Quarta-feira, Julho 28, 2010

A Aventura do "Numerus Clausus"

Disse o meu caro amigo Dr. Eduardo Coelho, a meio de uma conversa em família num conhecido forum tuneril, o seguinte - e sobre quantidade e qualidade:


O que por cá vai imperando é a sedução do número.

No entanto, esquece-se esta simples verdade:

"menos tunos" não quer dizer "menos tuna".

Será mesmo impossível que 12 tenham tanta musicalidade como 40?

Enquanto por cá não se aprender a separar o "quantos" do "como", vamos continuar a ver premiados os agita-panos e os acrobatas destrajados a ganhar em toda a linha aos porta-estandarte e aos pandeiretas.

Quando se aprender a ver para além do efeito (espectacular, talvez, mas não mais do que isso), então estar-se-á a avaliar verdadeiramente o que se tem à frente.
(fim de citação)


Mais uma vez, palavras sábias....


Ora, todos sabemos da inegável - e ilusória... - tentação em munir as nossas tunas com um grande contigente numérico, preferencialmente dois batalhões a disporem-se na parada festivaleira uma à frente da outra e com jeitinho, de forma a que os que ficam nas pontas possam facilmente abrir e fechar o pano do cenário sem ajuda de um qualquer assistente de palco. A inegável tentação em levar para as "Praças Vermelhas" festivaleiras todo o "arsenal bélico-tuneril" que vai desde SLBM´s (traduzo: Submarine Lunch Balistique Missiles) passando por Kalashnikov´s em cima de camiões UAZ e terminando até em desfile de barquinhos de borracha com a esfinge de Estaline, vale tudo para mostrar uma realidade óbvia: uma tuna grande não é automáticamente uma grande tuna.

Ao longo destes anos assisti, desde a plateia, como organizador ou como Jurado, a autênticas demostrações cabais de que a quantidade não significa por si só qualidade. Vi muitas tunas com dezenas em palco a tocar bem pior que muitas outras com dez ou doze. Certo que também todos nós já assistimos a grandes actuações de tunas grandes que mostraram ser uma grande tuna, correcto. Mas não líquido, de todo. Muito menos automático na relação directa entre quantidade e qualidade. O truque está sempre na optimização dos elementos que a dado momento se pode dispôr, redimensionando a tuna à realidade que se lhe apresenta. É fácil em alguns casos recrutar uma companhia inteira de caloiros trajados para subir a palco e depois desses a única nota que têm com eles é a de cinco euros que o papá lhe deu antes de ir prás "túnicas" prós finex´s, que de arte e engenho nada há a assinalar. Já muitas vezes se viu hordes de gente em palco e, olhando com cautelas acrescidas, repara-se que toda a actuação é sustentada por uma dúzia dos 40 que ali estão em cima, escutando-se uma espécie de "back vocal´s" ao longe e a medo (às vezes) e pouco mais. É, por outro lado,muito mais complicado a uma tuna com pouca gente poder munir-se de algum conforto entre os mesmos na hora de executar o ensaiado; no entanto já vi muitas tunas  com poucos elementos a fazer autênticos espectáculos completos e de grande valor musical e tuneril. Já vi tunas com pouco mais de uma dezena de elementos a ganhar reputados certames e muito bem porque, de facto, não havia volta a dar.

Tudo isto para dizer apenas duas coisas: a quantidade de elementos de uma tuna pode ser importante se a mesma souber de forma cuidada aproveitar e potenciar esse número, de forma equilibrada e inteligente, perfazendo com cada um e seu contributo válido (não "coxo" ou de corpo presente) um todo que resultará sempre de forma positiva. O que não invalida que uma tuna com poucos recursos humanos não possa ela também fazer essa potenciação e optimização, note-se; tanto pode que todos nós já o vimos a acontecer.

A segunda nota refere-se ao facto de que muitas vezes a quantidade apresentada na parada festivaleira não é a mesma depois cá fora, ou seja, serve a mesma parafernália de gente para um único objectivo e não - infelizmente - para os restantes. Uma coisa muito "Estudiantina Figaro" só que ao contrário, pois estes, então em finais do Século XIX faziam mais do que simplesmente tocar em palco....outros tempos.....

Quantidade nunca significou qualidade. É outro, porventura, dos erros crassos em que se caíu nos últimos 20 anos grosso modo nas tunas nacionais. Nem tão pouco um número pequeno define desde logo que estamos perante uma tuna fraca. O que agora vemos, mais recentemente, é a inflação de gente em palco apenas para fazer coisas que não lembram ao diabo (é ler acima o introíto), numa espécie de poeira radioactiva que apenas serve para - tentar - impedir o que realmente deve ser visto e muitas vezes, nestas vezes, não se vê porque...não está lá.

Domingo, Julho 25, 2010

A Aventura da Lógica da Premiação....

Ao viajar no passado recente internáutico deparei-me com este post em concreto que é um autêntico case study - ou caso de estudo - sobre esta matéria, para lá das opiniões contidas no mesmo, deveras interessantes e em alguns casos reveladoras de muita coisa engraçada...mas adiante, vamos ao que realmente interessa aqui.

Nem sequer foi este caso virgem na matéria, alguns ocorreram - poucos - antes deste e depois deste. Certo certo é que podem ocorrer e refiro-me à não atribuição de um qualquer prémio de um certame competitivo, seja ele qual for. Pode acontecer, objectivamente, desde que previsto previamente essa mesma hipótese - e quanto à legalidade formal estamos conversados a meu ver; se está previsto, acontecendo, não carece de contestação objectiva, goste-se ou não, concorde-se ou não.

Vários planos ocorrem aqui neste caso, servindo apenas aferir  da legitimidade ou não, bem como da moralidade ou não do acto de não atribuição de um qualquer prémio. Atenção que aqui é necessário perceber-se o que dita cada regulamento de um dado certame: Há eventos que nem sequer possuem regulamento, logo, nesses, quando não são atribuídos um ou mais prémios, poder-se-á dizer que legitimo é (lacuna, portanto, vale tudo) restando aferir da moralidade; aqui neste apartado, essa moralidade em não atribuir um dado prémio fica sempre ao critério do observador - se para um qualquer será indiferente, para outro poderá ser algo imoral ou amoral, se quiserem. Digamos que aqui o campo da legitimidade é o que mais importa aferir, tratando-se de um concurso com regras (ou sem elas...); já quanto à moralidade ou falta dela na atribuição de prémios ou não está para nascer o evento que seja imaculado a esse nivel, precisamente porque o ponto de vista de X nunca é igual ao do Y e assim sucessivamente.

Detenhamo-nos na questão da legitimidade, por ora. Se está previsto em regulamento, nada poderá obstar à não atribuição de um prémio, dois ou até todos num certame. Bem sei que não é um hábito - e por força da lógica competitiva que impera - não atribuir-se um prémio, dois ou cinco, todos sabemos que não é prática recorrente, antes atribui-se todos os que estão em disputa. Acontece é que só quem nunca fez parte de um Jurado de certame de tunas é que não compreende que tal é efectivamente possivel, diria mais, não compreende até que em dadas circunstâncias, é precisamente o que se deve fazer e não há outra alternativa sequer, por muito que isto custe ler ou ouvir a quem quer que seja. Passo a explicar então porquê. 

É o certame uma reprodução em palco e fora dele do que deve ser uma Tuna universitária, disso não tenhamos dúvida. Assim sendo, os certames que cuidam este aspecto com particular cuidado encaram a premiação não como uma obrigatoriedade em si mesma mas antes como um incentivo dado ao cumprimento das mais básicas premissas que cada prémio - nos seus critérios universais - encerra em si mesmo; logo, se num dado prémio não surge, naquela noite em concreto, tuna alguma a cumprir com o que se pretende, parece-me mais do que óbvio que é mais do que legitimo até não se atribuir esse mesma prémio. Mais até digo, não encontro razão alguma para se atribuir, p.ex., o prémio ao Melhor Estandarte quando em 6 tunas a concurso nenhuma delas apresentou sequer em palco...um estandarte. Fazê-lo é desde logo atentar contra toda a lógica tunante que é afinal a premissa basilar quando se organiza um certame de tunas a sério (obviamente que noutros vale tudo e aí a coisa é tudo menos séria).

Quanto à questão da legitimidade, o exemplo acima é por demais suficiente; se para o público o pano da loiça da tuna xpto foi excelente, para o Jurado é igual ele ter sido excelente, razoável ou medíocre, pois não consta dos critérios nem da premiação tratar de panos de loiça mas antes e sim de estandarte. Ou seja, o público está no seu direito de não gostar de não ver o pano da loiça ser premiado mas o Jurado está no seu pleno direito - e mais digo, dever - de não atribuir um prémio a algo que não viu, ou seja, estandartes. Simples mais simples não há. O público aplaude ou assobia e essa é a sua única função; o Jurado está lá para avaliar, é essa a sua única função. Por muito que haja muitos a querer misturar alhos com bugalhos, deve ser sempre assim, cada coisa no seu lugar e metier próprios. Caso oposto, entreguem a função de avaliação ao público e fica o "problema" ou confusão resolvida da forma mais simples. Não é, contudo, o que ocorre; e ainda bem, digo eu.

Dirá então uma imensa horde de populaça tuneril que estas coisas são levadas demasiado a sério e onde fica então a natural espontaneidade destas coisas? Bom, pergunto eu em contraponto que raio de espontaneidade é aquela que faz uma tuna levar o pano da loiça - mais leve e mais dado a movimentações previa e intensamente coreografadas em casa... - para um certame ao invés do seu estandarte da tuna, do seu símbolo maior - pesado, antigo, pouco dado a coisas mais "bonitas" e leves de serem vistas? Tamanha incongruência para ser tratada devidamente pelo Jurado avisado e letrado na matéria, respondo eu; afinal, quem impede dada tuna de levar o seu panito da loiça para o palco? Ninguém. Se têm esse direito então o Jurado de um bom certame, avisado e letrado na e para a matéria, tem ele também o direito de julgar da forma mais congruente possivel desde logo com a tradição tunante e até por força do regulamento e critérios mais do que aceites pelas participantes: o problema é que estas ultimas nem sequer se dão ao trabalho de os ler antes de ir, prova cabal do real problema de percepção destes eventos e da sua real importância. Afinal, tanta espontaneidade para tão pouco saber e depois, quando alguém aplica as regras, Aqui D´El Rey que isto e aquilo e blá blá blá; uns podem brincar às tunas mas outros não podem ser sérios quanto a estas.....hummm, algo de errado mora aqui, vamos convir.

A lógica da premiação só faz sentido aliada a duas inegáveis premissas: saber ao que se vai e como se vai na perspectiva da justeza clara de quem recebe. E se o público nos recebe - bem ou mal - nunca nos atribuiu prémio algum havendo quem mandatado legitimamente para tal. E é preciso perceber-se precisamente isso. É legitimo "estar-se nas tintas" para o Jurado porque se toca para o público, claro que sim e ainda bem. Agora, Santa Hipocrisia, se se vai a concurso, ou bem que é dentro do que ele é ou bem que se corre por fora, a esticar a corda para ver até onde ela vai - e há por aí uns peritos nesse esticar de corda, oh oh, se há; o problema é que de quando em vez há Jurados que são correctos e fazem aplicar as regras que todos antes dizem (por omissão, seja) aceitar de olhos fechados. E o Jurado tem obrigação de ser o oftalmologista de serviço quando todos no público teimam  em ver algo que mais não é que uma miragem ou ilusão de óptica. O problema é que em Portugal não é regra corrente que os Jurados sejam absolutamente rectos nessa aplicação de critérios; pior, muitos certames não os têm (logo, vale tudo..) e outros têm e não os aplicam ( e aqui a ilusão de óptica já é do Jurado). Simples, novamente.

É legitimo, mesmo que moralmente seja contestável (coisa tão subjectiva nestas matérias...), que não se atríbua um dado prémio, perfeitamente legitimo e mais digo, normal até. Deveria ser prática corrente, mais à frente vou. Se calhar, com essa legitimidade aplicada de facto, não haveria tanto disparate e aberração a ser premiada e ganharia com isso a Tuna em sentido lato. Deveria ser regra - caso se justificasse, claro - não atribuir prémios. E isto não é punir, é formar, é indicar caminhos, é passar mensagens claras, é defender o Negro Magistério. Os prémios são um incentivo, diz-se. Até pode ser que sim, admito. Mas que caraças, incentivar-se coisas que nada têm a ver com não pode terminar bem, não pode ser profilático, não é seguramente o caminho. E quando de vez em quando lá não se atribui um dado prémio parece que cai o Carmo e a Trindade. Ainda bem que cai, digo eu. Haveria era de cair mais vezes que só faria bem a todos, se repararem na lógica da premiação tuneril em certames. A todos.

Não atribuir um dado prémio não é uma punição seja a quem seja, para punir existem desclassificações, a lógica é oposta nesta questão. Não atribuir um dado prémio é para lá de mais do que legítimo um enorme contributo ao fenómeno que se dá havendo causa concreta para tal, obviamente, num dado evento. É a defesa da Tuna em sentido lato que afinal está em causa quando não se atribui um dado prémio, não uma punição diligente e discricionária em si mesma, para punir há desclassificações. O que resulta desta questão de fundo é que na esmagadora maioria da "malta" vai tudo já com ela fisgada; quando a conta saí torta fala-se e no dia seguinte acabou; quando a coisa corre de forma anormal por inusitada - não atribuição - aí a "malta" fica séria e desata a procurar legislação e  jurisprudência conforme, sem sucesso, é bom de ver: sempre que não se atribuiu um dado prémio seguramente que a explicação sobre essa legitimidade é mais do que sustentável e por tal, coerente e correcta.

Termino: cumpra-se com o que se pede, prepara-se de acordo com o requerido e previamente informado e conhecido; assim será possivel que tudo corra dentro do normal, caso oposto, mais não atribuições haverão (nos certames sérios, claro..) e não vejo mal nenhum nisso, muito pelo oposto, será sinal que se anda a fazer "coisas giras" mas que desviantes ou incongruentes face ao que deve ser um certame de tunas, sua lógica e defesa de preceitos tradicionais.


Post Scriptum: Por muito estranho que isto possa soar, é evidente que se há uma mehor tuna e uma terceira melhor tuna, como se explica que não haja uma segunda melhor tuna então? pergunta pertinente, mais até quando se evoca p.ex. uma corrida de Formula 1, mesmo que o Alonso ganhe com 5 dias de avanço face ao 2º classificado, o Massa, que cortou a meta 5 dias depois. O problema aqui é que, caso não se tenha reparado, nem o Massa poderia participar sequer na corrida de Formula 1 com um Citroen C4 de WRC (nem entrava no Padock que fará na grelha de partida...) nem o desporto automóvel tem a mesma lógica de fundo que um certame de Tunas (e é isso que poucos entendem). Aliás, nem um certame de Tunas é um desporto sequer, por muito que para muitos seja assim levado como tal...


Sexta-feira, Julho 16, 2010

A Aventura do "outra vez??!!???"

Agora deparei-me com uma nova variante até hoje desconhecida, ora leiam...

"...iniciamos logo o Passez-Calles..." (fim de citação).

E pronto, é isto, já aqui atrás discorri o tema sobre o termo castelhano pasacalles, já nem me repito sequer. Mas caraças, será que nem copiar se sabe, sequer???

Continuando a ler o mesmo blog, mais abaixo deparo-me com nova versão também ela todo um inédito, o passe-callez, o que me fez vacilar sobre o verdadeiro sentido da vida, devo confessar.....ou bem que passez ou bem que callez, agora assim não percebi e fiquei na mesma!!!! Repare-se com propriedade intelectual como o Z transita suavemente de palavra em palavra, qual Zorro de capa e espada esperando a melhor oportunidade para com 3 rasgos se fazer anunciar, num bailado quase único, urdindo um Z a cada palavra que se escreve, lembrando o Diácono Remédios, esse paladino dos bons costumes e do pudor(zzzzzzz...)....

Já a palavra anglo-saxónica shot surge bem escrita por várias vezes até, o que ainda mais me deixou mais "derreado" psicológicamente pois é muita "praxadela" de uma vez só....

Caso para dizer "laissez faire, laissez passe(Z)r" - não fosse eu um chato do caraças....

Passez(es) todos muito bem e talvez callez a gente se encontrar um dia destes......!


Sábado, Julho 10, 2010

A Aventura da Análise Sociológica do Certame de Tunas em Portugal

Recupero um texto da minha autoria, datado de Dezembro de 2005 e que analisa de forma mais profunda o contexto sociológico do certame de tunas em Portugal; 5 anos volvidos serve que nem uma luva....


I) Existem, no todo dos certames nacionais, vários "universos" interpretativos ou configurativos, consoante cada caso ou conjunto de casos, ou seja, não há uma uniformização não de regras mas antes de conceito de festival, sua assumpção clara e ordenamento pelo menos coerente (ao contrário do cenário espanhol que esmagadoramente opta por uma bitola clara e quase "sacramental", para lá de historicamente enraízada).


II) Deriva da noção acima a conclusão seguinte; existe uma clara segmentação dentro dos certames que ocorrem e que não se reporta ao facto de serem nacionais ou internacionais ou mais/menos antigos; i.é, os certames regra geral são reflexo directo da postura da tuna que os organiza e não reflexo de uma qualquer outra ordem de razões, concluíndo-se, por tal, que a certos certames somente vão certas tunas e assim sucessivamente. Se vista a segmentação de uma forma positivista sou de acordo, se vista de forma descriminatória não sou e essa visão deriva precisamente da postura de cada tuna organizadora.

III) Deriva do ponto II a conclusão evidente que uma dada Tuna mesmo que esteja numa sucessão vertiginosa de primeiros prémios para a Melhor Tuna (p.ex), a dado certame e precisamente pela sua atracção constante a este tipo de eventos tunantes e não outros, mais tarde ou mais cedo, verá essa sucessão de exitos quebrar-se. É natural que aconteça tal mas resta saber se por motivos naturais (uma actuação menos conseguida, por exemplo) ou por outros motivos que se prendem com o dito no ponto I, concluíndo-se por tal da validade cada vez mais preemente então do ponto II, ou seja, a segmentação dos certames.

IV) A segmentação de certames resulta da segmentação das tunas e não acontece esta por força do sucesso temporal, antes por força do desenrolar dos tempos (já há alguns anos de certames anuais que servem de aferição a esta conclusão prática); Alguns dos nossos certames contam já com 10 ou mais edições sucessivas, o que permite em alguns casos, aferir um certo "profile" de cada um dos mesmos. Se entendermos esses eventos como um fenómeno dinâmico e de aprendizagem continua dos organizadores no sentido de os melhorar na prática, então percebe-se claramente a assumpção de determinado perfil, o que nos leva à conclusão da segmentação também dos convites efectuados por cada organizador; uns chamam de "circuito fechado", outros chamam de "circuito por mérito", outros chamam ainda outras coisas. Partindo do princípio que todas as organizações querem supostamente as "musicalmente melhores" a dado momento, deduz-se então que nem sempre as "musicalmente melhores" estejam presentes em todos os eventos ditos grandes, para lá de outras questões colaterais que não interessam aqui abordar.

V) O tempo tem a vantagem enorme de refinar as coisas e de as melhorar neste campo, pelo menos em teoria. Com a cada vez maior e crescente postura de auto-critica dos organizadores começa-se agora, ao fim de uma década grosso modo, a apreender algo que não sendo uma regra, começa a configurar antes de mais uma postura de defesa da Tuna enquanto tal; Vários são os eventos que já trocam entre si critérios avaliativos, preâmbulos conceituais do evento, itens de avaliação e assim sucessivamente, respeitando sempre a autonomia organizativa e cultural de cada organizadora. Sou completamente a favor não de uma regulamentação geral mas antes de uma uniformização prévia de conceitos; Já ocorre e com resultados práticos muito bons, até para salvaguarda das organizações mas sobretudo, das Tunas sejam elas as participantes ou as restantes. E será graças a isso que a segmentação começa a fazer-se sentir, filtrando de forma mais correcta e fiel aos principios tunantes na defesa da Tuna em sentido lato.


VI) Conclúo por força dos pontos anteriores que a frase "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és" ou então "diz-me a onde vais, dir-te-ei quem és" assume cada vez maior importância; Repito que falo de conceitos e não de pessoas.

VII) Parece cada vez inequívoco e claro que quando a tal uniformização prévia de conceitos tunantes aplicados a um certame competitivo de tunas ocorre, reduz-se a hipótese de conflitos posteriores face às premições atribuídas; se tal ocorre mesmo assim, estamos perante então a tal segmentação que urge fazer-se sempre, pela positiva.

VIII) É claro que a eficácia e provimento da uniformização previa de conceitos em sede de certame competitivo, por servir o todo do fenómeno, não serve definitivamente aqueles que não são parte do mesmo.

IX) Finalmente, conclúo que o caminho por alguns adoptado de salvaguarda dos certames e suas características inatas mais não é que a defesa dos valores Tunantes tradicionais e , por tal, com toda a lógica, mais valia natural e validade. Apenas peca por tardia acção mas resulta claro que não houve, até agora, capacidade para harmonizar sem regulamentar. Começa a haver. Já se nota os seus efeitos. E ainda bem. Agora, que cada um organize o seu certame como bem entender. E que cada uma vá onde bem entender e recuse ir quando bem entender.

Sexta-feira, Julho 09, 2010

A Aventura Estival...

Regressando de umas vacaciones - e perdoem-me mas nem me atrevi sequer a levar o portátil.... - e com bastantes projectos escritos pelo meio, eís que regresso já em plena Silly Season para me congratular com um simples mas importante facto: começamos a ver mais tunas em modo summertime, o que é deveras interessante. Mais para mais, fugindo ao modelo competitivo e indo mais ao encontro da essência tuneril, a partilha, o convívio, o passar da mensagem pelos quatro cantos do país, o elevar das nossas tradições.

Com efeito revela-se importante que sejam quebrados os dois grandes ciclos temporais tuneris - Outubro a Dezembro e Março a Maio - anuais, alargando-se ainda mais o âmbito de actividade a outros períodos não usuais e levando a Carta a Garcia, o que realmente importa, seja em que época seja. Por outro lado, torna-se também importante ver-se tunas em versão summertime pois tal potencia muito maior à vontade e despreendimento entre participantes, numa época estival dada à descontracção quer de quem nos vê e escuta, quer a nossa própria, o que será sempre de realçar.

Bom, é bom ver que vamos ter Tunas neste Verão algures por aí. E é muito bom para elas que assim seja.