Domingo, Maio 30, 2010

A Aventura Histórica...

Mais um video que o Youtube nos deixa, com algumas fotografias de época deveras interessantes....


Quinta-feira, Maio 27, 2010

A Aventura dos Largos Equívocos….

Naturalmente – e ao longo das duas ultimas décadas – foi-se criando uma série de “pressupostos” relativamente a outras tantas questões e situações, que, auxiliados pela natural espontaneidade do fenómeno emergente dos anos 90, a par com a total desinformação de então – pouco maior que a de hoje… - sobre o todo do Negro Magistério, cruzando-se com “lendas”, “mitos” e outros quejandos similares, originaram “verdades” que mais não são do que mentiras repetidas até à exaustão, colocando então a verdade de facto em “fora de jogo”.

Muito se ouviu, ouve, leu e lê que mais não são que “tradições” de vão de escada e “verdades” que, até, são habilmente “construídas” por alguém quer no passado, quer no presente, que obviamente encontram naqueles mais incautos, quiçá procurando uma sapiência instantânea onde basta juntar um “diz-que-disse” e alguma ingenuidade para se fazer uma “verdade” insofismável. Já nem quero falar das “verdades” construídas a metro que apenas visam vilipendiar ou mesmo denegrir algo ou alguém, que depois caem facilmente com o passar do tempo, esse precioso aliado da razão e da verdade. Se se tivesse a mais pequena noção, com o avançar do estudo aprofundado sobre o fenómeno, de algumas coisas tidas como certas e que se provam hoje serem redondas mentiras, muitos iriam ficar – e ficarão.. – de boca aberta de espanto e incredulidade.

Bem sei que nem todos – a esmagadora maioria – terá pachorra, primeiro para o “diz-que-disse” e depois para parar um pouco e pegar nesse “diz-que-disse” e decantá-lo cientificamente; provavelmente pensarão muitos que não vale de todo a pena ou então nem sequer estão p´rá aí virados. É legítima, note-se, essa posição. Contudo, vamos convir todos que muitas tristes figuras seriam perfeitamente escusadas, principalmente por parte daqueles que se “armam” em sapientes e desatam nos mais variados púlpitos – ao vivo ou electrónicos – a proferir coisas que de verdadeiras pouco ou nada têm. Não chega a ser chato sequer – apenas cómico quanto muito… - porque felizmente ainda vai havendo quem coloque o comboio nos devidos carris, colocando ao léu o disparate, o non-sense e essencialmente a incultura geral tunante de quem se presta a esses hilariantes papeis. Manda o bom senso, em tudo, que, não se sabendo, não se inventa, antes pergunta-se. Mas o bom-senso, tanto quanto se sabe, não se compra avulso numa qualquer loja.

Outro dos “equívocos” ou “lendas” será aquele que nos diz (??!!) que quem se dedica ao estudo mais aprofundado nestas coisas é uma espécie de one of a kind, ou em português corrente, uma ave rara, portanto e como tal, isenta de erro e acima de qualquer suspeita. Nada de mais profundamente errado. Quem se dedica mais aprofundadamente a estas matérias tem apenas e tão só o ónus do seu conhecimento e, quanto muito, da respeitabilidade que os outros, voluntariamente – e não de forma imposta – lhe possam conferir. Muita “asneira” se cometeu para se poder chegar mais além, certamente. Para se aprender a escrever há que fazer cópias; ora, é o erro nelas que potencia a sabedoria posterior, que nos faz escrever melhor e com cada vez menos erros. Não há “prima-donas” nestas coisas das Tunas; o que há sim, porventura, é gente, pouca, muito pouca face ao desejável, que empresta algum do seu tempo ao estudo e evolução deste fenómeno, e não nada mais. A sua respeitabilidade é na justa medida da sua postura, mais do que do seu saber ou conhecimentos adquiridos. Tal não significa que o facto de se saber, ler, investigar, escrever sobre seja por si só um polimento de ego ou, por oposição, completamente despiciente. Não, não o é. Mas tudo na sua conta, peso e medida, na certeza de que quem se presta a este – ingrato, até – papel o faz por puro gosto e dedicação à causa do Negro Magistério, deixando o resto ao critério que quem, porventura, tenha a “pachorra de os aturar”. Bem sei que por vezes se tomam os tuno-estudiosos como tendo alguma áurea arrogante ou, se preferirem, de “gajos-que-têm-a-mania”. Ok, nada a obstar. Desde que quem assim o ache ou entenda se coloque na mesmíssima posição que os tais, ou seja, de igual para igual, quer no conhecimento quer na postura. É que, perante a ignorância, há uma de duas posições: ou se assume a sapiência e se partilha a mesma – e leva-se com o rótulo de gajos-que-têm-a-mania – ou então deixa-se correr o marfim e, mesmo à ultima das últimas, intervém-se – e leva-se à mesma com o rótulo de gajos-que-têm-a-mania; ou seja, é ingrato por inexplicável, mais para mais num meio que cultiva – supostamente - o saber e o conhecimento. Mas todos sabemos que a ingratidão também faz parte da subida da corda a pulso….

Outro “equívoco” é aquele que coloca em total oposição a noção de que quem muito escreve sobre a tuna nada sabe sobre ela porque não a vive de facto – como se fossem coisas incompatíveis quando são complementares - ou seja, uma espécie de “quanto mais escreves menos sabes da vida real”, ou seja ainda, somos – os que muito escrevem – uma espécie de nerds tunantes que sabem dos livros mas nada sobre o que realmente acontece e ocorre. Wrong, outra vez. Cá ando a tunar, cada vez menos mas ando; também vejo o sentir e o pulsar do fenómeno. E não me agrada de todo, nem tanto pelo que não se sabe realmente sobre ele mas principalmente pelo que muitos dele julgam saber, que é completamente ao lado de tudo o que tem a ver com a Tuna seja em livros, seja na sua vivência real, seja onde seja e como seja até. Já não é a ignorância que está em causa, é a desinformação e deturpação que corrompe a verdade; a deturpação gratuita e conveniente é alicerçada em premissas que de cientificas nada têm, antes em “opinativas” ou melhor dito, aquilo que já aqui referi como “o-meu-conceito-de-tuna” quando só há UM conceito de Tuna.

O que nos leva a um último “equívoco” que convém desfazer definitivamente: Só sabe e pode falar sobre o Sentir, Estar e Ser Tuno quem algum dia o foi ou é. Fora disto, nem será para levar a sério, sequer, pelas mais óbvias, inteligentes e prudentes razões. O corporativismo tunante aqui tem de ser implacável, colocando quem de direito no seu devido lugar. O desfazer deste “equívoco” é seguramente um sinal de maturidade do fenómeno tunante nacional.

Sexta-feira, Maio 21, 2010

A Aventura do "e é que nunca mais acertam, porra!"""

Esta encontrei num historial de uma vetusta tuna: "Melhor Passe Callas..(..)"

Para que fique absolutamente claro, escreve-se P A S A C A L L E S - com 1 S e 2 L (com um ésse e dois éles). Não é obrigatório saber-se espanhol, já sei. Mas se não se quer escrever em espanhol chamem-lhe então desfile, arruada, passa ao calhas, whatever. Caso oposto, é PASACALLES (dassss...!!!!!!!!).

Passe Callas foi o nome que os transportes públicos de Atenas deram ao seu passe social em homenagem a essa norte-americana de ascêndencia grega chamada Maria Callas, portanto, nada a ver com tunas. Também ficou conhecido por passe callas o passe futebolistico do jogador francês da equipe do Sochaux época 1958/59 chamado precisamente Callás, um passe feito com o queixo.....

Terça-feira, Maio 18, 2010

A Aventura do Peditório....


Junta-te a esta Causa Nobre!!!! Contribuí !!! Puxemos as gravatas até ao gargalo !!! Oferece uma camisa dois números acima aos "acalorados"!!!!!!!

Sábado, Maio 15, 2010

A Aventura do para lá das marcas....

Telejornal de hoje, hora 20, minuto 21. Fica para a História, definitivamente.

Reportagem da Benção das Pastas de Lisboa. Aluna da Faculdade de Belas Artes com um "traje" feito pela mesma, uma adaptação do "normal" nas palavras dela, pois não se identificava com o mesmo e vai daí, desenhou um seu, onde se poderia ver meias de rede numa brutal mini-saia e uma espécie de cinto todo "Jean Paul Gualtier" entre outras coisas inarráveis. Uma mistura entre um traje feminino, a "indumentária" das meninas da Casa de Madame Lilly e dos trapinhos da Lara Croft. Um mimo ao melhor nivel Etarra!!!!!!!!

De uma coisa eu sei: Não se atreveria a aparecer assim na Missa de Benção das Pastas do Porto ou de Coimbra, de certeza absoluta....

Kilt, volta, estás mais que perdoado...!!!!!!!!!!!!!!!! Académicos de Lisboa, façam um favor à malta: apanhem a "jobe" a jeito, toquem-lhe uma serenata e depois usem o kit de costura das Vossas Santas Avós para repôr a verdade histórica; pelo sim pelo não, levem uma nota de 50 € também...

Sexta-feira, Maio 14, 2010

A Aventura do Condominio Tunante...

O Sub-Director do "Diário Económico" Pedro Sousa Carvalho deixou esta semana no mesmo um artigo de opinião que pretendia reflectir sobre a actual situação económica europeia. O texto é muito bem "esgalhado" senão vejamos:

"Eu moro no 10º D e todos os meses tenho de pagar o condominio. Cada morador do meu prédio paga consoante a sua fracção. Quem vive na penthouse paga logicamente mais do que quem vive num modesto primeiro andar. Era um condomínio tranquilo e com boa vizinhança. Até um dia em que o vizinho do 2º B teve uma brilhante ideia de mandar abaixo uma coluna no meio da sala para, segundo ele, ter uma maior sensação de espaço. Não lhe passou pela cabeça que a coluna que lhe atravancava a sala fazia parte do pilar e da estrutura do prédio que ficou, naturalmente, danificada....(fim de citação).

Deixando de lado a analogia face ao actual cenário económico europeu, esta história sobre um condomínio serve que nem uma luva a um outro condomínio, o das Tunas nacionais. Neste enorme condomínio tunante português, de penthouses chiques até aos T0 com kitchenette, condomínio este sem qualquer tipo de administração, ou seja, ao sabor do vento e das vontades de cada condómino, muitos destes últimos mandam abaixo com inusitada frequência pilares ou colunas que sustentam todo o prédio tunante, ora porque precisam de espaço, ora porque lhes apetece, ora por razão nenhuma e a torto e a direito, simplesmente porque julgando-se na sua fracção tudo o que nela façam é só a ela que lhe diz respeito, esquecendo-se de que não é de todo assim. 

No imenso condomínio tunante nacional, onde cada fracção e respectivo condómino já por si coloca o chão como bem quer, ou pinta as paredes ou coloca papel, ou faz marquise ou deixa a varanda aberta  ou ainda em alguns casos lava a roupa suja no tanque sito à escadaria frontal do apartamento se for preciso, tudo já é por génese, uma imensa palete de vontades, convicções e posturas, até de educação. Mas dentro de casa é uma coisa; no que toca ao condomínio, ao bem comum, ao partilhado por e entre todos, a coisa piora significativamente. Drasticamente. Absurdamente.

Não há na esmagadora maioria dos apartamentos deste condomínio qualquer noção sobre e do mesmo. Trata-se apenas de tratar da sua vidinha, egoisticamente e o resto que se lixe. O que importa é que quando alguém veja o nosso apartamento ele seja o mais bonito, o melhor, o mais bem decorado, o mais in e por aí fora, do planeta, qual condomínio qual quê, nem que isso signifique derrubar uns bons pilares e colunas estruturais do prédio inteiro e com isso lixe a vidinha ao parceiro de cima, do lado e de baixo e preferencialmente ao mesmo tempo, para ser prático....

Neste aspecto, a tuna portuguesa é um caso de estudo único em todo o mundo, talvez até. Tão limpinha dentro de casa e tão javarda fora dela, numa espécie de "para quem é bacalhau basta", fazendo lembrar a razão porque  as casas de banho públicas estão sempre no estado em que estão e ao inverso a de cada um de nós cheira a "Água Lavanda de Tuy". Se calhar ao contrário seria bem mais simpático, a bem do condomínio. Porque razão não há o mesmo cuidado com o bem comum como o que temos connosco, na nossa casa?

Ás tantas porque não pagamos condomínio, porque é tudo à borla - entenda-se, fácil demais - porque não há gestão de condomínio, porque não há noção de condomínio. Só há a nossa casa e mais nada, à boa maneira de uma favela carioca. Se houvesse mais modestia e recato nos vicios privados talvez houvesse mais generosidade nas virtudes públicas e com isso, ganhavamos todos, ganhava a Tuna, esse imenso condomínio. Ainda há muitos que com uma picareta são capazes de pôr, em minutos, todos os condóminos em causa. Se calhar está na hora de os restantes condóminos, a cada batida de picareta, tocarem à campaínha do "iluminado" e dizerem-lhe um par de verdades....

Terça-feira, Maio 11, 2010

A Aventura da Alice no País das Maravilhas….


É, definitivamente, o nosso Kindergarden, a nossa escola primária, a mais pura, ingénua e pueril vivência, onde a frase “ a minha é melhor que a tua” ganha desde logo outro sabor por perfeitamente genuína, sem concessões à cautela ou à sabedoria. É a nossa infância primeira, por onde todos passamos, sendo que alguns, então, foram pioneiros dessa escolinha primária que antes não existia, logo, não tinham outro remédio senão saírem do armário por eles mesmos, uma desvantagem. Hoje, pode-se dizer que já não é assim.


Mas será que não é mesmo assim? É que, ao ler de fio a pavio, fica-se com a nítida sensação que das duas uma, ou não se deixou lastro, bagagem ou então estas coisas das Tunas são mesmo levadas actualmente na base do mais puro e pueril postulado, uma retórica perfeitamente simplista e carregada de ilusão e ingenuidade sadia, uma espécie de “siga p´ra bingo que a “balta” quer é curtir e mais nada”, o que por si só e visto isoladamente, até nem deixa de ser algo benéfico – a ingenuidade tem algumas virtudes, como todos saberão. Tudo muito fácil, tudo muito resumido ao mais básico, tudo muito “bué da fixe pois ganhamos 7 prémios e foi uma América!!!!! Curti totil!” e siga a marinha que está tudo dito. Mas será que esta santa ingenuidade, esta coisa muito Wonderland onde tudo é belo, fantástico, quase um sonho, será por si só, algo de factualmente ponderável e pertinente para o que se pretende no nosso meio? Ou por outras palavras, será que este desprendimento pueril e próprio da tal mocidade louca, ingénua e generosa que Paulo Pombo e Aureliano da Fonseca tão bem retrataram, será mesmo só isso, loucura, ingenuidade e generosidade?

Temo que não, de facto. Temo que haja um misto entre pueril e sadia ingenuidade, muito sangue acaloirado na guelra – claro que sim e ainda bem! – mas também muita ignorância aqui travestida de sapiência de veterania com ¾ de mês. E é esta última a que mais me “preocupa” no meio desta visita ao País das Maravilhas tunante, onde umas Alices parecem genuinamente ser o que realmente são mas já outras parecem querer ser mais do que realmente poderão vir um dia a ser. Afinal a tuna estudantil é para os estudantes, precisamente. Sendo estudantes deveriam estudar mais sobre o que fazem, dizem gostar e julgam saber. E é aqui que a coisa muda algo de figura; se se entende a jovialidade de quem agora chega a estas lides, já não se compreende que essa jovialidade apenas sirva para o que se lê aqui, quando antes poderia servir para ir mais além sobre o que de facto são tunas universitárias e/ou académicas.

Tudo tão simples, aqui, não acham??? E era bom que assim fosse, talvez. Mas as coisas não são assim, como todos sabemos, tão, diria, “bué da fixes”. Ir a este País das Maravilhas é, por si só, um interessantíssimo exercício que nos mostra claramente como uma mesma garrafa para uns está meia cheia e para outros meia vazia. Mas confesso que este rewind não me deixou assim tão “perplexo” quanto isso pois completamente fora da realidade mas ao mesmo tempo docemente infantil – e ser grandinho às vezes é tão chato…

Era bom que as Alices, de quando em vez, seguissem o Coelho Branco para outros locais também….

Segunda-feira, Maio 10, 2010

A Aventura das 96 Horas de Le Tuna......

Pode-se dizer que seria até inédito mas “por acaso” até nem foi: Em cerca de 96 horas – ou seja, entre Quarta-Feira passada e Sábado passado – vi e ouvi cerca de 20 tunas em 3 eventos distintos. Completamente distintos, diria até. Em quase tudo, desde o conceito até ao objectivo final. Portanto, uma espécie de “shot” tunantil que, em alguns casos, foi mais “Shoke” que outra coisa. Já lá vou….

Deu para ver de tudo um pouco, em abono da verdade: desde o muito bom até ao muito mau, quase ou mesmo burlesco diria até. Deu para ver numa amostra em super fast motion porventura a montra do todo do momento actual que se vive. Resulta prático porque nem sequer deu tempo para ir reflectindo de facto à medida dos acontecimentos, levando a uma análise mais generalista ao fim de 4 noites sentado a escutar e a ver o que fui escutando e vendo. Melhor ainda, que não na posição de Jurado ou organizador sequer, ou seja, mero curioso e absolutamente desprendido de outras coisas que não a mera escuta e observação, a simples – tentativa gorada em alguns casos – fruição.

Tendo sido uma amostra compactada de vários eventos, todos eles distintos, porventura quase que diria reflexo do actual estado de situação genérico que se vive, a mesma originou algumas conclusões desde logo. A diferença abismal entre o que uns e outros acham e interpretam de facto do que é uma Tuna. Impressionante, devo dizê-lo; nada que não saibamos mas num exercício prático como este de 4 noites seguidas “alapado” a ver e a ouvir, aí sim, ganha outra dimensão essa constatável por óbvia diferença de entendimento na base, na génese do que é uma Tuna. Essa diferença é de facto, abismal. Se vi cuidado, preparação e competência, também vi e ouvi – e com mais frequência, diga-se – o total oposto. Vi o desaparecimento compulsivo do bom senso e da educação em palco, em alguns casos. Mas também vi o bom gosto e educação noutros, poucos. Uma décalage quase do tamanho do Evereste, onde a dificuldade foi encontrar quem se posicionasse no meio-termo, vá.

Este exercício mostrou igualmente a imensa diferença entre a genialidade – em poucos casos – o corriqueiramente aceitável – muitos – e o liminarmente absurdo – em poucos mas que são demasiados ao fim destes anos todos após o “boom”. Regra geral, a genialidade e a competência andam de mãos dadas com o bom senso e educação, sendo que no pólo oposto, dá-se precisamente o oposto. Talvez reflexo precisamente da forma como uns e outros vêm estas coisas. Vi em alguns casos a completa confusão – propositada ou não, não sei – entre ter-se piada e ser-se completamente inconveniente. Vi a confusão – e mais uma vez não sei se propositada ou não – entre puro espectáculo e show burlesco. Vi claramente muita “academisse” e pouco academismo de facto. E atenção que coloco uma dose enorme de benevolência em cima de toda esta observação empírica, tentando em alguns casos dar um desconto ou benefício da dúvida. Ainda assim, é impossível ser mais tolerante sob pena de faltar à verdade.

Assisti nestas 4 noites à subida ao trono da bandeira/bandeirola deposto que foi em golpe de estado o Estandarte. Assisti à queda do império do bem trajar após a entronização da manga arregaçada e do casaco pousado no chão, em suma, o advento do empregado de mesa versus a extinção do estudante trajado. Mas também vi alguns trajados devidamente e a rigor. Assisti também ao exagero claro de certos e determinados artifícios – ao invés de simples pinceladas decorativas do essencial. Ouvi vozes sublimes e angelicais, soberbas mas também “escutei” vários “sacos de gatos” com os respectivos a miar ao microfone. A tal décalage que referenciei antes. E por aí fora….
Ainda assim, retive no final desta “maratona” o que de melhor pude escutar e ver. Fiquei definitivamente com o que de melhor se vai fazendo. E de facto só lamento que não seja a maioria, por oposição a muita coisa que de facto, quase que diria que é insultuoso face ao todo. É que para criar uma boa imagem demora anos até; para a destruir é um segundo e basta. E escutei vários segundos, minutos catastróficos, tenho de o dizer.

Que conclusão se pode retirar disto tudo? Provavelmente várias. Mas há uma que ao fim destas 4 noites é clara, lá isso é: É preciso gostar mesmo de Tunas para se passar por “bocados” destes, que oscilam entre 4 pancadas e uma festinha aos ouvidos e olhos. Provavelmente também se retira outra elação: Que muita gente que passa esporadicamente e uma vez ao ano por um evento tunante corre dois riscos sérios: o 1º será ficar razoavelmente bem impressionado (cada vez mais raro); o 2º será não voltar a repetir a experiência, dizendo aos amigos no dia seguinte aquilo que nos vai definindo a torto e a direito a todos (injusto mas é mesmo assim…): “Gostaste das tunas ontem, Quim?” e diz o Quim logo “ foi fixe, pá, aquela malta é porreira e tal e coisa…”. E não passa(mos) daí…

Eu pessoalmente retiro ainda uma 3ª elacção: Há muita leviandade e/ou autismo que teima em não ver erros claros e crassos quando se quer, seguramente com a melhor das intenções, fazer algo de positivo. Há quem ache que está a fazer uma grande coisa quando está precisamente a fazer o contrário. Por vezes, há que parar para reflectir. Eu reflecti 4 noites seguidas....

Sábado, Maio 01, 2010

A Aventura do Guarda-Chuva Semântico

A prática reiterada de um fenómeno como sendo a tuna de ensino superior em Portugal mostra-nos desde logo que, mormente o facto de ser uma tradição, há natural evolução. Sempre houve, desde os tempos mais remotos até aos dias de hoje. Aliás, o segredo da sobrevivência da tuna do ensino superior e no ensino superior reside precisamente nessa capacidade de se adaptar - sem defraudar, adulterar ou inventar - a cada um dos tempo em que vive e a eles vai sobrevivendo paulatinamente.

É, pois, novamente, um dos maiores erros na análise do fenómeno entrincheirar o mesmo em X período, ou X contexto, sendo certo que o mesmo fenómeno evoluiu com o passar do tempo. Não se pode confundir, por isso, alhos com bugalhos, pensando-se que com essa capacidade de adaptação da tuna se pode inventar, adulterar, por cima dela como se não houvesse passado. Por outro lado, ao perceber-se que o fenómeno teve vários momentos, tempos, contextos socio-culturais distintos, resulta-me óbvio que remeter APENAS a tuna do ensino superior a um dado contexto é, obviamente, um erro crasso de perspectiva.

A Tuna do e no ensino superior em Portugal existe desde os finais do Século XIX, inicios do de XX e não só mais tardiamente no "boom" - embora aqui com mais expressão e difusão. A tuna no ensino superior foi apenas uma das expressões do ressurgimento das Tradições Académicas em Portugal, quiça a mais visivel mas não a única. Nem todos os Académicos deste país foram Tunos, aliás, a esmagadora maioria dos Académicos deste país nunca foram Tunos. Se os Tunos foram Académicos não tenho dúvidas. Mas isso não condiciona de forma alguma a sua génese, natureza e muito menos a sua denominação mais abrangente. Discordo frontalmente por isso que, à luz de um recuperar de tradições académicas que a tuna de ensino superior em Portugal seja por si só, acto contínuo de copy/paste, académica. A prática hoje mostra-nos que não o é. Não se trata do que eu acho ou deixo de achar, trata-se da realidade dos factos que se me vão deparando à frente, tão simples quanto isso. E essa prática mostra CLARAMENTE que a tuna do ensino superior em Portugal tanto pode ser como pode não ser académica. Porquê chamar a todos Académicos quando nem todos se comportam como tal?

Outra questão altamente pertinente: O que se entende, no contexto estricto da TUNA - e não noutros contextos cruzados ou mesclados - por académico/a? Mais uma vez o que a evolução dos tempos nos mostra hoje é que muitas tunas de ensino superior não são nem se comportam como académicas. Discordo também que e pegando no simples significado de Academia o mesmo sirva para todos: não serve, nem todo o sitio onde há estudantes de ensino superior é logo, automaticamente, uma Academia. Nada disso!!! A noção real de Academia implica um sentimento de partilha, de união, de comunhão de objectivos, formas de estar, etc, articulado e portanto, conjunto coeso de actos, práticas e objecivos comuns, partilhado na sua forma de explanar o que é verdadeiramente uma Academia; ora, em Portugal, concluí-se que às tantas, e na prática de facto, no dia-a-dia, Academias haverá umas duas com sorte até. Chamar-se Academia a um conjunto de 3 faculdades que se dão mal, cada uma rema para o seu lado, com trajes distintos, cada uma com o seu código de praxe e afins, é um autêntico absurdo, porque tudo as separa e a única coisa que as une é a terrivel coincidência de estarem na mesma localidade (desígnio dos Deuses e não de mais nada..). Basta ver o panorama nacional e está tudo dito. Lá se chamam assim? Podem até chamar-se outra coisa qualquer, é-me indistinto, porque a prática mostra tudo menos esse sentimento de Academia de facto.

Uma Tuna do ensino superior em Portugal pode, precisamente por isso e por motivos endógenos a cada Tuna - se uma tuna entre 30 da mesma "academia" faz Y outras haverá a fazer X, H e ainda Z - chamar-se académica na sua denominação, só a ela a vincula esse atestado de academismo; conheço, contudo muita boa tuna que nem sequer tem esse epiteto na sua denominação e é mais académica que qualquer boémio da sua universidade, logicamente. O oposto também existe. Logo, concluí-se que "meter" todos debaixo do guarda-chuva do termo Académico/a é um absurdo, total absurdo, porque essa denominação não reflete a prática reiterada, os pontos comuns, a noção de sentimento de partilha de valores comum. É "treta" dizer-se que isso acontece porque na prática não acontece. Há tunas da mesma suposta academia que trajam de forma completamente distinta umas das outras. Que raio de academia é essa então que nem estéticamente se entende? (que fará em questões muito mais preementes e graves que não a indumentária!).

Uns sentam-se no seu burro evocando a Praxe académica; outros como eu sentam-se em cima do seu burro evocando a Tuna. E se estamos a falar de tunas - e as tunas evoluiram desde o "boom" até bastante na sua forma organizativa, procurando afastar-se sempre das questões políticas digamos assim, criando até estruturas próprias como p.ex. transformando-se em associações culturais com personalidade juridica própria, logo, independentes de tudo e todos, não faz qualquer sentido usar-se um termo que, por enorme na sua abrangência - e quanto maior mais abstracto ele será - NÃO serve os propósitos de hoje, da tuna de ensino superior de hoje.

Nada contra a palavra Académica/o. Gosto até particularmente do seu romantismo, nada contra. Mas tratando-se de tunas do ensino superior em Portugal - e graças à bandalheira criada na criação de nomes, sufixos e prefixos entre outras coisas que me abstenho de comentar quanto ás denominações de tuna adoptadas em Portugal - o termo Académico/a é, face à realidade de hoje - que conheço porque estou no terreno - um autêntico absurdo no que toca a denominar-se todas. É absolutamente falso que todas as tunas em Portugal sejam académicas. Falso. A prática mostra precisamente essa falsidade, não o que possa dizer eu ou outro ilustre curioso sobre a matéria. Que a tuna do ensino superior em Portugal esteja grata ao Academismo e às Tradições Académicas é um facto que não pode ser descurado. Mas grata, não refem. Aliás, o Academismo na universidade portuguesa muito deve à tuna do ensino superior portuguesa na manutenção de valores, hábitos e costumes. O que também não torna a tuna portuguesa do ensino superior sua guardiã por si só. Este "casamento" sempre funcionou lindamente quando ambas se complementavam; já funcionou sempre muito mal quando alguma delas quis sobrepor-se à outra.

Universitária ou Politécnica. Cada coisa é uma coisa mas define claramente uma denominação que abrange, por DNA até, o que são as tunas de ensino superior em Portugal. Mais simples é impossivel. Daí em diante é complicar o que é fácil ou então tentar impôr um modelo caduco, em desuso, fora do prazo, de um época em concreto esquecendo todas as outras até o presente esquecendo. Se se podem chamar também de académicas? Podem. Eu próprio militei numa dita e de facto Académica. Ainda hoje sou académico por génese, por convicção. Foi o contexto de época que assim o ditou, a prática de então. Se tivesse então ditado outro contexto qualquer teria sido esse então e não o academismo. As coisas mudam, também andam para a frente e não nos podemos refugiar em conceitos ultrapassados pela prática, salvaguardando que evolução não é muito daquilo a que vamos assistindo hoje, sublinho com particular cuidado e propriedade. Note-se que tomara eu que fossemos todos Académicos como éramos há uns 20 anos atrás. Eramos, já não somos todos, apenas alguns. Lamento, mas é a realidade.

Um Ferrari Testarossa Turbocharged Compressor Pró Xunning será sempre um Ferrari, mesmo que "azeitado" ou "kitado". Tirem-lhe tudo e metam-lhe tudo em cima: o Ferrari será sempre um Ferrari. Tunas do ensino superior é a mesma coisa, meta-se o Académico/a em cima, ao lado, em baixo. Trata-se sempre de uma tuna do ensino superior. Logo, a resposta a esta questão é simples.

Não se trata, finalmente, do que acho ou deixo de achar - que só a mim me vincula e bastará. Trata-se do que vejo, andando como ando no terreno. Está-se a "discutir" se o Ferrari é Xunning ou não numa época - e quem anda no terreno sabe precisamente do que estou a falar - onde dizem ser Ferrari´s e levanta-se o capôt e o motor é de um Fiat 500, o que torna esta conversa quase absurda. O que me faz retroactivar até à base das coisas e é nela que se deve centrar toda esta conversa e - e não em tunas de liceu, populares, de caixeiros, tradições académicas e afins, tudo respeitável mas que para esta conversa são despicientes. Assim mostram os dias de hoje.

Resulta completamente estranho por incongruente que sejam os mesmos que defendam a autonomia da Tuna face a estruturas académicas e/ou ligadas à Praxe Académica -e muito bem defendido na minha opinião - e que depois sejam os mesmos a remetê-la para essa precisa esfera. Não é preciso remeter a Tuna para o Academismo porque naturalmente, quem é Académico nem sequer precisa de um Conselho de Veteranos ou Tuna ou Grupo de Fados para o ser; basta exercer esse Academismo, ponto final, é uma profissão de fé pessoal, sempre foi. Para haver uma Academia é preciso que haja primeiro académicos de facto e depois que comungam desse mesmo academismo, todos, resultando daí uma verdadeira e real Academia - e não, como resulta da mais elementar Ciência Política, que nos diz que quando as pessoas têm objectivos comuns, associam-se para depois dentro dessa mesma associação, se desunirem.

A "Ronda das Tunas do Porto" de 1991 é um acto de profundo e real, porque sentido, Academismo. Aí sim. Hoje é assim nas tunas nacionais??? Não me divirtam, por obséquio. Há uns anos atrás tive um director comercial que me dizia que a "melhor forma de ver com quem estamos a lidar é verificar se os sapatos na sua parte traseira estão engraxados com o mesmo aprumo e cuidado com que estão à frente": O termo Académico, hoje, em Tunas é uma mera cuspidela na ponta do sapato.....

Sou o 1º a lamentar que assim seja; tomara eu - e quase todos - que o Académico/a servisse de facto para nos definir a todos, ao conjunto. Não, não define, nem de perto nem de longe. Sou Académico, adoraria que fossemos todos académicos, pelo menos como já fomos, nada contra o academismo, viva o mesmo e um grande F.R.A.!!!. Não é disso que estamos a tratar, meus caros. Estamos sim a tratar de perceber se o termo académico/a nos define a nós, todos, todas, tunas do ensino superior portuguesas, hoje em dia, de forma abrangente. Não, não define.