Segunda-feira, Outubro 18, 2010

A Aventura da "Norte-Coreanização" Tuneril

Veio à memória os meus tempos de estudante. Certo Professor comentava, então, no meu 2º ano de Universidade, um almoço a que assistiu com todo o séquito, à época, da Reitoria, composta então por ilustres personagens oriundas do Estado Novo, portanto, do tempo da outra senhora , em plenos anos 90 de liberalização do acesso ao ensino superior. Esse Professor, um jovem face aos restantes comensais, comentou em plena aula esse inusitado almoço, onde os ditos cujos dignatários de outros tempos não só se sentaram à mesa por ordem de importância e face aos cargos que detinham nos tempos de Salazar, como - e pasme-se - ainda discutiam acaloradamente os temas preementes dessa época, como se em plenos anos noventa isso fizesse algum sentido, sequer. Um must de anacronismo puro e duro, portanto, narrado com espanto pelo Professor e escutado com maior espanto por todos nós, alunos dele, então.

Se este anacronismo saudosista de pessoas com 70 ou mais anos, então, se acaba até por entender - e bem vistas as coisas... - embora pejado de ridiculo e caricato, mais grave é assistir-se, no mundo tuneril nacional, hoje, a autênticas posturas Norte-Coreanas a inundar mentes tão jovens, isolando-se da mais concreta e objectiva realidade e vivendo tempos que nem são deles, nem são claramente os de hoje. Autênticas "ilhas" na má interpretação da realidade actual, que ainda por cima saltam olimpicamente as barreiras da história de facto, muito por total ignorância sobre esta cultura que nos une, até. A somar a este anacronismo oportunista pincelado de ignorância sobre o que de facto, foi e é o mundo tuneril nacional, temos hoje comportamentos que atestam, a um micro-nivel como é bom de ver, essa ânsia em defender - de quê? - um certo estado de situação que não é, de todo, o de hoje.

Mais confortável se torna essa "norte-coreanização" quando assente em pressupostos de outras eras, tal qual os ditos dignatários do Antigo Regime ao dito cujo almoço. Completamente desfasados da realidade actual e com a adenda de, hoje, alguns acharem que vivem da forma certa, no tempo e lugar certos e que todos os restantes estão mal, quando se passa precisamente o oposto, pois é isso que os tempos de hoje nos mostram de formas extremamente interessantes e até inesperadas - ou não - em alguns casos. Usa-se o passado como uma "golden-share" e não como uma honra a respeitar, montam-se glórias passadas como se fossem eles a terem-nas conquistado quando chegaram aqui ontem, isolam-se nas suas fronteiras "norte-coreanas" com um rigor espartano temendo tudo o que seja exterior e olhando esse exterior como um "perigo" sem se darem, sequer, ao trabalho de tentar perceber e saber o que se passa "lá fora", no mundo real - aliás, o "mundo real" é o deles...

O problema destes anacronismos mentais é que resulta sempre num isolamento dos próprios, como facilmente se percebe. O que sobra é incomensuravelnente maior e mais vasto do que o pequeno mundo em que vivem e que eles dizem ser "o certo". Os "Grandes Lideres" vivem isolados dentro das suas fronteiras mentais e amplificam sempre a sua voz à minima passagem de uma traineira pelas bordas das suas águas territoriais, como se os pobres e esforçados pescadores se importassem com o que os "Kim Il Sung´s" pensam ou deixam de pensar, preocupados que estão com as suas vidinhas de humildes pescadores, preocupados antes com a real life. Nessa alucinação isolacionista por vezes acabam por passar em mar alto não traineiras mas antes Porta-Aviões, que apenas vão a caminho de outro lugar, simplesmente, estão-se nas tintas para os "Grandes Líderes", isolando-os ainda mais.

Nos tempos tuneris de hoje é claro, cada vez mais claro, que ainda existem mentalidades "norte-coreanas" que nem sequer ousam dar-se ao pequeno trabalho de serem medianamente lúcidos face à realidade. Ainda há muitos, curiosamente, jovens de hoje, que se sentam à mesa com os "ministros" de então e discutem acaloradamente episódios de outros tempos que não viveram, estados de situação que não sentiram porque não eram nascidos sequer, até, status quos que já deixaram de existir ainda antes de terem sido caloiros, que fará Tunos. Uma imensamente pequena "Norte-Coreanização" que apenas isola os mesmos, nada mais nada menos que isso. Respeitar o passado nada tem a ver com viver no mesmo nos dias de hoje. Nada.

Aliás, bastaria estudar o mesmo e quanto a Tunas, que facilmente se percebe a perenidade das coisas, força naturalmente da extrema capacidade adaptativa que a Tuna teve ao longo da história, sobrevivendo a Reis, Raínhas, Ditadores, Revoluções, Golpes de Estado e Sistemas politicos distintos, entre outras situações. Se a Tuna sobreviveu a tudo isso, como é possivel haver, hoje, gente jovem mais "parada" no tempo e no espaço que os comensais acima citados???

É que há uma grande, enorme diferença entre saudosismo e saudade....

A Aventura da Aposta....

Gostava de lançar aqui um desafio, vamos ver quem ganha o mesmo:

A 1ª tuna portuguesa que consiga estrear até ao final de Novembro UM único tema, completamente novo, que me informe de tal feito histórico e o filme para ser colocado aqui, que o "Aventuras" oferece uma garrafa de Porto. É que já mete "nojo" ouvir sempre as mesmas músicas......dasss!!!!!!

A Aventura da Carta a "Francisca"....

Peço desculpa aos habituais leitores pelo "abuso" que faço do meu próprio blog, ao usa-lo para mandar uma carta aberta à "Francisca". Um pedido de desculpas e um ramo, não, perdão, três ramos de flores - um por cada nome que ela tem ou diz ter...


"My dearest " Francisca:

Poderia dizer que foi bom enquanto durou mas não foi, de todo; foi um martírio aturar-te, agora to digo, to dizemos. O que vale é que, como diria Tony de Matos, "tudo acabou entre nós, foi melhor assim". Um alivio. Foi melhor essencialmente para ti, Francisca, pois assim como as coisas estavam quem se punha a jeito eras tu. Mas o tempo, esse, acaba sempre por dar razão aos sensatos.

Agora, estás salva de ti própria, basicamente, ainda que tenhas cavado a tua própria sepultura e conseguido um feito extraordinariamente único, que foi saltares para dentro da tua cova e depois com fortes pazadas ainda te cobrires de terra! Francisca, Francisca, ao que chegaste!!!!! Ao que o sonho te levou, Francisca!!!! Agora toda a gente sabe que espécie de catraia tu és...!

Já foste, Francisca. "Bani-te do meu Orkut"! Caíu-te a capa e nem foi preciso ninguém tirá-la por ti...!

Adeus, e afasta por favor os teus olhos dos nossos....!


P.S. - Concedo-te, ainda assim, um último desejo: Envio-te uma...rosa...

Quinta-feira, Outubro 14, 2010

A Aventura da Madrinha Rosa….



Porventura alguns não saberão de quem falo. Já outros sabem e muito bem, até. Dª Rosa Rodriguez é uma figura incontornável das tunas em Portugal, figura ímpar – a par com o “nosso” Napoleón.

Conhecemo-nos vai para mais de 15 anos, seguramente, e desde então se estabeleceu uma forte relação de amizade, que ainda me vai levando, de tempos a tempos, a Betanzos ou à Corunha, onde a Rosa vive e exerce a sua profissão. Figura querida também no panorama cultural da Cidade Cristal, Rosa Rodriguez está intimamente ligada à cidade do Porto, de igual forma e desde sempre.

Visita regular de vários certames de tunas em Portugal e para os quais é gentilmente convidada, a Rosa é muito mais que a Madrinha da “minha” tuna, é a sua embaixadora e mais alta dignitária da mesma fora de Portugal, portadora da nossa amizade, forma de estar e personalidade.

É, em suma, Dº Rosa Rodriguez um exemplo vivo de que a amizade, carinho e respeito são valores mais do que fundamentais, que atravessaram anos e anos a fio, fazendo com que, em suma, a Rosa seja uma de nós, seja “um Tuno” como nós somos. A cumplicidade é por demais evidente por inabalável, haja o que houver, como o tempo se tem encarregue de mostrar, aliás.

É esta oportuna “Aventura” uma sentida e merecida homenagem à nossa Madrinha, Dª Rosa Rodriguez, que fez de Portugal e dos seus eventos tuneris a sua 2ª casa, pelo gosto, dedicação, pela companhia, amizade e acima de tudo, respeito.

Quarta-feira, Outubro 13, 2010

A Aventura do Quarto de Século....

Dito assim pode parecer muito, o que equivale a dizer que, por um lado, espero que sejam poucos e que muitos mais venham e, por outro,  quarto de século esse que acompanha a par e passo o ressurgimento do fenómeno tuneril de idos do boom, dos quais são seguramente seus co-responsáveis.

Não poderia, por isso, passar à margem desta efeméride, já no rescaldo do fim de semana passado que culminou com essa mesma comemoração. Sendo eu Tuno de Mérito , também, da EUC, mais significado toma esta efeméride. Mas principalmente por força das relações de amizade que me unem, ainda, a alguns dos seus componentes de então, de meados dos anos 90, quando o destino quis que nos cruzassemos quer em Coimbra quer no Porto. E essas afinidades são, ao fim e ao cabo, o que levo comigo prá vida.

Muitas Senhoras Luas partilhamos então, e entre copos e pevides cantamos juntos as desventuras do carteiro que chegava das nove prás dez, entre outros tantos temas cantados e tocados juntos, então. "Academices" à parte, o que fica é, afinal, o mais importante. E é isso que ainda hoje retenho com saudade e amizade. Espero sinceramente que seja recíproco.

Parabés, EUC, por tudo. Principalmente pelos bons momentos, aqui, aí, acolá, algures. 25 anos mais virão e outros tantos também e por aí fora. E os nossos filhos que nos julguem por gostarmos tanto destas coisas....

Quinta-feira, Outubro 07, 2010

A Aventura do “Conceito” de Tuna-Pop

Julgava ser um conceito mais definido, mais concreto e por isso, mais circunscrito a determinados especímenes, este conceito da Tuna-Pop. Mas pelos vistos estava algo enganado, pois o conceito é bem mais abrangente e abarca, afinal, de forma transversal, o mundo tuneril actual em Portugal, onde se consegue ver o inusitado e o bizarro, até…

Sempre julguei que nestas coisas tuneris – como no resto, também – a meritocracia detinha papel de destaque, não se descurando, obviamente, outras questões que não menos relevantes – como a decência, por exemplo. Afinal, não é bem assim, assumo a minha santa “ingenuidade”. Passo a explicar então:

Em amena cavaqueira com um ilustre Tuno deste rectângulo à beira-mar encalhado, perdão, plantado, eis que diz o meu interlocutor – e falando da constante repetição dos cartazes de alguns certames, que se repetem quer a si mesmos, quer entre eles – qualquer coisa como “isso acontece porque há tunas que vendem” (fim de citação).

Assalta-me, ao escutar tal afirmação e de imediato, um misto de espanto e em simultâneo, de clareza titânica, devo confessar. Mesmo tendo eu calçado os sapatos de organizador que fui durante muitos anos de um certame – e sabendo que há inúmeras premissas em causa nestas coisas – não deixei de denotar o óbvio – para lá de que os tempos mudam… – e praticamente inquestionável: Há de facto um conceito de Tuna-Popa que “vende” – por oposição a outra coisa qualquer que será tudo aquilo que não vende. Seria cómico até se não estivéssemos a falar de Tunas.

Como organizador que fui – e de muitos eventos – existiam então algumas premissas que eram cumpridas e conjugadas entre si, a saber-se:

De qualidade - no e fora de palco; de afinidade; de diversidade – de cidades e países; de oportunidade - reportando-se ao facto de se dar a mesma; de novidade e finalmente, de alguma sustentabilidade - aqui referindo-se a quantidade de público. Ou seja, era da combinação destes factores – num ano mais, no seguinte menos feliz e por aí fora – que surgiam os convites, sendo que o peso de cada um dos factores era obviamente diferente e de ano para ano, consoante a conjuntura. Este figurino era “usado” por muitas organizações então, com mais predominância deste ou daquele item a dado momento.

O que convém reter aqui é que vários itens ponderavam e não somente um. Hoje em dia, ao que parece, apenas um pondera e em alguns certames, curiosamente: a “rentabilidade” do produto tuna X. Curiosamente, essa capacidade de vender o produto tuna X faz com que esses produtos ditos de “vendáveis” à partida se repitam sucessivamente em alguns vários certames e ano após ano, o que nos conduz a algumas questões:

O que é então, na cabeça de alguns “vendável” ou "rentável"? Por oposição, o que é que não é, então, um produto tunerilmente vendável? A normal lógica – respeitando a total autonomia organizativa, devo notar, de quem convida – na escolha da composição do elenco de participantes foi substituída, então, por uma lógica de “rentabilidade tuneril”, nem que isso signifique até e se for caso abdicar de qualidade ao mesmo tempo que tal potencia a bilheteira?

Atrevo-me a algumas respostas. Sinais dos tempos que vivemos, sem dúvida alguma. Certames há que – com as suas escolhas estritamente dentro do conceito tuna-pop – apenas revelam algumas coisas curiosas mas ao mesmo tempo, perturbantes. A 1ª de todas é medo, medo de ferir um certo statuos quo; A 2ª é facilitismo, pois é muito mais simples montar a coisa igual ao ano anterior; a 3ª deriva da 2ª e é ignorância sobre o meio ou então deriva da 1ª, medo de conhecer de facto o meio. A 4ª resposta é dos livros: alguns acham que rentabilidades passadas constituem garantia de rentabilidades futuras, quando é precisamente o oposto.

Não há qualquer certame de tunas em Portugal que se possa dar ao luxo de pensar o seu cartaz exclusivamente pelo ponto de vista comercial, de rentabilidade pura e dura de bilheteira e esquecendo todo o resto. Mais, parece-me esta lógica de tuna-pop aquilo que os ingleses chamam de bullshit que apenas tem como consequência o panorama que se vê: nada de novo, só muda a edição. É que nem sequer a bilheteira se move por força disso, como alguns julgam crer.

Por outro lado, há outros vários certames que se estão nas tintas para lógicas de tuna-pop, como é fácil de aferir, e que hoje e cada vez mais dão particular ênfase a uma das premissas acima anunciadas: a afinidade. Entre pessoas, entre Tunas, entre companheiros e amigos. São aqueles cuja única preocupação é fazerem uma grande festa – e não uma festa grande. São, em suma, aqueles que mais genuinamente estão nestas coisas, afinal, o que realmente interessa. Urgia regressar-se ao essencial e banir-se o “comercial”.



Post Scriptum: Friso e reforço que cada um convida quem bem entende para sua casa, como é por demais evidente. Com tudo o que isso significa...