Quinta-feira, Abril 29, 2010

A Aventura dos Anexos...

E pronto, a Blogspot resolveu dar aos seus blogs a possibilidade de terem uns quantos anexos, ou seja, páginas, ao melhor estilo website. Vamos aproveitar para segmentar informação. Já têm aí alguma ao lado....

Terça-feira, Abril 27, 2010

A Aventura dos "Anonimvs Academicvs"....

Esta é do fundinho do baú da memória.....

Fase de apuramento para o Mundial de Futebol nos EUA, em 1994. A 24 de Fevereiro de 1993 a nossa selecção recebe a equipa Transalpina no então Estádio das Antas e perde por 3 bolas a uma. Copiosa derrota em casa, portanto.

Passado alguns dias, folheando o "Jornal de Notícias" encontro uma pequena notícia encimada por uma foto com alguns estudantes trajados, de cara velada pela Capa e com Gorro da Praxe, com o título "Anonimvs Académicvs reenvidicam roubo da placa".... a coisa prometia. Há que ler...

Não posso precisar todo o texto mas retive até hoje o essencial. Os "Anonimvs Académicvs" reevindicavam o roubo da placa do Consulado de Itália no Porto, sita à Rua da Restauração - que de facto faltava no seu devido lugar bastando por lá passar... - sendo certo que o mesmo grupo anónimo estaria disposto a devolver a mesma placa desde que a FIFA retirasse os 3 golos da selecção Italiana e, consequentemente, Portugal ganharia o jogo por 1-0 e amealharia os 3 preciosos pontos.....

Até hoje, nem a placa apareceu nem os 3 pontos foram atribuídos a Portugal......


P.S. - Tenho uma vaga ideia de quem possa ter defendido tão académicamente a nossa selecção mas não posso afiançar, de todo.... em todo o caso o Prof. Carlos Queiróz poderia ter contactado a malta acima e provavelmente teríamos evitado o play-off com a Bósnia. Bom, pode ser que dê jeito agora na África da Sul já que no Porto há pelo menos Consulado do Brasil - mesmo que houvesse da Coreia do Norte seria perigoso...para eles, claro....

A Aventura da Ronda das Tunas do Porto.....












Deixo-vos com uma pequena crónica de época, da Autoria do Dr. Eduardo Coelho.....



"Corria o ano de 1991.

Alguém lançou a ideia - creio que foi o Magalhães (Magister da Tuna do ISEF / actual FCDEF) - de se organizar uma serenata colectiva com todas as tunas do Porto - na altura, meia-dúzia delas.

A ideia era animar as ruas do Burgo, catrapiscar umas moças e - por que não? - aprendermos umas coisas uns com os outros. (Não necessariamente por esta ordem...)

Já não me lembro bem de quem disse "Presente!" na altura, mas creio que foram as seguintes:

- ISEF
- Universitária
- FEUP
- ISEP

Estarei a ser injusto deixando algumas de fora, mas o Alzheimer já não dá para mais...

Encontro marcado à meia-noite de 16 para 17 de Janeiro. à porta de Farmácia. Eis-nos dispostos a enfrentar os rigores da noite, amenizados pelos licores de Baco e pela promessa de um sorriso.

Confesso que já não sei bem que residências foram visitadas, mas na minha memória estão a de Aníbal Cunha e S. José de Cluny.

Valeu a noite. Valeu a experiência. Foi um festival na rua, à noite. Foi um festival no sentido etimológico: foi uma festa de companheirismo.

E houve prémios a rodos para todos - sorrisos, uma batalha de beijos soprados na noite! Até hoje nunca vi júri nem mais competente nem mais simpático!

Ao menos por uma noite, todas foram tunas mais tunas."



Literatura - Só perceptivel por verdadeiros Tunos. Recomenda-se a toma por via mental bi-diáriamente do mesmo artigo a quem possuir patologias exclusivamente competitivas. Não recomendável para patologias circenses por manifestar inúmeras e várias contra-indicações. Venda exclusiva nas melhores Academias.

Quarta-feira, Abril 21, 2010

A Aventura da Avaliação Criterial...

Com o objectivo de clarear o espaço aéreo tunante, pejado de tanta "cinza" a impedir o normal tráfego, deixo aqui um por um os itens de avaliação e seus respectivos critérios avaliativos, que poderão ser aqui e ali adaptados (em função de cada certame).

Apenas umas ressalvas mais do que óbvias:

Funcionam estes itens e seus critérios interligados, ou seja, qualquer alteração mais inadvertida - digamos assim - poderá influir no resultado final pretendido. Ou seja, cuidado com as alterações que são feitas - o que não aconselho desde já.

A 2ª ressalva é que estes critérios avaliativos resultam de anos seguidos de "afinação" - se assim quiserem - dos mesmos, por tal testados consecutivamente ao longo de mais de dez anos e com o contributo de Jurados com culturas tunantes variadas (portugueses, espanhoís e sul-americanos), sendo resultado portanto de erros cometidos - a bater com a cabeça é que se aprende - e sua correcção devida, cruzando com uma clara intenção de protecção da identidade tunante tradicional, tendo obtido por regra resultados justos por fiáveis - que não infaliveis, note-se, seja neste ou noutro qualquer sistema avaliativo. Ou seja, não servem estes critérios para "ajuntamentos musicais competitivos de universitários" e muito menos servem estes critérios para palhaçadas -excepto se se accionar a clausula de não atribuição de prémio(s).

A 3ª e última ressalva é mais que suficientemente clara: Podem ter os jurados que entenderem - até os mais qualificados - sendo certo que se não forem aplicados critérios avaliativos, mais vale não perder tempo a imprimir os mesmos e muito menos tratar a matéria com a devida atenção e a tempo e horas (e não em cima do acontecimento como é infeliz regra...). Aliás, é o que tem vindo a ocorrer em 80% dos certames nacionais, ou seja, não há critérios, ou seja, é o vale tudo, com os resultados que se vêm, aliás. Os critérios servem para harmonizar as decisões, fundamentar as mesmas e evitar a já óbvia subjectividade avaliativa de cada ser humano quando colocado na função de avaliador - já para não falar do infelizmente famoso "meu conceito de tuna", este último o maior catalizador dos disparates avaliativos, entre outros disparates.


Posto isto, Urbi et Orbi, prémio a prémio (no caso, os clássicos; sei haver mais e caso seja requerido, informar-se-á):



PANDEIRETA.

Itens avaliativos:

- Marcação Rítmica.

- Coreografia e graciosidade / Originalidade.

- Dificuldade de execução.

- Coordenação Rítmica com temas apresentados.

Critérios de avaliação:

Para avaliar este apartado, o Jurado considerará tanto a actuação individual como a de um grupo de Pandeiretas, baseando-se nos seguintes critérios :Variedade de tipo de movimentos assim como coreografia (s) com outras pandeiretas e/ou Estandarte ; Dificuldade de passos e sua espectacularidade simultaneamente ; Agilidade, ritmo e alegria ; Elegância e porte nos passos executados ; Originalidade tanto a nível individual como colectivo ; Perfeita coordenação rítmica com os temas apresentados; Correcto trajar. Referir ainda que a descoordenação rítmica motivada por queda das pandeiretas ou outros motivos influí negativamente na apreciação deste apartado.



SOLISTA.

Itens de avaliação:

- Afinação/Respiração

- Timbre e colocação de voz

- Harmonia com instrumentos/vozes

- Postura em palco/imagem

- Dificuldade dos temas interpretados


Critérios de avaliação:


Este prémio é estritamente de carácter individual, e embora seja atribuído à Tuna de uma forma geral, é valorizado como a interpretação vocal de um (ou mais) dos seus Tunos, sendo que será sempre por conta e risco de cada Tuna a apresentação de mais que um solista, independentemente da actuação que cada um possa ter, baseando-se nos seguintes critérios :
Voz, seu timbre e colocação (técnica) ; afinação e respiração correcta ; dificuldade do(s) tema(s) interpretado(s); Empatia com o público e feedback do mesmo ; Correcta coordenação com o tema interpretado pela Tuna ; Postura e porte em palco; Correcto trajar.



ESTANDARTE.

Itens de avaliação:


- Coreografia e Graciosidade

- Postura em palco

- Beleza do Estandarte

- Respeito pelo Estandarte

- Variedade/dificuldade movimentos/classe e porte



Critérios de avaliação:

O Jurado considerará apenas um único Estandarte apresentado, o da Tuna, bem como o estrito respeito pelo mesmo enquanto símbolo da Tuna não o arrastando pelo palco de forma ostensiva, p.ex.), baseando-se nos seguintes critérios:
Variedade de movimentos ; dificuldade, dinamismo e alegria ; Classe e porte ; perfeita coordenação rítmica com os temas apresentados e sentido de oportunidade ; Coreografia(s) com pandeireta(s); Correcto trajar do seu portador.



MELHOR TEMA INSTRUMENTAL*/VOCAL**:

Itens de avaliação:

- Qualidade interpretativa (* e **)

- Qualidade/dificuldade dos arranjos( * e **)

- Instrumentos utilizados*


Critérios de avaliação:

Qualidade musical na interpretação dos temas, a nível de instrumentação e sua correcta utilização, bem como qualidade de arranjos (* e **). A utilização manifestamente exagerada e desenquadrada de instrumentos não próprios de um Tuna Universitária desvaloriza a actuação.(*)



PASACALLES.

Itens de avaliação:


- Temas interpretados

- Coreografias efectuadas

- Alegria e contacto com o público

- Resposta do público


Critérios de avaliação:


O Jurado avaliará, em determinados pontos do percurso, os temas interpretados e sua qualidade, bem como adequação ao pasacalles, para lá das coreografias efectuadas e sua complexidade, eficácia e preparação prévia. A empatia com o público bem como o feedback do mesmo serão critérios a observar como importantes neste apartado.



SERENATA.


Itens de avaliação:

- Interpretação musical e vocal

- Tema(s) escolhido(s)

- Postura geral da Tuna


Critérios de avaliação:

Um grupo de Donzelas – a indicar pela Organização e com a colaboração do Jurado - irá, de forma mais ligeira, escolher aquela que, para elas, será a Melhor Serenata, sendo que cada Tuna apresentará um ou mais temas para o efeito, tendo sempre em atenção os itens de avaliação para este apartado.



3ª, 2ª e MELHOR TUNA


Itens de avaliação:

- Entrada e saída de palco

- Postura em palco

- Indumentária

- Apresentação dos temas

- Repertório apresentado

- Afinação instrumentos/vozes

- Interpretação musical

- Interpretação vocal (baixos, barítonos, tenores)

- Apresentação de temas originais

- Originalidade da actuação

- Pandeireta(s)

- Estandarte

- Solista(s)

- Empatia com o público

- Cumprimento do tempo de actuação

- Postura/comportamento da Tuna ao longo do certame


Critérios de avaliação:

Repertório apresentado: Será valorizado o ecletismo das escolhas, ou seja, diversidade de estilos musicais numa actuação completa, dando-se especial ênfase à Serenata como sendo a maior expressão de uma Tuna Universitária por excelência.

Execução musical/vocal : Qualidade musical na interpretação dos temas, tanto a nível de vozes (afinação, arranjos) como de instrumentação e sua correcta utilização. A utilização exagerada e desenquadrada de instrumentos não próprios para uma Tuna Universitária desvaloriza a actuação.

Indumentária : Correcta uniformidade quer da Tuna, quer a nível individual (ponto que tem vindo a ser descurado ao longo dos anos). Respeito pelo Traje envergado, no cumprimento da Tradição Tunante.

Entrada e Saída de palco : Originalidade e qualidade da entrada em palco, bem como da saída do mesmo, respeitando o tempo concedido pelo Regulamento.

Originalidade : Palavra que deve percorrer toda a actuação e em qualquer dos prémios em disputa, respeitando a Tradição Tunante.

Postura em Palco : Correcta distribuição da Tuna em palco, bem como cuidado visual e características inatas de uma Tuna Universitária em função dos temas apresentados. Apresentação dos temas a interpretar, com qualidade.

Empatia com o público : Alegria e simpatia durante toda a actuação e respectivo feed-back do público.

Solista : Utilizam-se os critérios referidos no apartado “ Melhor Solista”.

Estandarte
: Utilizam-se os critérios referidos no apartado “Melhor Estandarte”.

Pandeiretas : Utilizam-se os critérios referidos no apartado “Melhor Pandeireta

Postura da Tuna ao longo de todo o certame : Será o Jurado devidamente informado da postura assumida pelas várias Tunas a concurso, ao longo de todo o Programa de Actos do certame e de acordo com o Regulamento do mesmo, factor de ponderação que pode ser utilizado para valorizar esta ou aquela Tuna.



TUNA MAIS TUNA.

Itens de avaliação:


- Postura Tunante fraterna com todos os agentes envolvidos no certame

- Cumprimento do Regulamento e demais normas do certame

- Correcta interpretação dos valores tunantes tradicionais


Critérios de avaliação

O mais importante por Tradição, este é atribuído exclusivamente pela Tuna organizadora, de acordo com a observação de todos os momentos constantes no programa de actos do certame, bem como, obviamente, pela actuação em palco. Atribuído à Tuna que melhor interprete os mais tradicionais valores tunantes.



Desclassificações feitas pela Organização e/ou em articulação com o Regulamento do certame e Jurado:

Porque também pode ocorrer, deveremos aqui deixar claro quais os motivos que podem levar a uma hipotética desclassificação:

Não cumprimento do Regulamento em qualquer dos seus pontos, atitudes danosas para com a Organização, Jurado, Tuna Organizadora, público e/ou outras tunas, mau comportamento ou comportamento ofensivo à instituição Tuna em qualquer circunstância, atitudes causadoras de danos materiais em qualquer local, por parte de um ou mais Tunos (sendo imediatamente imputados os mesmos ao Magister e/ou Chefe de Tuna em causa).

O Jurado SÓ desclassifica em função dos critérios para cada prémio; Os restantes motivos para desclassificação (em cima) são da exclusiva responsabilidade da Organização, que deve informar de imediato o Jurado de tal situação.

Não atribuição de prémio(s):

Poderá o Jurado, se assim o entender e baseado numa total inexistência e/ou incumprimento dos critérios acima referidos para a(s) avaliação(ões), não atribuir qualquer prémio em disputa, considerando o(s) mesmo(s) deserto(s).



Nota Final: tudo o que não esteja contemplado nestes itens criteriais, bem como respectivos critérios de avaliação, no limite, não desconta(m,)ou seja, não poderão em caso algum ser tomados em conta para a avaliação final de cada apartado.

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FAQ´S:

P: A Tuna X apresenta 3 excelentes pandeiretas, cumprindo todos os critérios avaliativos com distinção excepto no facto de dois deles estarem sem batina/casaco. A Tuna Y apresenta igualmente um excelente pandeireta com a mesma qualidade mas devida e correctamente trajado. Quem vence?

R: A Tuna Y.


P: A Tuna X apresenta um solista que cumpre todos os critérios avaliativos. A Tuna Y apresenta 5 solistas distintos que igualmente cumprem todos os critérios avaliativos. Quem vence?

R: A Tuna Y.


P: A Tuna X apresenta um Estandarte de Tuna e o seu portador cumpre com todos os critérios avaliativos com distinção. A Tuna Y apresenta 3 bandeiras estampadas em pano - cidade, faculdade e cores da mesma - cumprindo com distinção mas não apresentando Estandarte da Tuna. Quem vence?

R: A Tuna X.


P: A Tuna X apresenta um excelente tema instrumental assente em saxofone, instrumento esse que percorre toda a actuação independentemente dos temas. A Tuna Y apresenta um excelente tema vocal. Quem vence?

R: A Tuna Y.

P: A Tuna X apresenta um desfile - pasacalles - com qualidade musical mas praticamente sem coreografias, limitando-se a duas filas paralelas ao longo do percurso. A Tuna Y apresenta um desfile - pasacalles - organizado, previamente pensado, com variadas e vistosas coreografias apesar de musicalmente mais sofrivel. Quem vence?

R: A Tuna Y.

P: A Tuna X faz um serenata musicalmente bem interpretada, com sentimento, correctamente trajados e dentro do espírito pretendido. A Tuna Y faz igualmente uma serenata musicalmente bem interpretada mas desenquadrada do espírito pretendido, mostrando desinteresse e com um ou outro Tuno de capa ao ombro quando os restantes de capa traçada. Quem vence?

R: A Tuna X.



Terça-feira, Abril 20, 2010

A Aventura Televisiva

Podem ver aqui . Destaque no "Dicas" da Universidade do Minho - página 7 em cima - datado de Outubro de 2009 ao AvenTunas TV. Porreiro, pá!!

Em breve novos videos, fica a promessa!

Quinta-feira, Abril 15, 2010

A Aventura da Reportagem Possivel...

Um dia destes ainda vamos ler uma reportagem assim……


A festa começou com o tradicional atraso académico – aqui a Tradição ainda é o que era, curiosamente - ainda durante a tarde de sexta-feira, com a recepção das tunas participantes que lá iam chegando às “pinguinhas” , e entenda-se “às pinguinhas” dois ou três mas de cada e mesma Tuna e não “às pinguinhas” tuna a tuna. A bica de cerveja colocada à porta da sede da Tuna organizadora começava assim a trabalhar, embora com meia dúzia de participantes. Festa é festa!

A recepção na Câmara Municipal, acto constante do programa do evento e marcada para as 6 da tarde, agendada há mais de um ano, teve por isso a participação de uma Tuna inteira que veio do estrangeiro – logo, chegou mais cedo e, naturalmente, já lá estava em peso – três tunos da Tuna X e um Tuno perdido da Y que entrou no Salão Nobre da Câmara Municipal a perguntar onde era a bica de cerveja.

O Exmº Sr. Presidente, juntamente com a Tuna Organizadora – ou seja, 4 elementos desta – após breves palavras de Boas Vindas às Tunas presentes no Festival – que não ali – entregou – e das cinco medalhas expostas na Mesa da Presidência, apenas duas, já que o Tuno que tinha perguntado pela bica de cerveja entretanto saíra do Salão Nobre dos Paços do Concelho, sobrando por isso 3 medalhas. Acto contínuo, a única Tuna realmente presente tocou a “Madalena” juntamente com os 3 Tunos da Tuna X, sendo que a presenciar estavam cerca de 60 funcionários do município, juntamente com o Exmº Sr. Presidente e Vereador da Cultura – que entretanto atendia o telemóvel.

Saídos dos paços do Concelho, estavam à porta deste cerca de 3 tunas a dois terços ou menos e o bacano da Tuna Y que antes se tinha enganado na porta, a beber uma “jola” fresquinha. A coisa começa-se a compôr então com a chegada de mais 4 elementos da Tuna organizadora, perfazendo já o fantástico número de 8 organizadores. As guias andavam entretanto perdidas a tentar encontrar o caminho para a Câmara Municipal.

Chegou a hora do jantar que decorreu num espaço fantástico que proporcionou um ambiente agradável a quem esteve presente. Já se notava mais Tunos a chegar e as mesmas lá se iam compondo, à excepção do Tuno da Y que lá continuava sozinho, com uma cerveja na mão esquerda e outra na orelha a telefonar. Tocaram-se umas modinhas tunantes à medida que se ia jantando até que a dado momento entra a Tuna Y em peso que, com a sua famosa sirene já conhecida de vários festivais anteriores, literalmente abafou tudo e todos os que tocavam música com instrumentos de cordas, começando ali um autêntico “forrobodó” que fazia lembrar a saída de uma fábrica mas durante meia-hora seguida. Uma festa outra vez, onde se conviveu imenso entre todos apesar de muitos Tunos terem desatado aos berros uns com os outros para poderem conversar, por força da sirene, o que é de lamentar pois incomodativo para a sirene.

Com uma assistência de cerca de 700 pessoas, que criaram um ambiente fantástico e acolhedor no Teatro, iniciou-se então o espectáculo com o respectivo atraso académico e mais uma hora em cima pelo menos, dado que alguns Tunos tinham entretanto visitado as urgências para tomar Tylenol face ao zumbido constante nos ouvidos provocado, claro está, pelos instrumentos de cordas. De referir que a sirene tinha parado o seu magnífico e pertinente espectáculo no refeitório imediatamente após a saída da Tuna organizadora, uma coincidência, claro está.

Inicia-se então a noite com uma apresentação em vídeo que fazia adivinhar o resto da noite, pelas gargalhadas que provocou, embora o som estivesse adiantado face às imagens cerca de 10 segundos, coisa pouca. E a festa continua!!!

A Tuna H inicia assim a vertente competitiva do festival. Com cerca de 20 elementos em palco, apenas 4 calçavam sapatos pretos e 16 apresentaram-se descalços, motivando da parte do Jurado penalização pelos 4 tunos indevidamente calçados pois fora do contexto estavam, Jurado esse composto por cerca de 20 elementos entre tunos, Vereador da Cultura (que continuava ao telemóvel…), duas senhoras da Climex, 3 caloiros lá metidos à força e um ex-Tuno que tinha estado no jantar e na urgência a seguir, mantendo-se o zumbido ao longo de todo o espectáculo. Jurado este, pois, mais que competente, equilibradíssimo quer em quantidade mas sobretudo em qualidade, garantia desde logo de total competência, a ver pela quantidade de papeis que tinham aos pés, onde permaneceram todo o espectáculo, tirando aqueles Jurados que se levantaram apenas 2 ou 3 vezes durante o certame e o Vereador da Cultura – que entretanto se tornara accionista de referência da TMN.

Uma actuação bastante coerente da Tuna H, começando com um espectáculo de veryligth´s vindo directamente de uma empresa de pirotecnia da Póvoa do Lanhoso – propriedade do tio do Magister - com bons arranjos luminotécnicos, seguido de uma colossal demonstração de mini-trampolim – um medley que reuniu vários movimentos conhecidos do público – bem executado e criativo, que galvanizou o Jurado menos o Sr. Vereador. Seguiram-se dois temas para os solistas mostrarem os seus dotes: “A minha Sogra é um Boi” - um original dos Mata Ratos – e “Pussy” – dos Ramstein, uma serenata segundo a Tuna H.
Terminaram a sua actuação com o seu hino tocado em sampler intitulado “The Nigthtrain” – uma cover do tema dos Underground Sound of Lisbon - animado e bem elaborado.

A Tuna J foi a segunda tuna a concurso, com muito apoio da sua claque vinda expressamente de expresso desde a sua cidade, com cerca de 350 claqueiros (6 autocarros e meio), metade da sala portanto. Abriram a sua actuação com um vídeo original onde se visualizou uma grande demonstração dos seus pandeiretas que viriam a arrecadar o respectivo prémio. Seguiu-se outro original, uma encenação teatral onde cada um dos Tunos recreava uma flor diferente de um jardim, num diálogo em quadras. Como instrumental trouxeram um DJ de Hip Hop que incluiu a batida e a Tuna cantarolava por cima com sotaque crioulo, nuns bonitos arranjos e com bonitos pormenores de harpa eléctrica. A cada pausa desta Tuna os 6 autocarros e meio fizeram-se sentir e não raras vezes o Jurado se virava para trás com olhar intimidado, levando a uma ou outra passagem de Voltaren por alguns dos doutos pescoços.

Seguiu-se a Tuna Y, com cerca de 9 elementos, cuja actuação foi totalmente imperceptível pois a sirene tinha avariado em modo On, sendo que o Jurado, diligentemente, referenciou no final o acto estóico desta Tuna ao permanecer em palco mesmo com a sirene a abafar a actuação de 25 minutos. Ainda assim, percebeu-se a actuação desta Tuna mesmo sem qualquer som, facto que lhe valeu o prémio para a melhor musicalidade do evento, para lá do inesperado Tuna + Tuna, claro está.

Sobe a seguir a palco a Tuna Z que vinda do estrangeiro e tendo estado na recepção na Câmara da parte da tarde em peso, foi desclassificada liminarmente pelo Jurado por cantar e tocar em estrangeiro durante 25 minutos.

A última tuna a concurso foi a Tuna X, com cerca de 20 elementos devidamente trajados. Abriram a actuação com um bonito tema acapella num arranjo a 4 vozes. Seguiu-se o tema instrumental com um bom desempenho técnico dos seus bandolinistas e restante Tuna. O 3º tema, original, com brilhantes arranjos vocais e instrumentais, mostrou em simultâneo dois solistas afinados e com bom timbre e projecção de voz. Terminou a sua actuação dentro do tempo regulamentar com mais um tema complexo vocal e instrumentalmente, onde as suas pandeiretas dentro do ritmo mostraram coreografias arrojadas e inovadoras, bem como o seu estandarte de dupla face devidamente enquadrado no tema e na coreografia dos pandeiretas. Uma actuação equilibrada e alegre que o Jurado, no final, não considerou porque e cito “cada um a cantar para o seu lado, os da esquerda a cantar uma coisa, os do meio outra e os da direita outra diferente!!!???”,Onde é que já se viu isto??? Pandeiretas aos saltos no ritmo???” , “que pobrezinho, nem um descalço estava…” ou ainda “ sete bandolins cada um a tocar uma musica diferente ao mesmo tempo!!???! Muito mau!!!” ou finalmente “ todos vestidos da mesma maneira, de preto ainda por cima…”. O Sr. Vereador apenas comentou “ não reparei, era muita música e pouca javardice visual…” isto no intervalo entre duas chamadas.

Enquanto o jurado deliberava, esteve em palco a tuna anfitriã que presenteou o público com alguns dos seus temas para alegria dos seus familiares, amigos e seguidores, agora mais compostinha do que estava de tarde. Entretanto finalmente chegara ao teatro uma guia da Tuna Y que não era vista desde a semana passada.

Chegada a hora da entrega de prémios, o júri constituído pelos 20 elementos acima descritos, decidiu e cita-se “com total imparcialidade, isenção e no estrito cumprimento dos critérios avaliativos” (que estavam ainda aos pés dos respectivos lugares por eles ocupados no camarote 125):

Melhor Instrumental – Tuna Y (pelo magnífico espectáculo proporcionado pela Sirene)

Melhor Pandeireta – Tuna J

Melhor Porta-estandarte – Tuna H (pelo manejo irrepreensível e original dos veryligth´s)

Melhor Solista – Tuna H (pela fabulosa interpretação da Serenata “A minha Sogra é um Boi”)

Melhor Musicalidade: Tuna Y (pelo minimalismo musical conseguido)

Tuna + Tuna (atribuído pela organização) – Tuna Y (pela espontânea e reconhecida animação do jantar)

Melhor Tuna: Tuna J

O espectáculo encerrou com o tema da noite ”A Minha Sogra é um Boi” com o palco cheio com todos os elementos de todas as tunas – menos a Y ainda ás voltas com a sirene no átrio do teatro.... - e júri – menos o Sr. Vereador e com destaque para a performance das Srªs da Climex - e com o público a acompanhar os berros tão característicos do tema, nomeadamente 350 pessoas do público perfeitamente ao calhas e de forma completamente espontanea.

Os parabéns à Tuna organizadora por um grande festival e a – quase - todas as tunas convidadas pela grande festa proporcionada a todos os presentes -mormente a incredulidade dos ausentes....

Quinta-feira, Abril 08, 2010

A Aventura das Datas de Nascimento...

Regressando de umas mini-férias, já desde algum tempo que me surge uma questão que se prende com as datas de fundação de Tunas nacionais, sendo que e mais especificamente, a temática que se prende com a sua real nascença de facto versus o início da sua actividade. Não sendo uma questão dos dias de hoje, a mesma surge até por força de pesquisa num outro âmbito, onde, e na época do "boom" tunante, se me depararam algumas coisas que, digamos, não batem certo. E depois surge outra questão: e porque não batem certo?

Todos nós sabemos que - e provavelmente herdamos mais esta dos nossos amigos espanhoís - a necessidade de credibilização ou, se preferirem, de pretensa supremacia sobre as restantes começa, supostamente, pela antiguidade, pela data do B.I. Pessoalmente, acho isso uma perfeita baboseira porque por si só, a antiguidade não serve de atestado de integridade, bem fazer ou até mesmo de credibilidade. Pode ser, antes, a antiguidade mais um peso a atestar essas qualidades mas por si só, a antiguidade não basta. Fala-se em respeito, como se o respeito fosse algo que apenas dependesse da data de nascimento e não de mais factores que são mais importantes até. Mas adiante. O respeito só é válido pela antiguidade quando quem a invoca se dá ao mesmo respeito, está bom de ver.

Nos tempos do "boom" foi algo notório, essa procura de pedigree pelo B.I. , consequência do surgimento em catadupa e sequencial de Tunas atrás de Tunas. A paginas tantas já havia quem se arrogasse de uma tradição de dois anos e pico e comparando com a vizinha do lado, nada 3 dias depois, o que não deixa de ser caricato por anedótico. Por outro lado, muitas vezes a actividade de facto enquanto Tuna era anterior à data que a mesma Tuna refere como sendo a do seu nascimento porque - naturalmente - nessa época a preocupação não era documentar mas sim viver a Tuna, simplesmente; ora, a dada altura já algumas estavam em plena actividade e nem se lembravam da sua data correcta de fundação. Logo, apressaram-se a definir uma por força de um momento mais especial entretanto ocorrido - 1ª saída fora de portas, actuação no dia da Universidade, etc. Ou seja, constatei que em alguns casos, umas apontavam datas posteriores à sua real actividade, à falta de saber-se a de facto. Noutros casos constatei o oposto, ou seja, a procura de uma data anterior à que de facto marca de forma clara o seu início enquanto Tuna. Se no 1º caso se percebe pela tremenda rapidez dos dias e noites daqueles tempos, onde tudo era particular e densamente vivido a ponto de até se perceber que a data de fundação fora algures ano passado, já no 2º caso se constata uma outra atitude, a de retroactivar a data de fundação procurando quiçá nas figuras rupestres de Foz Côa um ícone que de forma cabal provasse que a sua Tuna datava de tão vestusta era. Coisa muito espanhola, curiosamente.

Que leva uma Tuna a retroactivar a sua real data fundacional? Deparei-me com várias situações distintas aqui; uns fazem-no porque esquecendo-se ou não conseguindo precisar, têm uma vaga ideia, optando por retroactivar a data à conversa de café tida algures no passado onde um iluminado perguntou "e se fizessemos uma Tuna?" e siga. Já outros retroactivam essa data fundacional com claro interesse subreptício, ou seja, procurar ser "mais antiga" do que a Tuna X ou Y em concreto ou, mais universalmente, procurando pré-justificar uma antiguidade que não detinham e/ou detêm. Outros casos há em que, começando com uma formação mista, a mesma se desdobra logo no ano seguinte e resulta em duas Tunas, a feminina e a Tuna, sendo que aqui, ao invés de correctamente marcarem a data de fundação como sendo a data em que surge cada uma das duas, não senhor, contam a data de fundação de uma tuna mista que....não existe. Há de tudo, como na farmácia. O caricato aqui é o que leva uma Tuna a procurar reescrever a sua própria história, pois se retroactiva a sua data de fundação será porventura por alguma razão; ora, tendo as Tunas nacionais grosso modo 20 anos, não me parece demasiado tempo para que alguém consiga esgravatar no baú das memórias os "ficheiros secretos" da sua Tuna que, afinal, tem mais 10 anos em cima porque 10 anos da data da sua fundação houve um primo do 1º Magister que então, no bar da Universidade, perguntou aos seus colegas de curso "E se formassemos uma cena musical assim toda gira?" .

Não é assunto grave, importante, digamos - e face à paródia dos dias de hoje com coisas, essas sim, bem mais graves. Mas não deixa de ser curioso que se consiga perceber que, mesmo com poucos anos, ainda tenha havido quem tivesse reescrito a sua própria história, a metro, com motivações que oscilam entre o despreendimento no documentar e um claro oportunismo com laivos de pretensa superioridade face ao vizinho do lado.

Fica a questão fulcral: Quando nasce de facto uma Tuna? Quando ela se apresenta como tal, a fazer o que uma Tuna faz, com regularidade suficiente para daí se aferir que estamos perante uma Tuna. Quando é que isso ocorre de facto? Bom, num estirador ou num tampo de mesa de café não será concerteza....

Qual a Tuna mais antiga do Mundo? Essa é uma questão cuja resposta daria para estar aqui até amanhã de manhã, pela sua contextualização histórica até, pano para mangas de outra colecção que se apresentará no próximo Outono. Em todo o caso, tuna universitária, com hierarquia, organização interna, propósito claramente definido, constância temporal na sua actividade e reconhecimento social e universitário, sem dúvida alguma é a Tuna Universitária Compostelhana.