Segunda-feira, Dezembro 27, 2010

A Aventura da "Coincidência"....

Não sou, admito, nunca fui, grande apreciador de concursos desta índole, tipo "Idolos" ou "OT" e por aí fora. Acho - e sempre achei - que enfermam demasiado de formato televisivo e pouco de real valor intrínseco face ao objecto em concreto do concurso em si, valorizar o talento em suma.

Ainda assim, no "Idolos", os dois finalistas são a Sandra e o Martim. Dois Tunos. A Sandra das Meninas e Senhoras da Beira e o Martim da Escstunis, que ensaiou também. Provavelmente será uma coincidência serem os dois finalistas Tunos. Pode ser que sim. Eu não acredito em coincidências, sou franco. Neste caso, muito menos. Acho que a experiência tuneril de ambos de alguma forma os terá ajudado, por muito pouca que tenha sido fica sempre alguma coisa.

Pode ser corporativismo da minha parte, admito. Afinal, os outros que ficaram pelo caminho até podem ter tido grandes experiências musicais que os ajudaram também. Mas há um "je ne sais quoi" nestas coisas das tunas que, de facto, são alicerces e quanto a mim, preciosos; são aquele parafuso pequenino que, se não estivesse lá, a ligar a viga A3 à A4, provavelmente a solidez seria mais débil.

Peço desculpa, mas é o que acho mesmo. Como amigo da Sandra, evidentemente que quero que ela vá para Londres. Calha bem, que assim junto uma escolha minha afectiva a um talento que é, dos dois, e perdoarão os amigos do Martim, seguramente o mais indicado e superior, o da Sandra.


Sexta-feira, Dezembro 24, 2010

A Aventura do Natal....

Não haverá muito a dizer-vos a não ser que o que para mim desejo para vós desejo igual.

Bom Natal a todos e todas aqueles que, de alguma forma, se cruzaram, cruzam e cruzarão na minha vida, sinal de que me concederam, concedem e concederão essa enorme honra e previlégio.

E um óptimo 2011 para todos!

Quarta-feira, Dezembro 22, 2010

A Aventura da (Des)evolução Tuneril do último Quarto de Século

Uma vez mais, devemos procurar as causas a montante para tentar, repito, tentar explicar parte da questão; a construção que fomos edificando ao longo destes últimos 25 anos grosso modo é resultado directo das acções, omissões, posturas e orgulhos que todos nós, então, tivemos. Nem sequer interessa agora discutir as razões para. Mas devemos procurar na base o que realmente acaba por explicar o cenário actual. É nisso que a História interessa, daí a pertinência do conhecimento generalizado da mesma.

Então, nos finais de 80, inícios de 90, os certames eram coisa rara, desde logo; note-se como prova de tal as edições que alguns certames têm e deduz-se a abrir que poucos eram os existentes então nesses tempos. Contudo, mesmo com o cenário de então – onde os encontros, saraus culturais, serenatas, etc etc eram seguramente 70 % da actividade das tunas de então – a Tuna vingou, cresceu, multiplicou-se, progrediu, disseminou-se.

Perguntarão então Vªs Exªs mas então que os – nos – movia, então? Outros tempos e contextos até sócio-politico-económicos: A liberalização do Ensino Superior, uma taxa de natalidade que 20 anos antes atingira números históricos, batendo certo com o final do ensino secundário e entrada no Superior, a afirmação cada vez maior da Mulher, contexto económico que possibilitava aos pais de então – privados muitos deles de terem ingressado na Universidade por força da Guerra Colonial, emigração e poucos recursos económicos – colocarem os seus filhos na Universidade, fosse ela estatal, privada ou concordatal, projectando nos filhos a juventude que lhes fora negada. A somar, o renascer das Tradições Académicas que se afastavam do estigma politizado dos anos 60 e 70 e, a somar a tudo isso, o modelo – único – de tuna que conheciam, o da tuna espanhola, que entrara pelas casas dos portugueses graças ao “Gente Joven”.

Deste cocktail Molotov altamente explosivo surgiu a tuna portuguesa, em nada a ver com o modelo de tuna que antes existira na Universidade portuguesa da transição do Século XIX para o de XX, ou seja, 80 anos antes mais década menos década. Tudo isto bem misturado deu naquilo que conhecemos por tuna portuguesa contemporânea, se quiserem assim chamar-lhe.Daí em diante, foi um salto maior que as pernas:

Tunas que serviram de tropa de choque da Praxe e das Tradições, como sendo uma espécie de prolongamento dos Cortejos; As Universidades/Faculdades/institutos delas se serviram como outdoor´s de promoção aos seus próprios serviços, cativando alunos novos até por força de terem dentro de portas uma Tuna (ou duas ou três, por vezes), apoiando-as em todas as actividades que exerciam e pretendiam levar a cabo. Uma espécie de marketeer´s encartados de promoção das suas imagens institucionais.

Por outro lado, nesses tempos, a novidade tinha como aliada a permissividade e até alguma libertinagem, desculpando-se à malta das tunas tudo e mais alguma coisa porque era irreverente, engraçada e até animava um país que tinha vindo de um longo período sisudo e carrancudo de seriedade imposta unilateralmente. A malta das tunas era fixe, como o era o Soares, pois então! Era a malta da PGA que agora se vingava fortemente, em suma, e os pais, Reitores e afins até achavam graça e, pasme-se, até incentivavam. Arrumou-se os ZX Spectrum e descobriu-se os bandolins, cavaquinhos e pandeiretas. Até o Governo, então, ajudou à festa, abrindo Universidades por todos os lados – hoje, sintomaticamente, fecha-as…

A juventude portuguesa de então descobriu algo muito mais interessante que as “jotas” políticas e vai daí, resolveu aproveitar todo este idílico cenário montado, em perfeita conjugação cósmica de factores, para poder fazer algo que não fazia desde as Lutas Estudantis de outros tempos, até mesmo desde a Federação Ibérica: Viver a e na Universidade – hoje, passa-se e de raspão pela Universidade e não se vive a mesma.

E é aqui neste ponto que se explica o que se passou daí em diante: Se uns têm certame, nós também tínhamos de ter, se uns ganham prémios porque razões mais absurdas não poderiam os outros ganhar? E assim sucessivamente. Esse viver na e a Universidade potenciou uma vivência única, memorável, especial até que obviamente careceu de espírito autocrítico. Foi-se caminhando sem saber porque razão se escolhia este ou aquele atalho; simplesmente porque se aqueles foram por ali, nós também tínhamos de ir. Simples. Não carece de mais delongas, até. Daí a se perder o tal lado de vivência na Universidade e passar a um estádio de mais especialidade técnica foi um ápice.

Os tempos começaram a mudar, as Universidades já não são as mesmas, agora o Estado já não quer saber dessa “onda” para rigorosamente nada, a sociedade civil saturou-se do que se fez e vai fazendo, numa repetição calendarizada de praticamente tudo e sem novidade alguma. A malta de hoje é bem menos do que aquela de antes, hoje há menos tempo para dispensar nestas coisas e por fim, antes eram cursos de 5 anos e agora são de 3. Deixou de estar na moda. E perdeu-se com isto tudo uma oportunidade soberana para deixar uma marca positiva da tuna enquanto cultura única, caindo-se numa resignação festivaleira e repetitiva que apenas serve aos seus intervenientes, desligando assim a tuna do restante tecido social de forma, direi, quase irreparável.

O mal está feito, estamos pois, hoje, todos – quase todos… - “preocupados” em ganhar ao vizinho do lado e não em cativar a sociedade civil para o que realmente fazemos. Antes a Tuna organizava-se socialmente em função do que era realmente e da imagem que queria projectar para fora; hoje,a tuna organiza-se em torno do festival competitivo, apostando o que tem – e o que não tem….– em ensaiadores pagos a peso de ouro, cordas Thomastik e show´s off. Antes, apostava-se na digressão; hoje, na premiação. Beneficência e romantismo, onde andais!?

Por isso é o festival, hoje, uma espécie de antecâmara da própria sobrevivência da tuna, ou seja, sem ele grosso modo o resto é tão pouco ou quase nada para além de umas tainadas entre os seus elementos. Quem consegue escapar a esta malha é definitivamente herói porque consegue ver na tuna algo mais do que ganhar ou perder.

Por outro lado, se olharmos ao calendário que anualmente se repete, quase que não há eventos que não certames competitivos, o que torna ainda mais difíceis as coisas para aqueles que vivem a tuna de facto.Evidentemente que há excepções. Ainda bem que as há.

Evidentemente que não se pode diabolizar o certame, claro que não, que trouxe a seu tempo muita coisa positiva e inovadora; hoje, de inovador coisa nenhuma trás, o que prova o seu errado entendimento na base. O certame deveria servir – e pese a cópia do modelo espanhol que adoptamos – para incentivar o que de melhor pode uma tuna oferecer. Deveria servir para mostrar progressão de facto, dinamismo, pró-actividade tuneril. Ao invés, o que vamos vendo parecem fotocópias uns dos outros, sinal inequívoco da falência não do certame enquanto tal mas antes do entendimento refém que foi dele feito. Valho-nos alguns que já perceberam a verdadeira e importante função intrínseca de um certame de tunas.

A Escócia só percebeu que poderia ser Escócia quando os clãs se entenderam e deixaram, por isso, de arriar sacholadas uns aos outros. Deixaram de ser um conjunto disperso de clãs para serem um só clã e com isso a Escócia ganhou. Perceberam que só assim poderiam ser respeitados, dando-se desde logo ao respeito. Enquanto andarmos a medir as sacholadas que damos uns aos outros – e não só são dadas como ainda por cima se revezam a dar… – não vamos a lado algum. Haveria que parar com este círculo vicioso que, pasme-se, não aproveita a ninguém e muito menos interessa a quem está de fora do nosso pequeno grande mundo.

Será que o Quim das Iscas se preocupa com que tuna ganhou ou deixou de ganhar o festival de Assenaipas de Cima? O tipo vai para casa a debater o certame com a mesma garra, entusiasmo ou paixão com que debate um FCP/SLB? Chateia a mulher porque ganhou a tuna x e não a y? A vida vai mudar na Segunda-Feira lá na fábrica por causa disso??? O patrão vai aumentar os funcionários porque a tuna da faculdade dele ganhou o certame???

Gosto de festivais, apesar de tudo. Como gosto de encontros, jantares, serenatas e digressões; no gosto, não muda muita coisa. Porque às tantas o faço por gosto, simplesmente. Não é o festival a Al Qaeda das tunas, nada disso. Só o é para algumas mentes que não conseguem perceber uma simples coisa: o festival é apenas UMA das várias manifestações que uma tuna por excelência pode e deve exercer na sua vivência quotidiana. Apenas UMA; não “A” actividade única, supra, ultra, top, pop. Não. Haja certames mas haja também tudo o resto. E isso, meus amigos, só depende…de nós.

Olhem para os espanhóis, aqui mesmo ao lado. Nós, na nossa saloia “aljubarroteirice” nem sequer conseguimos perceber porque raio eles sobreviveram à abolição do Traje, a Reis, a Presidentes da então 1ª e 2ª Repúblicas espanholas, às autonomias, à ETA, a Franco e até sobrevivem ao Zapatero. Lá vão, citando Carlos Tê, “sempre na sua, sempre cheios de speed”. Era este “speed” que tínhamos e que, hoje, só o vemos…em palco.

Segunda-feira, Dezembro 20, 2010

A Aventura da Sandra......

Assim dito, às tantas não vos diz rigorosamente nada. Afinal, o nome Sandra até é um nome comum e provavelmente todos conhecemos umas quantas Sandras, na boa, yá!

Mas vejam este take em particular, sem qualquer sentimento politizante ou whatever; ou seja, desliguem de tudo menos de uma coisa: da Sandra. Desta Sandra. Ora vejam:







Ora, antes de mais, quem sou eu para contrariar a sapiência de um Jurado deste calibre, longe de mim, como diria o outro, eu é mais bolos. O giro nisto é que esta Sandra manteve-se serena, igual ao que sempre foi e é, na boa, muito na dela mas segura, respeitando mas sem deixar de se dar ao respeito, mantendo-se de open mind mas fiel a ela mesma. Como um Tuno digno desse nome, aliás, que não se vende ou vai em modas ou whatever, é assim, pronto.

A Sandra é um dos nossos maiores orgulhos, nosso, das Tunas. Entre outros conhecidos que por aí andam em vários meios e com cartas dadas - como o Carlos Daniel, p.ex., entre outros. A Sandra é ela mesma uma imagem altamente positiva do que as Tunas são, significam de facto, do que podem ser na formação de cada um dos Tunos.

A Sandra é ela mesmo uma energia renovável, citando um dos ilustres Jurados na peça acima. E tranquilizem-se que ela já mostrou que canta qualquer coisa, seja Zeca ou Madonna ou o Vira da Rechousa, vestida de tigresa ou de Tuno ou do que quiserem. A Sandra é um animal de palco. A Sandra vai para Londres. E nós, de certa forma, vamos todos com ela também. Um destes dias. Of Course!

Um grande beijo, Sandra. E já sabes, be yourself, que a coisa rola.....na boa!


Post Scriptum - Sandra Pereira é da Tuna Feminina da Academia de Viseu, As Meninas e Senhoras da Beira.

A Aventura do Paradigma II

Agora, só em versão "boneco", sem patuá, para quem gosta destas coisas e prefere ver a BD ao invés de ler.....




Post Scriptum - Agradecimento ao autor dos "bonecos" e meu bom amigo Eduardo Coelho, pelo jeitinho em fazer BD mas principalmente pela "pachorra" em "facilitar a vida" (mau princípio...eheheh) a alguns que não conseguem ler e muito menos perceber o que se escreve....


N.B - de facto está algo pequeno de ser "lido". Por tal, cliquem no separador acima à direita que diz Paradigma Tunerl Português, cliquem nas fotos com o lado direito do rato e abram num novo separador.

Sexta-feira, Dezembro 10, 2010

A Aventura do "Nacionalismo" bacôco....

Ainda na sequência da questão mais que gasta mas sempre pertinente - e verão adiante o porquê dessa pertinência - e mitológica "tuna que é tuna só canta em português":

Todos conhecem, seguramente, o tema "Verde Vinho", datada de finais dos anos 70 e celebrizada pelo popular cantor Paulo Alexandre, um tremendo sucesso quer por cá, quer pelo Brasil naqueles tempos. Tema com letra tão nostalgicamente portuguesa,sem dúvida alguma. Agora leiam as palavras do próprio Paulo Alexandre, que passo a citar:

"Caros amigos.

É o próprio Paulo Alexandre quem vos escreve. Uma canção é composta por duas vertentes: a música e a letra que podem ser do mesmo autor ou de autores diferentes.

Quando são diferentes é evidente que a canção tem dois autores: A canção original, em alemão, “Griechischer Wein”, é de autoria de Udo Jurgens (música) e M. Kunz (letra). Essa música, como qualquer outra, pode receber letras cantadas em diferentes línguas e as novas letras (cujo tema pode não ter nada a ver com o tema original) dão novos títulos à canção. Acontece que O AUTOR dessa canção que, em português, passou a intitular-se “Verde Vinho”, SOU EU.

O autor da música continua a receber os seus direitos. Eu recebo os direitos da letra em língua portuguesa. Claro que tudo isto carece de autorização dos autores originais (que podem concedê-la ou não), a obter através das “sociedades de autores” dos respectivos países. Neste caso autorizaram e ganharam bom dinheiro com isso…


Paulo Alexandre" (fim de citação) - [in http://a-trompa.net/memorias/verde-vinho-paulo-alexandre]


Penso ser bastante para o tema de fundo ficar suficientemente esclarecido em algumas cabecinhas. De facto, este - e outros tantos que passam como sendo da mais pura veia "tuga" e "popular" e afins - tema é, provavelmente, um verdadeiro paradigma do tremendo equívoco por que muitos passam e quanto ao que realmente interessa observar aqui: a universalidade da música em si mesma não se compadece, como se vê, com "aljubarrotices" saloias até porque, e no caso, este tema que tantos julgam 100% português, afinal, de "tuga" só tem a letra (à qual não lhe retiro qualquer mérito, muito pelo oposto). Uma composição adaptada, portanto, que muitos julgam ser uma coisa e afinal, é outra. Melhor que dito por mim, nada como o popular autor da letra em português - Paulo Alexandre - para o dizer.

Tudo isto serve para que fique claro o tremendo equívoco quanto a matérias deste calibre em que alguns incorrem sistematicamente. Há hoje tantos e tantos artistas "tugas" que se limitam a usar temas da música popular alemã - como saberão, o país que mais música "pimba" possuí e onde os nossos regilas vão sacar montes de "hit´s"- e depois "chapam-lhe" em cima uma letra em português. O problema não é o Paulo Alexandre que sempre assumiu que o tema era de um austríaco, no caso; o problema são aqueles "chico-espertos" que "sacam" a música, espetam-lhe com uma letra na língua de Camões e depois vendem-na como sendo um tema 100% deles, português de gema. E hoje em dia isso é ao pontapé.

Claro que nas tunas que dizem que cantar em "tuga" é que é de tuna nem sequer se dão ao trabalho de verificar em concreto o que é o quê e de quem. Daí o "perigo" real da calinada monumental do "cantar em português é que é de tuna". E cantar em alemão também será, pelos vistos....

Quinta-feira, Dezembro 09, 2010

A Aventura de 2010....

Fazer um balanço deste 2010 que agora finda urge, mesmo que ainda não terminado em matéria tuneril - e esperando e desejando que o pouco que falta não traga "más novas".....

Estive a fazer um rewind ao "Aventuras" este ano e desde Janeiro e constatei alguns factos curiosos que agora trago à estampa.

Sintomaticamente ou não, e dentro desta Vª tasca online, a "Aventura" que mais animada esteve foi sem dúvida a recente sobre o paradigma da tuna portuguesa, o que revela desde logo uma real importância e alguns pontos de vista sobre o tema que, cruzando-se com outros dois "sucessos" deste ano por aqui - sobre o "meu conceito de tuna" e o ENT - não deixa de ser revelador, sintomático até de algum pulsar sobre a tuna portuguesa. Denota-se, contudo, que a comunicação, sendo hoje mais eficaz do que há 10, 20 anos atrás e graças à internet, não basta por si só, marcando-se a agenda num plano de fundo mais estrutural, o pensar da tuna enquanto tal. Só isso poderá justificar a maior importância dada aos 3 temas acima mencionados que, se repararem bem - como acontece aliás em quase todos os sub-temas sobre tunas  - estão intimamente interligados. Essa interligação é, no entanto, um excelente sinal também ele e por si só; revela a real integração dos "pormaiores" variados e vários na temática tuneril, onde os assuntos não são tratados de forma estanque e em partições, muito pelo oposto. Aliás, por oposição, percebe-se perfeitamente a quem aproveita tratar estes sub-temas de forma estanque, ou seja, aos "pós-modernistas".

Tudo isto mostra - a par com outras reflexões mais participadas e/ou lidas aqui - um dado extremamente curioso que, aliás, acompanha uma tendência cada vez maior nas publicações da especialidade:

Quem articula argumentos de defesa da mais nobre tradição tuneril - e para lá do bom senso inerente - fá-lo sempre assente numa lógica absolutamente clara, ou seja, argumenta baseado em documentos, em factos, em tradição, em estudo e conhecimento; ao contrário, quem se apresenta como sendo o "descobridor da pólvora" e/ou autor de façanhas pouco recomendáveis refugia-se ora no insulto aos 1ºs, ora no subsequente silêncio sepulcral. Fatal como o destino, diria até. O que é obviamente um sintoma de duas coisas: do actual estado das cabeças que por aí andam trajadas a tunar e, não menos importante, a manifesta falta de argumentação - porque não há, simplesmente - em justificar o que se faz de forma consistente, elevada, educada e respeitável. Ou seja, temos um lógica assente em duas posturas completamente opostas: A do respeito com argumentação credivel e a do avacalhamento simplesmente porque...apetece avacalhar, chocar, fazer com que os outros falem sobre......disparates, basicamente. 

Duas posturas que afinal correspondem sumariamente a duas intenções claras e distintas: A dos que contribuem para a causa de (quase) todos e a postura dos poucos que apenas contribuem para....si próprios, maribando-se literalmente para o todo, ou seja, o conjunto das tunas nacionais. 

Nesse aspecto, revela-se a cada vez maior desfaçatez e topete de alguns "para-tunos" ou mesmo anti-tunas que parasitam o fenómeno, pois caem numa tremenda incongruência reveladora ela mesmo das suas reais e sinistras intenções: criticam descaradamente o que é da Tuna por direito mas aproveitando-se desta parasitando-a ao estarem presentes em certames e outros eventos - ditos - de tunas. No entanto, nota-se a crescente aversão a estes parafenómenos de moda circunscrita muito por força da objectiva, congruente, argumentada e sensata postura em prol do todo da Tuna estudantil portuguesa. Ténue, tímida, mas nota-se ainda assim a reacção se não contra, pelo menos de ignorância face a estes para-grupos, cada vez mais com "mercado limitado" para as suas "avarias", felizmente. Há claramente que o limitar ainda mais ou então optarem  pela coerência da Orxestra Pitagórica, p.ex.

De resto, mais do mesmo quase que diria, neste ano de 2010. Não houve assim muito mais a revelar-se com particular destaque, para lá de algumas confirmações esperadas, algumas ausências momentâneas, alguns certames muito abaixo do expectável, outros dentro do normal, outros certames ainda a viver apenas e só do nome de outrora, depois aquele onde ganha sempre a mesma agremiação que não tuna, depois ainda aqueles certames que borrraram a escrita toda e adiaram-se a si mesmos por causa disso (os critérios são para serem aplicados...) e depois os casos raros que dão para a malta rir a bom rir, tipo os ultimos publicados aqui (embora mande a seriedade levar-se a coisa também de forma algo responsável....) e outros mais circunspectos que, e para não dar tempo de antena a quem definitivamente não o pode ter, não são mencionados aqui, publicamente, que oscilam entre o puro autismo ("o meu é o melhor do mundo! e arredores!") e a imitação fustrada de um circo ("quem contar mais anedotas badalhocas em palco e se atirar pró soalho ganha!"). Há efectivamente segmentação de mercado; e eu digo ainda bem que há. 

Em suma, pouco ou nada de novo mas muita piada para rir a bom rir, lá isso tivemos em 2010. A Tunolândia esteve deveras animada com disparates monumentais, cenas dignas dos "Monty Python's",  definitivamente.

No entanto, coisas sérias estão "penduradas" ainda no actual panorama tuneril nacional, a carecer de esclarecimentos efectivos e medidas por parte do todo do fenómeno mais eficazes e concretas. O próximo ENT não pode falhar seja a que nivel seja. É fundamental que seja o dobro do que se espera em matérias de conteúdo de facto. Por outro lado, há que desmascarar todo e qualquer protagonista de façanhas, sejam elas quais forem e de quem sejam, para que haja mais responsabilização e responsabilidade - atenção, com elevação e bom senso, pois não patrocino nem concordo com caça às bruxas; uma coisa é apontar e explicar o porquê com elevação e respeito (mesmo que a nós nos faltem com ele); outra será mover um processo inquisitório de perseguição seja a quem seja. Até porque nem é preciso, quem se arma aos cucos acaba inevitavelmente por se enterrar sozinho, sem a ajuda de ninguém, como ainda recentemente vimos, aliás, por várias ocasiões.

Denotar ainda o espírito altruísta tuneril de alguns em acções de solidariedade efectiva que, por pouco que sejam, muito significam seguramente. Não temos de ser todos iguais uns aos outros - até porque nunca o fomos - mas isso não significa que se procure a diferença pela diferença como quem procura água no deserto nem que para isso se mate quem passe de cantil pronto a dar um pouco da sua própria água.

Fora isso, a ultima que me chega agora mesmo via Facebook: Tuna ao ar livre, a tocar tema de solista, coisa muito melancôlica,publico rendido, sentimento q.b. e eís que, em frente ao palco passa....um camião do lixo! Só na Tunolândia, de facto......

Bom resto de 2010 e boas entradas em 2011. Ahh, e um Natal daqueles à maneira....

Terça-feira, Dezembro 07, 2010

A Aventura nº 400...

Eís a mesma. Quatrocentas "Aventuras", umas mais, outras menos, outras nem por isso. Quatrocentas reflexões, acima de tudo, para pensar (n)as mesmas e delas retirar-se algo, por muito pouco que seja, que seja sempre pouco mais que nada. O pouco a retirar-se é sempre muito, em tempos nada dados a reflectir-se sobre o que se é, foi e será futuramente. Como diria o vetusto político "o caminho faz-se caminhando..." .

Sem prometer nada mas dizendo claramente que a "tasca" estará de portas - que não de pernas - abertas.

A Aventura do que é Fundamental....

De facto, o tempo vai mostrando e revelando muita coisa, pequenas e singelas algumas mas apenas no tamanho "por fora" sendo que por dentro revelam o que de facto de mais importante haverá a reter. Os tempos também são outros, dificeis, para todos, mais para uns (estes cada vez mais...) do que para outros (estes cada vez menos). Mas é nos momentos certos, naqueles timing´s correctos que as pessoas, as tunas também, se revelam em todo o seu explendor - seja para o bem, seja para o mal.

Longe de mim aferir da moralidade seja de quem seja. Mas retenho os exemplos e depois, "Aventuro-me" aqui, nesta minha "tasca virtual" e deixo-os, da mesma forma que se deposita uma carta no marco do correio: escrevi, está escrito e depois de lá posta na ranhura, game over, que ela vai ao destinatário direitinha; depois também sei que não lhe vejo a "fronha" ao ler a mesma. Mas imagino-a......e isso é genial....

No Reino dos Algarves, um punhado de "Mouras Encantadas" fez recentemente uma visita ao Banco Alimentar e por lá tocou, no meio da azáfama voluntariada e voluntariosa de anónimos que, dispensando o seu pouco tempo livre, ajudaram uma causa com o seu trabalho. As "Mouras Encantadas" foram ajudar com a sua música, com vista a amenizar quem por lá estava, graciosamente, a contribuir para uma causa que, seja em que tempo for, será sempre grande; hoje em dia, causa enorme. Poderia toda esta gente - até as "Mouras" - ter simplesmente comprado uma lata de atum ou um pacote de farinha e está feito, como eu fiz, como muitos fazemos. Mas não, fizeram MAIS alguma coisa. E esse mais revela desde logo muita coisa. Tratando-se de uma Tuna, revela muito mais. Para ajudar à festa, acabam de tocar e...mãos à obra, toca a juntarem-se, de mangas arregaçadas e culotes orgulhosas, a ajudar como...os outros que lá estavam. Não, meus caros, isto não é caridade, isto é muito mais que isso, é Ser-se Tuna, é Ser-se gente com G grande.

Não deixa de ser curioso - e extremamente pertinente - focar uma atitude (não "acto", antes atitude) de uma Tuna, nos dias de hoje, nos tempos que correm, onde o auto-polimento do ego é a realpolitik moderna, onde os outros "que se lixem" e siga pra bingo. Ainda há Tunas que sabem e sentem que "os outros" afinal, somos nós, todos. Nos tempos conturbados de hoje, e quando uns se vangloriam por ter "estourado" milhões de cêntimos, ainda faz mais sentido focar o fundamental. E que o exemplo destas "Mouras" caia em cima das consciências, pelo menos: Já não seria mau de todo....

Sábado, Dezembro 04, 2010

A Aventura da "Ditadura" dos 420 caracteres...

De facto, não há por onde evitar e deixar de reconhecer. O Facebook e quejandos online vieram de certa forma revolucionar a comunicação online entre as pessoas. Resta saber se para melhor ou pior. Se no âmbito estritamente pessoal considero serem estes interfaces um misto de hi5 com blog + messenger + twitter + picassa + Youtube = a revista Maria ou Hola! espanhola (onde a pura coscuvelhice reina, numa espécie de gozo em se viver a vida...dos outros....), em termos meramente tuneris mostra-nos esta "ditadura" dos 420 caracteres algumas coisas a reter com particular cuidado.

É parte da explicação para a fraca adesão das tunas aos sites meramente institucionais, ou seja, é de borla (e os sites custam dinheiro), é instantâneo (faz-ze em minutos) e imediato (propaga-se em rede de uma forma notável). Ou seja, o site institucional tuneril é hoje algo que começa a diminuir online, por ser aposta menos prática, menos imediata e menos mediática (??) e acima de tudo estas novas linguagens são de borla e extremamente funcionais na passagem da palavra que cada uma pretende passar, curta e grossa e mais "a ritmo" dos dias de hoje - e da "malta" de hoje. É perfeitamente reveladora a quantidade de tunas que deixaram "cair" o site institucional e por oposição se espalham por N interfaces mais imediatos, gratuitos, fáceis de gerir e manter.

Para lá das óbvias - que não racionais e inteligentes, até - vantagens que estes interfaces novos demostram, temos uma lógica de 420 caracteres unicamente, suportada por um mero "gosto" ou "não gosto", potenciando mensagens sms ao invés de diálogos estruturados e lógicos com principio, meio e fim, de forma a não deixar margem de dúvida sobre o que realmente se pretende dizer. Em suma, na actual sociedade onde escrever bem é raro, que fará muito e com conteúdo - uma seca para a maioria da malta de hoje - estas ferramentas estão para as tunas actualmente como a água para os peixes: Uma perfeita combinação entre vontade de comer e fome.

No entanto, contrariam de forma efectiva a mais que importante lógica arquivista e opinativa/formadora de facto, por impossibilitarem, grosso modo, essas mesmas missões, por falta de cavalos/potência a desenvolver. Ou seja, nem sequer estão vocacionadas para uma manutenção arquivista de facto de ideias, ideaís, estórias e história, projectos de fundo, etc etc. Curiosamente todos sabemos que um site institucional bem feito e de raíz, esquematizado como deve ser e indo a públicos-alvo pode efectivamente cumprir com todas as missões acima. No entanto, dão trabalho e têm custos, coisa que os Facebook e outros similares não detêm para os utilizadores, que hoje, até via PDA, podem actualizar e na tal lógica dos 420 caracteres.

Já se falou anteriormente na importância capital que o arquivar do percurso de cada tuna detêm, coisa só sentida de facto quando se chega à investigação com uma distância de 20 ou mais anos e se anda à procura de factos e eles escasseiam, como é o caso da memória colectiva tuneril nacional - por contraposição ao caso espanhol, p.ex., que mais uma vez está anos-luz neste capítulo à nossa frente. Ainda hoje em Espanha nascem conteúdos histórios absolutamente geniais, com imensa mais-valia arquivistica e de real valor para a compreensão e estudo de facto desta cultura ímpar. Por cá, são sempre a mesma meia dúzia a fazê-lo - o que é sintomático e negativo, por falta de mais gente a proporcionar essa reposição de factos devidamente documentada.

Concluí-se, portanto, que mormente todas as aparentes mais valias das novas linguagens internaúticas, que admito seguramente, as mesmas funcionam para a pesquisa e história tuneril nacional como funciona a revista Maria para a compreensão da história portuguesa: Não valem rigorosamente para nada. Portanto, a validade da "ditadura" dos 420 caracteres é perene, ciscunstancial, mais preocupada com a comezinha trica e nica do que propriamente capaz de servir de facto para todos e de todos, com substância, valor intrínseco e concreto para o contributo da história tuneril portuguesa. Mais o digo, para a actualidade da tuna tuneril portuguesa. Os Facebook´s e similares das tunas hoje não têm 1% de sumo e face aos sites instituionais que existem e desde que a internet foi democratizada. Os Facebook´s estão para as tunas portuguesas como  as sms estão para as cartas: Pouco, muito pouco, face ao que realmente devem as tunas promoverem e na prossecução da sua (ao fim e ao cabo, de todos) nossa missão. Não há nas actuais redes sociais, qualquer distinção entre uma tuna e uma qualquer banda, restaurante ou parque de campismo. Tenta-se sumariamente vender um produto e não promover uma cultura. Tentação perigosa.....

Reconheço a validade mediática das novas linguagens; a tecnologia hoje permite desde um simples PDA estar a par de quase tudo e interagir a seguir. O problema do "quase" que lhes falta é que esse "quase" é precisamente o que de mais importante existirá, porventura, para uma tuna: História, conteúdo estruturado e missão a cumprir. Se tivesse apenas 420 caracteres para escrever esta "Aventura" estava tramado pois não iria conseguir passar a mensagem, sequer. Aliás, nem tão pouco alguém a iria entender.

Nada contra estas novas plataformas. Tem de haver de tudo, é como na farmácia: literatura de alcofa, policiais, romances e por aí fora. Só me parece é que estas plataformas apenas previlegiam a lógica Revista Maria, vocacionadas que estão tecnicamente para o curto e simples. Falta o comprido e complexo, que os sites possibilitam (e blog´s),  que são os que mais "Gosto", definitivamente. Lá está, "Gosto" de pensar nas coisas....


Sexta-feira, Dezembro 03, 2010

SMS do dia....

"Há Festivais de Tunas que são como os filmes porno: Vê-se um, vê-se todos..."