Terça-feira, Novembro 30, 2010

A Aventura do "Fechem as portas, escondam as pratas, tranquem as vossas filhas, vêm aí as Tunas!!"

Mais uma verídica, acreditem ou não....



Alguém resolveu organizar um encontro de tunas - supostamente malta ligada a tunas... - e ao convidarem, resolveram enviar um Regulamento (coisa pomposa e algo exagerada para um simples encontro de tunas, vá..) às convidadas. Começo a ler o dito cujo Regulamento e deparo-me com umas frases em tom imperativo absolutamente incriveís, que passo a citar. Leiam e...espantem-se:



"Cada tuna terá sensivelmente 30 minutos para actuar e só poderá levar a palco 25 pessoas. No caso de existir alguém que vá subir a palco sob o efeito de substâncias ilícitas ou álcool a organização tem o direito de anular a participação da mencionada pessoa e, se necessário, da tuna." (fim de citação)

"A organização não se responsabiliza por quaisquer refeições das tunas. Oferecendo apenas duas senhas de bebidas por pessoa às tunas. " (fim de citação)

"Dentro do Recinto do evento não é permitido fumar ou ingerir quaisquer substâncias ilícitas." (fim de citação)

"Cabe a cada tuna a responsabilidade do seu transporte, refeições e despesas adicionais. " (fim de citação).

Por partes, então, que isto tem muito que se lhe diga....

Ainda bem que é um encontro de tunas e não um encontro de "agarrados" numa sala de chuto, senão ia ficar deveras preocupado, carago!!! É que nem sequer sabia - fiquei agora a saber... - que, afinal, até os encontros "Cocaíneiros" têm regulamento!!! Isto não é assim, chegar, fumar e chutar!! Nada disso!!!! Tudo tem as suas regras, ò maltosa das tunas, cambada de "junkies"!!!



"Subir a palco sob o efeito de substâncias ilicitas", cito:

E se for com 6 Prosac´s e 6 Xanax´s em cima, que é licito, já posso subir a palco??? (se conseguir, claro...?). E se subir sóbrio mas se for mal educado, parvo ou imbecil, já não há azar e ninguém me manda embora, é??? E se o Red Bull dá asas e é licito, já podemos subir para o palco com outra panache, não?? Nem é subir, é voar para cima do palco!



"..ou alcool...", cito:

Porra, mas...se só dão duas senhas de cerveja a cada Tuno participante como é que é possivel alguém ir bêbedo para palco???? Só se vier de casa já "mokado"!!!! (se lá chegar, claro...). Pior, nem dão de comer à malta, ou seja, vai tudo tocar de barriga vazia, a seco (duas "bejekas" e isto se houver "bejekas" e mais nada!!) e mais sóbrio que uma grávida a dar à luz e, pasme-se, sem fumar pelo menos um "cachucho"!!! É o Armagedão!!!!!!! Já agora, não se percebe porque raio no regulamento também não se colocou, já agora, a proibição de "mikar", apalpar e até copular (fora do recinto, já sabemos, já sabemos, que lá dentro é chato à brava...), já que não se pode beber e fumar, cumprindo com a trilogia Inquisitória!!

"...ingerir substâncias ilícitas", cito:

Com esta fiquei arrumado de vez, a minha santa ingenuidade não chega para tanto. Come-se erva, é??? faz-se uns croquetes de Coca e uns rissolitos de Heroína e bute lá para aquecer o estômago, já que não se responsabilizam pelas refeições e não?? Estaremos perante um novo passo à frente na célebre teoria "nada se cria, tudo se transforma?".

Finalmente, as frases do regulamento que explicam cabalmente tudo isto:


"A organização pede que qualquer desentendimento ou qualquer problema seja imediatamente relatado aos mesmos a fim de serem resolvidos correctamente" e ainda               "A cada tuna será apresentado um membro do grupo organizador que ficará responsável por qualquer explicação e problema da tuna. " (fim de citação).


Está explicado: Não querem Tunas a tocar, querem a população prisional portuguesa mais os que têm medidas de coação variadas para servir de público. Foi engano, só pode. Nos destinatários mas principalmente nos neurónios dos remetentes. É que excesso de zelo é uma coisa, fazer das tunas uma horde de drogados mal educados e bêbados já é outra. Pior, é convidá-los, ainda por cima.


Uma sugestão: Pelo sim pelo não, peçam aos Fuzileiros para fazer a segurança do encontro de tunas, não vá o diabo tecê-las. Já sabemos que a "Guerra das Tunas" está ao rubro mas caraças, estamos afinal com um crédito na praça mais fraco que o rating tuga nos mercados!!!


Segunda-feira, Novembro 29, 2010

A Aventura da "Guerra das Tunas"...

Não, não é piada, esta é mesmo verídica. Ora leiam lá....

Dá-se um determinado certame e no final, após a entrega dos "Óscares" respectivos em cada categoria - sim, aqueles que dão mais dinheiro que o Euromilhões, tão a ver? - o pandeireta da tuna X vira-se para o pandeireta da Tuna Y - a que levou o "óscar" respectivo - e diz-lhe isto:

"Podemos ter perdido uma batalha mas não perdemos a guerra!" (dixit)


Desde a Arte da Guerra de Sun Tzu que não via nada parecido. O General Carl von Clausewitz deve estar envergonhado, algures no além, perante tão solene acto beligerante futuro. Napoleão e Bismark andam às voltas no túmulo tocando pandeireta quiçá e muito provavelmente Maquiavel irá ser dado nos compêndios das Relações Internacionais como um aprendiz e a sua obra "O Príncipe" será nota de rodapé para a geopolítica e geoestratégia. Um primado em pleno Século XXI, eís as Tunas em Portugal!! Estou absorto! Ou talvez não....

Esta "garotada" trajada por fora de estudante universitário mas com as cabeças "comidas" pela vasta cinematografia do Rambo mereciam era uma bandolinada bem dada naquelas nadegas, à antiga portuguesa, é o que se concluí sumariamente. É a antítise do Ser-se Tuno, definitivamente. Valha-nos a frontalidade - que não a parvalheira - de dizerem o que pensam, vá. Mas meus amigos e amigas, a frontalidade não invalida a consciência ou falta dela, no caso, quanto ao que se anda a fazer e em nome de quê. Estes, ao menos, não fazem questão de esconder o que realmente os move, o que são e porque aqui andam. Alvíssaras, temos heroís de Shaolin!!!

É que, por acaso - ou talvez não - o que se vai constatando é que muitos pensam rigorosamente o mesmo do que estes "tótós" disseram, não se percebendo muito bem se a franqueza é inconsciente ou se a falta de franqueza é completamente calculista. Em todo o caso, mormente a franqueza de tamanho "símio" era caso para ser praxado fortemente, condenando o imbecil a umas 30 leituras do "Palitro Métrico", a carregar os instrumentos de toda a tuna durante um ano e sozinho e a uma valente rapadela com a respectiva proibição de abrir a boca em Tuna excepto para comer e beber água, é bom se ver.

É este o estado real das Tunas em Portugal, queira-se ou não. Em vez de procurarem a excelência tuneril,  afastam-se dela com uma pressa incomensurável, ficando mais próximos de uma claque futeboleira e diametralmente colocando-se no oposto a uma...Tuna. Adopta-se até uma linguagem que é definitivamente do âmbito das cimeiras da NATO (e já nem isso...) e não do âmbito das cimeiras das Tunas. Cimeiras? Baixeiras, ao que se vê......

A "Guerra das Tunas" está aí, ao que parece. Troca-se o som de Prokofiev pelo som da Kalashnikov, as pandeiretas afinal são AK47, os bandolins transformaram-se em Messerschmitts, os solistas basicamente são SEAL´s e os estandartes as pás do rotor de um Lynx. O Arsenal afinal, está aqui, já não mora em Londres e não é mais uma equipa de futebol. O Alfeite ao lado de um festival de tunas é o parque infantil de Sobral de Monte Agraço. Claques da bola, cuidem-se, vêm aí as tunas!!!!! Bolas de golfe??? Vai tudo pra trás com umas "cavaquinhadas" ou "bandolinadas"!!!

Agora percebo porque é que o Serviço Militar já não é obrigatório. A Reserva Territorial portuguesa mora nas faculdades e universidades, afinal. Ainda vamos recuperar Olivença!!! Com as tunas!! Podemos ter perdido uma batalha mas não perdemos a Guerra!! Quero Ceuta de volta!!! 

"Ó Pátria, sente-se a Voz, dos teus Igrégios Tótós, que há-de guiar-te à vergonha!!!!!! Ás Armas, às Armas, sobre o palco e sobre o bar, Ás Armas, Ás Armas, pela Tuna lutar!!! Pelos Prémios Marchar, Marchar!!!!!"

Cambada de b........




Terça-feira, Novembro 23, 2010

A Aventura do Paradigma...

Paradigma (do grego parádeigma) literalmente modelo, é a representação de um padrão a ser seguido. É um pressuposto filosófico, matriz, ou seja, uma teoria (…) uma referência inicial como base de modelo para estudos e pesquisas.



Afinal sempre tinha (mos) razão. Os rios de tinta que se escrevem e desde que o 1º “Moicano” quis alterar o paradigma fazem, hoje, todo o sentido e revelam, afinal, que havia – há e haverá – razões concretas e objectivas para pôr a nu muita coisa que vai surgindo, aqui e ali, no seio tuneril. Hoje, comprova-se a pertinência e importância de se colocar o dedo na ferida e mais, a forma como o fenómeno se auto-regula.

É por demais evidente que ninguém, no seu perfeito juízo, e conhecendo minimamente o fenómeno tuneril português, achará que o paradigma resultante de idos do “boom” dos anos 80/90 do século passado necessariamente corresponde a um estereotipar de todas as tunas; não foi isso que ocorreu, a diversidade existe e desde então e é dela que nos distinguimos por exemplo, do paradigma espanhol. Ou seja, nunca se contestou a diversidade, obviamente. A diversidade das tunas portuguesas é a sua riqueza intrínseca, também.

Já quanto ao paradigma, aqui a coisa muda de feição, mas completamente. O paradigma tuneril nacional é claro, concreto, respeitando a biodiversidade existente mas não permitindo a esta última a alteração dos valores fundamentais da tuna estudantil nacional.

Muitos tentaram antes alterar o dito cujo paradigma; todos falharam, redondamente. E falharão no futuro de igual forma. Porque o paradigma existente é ele mesmo uma construção colectiva que nem sequer depende, na evolução da tuna portuguesa ao longo dos últimos 20 anos, daqueles que foram então pioneiros; o paradigma é ele mesmo evolução, desenvolvimento, porque respeita o essencial na diversidade que temos, e não vai contra si mesmo tentando alterar as bases – constata-se, hoje, mais do que sólidas – do paradigma tuneril português.

Senão, vejamos: quantas tunas adoptaram o kilt, abandonando a Capa e a Batina? Quantas tocam, hoje, passados alguns anos, calçados com sapatilhas e adoptando-as, deixando de lado o clássico sapato preto? Quantas cantam hoje em inglês por sistema? Quantas usam hoje saxofones? Quantas hoje se apresentam em palco de boxer´s? E assim sucessivamente. Constata-se com toda a propriedade que poucas ou nenhumas e com tendência – mais do que óbvia – a diminuir ou mesmo a desaparecer do mapa pura e simplesmente, se repararem com atenção. Ou seja, casos esporádicos, excepções, fenómenos residuais e localizados especificamente, portanto, isolados (e isolacionistas em alguns casos até), casos puros de moda passageira até. Muitos deles fruto de uma desmesurada procura de reconhecimento imediato pela via da competição, outros por puro gozo em contrariar/chocar e outros ainda por excessivo narcisismo que os leva a pensar que podem mudar o paradigma tuneril nacional. Também há quem seja assim por razão nenhuma, admito, somente porque sim, nem sabendo sequer qual é o paradigma existente, que fará querer mudá-lo.

Concluí-se então o por demais evidente: quem quis alterar o paradigma – e parto do principio que era isso que pretendiam ao “escandalizar”, poderia não o ser até, apenas mera profissão de fé ou “curte” como se diz agora – não o conseguiu de todo, porque não só não o consegue por si só, isoladamente, como – e isso é o que importa referir – o próprio fenómeno se auto-regula colocando, mais tarde ou mais cedo, tudo no seu devido sítio. Ora, como ninguém nem tuna alguma, por si só, consegue alterar paradigma algum – excepto nas suas doutas cabecinhas – será fácil de perceber qual o resultado final de tão épica empreitada: o completo falhanço e, em alguns casos, subsequente ridículo e descrédito generalizado.

A tuna portuguesa não precisa, sequer, de alteração de paradigma, não se sente sequer a necessidade de o alterar, pois se se sentisse essa necessidade então a maioria andava de kilt, boxer´s e sapatilhas, cantava em inglês e tocavam todos saxofone. Necessita – como o faz desde há 25 anos grosso modo – de evoluir, dentro dos parâmetros que a balizam - é o que tem feito - e que são, nem mais nem menos, o seu DNA: tudo que fuja a isso não é evolução, é invenção. E inventar alegando “mudança de paradigma” não só é um enorme disparate como uma terrível arrogância.

Afinal, tinha(mos) razão: Há quem ache piamente que pode mudar o paradigma. Ok, pode achar o que bem quiser, fazer o que bem entender, cantar, tocar, calçar e vestir de forma a tentar mudar o paradigma, até. Mas vai ficar-se sempre pela tentativa ou pior, cair no paradigma sim, mas do ridículo. Paradigmático.

Segunda-feira, Novembro 22, 2010

A Aventura do “Maior da minha rua!”

Coisa tão colericamente “tuga”, diga-se. Comezinha, egocêntrica, uma espécie de complexo de Édipo tuneril mas com laivos de vitimização sistémica misturados com uma enorme soberba que ofusca a mais que normal e natural visão madura e o mais objectiva possível da realidade. A somar a isto tudo uma curta visão do mundo, que se confina, regra geral, à rua onde moram, sendo que tudo para lá dela é “território inimigo”, logo, um passo em frente no topete. Ou seja, mais ou menos o que se passa na Coreia do Norte onde o povo, por não conhecer mais nada e tal lhe ser até vedado, torna o que tem numa espécie de dogma religioso inabalável, seja por quem seja, até quando se lhes mostra que há mais para lá da fronteira sita ao paralelo 38º. Que melhor forma de manter as hostes do seu lado? Quando a escolha é entre X e nada, é fácil de ver o que acontece. Os poucos Norte Coreanos que sabem que há mais que X ou estão no exílio ou estão mortos…

Esta coisa do “maior da minha rua!” é comprovadamente uma táctica de guerrilha, de forma a por um lado, inflacionar o que não tem por onde – sem prejuízo do que bem porventura faz, e/ou mal – por força de um discurso obstinadamente do género “ou és desta rua ou estás contra esta rua! “ – como se porventura não se pudesse criticar/elogiar sem tomar partido de rua alguma porque, pasme-se, se mora numa praceta até – cuja única intenção é tentar impor pela força desse maniqueísmo a tal noção acima de que de facto sou o “maior da minha rua!” e ponto final. Quase que um atestado de impunidade, uma profissão de fé, um pedestal imaculado à critica seja de onde seja – o que não deixa de ser curioso nos dias de hoje, onde até o Papa Ratzinger admite (embora em situações especiais) o uso do preservativo, num anacronismo por demais óbvio. Por outro lado, esta táctica de guerrilha do parlapié é nada mais, nada menos do que o assumir das próprias fragilidades, pois caso oposto não necessitariam de um discurso belicista, deixando o fenómeno auto regular-se tranquilamente. Dá a impressão que o “Maior da minha rua!” não quer mais ninguém na sua rua, é o partido único e ponto final. Nada tuneril, diga-se.

É praticamente uma espécie de ditadura do “patuá”, do “parlapié”, onde tudo que seja dito contra o santíssimo “Maior da minha rua!” dá direito a queima amarrado a pelourinho, ou seja, criticar um milímetro é sinónimo de final tipo Joana D´Arc. Faz-se birra e tudo, como os putos do liceu, insulta-se até se for caso, e siga a histeria para a frente que “na minha rua é assim e mais nada!”. Seria até engraçado não fora tratar-se do meio tuneril, supostamente de gente com alguma – vá – elevação e educação, capaz de exercer o contraditório sem desatar aos berros. É como na Coreia do Norte, ignora-se tudo e todos, até o que está à frente dos olhos, desde que se tenha um discurso “musculado” e 1.000.000 soldados em armas a gritar pelo “Grande Líder”, que é o “Maior da minha rua!” lá do sitio, é bom de ver. Uma espécie de “ilha” no livre pensamento, isolada dele para assim não ser infectado pelas mais que naturais e óbvias vivências democráticas do resto do mundo, ou seja, das “outras ruas todas”. Claro que se foram ao Google Maps, ao procurarem a Coreia do Norte irão reparar que é a única nação que, “inteligentemente”, não mostra o seu mapa ao mundo. Esses sim, é que estão certos, os outros países todos, “cambada de burros que estão contra nós, é tudo para mandar abaixo!!!!!!”. Boa malha!!!

De facto, “O Maior da minha rua!” regra geral é um tipo Chico-esperto, que não percebe nada de nada sobre o essencial mas sabe todos os truques acerca de como berrar mais alto que todos os outros. Por via de regra, é sempre ele o “dono da bola” e dita por isso as regras dele: quem for por ele está nos tais 1.000.000 de correligionários – todos eles inteligentes e com Comenda de Gratidão dada pela Pátria; quem for um bocadinho que seja pela opinião que a sua própria consciência dita é um “traidor” a caminho da “execução” perante “pelotão de fuzilamento” legalmente composto pelo “Comité Central” lá da “rua” do “Maior”. Isto em pleno Século XXI não deixa de ter a sua piada, até. Já num meio universitário não tem rigorosamente piada nenhuma, pela tristeza que revela. Já no meio estritamente tuneril é definitivamente para servir de anedota geral. Ou seja, lá na rua a coisa é séria mas no plano toponímico da cidade é a chacota geral. Constata-se que os únicos inteligentes desta cidade moram todos, por obra Divina quiçá, na mesmíssima rua do “Maior!”: Esta nem o Hitler conseguiu, carago, tamanho o grau de pureza seleccionado!!!

Em suma, “o Maior da minha rua!” a manter-se neste registo autista e a não saber conviver com as outras ruas todas, fechando a sua nas extremidades e cortando a TV Cabo a toda a malta lá da rua, mais dia menos dia arrisca-se a deixar de ser o “Maior!” lá do sitio e depois passará inevitavelmente a ser, antes sim, o “Maior!”…do quarto dele. É que caso não se tenha reparado, vivemos todos no mesmo mundo, mesmo havendo quem pense que o “seu mundo”, a “sua rua” basta.

Sintetizo: O Mourinho é o “maior da rua dele”, da rua onde morou em Inglaterra e em Itália e provavelmente em Espanha. Em suma, é o maior das ruas todas. Mas ao Mourinho compreendo-lhe a arrogância – pese não concordar – ao dizer que é o “maior”. E porquê? Porque tem razões objectivas para isso. Já outros….


Post Scriptum: Dedicado a todos aqueles que sabem Estar e Ser neste mundo tão especial. É, se quiserem, uma "Aventura" aberta a todos aqueles que entendem as coisas de forma séria, saudável e objectiva.

Sexta-feira, Novembro 19, 2010

A Aventura da "Gibraltar da Beira"

516 D.C.

Sir Lancelot, na sua procura pelo Santo Graal, caminhava com as suas tropas pelos arvoredos do Essex, a caminho das Highland´s escocesas, a fim de pôr cobro aos ataques dos Clan´s MacDonald´s, MacIntosh e MacModa, que saqueavam a seu bel prazer as Terras Altas.

William Wallace, um fora-da-lei escocês do Clã MacChiken [sem pepino, p.f.] que procurava a independência da sua terra e depois de ter saído de outro Clã, resolveu arriar umas sacholadas nas tropas de Sir Lancelot, preparando uma emboscada e fazendo uma jointventure com Robin Hood e John The Little, mais conhecido por João Pequeno, um Lusitano arraçado oriundo de familias nobres das Highland´s Beirãs.

Ora, a refrega correu mal e Wallace perdeu a mesma, fugindo com João Pequeno para a terra natal deste, nas Beiras, refugiando-se numa pequena aldeia chamada de Cove Ilhãm. Lá chegado a Cove Ilhãm, desatou a cantar modas scotish [doze anos para cima, claro] numa influência claramente Anglo-Saxónica com a flauta travessa, característica dos pastores, que mais tarde adoptaram o saxofone para cumprir a função da dita cuja flauta.

Assim nasceu a musica tipica de Cove Ilhãm, como todos sabemos, penhor de larga tradição e que chegou aos nossos dias onde, até, para lá dos antigos pastores que trajam kilt´s num estampado absolutamente único - às bolinhas - temos estudantes a cantar o Forever Young - música tipica de Aberdeen, Glasgow ou mesmo Clackmannanshire - e, pasme-se, numa aculturação primorosa e única na história da música, cantam o God Save The Queen todos os dias pela manhã, juntando-se à porta do City Hall da Cove Ilhãm e hasteando a Union Jack por entre whiskys e Vinho do Porto da Warre´s e Taylor´s. O Povo de Cove Ilhãm passeia-se alegremente hoje de Range Rover e alguns até de Rolls Royce, ouvindo nos seus leitores de CD´s os filhos dilectos da Coroa Britânica em plena Highland Beirã. A vida nunca foi tão bela nestas paragens desde que o Tratado de Methuen foi assinado. Of Course! E prospera-se!!! Cove Ilhãm - 4, Portugal - 0 !!!!

Bradam-se versos dos The Smith´s pelas ruas de Cove Ilhãm: "Panic on the Street´s of Lisbon, Panic on the street´s of Oporto, i wonder to myself, Could life ever be sane again on the Cove Ilhãm side-streets that you slip down, i wonder to my self!!!!!!

A cópia ultrapassou assim, o original, de quem tanto se quis demarcar. Gibraltar que se cuide, afinal, há mais Reino Unido na Península Ibérica do que aquele inutil calhau.....

Quarta-feira, Novembro 17, 2010

A Aventura da Amizade...

Ás vezes as provas de amizade, de seriedade, vêm de onde menos esperamos, ora porque estavamos enganados, ora porque estavamos distraídos.

Neste fim de semana que passou tive várias provas disso mesmo. E ainda bem que assim é, sinal que o que nos move a todos é precisamente o que de mais importante fica: a amizade.

Não, não, estou a falar só e só de amizade. Para que conste.

Abraços aos meus - poucos mas bons - amigos. Sempre achei que ter "montes de amigos, a pontapé e assim", era por si só promíscuo.

A Aventura das "groupies"....

São de facto, muito "giras", as groupies das tunas, pelo menos de algumas. Para lá de groupies em si mesmas – o que por si só já não é bom, de todo.. – encerram algumas delas aquela postura absolutamente parva e imbecil, tipicamente norte-americanizada, ao bom estilo cheerleader, visível principalmente quando discutem de forma obstinada e psicopaticamente excessiva – pasme-se a desinteligência e imaturidade !!!!! - ….música e, no caso, tunas. Ou seja, temos néscias/os a discutir tunas em vez de se limitarem, sugaditas, a abanar os pon-pon´s ! Lindo, não é??? É a mesma coisa que entregar o cargo de seleccionador nacional de futebol a um símio e deixa-lo fazer a convocatória, entre dois amendoins e uma banana….

O problema das groupies das tunas – coisa absolutamente distinta de aficionadas/os pelas tunas, gente normal e saudável esta, portanto, que sabe onde começa o ridículo e assume a sua condição de mero apreciador – é que por vezes, na sua incessante figurinha triste e imbecil de defesa cega da “sua/s” tuna insultam nojentamente terceiros, julgando que os mesmos são como elas, ou seja, parvos, imbecis, néscios, cegos. Não, não são, são de outra laia. E estão atentos. Bastante atentos até - e se a isso forem instados, mais longe vão, até, um processo por difamação é sempre algo mais do que plausível para gente séria.

As groupies das tunas são, regra geral, “chavalecas” desbocadas, que não percebem nada de nada sobre tunas, movidas pelo maniqueísmo puro constante na frase “ a minha é boa e as outras são todas más”, dissimuladas – não dizem cara na cara o que escrevem nos facebook´s, hi5 e orkut´s porque imaturas para assumirem os seus actos - e, para piorar a coisa, colocam gente séria em causa, insultando até, colocando em causa o bom nome de instituições (e mais uma vez se alerta para os perigos que encerra “chavalada” a brincar com gente grande).

As tunas favoritas das groupies obviamente que não têm culpa disto, sendo compostas por tunos obviamente que se estão nas tintas para as “barbie´s” que se agarram histericamente aos cabelos quando a coisa corre mal com as “suas” tunas, figura igual a quando corre bem, sintomaticamente. Como parvas que são, não distinguem tristeza e desilusão de insulto gratuito a terceiros. Não percebem a relatividade das coisas. Ficam boquiabertas, dizem, quando deveriam era manter as boquinhas fechadas, de tanta asneira que excretam.

Até aqui tudo bem, é um direito à indignação, até, mesmo nada percebendo de coisa alguma, indignam-se, têm esse direito. Daí para a frente, enxovalhar publicamente terceiros já é outra coisa. Coisa séria. Para alguns, muito séria até. Pode dar direito a tratamento em local próprio, com corrimão de madeira a separar o “público” do “palco”.

Sempre existiram, é um facto. Noutros tempos era menino para as mandar pró ….jardim infantil - de onde nunca deveriam ter saído – na carinha delas. Hoje, perdi a parcimónia; leio atónito a que ponto pode chegar de degradação moral por causa…. de tunas. Leio, tranquilamente mas atento, muito atento. E se alguma groupie se voltar a esticar quanto a mim e aos meus, vai crescer à força, pois vai ter de falar como gente grande e em local muito sério. Acredite quem quiser. Não seria a 1ª vez – infelizmente. Abanem os pon-pons à vossa vontade, gritem, arranquem cabelos, chorem baba e ranho, zurrem hi-ho e tudo muito certo: Mas respeitem os outros pelo que fazem e são. Em suma, crescam.

As Tunas não têm como é óbvio, culpa das groupies que têm ou deixam de ter. Obviamente. Isto é consequência de deixarmos "paraquedistas" meterem o bedelho onde não são definitivamente chamados. Também sabemos distinguir gente séria de gente parvinha. E para mim, até prova em contrário todas as tunas - as tunas, repito - são sérias. As groupies das e nas tunas são totalmente dispensáveis porque apenas vêm potenciar e fomentar, de fora das tunas, o pior que pode existir dentro delas.

Da minha parte, no mercy. Só preciso de pretextos....

Sexta-feira, Novembro 05, 2010

A Aventura da Hibernação Criativa....

Foi alvo de critica construtiva, de aposta até, comentário e pool online, com os resultados mais do que esperados. Até o Notas & Melodias já se lhe referiu aqui nesta ligação. Provavelmente faz algum sentido tentar perceber-se porque razão o processo criativo tuneril nacional se encontra hibernado.

Mais uma vez a memória auxiliou-me neste particular: Recordo, nos anos 90, a Tuna de Medicina de Múrcia, que montou claramente, então, um reportório para durar a vida toda se fosse caso até, ora vejamos: A abrir o pasodoble "Te Quiero", depois "Dos Palomitas", a "Primavera" de Vivaldi, o tema Canário "Maria Va" e terminava com o tema popular argentino "La Banda", todos temas do seu CD datado de 1994 e que comemorava então os 25 anos desta Tuna.

Este reportório era, para lá de extremamente bem escolhido, equilibrado, eficaz, de grande qualidade no seu todo, eclético, extremamente fluído e acima de tudo, de grande exigência técnica (que os seus componentes então conseguiam cumprir com distinção e louvor). Ou seja, resultou no que todos sabemos (saberão, alguns....?): Onde Medicina de Múrcia ia, limpava tudo tipo furacão Katrina. E note-se sempre que falamos de uma tuna espanhola, atenção, não esquecer. Se repararmos, já fugia este reportório ao habitual "Clavelitos & Fonseca e cª ldª" da esmagadora maioria das tunas espanholas. Ainda hoje seria um caso sério, se fosse tocado pelos mesmos componentes de então. Note-se, pelos mesmos componentes de então.

Este exemplo serve como uma luva para se perceber algumas coisas desde logo:

A hibernação criativa nas tunas nacionais é um facto, principalmente naquelas tunas que sabem que o reportório que tiveram em tempos, mais coisa menos coisa, funcionará apesar de tudo. E mesmo assim pode até nem funcionar. Naturalmente, nos (re)inícios da Tuna em idos do "boom" seria imperioso ter-se reportório, naturalmente, o que "obrigou" ao incremento do processo criativo, fosse pela via das versões ou originais; hoje, após alguns anos iniciais de processo criativo, quem chega ás tunas não precisa sequer, não sente sequer a necessidade de proceder à criação. Afinal, "hino da tuna" só há um e está feito. O problema é que aqueles 10 temas dos tempos da fundação servem, chegam perfeitamente, mais facelift menos peeling.

Não há qualquer comparação - regra geral - possivel entre o que se criou antes e após 1995, 1996, grosso modo. Aliás, o processo criativo entrou em hibernação de tal forma que a edição de trabalhos fonográficos após a 1ª geração do "boom" diminuíu drasticamente. Ou seja, fez-se um pouco como fez a Tuna de Medicina de Múrcia: Montou-se um espectáculo com 5, vá, 6 temas e cavalgou-se o mesmo reportório até ao infinito, até deixar de dar, até deixar de ter os que o conseguiam executar e por aí fora. O impasse começa precisamente neste ponto, quando os que levavam o reportório até ao infinito deixavam...de estar. É aqui o "break-even" desta questão, ou seja, onde supostamente o investimento estaria pago, em teoria. Mas não, nada disso, entrou-se ao invés em recessão.

Recessão porque deveria-se ter apostado na continuação de um trabalho essencialmente criativo - seja de versões, seja de originais, é indiferente aqui, também- por um lado, e por outro, facultar às gerações que iam chegando o que para trás foi feito, construíndo assim um capital acumulado e em crescimento, ou seja, criar novo e saber de cor o que de mais antigo havia. Na esmagadora maioria dos casos, aconteceu uma de duas coisas: ou se cavalgou o que havia antes - com cover´s, versões de versões, arranjos de arranjos e por aí fora, como ainda hoje se vê - esquecendo o processo criativo (porque mais trabalhoso e moroso, etc) ou se apostou - mais raro - em coisas realmente novas mas esquecendo o que para trás foi feito, ao ponto de as novas gerações saberem apenas 5 temas da sua tuna, precisamente os que estavam a rodar quando chegaram à mesma; no entanto, não sabem os 40 que para trás ficaram.

Actualmente assiste-se ao fenómeno mais do que previsivel da recuperação, até, de alguns dos tais 40 temas que para trás ficaram, com mais arranjo, menos arranjo, ao invés de se investir claramente no processo criativo. Os festivais mais recentes comprovam precisamente essa acomodação, essa não-novidade, essa repetição, que por sua vez comprova uma de duas coisas: a facilidade em pegar no que já está feito (e pergunto eu se uma versão de um tema que nunca foi tocado é mais trabalhoso do que fazer uma versão de um tema da própria tuna mas com uns valentes 15 anos em cima?) e a total incapacidade em trabalhar coisas novas, a fim de levar ao público...coisas novas. Curioso, logo numa época onde há paradoxalmente tanto, mas tanto tempo para inventar tanta cena freak para levar a palco.....

Não é tanto a hibernação creativa que critico, note-se; são antes as opções que são tomadas, as prioridades que se estabelecem e que são reveladoras, em grande parte dos casos, da real postura e intenções dos seus intervenientes. Falta gente para criar? Não, não acredito, acredito no oposto, que há hoje muito boa malta nova - tão a ver como os valorizo? - mais do que capaz e qualificada para criar boa música. O problema não é esse; o problema é que criar boa música não basta por si só para ganhar certames (erro crasso achar-se tal mas percebo face à paródia que se assiste de quando em vez...), mais vale investir num bom estendal da roupa pendurado num pau e tocar as mesmas cenas de há 20 anos atrás.....

Louvados sejam os que continuam a criar, a apostar no novo, a renovar reportório ciclicamente, a surpreender o publico seja de onde seja, nem que seja com um único tema novo; porque assim, não se saturam, não saturam os outros - público, entenda-se - surpreendem e surpreeendem-se, acrescentam mais background à própria tuna e todos, neste processo, ficam a ganhar. Antes, preparava-se a ida a um determinado evento de uma dada cidade com algo especial dedicado a ela, um bom exemplo de dinâmica creativa. Hoje, tirando um caso ou outro, é raríssimo isso acontecer. Claro que falo musicalmente, não de outras "paródias", note-se bem. Estou a falar de tunas, relembra-se. Os acessórios serão sempre acessórios, do principal, claro está.

A hibernação criativa é, lamentavelmente, um facto. Assumir tal é positivo desde que isso provoque uma mudança. Querem provocar a mudança? Que as organizações dos certames competitivos lançem desafios às tunas participantes realmente profiláticos e interessantes. Exemplo? Simples: "Obriguem" as tunas participantes a levar um tema que nunca tenham tocado, valorizem o mesmo - desde que bem tocado e cantado - na pontuação final e verão como desata tudo.... a criar. Quebrem esta hibernação criativa usando os festivais e com isso, mudando de alguma forma, até, o paradigma dos mesmos.

Seria, para lá de inteligente, um serviço a toda a comunidade tuneril nacional, estimular por via dos certames, a criação e valorizar a mesma. Mais, ao fazerem tal iriam provocar um efeito curioso: diminuir o excesso de importância que é - erradamente - dado às "javardices cénicas da moda". Era um dois em um. Pensem nisso....

Terça-feira, Novembro 02, 2010

A Aventura Gabriel "Alveseira"...

Passei, de relance, por um comentário algures a um festival de tunas e detive-me numa frase fantástica, atendendo a que se estaria seguramente a falar de tunas. Qualquer coisa como "..a defender o titulo.." aludindo a uma determinada tuna num dado certame - o que para o caso é indiferente, nem sequer se trata de uma critica ao autor da frase futeboleira, note-se.

Ora, veio logo à memória esse grande Guru do comentário futebolístico nacional, o grande Gabriel Alves, que deixou discípulos para lá de José Nicolau de Melo, quiçá, até o mundo tuneril de hoje, ao que se lê e vê....

Imagine-se por uns instantes um comentário a uma actuação de uma dada Tuna X, no certame XPTO, usando o dialecto único e incomensuravelmente futeboleiro:

Decorreu este fim de semana a finalíssima do Festival de Tunas XPTO, num palco em perfeitas condições para a prática tuneril, moderno e arejado!!! Quim, O Magister da Tuna X a liderar o colectivo, um porta-estandarte baixo, possante, possuidor de uma grande, perdão, de um baixo centro de gravidade pelo que roda muito bem em si mesmo e com grande estabilidade nas curvas!!! Quim, a vantagem de ter um olho para cada lado!!!

A Tuna X apresentou-se num clássico 4-4-3 - quatro bandolins, quatro violas e três pandeiretas - num losango onde os seus tunos se movimentaram descrevendo figuras geométricas pois a tuna é uma arte plástica! O seu ponta-de-lança, o Solista Tózé, foi extremamente rápido, veloz, lesto, nada lento, antes pelo contrário, a força da técnica aliada à técnica da força! Uma Tuna com um superavit tecnicista em relação às demais, tida como a melhor do mundo e provavelmente de toda a Europa!

A Tuna XPTO apresentou-se na vertical, a tocar de trás para a frente e de frente para trás, ficando-nos sempre na retina o perfume a boa música!!! Destacou-se nesta actuação e sem margem para dúvida o seu contrabaixista, que tocou pela direita, pela esquerda bem como pelos flancos!!! Sem duvida um actuação memorável, particularmente para todos os portugueses e em geral para mim!!!


E pronto, já que alguns levam estas coisas das tunas como se de futebol se tratasse, fica aqui o testemunho de que é efectivamente possível falar-se de tunas com elevada perícia técnico/táctica, herdeira directa quiçá, dos tempos mais gloriosos do comentário futebolístico nacional, prestando assim homenagem a esse mito do mesmo comentário, Gabriel Alves. Seria o máximo que ele nos brindasse, um destes dias, com uma sua crónica a um festival de tunas....