente previsto a entrega de prémios exaequo e a não atribuição de todo e qualquer prémio em disputa.

Ponto 18. A Tuna vencedora do Grande Prémio para a Melhor Tuna encontra-se automaticamente convidada para a próxima edição do certame.

Ponto 19. O presente regulamento deverá ser do conhecimento prévio dos Magister´s e/ou Chefes de Tuna sendo que, para tal, deverão enviar cópia do mesmo com carimbo e assinatura aposta via fax ou mail à Organização. O desconhecimento do presente Regulamento não invalida a sua aplicação.




Umas pequenas F.A.Q. sobre e de acordo com este sistema avaliativo:



P: Se uma Tuna em cima do palco for de longe a melhor mas fora do palco tiver um comportamento anti Tuna ou mesmo desrespeitoso (actos de violência, vandalismo etc), essa Tuna ainda assim vence o Festival?

R: Por força deste sistema avaliativo, a mesma seria liminarmente desclassificada pela Organização, que comunicaria a mesma desclassificação ao Jurado e à Tuna em questão.




P: Todas as Tunas apresentam bandeiras (pano estampado) e nenhuma apresenta Estandarte (dupla face com entretela a meio). O que acontece?

R: O prémio para Melhor Estandarte não é atribuído porque nenhum Estandarte foi apresentado. A apresentação de bandeiras – no caso – não é factor de avaliação neste sistema, logo, não pode ser atribuído um prémio por força da existência apenas de algo sucedâneo, parecido ou aproximado.



P: Duas Tunas estão completamente alinhadas nos critérios para os 3 primeiros prémios. No entanto, uma delas apresentou-se no pasacalles com 20 elementos e a outra apenas com sete. Que acontece?

R: Vence a que se apresentou no Pasacalles com vinte elementos por incumprimento do Regulamento da outra Tuna ao violar o ponto 11, o que desclassifica esta dos 3 lugares cimeiros inclusivamente.




P: Duas Tunas disputam o prémio de Melhor Pandeireta. A Tuna X com apenas um pandeireta tendo este tido uma actuação irrepreensível de acordo com os itens e critérios e em apenas um tema. A Tuna Y com 3 pandeiretas em simultâneo e em três temas mas onde um deles a determinado momento deixa cair a pandeireta ao chão, retomando a custo a coreografia, tendo falhado a marcação do ritmo. Que acontece?

R: Vence a Tuna X o prémio.



P: A Tuna Y apresenta 5 solistas em outros tantos temas, sendo que um dos solistas falha em afinação de forma clara e os outros 4 solistas irrepreensíveis. A Tuna H apresenta apenas um solista que canta apenas dois temas de forma irrepreensível. Que acontece?

R: Vence a Tuna H o prémio.




P: 3 Tunas estão a disputar os 3 lugares cimeiros. A Tuna X, Y e Z estão empatadas em todos os itens avaliativos excepto a Tuna X que se apresentou com várias incoerências/erros face ao Traje da sua Tuna/Academia. Por sua vez, a Tuna Z apenas se apresentou no certame cerca de uma hora antes do espectáculo de palco, faltando até então aos restantes actos do evento, no entanto faz uma actuação excelente e de acordo com os itens e critérios avaliativos. Que acontece?

R: Vence o certame a Tuna Y; a Tuna X falha em um dos itens de avaliação e face às restantes Y e Z; Por sua vez a Tuna Z embora irrepreensível em palco falhou com o estipulado no Regulamento (ponto 6.)




P: Duas Tunas estão a disputar o prémio de Melhor Tuna. A Tuna X e a Tuna Y estão niveladas em todos os itens excepto no relativo a afinação de vozes, onde a Tuna Y esteve mais fraca. No entanto, esta última apresentou-se em palco com confétis, truques de ilusionismo, equilibristas e disparo de Veryligth´s por controlo remoto no final. Que acontece?

R: Vence o prémio para a Melhor Tuna a Tuna X por cumprimento dos itens e critérios de avaliação e face à Tuna Y que, para lá da questão afinação vocal, usou de exageros cénicos que no limite não descontam.




Finalmente...


Uma pequena mas importante nota: É evidente que este sistema só pode funcionar – e para lá do atrás dito – se for efectivamente aplicado em toda a sua plenitude – e não - como já ocorreu - ser ignorado em parte ou mesmo no seu todo, o que neste ultimo caso equivale a não existir qualquer sistema avaliativo, antes outra coisa qualquer (livre arbitrio, favoritismo, "balda", etc)


Usar este sistema avaliativo em alguns pontos e ignorar os restantes origina seguramente erros avaliativos crassos que por regra apenas beneficiam os que não cumprem com os itens e critérios acima, ou seja, o mesmo só funciona se utilizado eficazmente pois está o mesmo elaborado de forma a equilibrar premissas técnicas com premissas tradicionais de índole Tunante, envolvendo as 3 partes presentes no evento competitivo – Tunas, Organização e Jurado – e dando relevo especial ao público também na questão avaliativa – ainda que de forma indirecta.