Quinta-feira, Janeiro 20, 2011

A Aventura do Resistir....

Esta vem a propósito de algo que li, algures, onde uma determinada tuna procura ensaiador para levar a cabo trabalho musical com 7 resistentes que permanecem - e fazem -a mesma tuna.

Pode-se visualizar, das duas uma, um começo ou refresh start. Em todo o caso, sendo uma ou outra situação, é sempre de enaltecer a vontade, coragem e persistência de sete pessoas empenhadas em continuar, dar seguimento, a uma tuna, seja ela qual seja. Nem sequer, a meu ver, se trata de teimosia, antes prefiro acreditar que se trata de puro gosto em se ser tuno. Se fosse mera teimosia não carecia de ensaiador, seguramente, mantendo-se com 7 elementos para o que seja, sem grandes preocupações de qualquer ordem que não meramente lúdicas.

A questão de fundo, aqui, a meu ver, não se trata de perceber ou deixar de perceber que 7 pessoas fazem/não fazem uma tuna. Não, de todo. Há provas hoje bem vivas de que, com menos de sete até, com trabalho, persistência e com sensatez, se chega mais tarde bem longe. Afinal, se repararmos bem, nenhuma tuna praticamente começa logo à partida com 20 pessoas ou 10 até.

Não é, pois, a montante que existe qualquer tipo de problema ou objecção, não, de todo. Será antes e sim a montante, ou seja, quando a tuna já existe e se vê - por vicissitudes várias, externas até, hoje cada vez mais comuns, note-se - a braços com 7 pares de braços apenas. É a jusante que a questão se deve colocar: fazer o quê? Fechar as portas? Andar em frente? Deixar pura e simplesmente...andar até ao próximo jantar?

Sempre afirmei - e reafirmo - que há hoje em Portugal muitas tunas, demasiadas até, se compararmos números facilmente se percebe isso mesmo: olhando para a geografia espanhola e para o mapa do ensino superior espanhol, comparando com a nossa realidade, facilmente se ficará de boca aberta ao constatar que, e contas por alto, Espanha apresenta apenas mais 60 tunas (mais ou menos) que Portugal, o que por si só é revelador. Fundamos tunas a mais e isso hoje nota-se.

A esmagadora maioria das nossas tunas assenta na tal lógica do "boom" na sua formação, composição e manutenção (o que por um lado é bom mas implica custos a prazo, como se constata). Naturalmente a tendência é tunas de antes se apresentarem hoje com graves dificuldades a nivel dos seus recursos humanos. Ou seja, são tunas mas praticamente entrincheiradas em si mesmas e nas suas portas (universidades, faculdades, institutos, etc) e pouco mais. No caso espanhol - e por outras razões - muitas estão refugiadas apenas e tão só em mesas de jantar para 4 ou 5 que restam e...mais nada. Lá, como cá, por este ou aquele motivo, é a jusante que a questão se coloca, fundadas que foram. No caso espanhol, fundam-se e refundam-se de duas em duas, de três em três décadas, resgatando-se a si mesmas no mapa do tempo....

Previsivel por isso, que hoje algumas por cá tenham este problema que condiciona desde logo a normal actividade tuneril, sem prejuízo da sua essência, claro está. Haverá que perceber, então, o que fazer para dar a volta à situação. Ora, querendo ir mais além, contrariando assim o cenário menos bom, parece-me altamente louvável, se feito com cabeça, tronco e membros. Parece-me, até, um serviço tuneril público de enorme relevância que haja que, com sensatez e lucidez, queira combater algum situacionismo. Só posso alegrar-me com tal postura.

Já a postura do "deixa andar" é que me parece, acima, de tudo para os próprios, prejudicial; a coisa vai acabar por desvanecer-se, desaparecer, sem se ter a coragem suprema de assumir que assim é. Deixo-vos um exemplo do que entendo ser até natural: Há uma tuna em Espanha que, nos anos 90, provavelmente terá sido a melhor ou pelo menos das melhores e hoje está confinada a um taxi para idas a Tapas numa mesa com 5 cadeiras apenas (porque se formaram, casaram, não houve quem lhes sucedesse, mudaram de cidade, etc). Hoje, dizem orgulhosamente que apenas se reunem uma vez ao ano para uma ceia de tunos, sem qualquer tipo de problema sequer, numa atitude tão corajosa como sensata: enquanto durou foi optimo, agora também o é mas de outra forma e disso não há que ter vergonha, muito pelo oposto.

Não há, pois, que ter vergonha alguma em assumir que "não dá mais" neste figurino. O resto fica sempre no plano pessoal entre quem forma/formou a tuna. No big deal. Um dia a maré muda e quiçá, até se pode voltar a palco. Mas desde que haja gente, 4 ou 5 ou 7, para umas jantaradas, serenatas e afins, temos tuna certamente. Agora, dizer que há tuna e nada disso se passa efectivamente na prática, faz-me lembrar o orgulhoso caravanista amante da natureza que tem roulotte no parque o ano inteiro, paga forte e feio e só lá foi ano passado um fim de semana em Agosto....

Resistir, sim, mas resistindo de facto, não de nome ou de site ou whatever. Por tal, tudo o que for andar em frente parece-me altamente louvável, mais para mais nos tempos de hoje. Merece no limite o nosso aplauso e incentivo.

Terça-feira, Janeiro 18, 2011

A Aventura Curricular.......

Hoje, é uma pergunta que me vai assaltando a mente de quando em vez: Será que a "malta" que passa pela tuna coloca tal no seu Curriculum Vitae quando inicia a sua vida profissional, procurando emprego?

É que se o faz, provavelmente fá-lo munido de indisfarçável orgulho em tal, seguramente. Mas e em sentido oposto, se não o faz, porque não o faz? Esquecimento, insignificância, irrelevância ou...vergonha? Haverá vergonha em colocar no Curriculum Vitae que se fez parte da tuna? Pior, haverá medo? De o hipotético empregador rasgar liminarmente o mesmo, até? E se o empregador também foi, um dia, tuno?

Algumas questões se colocam aqui e confesso que - felizmente - desconheço se a malta coloca que foi tuno nos seus C.V. actualmente, quando em busca de emprego. No meu tempo, punha-se e até admito que, então, aqui e ali, pudesse ser algo que prejudicasse. Em todo o caso, punha-se que se tinha sido tuno once upon a time. Ainda hoje lá está, no meu C.V.

A questão de fundo aqui é só uma, afinal de contas: Hoje em dia, ser-se Tuno é Curriculum ou é cadastro?

A resposta provavelmente cada um a terá, até por força da sua própria experiência pessoal e profissional, seguramente. Mas temo que, actualmente, seja mais cadastro do que Curriculum, ao contrário do que acontecia há 20 anos atrás. As razões são sobejamente conhecidas e amplamente debatidas.

Acho, mesmo não sabendo em concreto, que hoje em dia na esmagadora maioria dos casos tal menção é omitida, pura e simplesmente. O que, no limite, é um sinal da descapitalização do bom nome que já tivemos. Por aqui se prova muito do que é dito.


Quarta-feira, Janeiro 12, 2011

A Aventura do fim de ciclo....

Também não será tema novo. Aliás, ainda ontem, em "missão especial" e juntamente com outro ilustre pensador destas coisas das tunas, abordou-se essa mesma perspectiva: Estamos em final de ciclo.

Que não de paradigma, note-se, mas de ciclo. Assistimos hoje a uma espécie de "melhoras da morte" de um ciclo temporal onde, por imposições de vária ordem, impõe a breve trecho uma nova abordagem, um novo ciclo, mais formatado aos tempos que vamos atravessando, porque quase inevitável que assim venha a ser. Tal como em Espanha - e esta mais habituada a mudanças de ciclo ao longo dos tempos, encarando-os assim, de forma mais tranquila e resignada - estamos a fechar um ciclo e na ante-camera de um novo. Qual?

Claramente um desinvestimento do estudante na tuna, agora que é obrigado, como dizia ontem esse meu ilustre amigo Dr. Eduardo Coelho, a completar o curso de 3 anos rapidamente e em força, porque lá em casa cada vez mais não há margem de manobra para dispender com chumbos e propinas a mais; sim, a ditadura do rating internacional também vai tocar aos papás dos estudantes que cada vez mais têm menos dinheiro, porque a taxa de juro é cada vez maior, porque o emprego rareia e é um bem precioso, porque não estamos em tempo para "brincadeiras". A somar a isto - como se pouco fosse - o ciclo que agora se vai encerrando carrega em si mesmo um pressuposto inadequado aos tempos de hoje: o formato intitucional que a tuna grosso modo ainda tem, hoje, tem 20, 25 anos, ou seja, é um formato de ontem que hoje tenta sobreviver sem alterar uma vírgula ao mesmo; ou ligado intimamente à Praxe e sem qualquer autonomia organizacional dentro da sua instituição que não uma mera presença mais acentuada ou ligada a associações de estudantes, dependendo assim das mesmas (e estas não fogem hoje à crise generalizada num tempo em que as próprias universidades não possuem sequer recursos para as suas funções primárias, que fará para as acessórias). Cientes todos de uma certeza: a rapidez com que as cartas hoje são colocadas na mesa obrigam necessáriamente a uma adaptação ao meio actual; ora, tunas organizadas hoje como o eram exactamente há 20 anos atrás correm sérios riscos de "insolvência", parece claro, porque desajustadas à actual realidade que vivemos e que muda tão rapidamente como as taxas de juro.

Os sintomas são evidentes, estão aí, à vista desarmada: cada vez maior dificuldade de captação de novos elementos, muitas tunas hoje o são meramente de "nome" entrincheiradas que estão pela falta de gente activa e em permanência, as prioridades pessoais mudaram em função das necessidades pessoais, em suma, o cerco aperta à disponibilidade fisica e mental de cada estudante que, porventura, possa querer ingressar numa tuna, por muito apelativa que a mesma seja.

Outro sintoma é - por ora timido mas concreto - o surgimento de quarentunas e/ou tunas de veteranos, compostas por aqueles que, já com as suas vidas estabilizadas a vários niveis, podem de alguma forma recriar a tuna, libertos agora das pressões atrás mencionadas que assaltam o estudante de hoje, fundando agrupamentos desta índole isentos do tal formato das tunas de há vinte anos atrás, criando de raiz uma organização cultural que está vinculada exclusivamente aos interesses da própria tuna e somente, não querendo percorrer todos os patamares porque já percorridos antes, evitando assim complicar o que é fácil: uma tuna institucionalmente criada para tratar de si mesma e dos interesses dos seus componentes, salvaguardando os valores que cada uma representa mas desvinculada de outros organismos que, então, "acasalaram" com a tuna - e lembro que a tuna em Portugal nasce FORA do seio universitário, este importa-a, e não o oposto, como é mitologica e erradamente propagado e desde o "boom" tunante de fins anos 80/inícios de 90 do Século XX. Parece ser uma tendência a despontar e que terá nos próximos anos maior e mais expressão.

Tudo isto para concluir o que me parece evidente a curto prazo:

A tuna terá necessáriamente de se adaptar aos tempos que vivemos. A sua estrutura organizacional terá de evoluir para uma organização mais autónoma e, ao mesmo tempo, mais responsabilizadora dos seus próprios elementos na procura, afinal, dos seus próprios interesses: casos há de claro sucesso de tunas que optaram por esta configuração organizacional, pois obriga os seus componentes a procurarem formas de financiamento próprios - desde quotização, espectáculos remunerados, parcerias, etc - evitando assim a dependência face a universidades e associações de estudantes, p.ex. Uma tuna nascida nos anos 90 terá, caso não se adapte rapida e sabiamente, sérias dificuldades em se manter face ao panorama actual; já não há reitores nem associações a pagarem festivais de tunas. E estes sofrerão, por consequência do desinvestimento e da crise, uma retracção quer em número quer em qualidade do que oferecem e face ao passado. Já vemos casos onde se transitou de uma grande sala de espectáculos para o gratuito auditório da sua instituição "mãe".

Não haverá muito a fazer, excepto agir a tempo ou então ignorar os tempos, esperando por melhores dias. E quem se adaptar rapidamente ao cenário mais e melhores perspectivas de sucesso terá. No caso das tunas, o modelo de associação cultural é - não sendo o perfeito - o mais adequado à sobrevivência. Por oposição, tunas que assentam em modelos que hoje não funcionam porque antes funcionaram em contexto distinto, estão a prazo condenadas caso não se adaptem. Já vemos isso a acontecer amiúde.

Urge, portanto, pensar com lucidez, dentro de cada tuna, sobre o que por aí vem, com toda a segurança. Desafiar Bolonha, a crise, as taxas de juro, os ordenados dos papás, as propinas, é duelo perdido à partida caso as tunas não escolham as "armas" certas para contrariar este ciclo que, seguramente, está aí à porta.

Terça-feira, Janeiro 11, 2011

A Aventura da Comunicação Tuneril....

Julgo já ter falado aqui, em tempos não muito remotos, em alguns aspectos relativos à comunicação tuneril, quer intra quer, necessáriamente, inter actores, players do cenário tuneril português, forçosamente, as tunas. falei, então, se bem me recordo, da evolução que houve, desde há 20 anos - mais coisa menos coisa - na forma de comunicação da intensa actividade tuneril, qualquer coisa que ia desde a evolução do cartão de visita até ao site de tuna, do fax ao email, do telefone fixo ao telemóvel, por aí.

Desta vez irei abordar o contexto comunicativo mas por outro prisma, não tanto fazendo a retrospectiva mas antes abrindo caminhos de futuro, alguns até de presente.

Todos sabemos que em vinte anos e a este nivel, a evolução foi tremenda, com essencialmente o advento da internet, entre outros factores que potenciaram e potenciam o imediato, o contacto em tempo real entre players, as tunas e os tunos, no caso. Mais, potenciou esta evolução, a nivel comunicativo, e naquilo que implica o mesmo para a formação de opinião - os ditos opinion makers - o surgimento de outros player´s que não, por si só, tunas e/ou meros tunos: o PortugalTunas é um excelente exemplo disso, bem como outros locais de referência como blogues - como o Notas & Melodias - e foruns - onde naturalmente não incluo esta "tasca virtual" chamada Aventuras, não por falsa modéstia mas porque não é essa a sua missão, sequer. Queira-se ou não, goste-se ou não, novos players surgiram no plateau e fruto, meramente, da evolução mediática que possibilita hoje, o tal real time, originando por sua vez uma lenta mas clara mudança de paradigma comunicativo no que toca a tunas universitárias. Acontece o mesmo em Espanha com o Tunos.com e com o Museo Internacional del Estudiante - que hoje fazem esquecer e tornar obsoleto o famoso porque então pioneiro site da Tuna de Ingenieros de Telecomunicación de Valência, a então "Meca" informativa sobre Tunas - e só para citar alguns casos mais conhecidos, bem como na América Latina tuneril - Ronda la Tuna, apenas para citar um caso.

E são players porque, graças aos meios de hoje, potenciam-nos imediatamente, credibilizando e credibilizando-se a si mesmos, porque portadores de confiança, reputação, consistência, conteúdo, objectividade. São, claramente, para os que procuram mais e melhor informação, os hotpoints comunicativos por excelência, cientes aqueles que procuram informação credivel de a mesma aí encontrarem rapida e eficazmente. Claro que também, por oposição temos o oposto, que vai desde o blogue feito às 3 pancadas e que mais mês menos mês caí em desuso por abandono até ao forum generalista que tem um sub-sub-sub forum perdido lá pelo meio dedicado "às tunas académicas", o que por si só já é motivo para evitar ou, no limite, para passagem no máximo uma vez ao trimestre; Normal, diria até, que assim seja.

Contudo, as novas tendências da moda internautica estão a provocar dois efeitos imediatos; o 1º a fuga dos utilizadores para os mesmos, por mais mediáticos, instantâneos e fáceis de aceder - até via telemóvel se pode fazê-lo, hoje -e , por outro, a provocar a devida reacção, que será o replicar nesses mesmos meios do já existente, agora com formato mais "gosto" e "não gosto", para citar a rede social da moda. Sinal, por um lado, da rápida evolução do meio comunicativo e por outro, da desestruturação da base informativa e formativa que não se compadece com 420 caracteres, muito pelo oposto - e aqui também já abordei essa espécie de "ditadura". Urge uma reacção, portanto, ao acompanhar das tendências actuais sem perder o fio de prumo, a linha coerente, a missão basilar, a postura genética: formar e informar, ambas ou em separado. Não é por acaso que este blogue liga ao facebook, seguramente, como também não é um mero acaso outros conhecidos locais internauticos o fazerem e das mais variadas formas. Parece-me, até, natural e inteligente que assim seja: Se Maomé não vai à Montanha....

Tudo isto resulta da cada vez mais rápida e activa evolução a este nivel comunicativo, que encerra no formato internet vários outros formatos, sendo que alguns estão naturalmente e ainda por explorar devidamente no que toca ao passar da mensagem. Perpectiva-se, por isso, um acompanhamento devido - mormente algumas experiências pontuais e mais dispersas já existirem - da tendência actual, no sentido de, usando novas plataformas comunicativas, passar rigorosamente a mesma mensagem. E aqui há ainda um vasto campo a explorar devidamente, pois há lacunas claras.

Tudo isto para dizer que novidade de monta aí vem, ao que julgo saber, a este nivel, da comunicação tuneril. Evidentemente que é uma continuidade que presume a existência do que está já feito e bem feito. Obviamente que será mais uma plataforma de interacção com os destinatários da informação que, como tudo o que nasce, sempre frágil e pequeno, começará em breve a gatinhar pela web tuneril. Ao que julgo saber, os conteúdos serão a sua principal aposta, a par do aproveitamento de recursos já existentes numa plataforma nova, mais interactiva e que irá interagir com o que de novo há e menos novo também. Não sendo uma revolução será um pioneirismo, em prol sucintamente, de todos nós.

A ser assim, concluí-se, afinal, que o fenómeno tuneril no que toca à sua comunicação e formas actuais de a promover também acompanha os tempos de hoje, adaptando-se, desfazendo algumas "teorias" de situacionismo ou cristalização que, de tempos a tempos, se vão escutando, como se a comunicação tuneril portuguesa estivesse repleta de oferta - o que lamentavelmente, não ocorre, para pena minha.

Muito se evoluiu desde o simples cartão de visita de tuna e do fax até hoje. Principalmente nos ultimos 10 anos, a evolução tida é absolutamente fantástica, permitindo fazer-se coisas que antes eram absolutamente impensáveis por impossiveis ou absurdamente dispendiosas. Hoje, o cenário comunicativo é ímpar e obriga a acção, mais do que reacção, a acção concreta e eficaz, sob pena de a mensagem ficar ela em campo absoleto; sucintamente, é adaptação ao meio, puro e duro. A missão? a mesma de sempre.

Quinta-feira, Janeiro 06, 2011

A Aventura da Refundação do conceito de Festival

Historiar um pouco desde logo, sem maçar:

O modelo de certame competitivo que temos é, grosso modo, inspirado naquilo que ficou conhecido na Espanha democrática dos anos 70 como "Grandes Certames", rompendo com a lógica anterior que, também ela, estava sob a "pata" da ditadura franquista e dos cardápios do Sindicato Español Universitário, onde os certames decorriam à porta fechada e perante um rigoroso Jurado mais as suas espartanas regras avaliativas.

Ou seja, o modelo, conceito de certame competitivo de tunas é por nós importado do modelo espanhol dos anos 70 e 80, juntamente com o modelo que o programa de TV "Gente Joven" exportou para fora das fronteiras espanholas. Significa tal que os primeiros certames fundados em Portugal seguiram, por via de regra, o mesmo esquema - e casuísticamente - do modelo que importaram: Pandeireta, Solista, Estandarte, Interpretação Musical, 3 primeiros prémios. No caso espanhol, curiosamente, houve um prémio que não teve continuidade em Portugal - ou raramente teve - que se reporta à melhor postura em cena. Estes são - tirando um, colocando outro - o roteiro, a "Via Sacra" da premiação dos certames portugueses. A embrulhar a mesma lógica importada de Espanha nos actos do evento e ao longo de um fim de semana, ou seja, de Sexta a Domingo. Casos tivemos em que na mesma lógica importou-se o prémio Pasacalles - tradição tuneril espanhola por excelência.

Tudo isto para reportar ao evidente: se por um lado - e atentando ao cenário mais genérico de contextualização do ressurgimento tuneril de fins dos anos 80, inicios de 90 do Século XX - não se poderia ter tido outro modelo, pois a influência castelhana foi a única nesta apartado, por outro, constata-se que praticamente esse mesmo roteiro se mantêm no caso português mais coisa, menos coisa, mais prémio menos prémio, mais recepção na Câmara Municpal, menos recepção no Ayuntamiento. Factos, portanto. O modelo manteve-se, mormente adaptações/cortes/introduções mais ou menos felizes e/ou pertinentes. Aliás, é esta constatação per si uma das provas inequívocas da clara influência espanhola no movimento tuneril ressurgido no "boom" e que se manteve até hoje, não colocando obviamente em causa as nossas características próprias.

Seria, pois, expectável que - apesar da nossa própria natureza por cá - ao longo dos ultimos 20 anos o modelo do conceito importado se tivesse refinado a ponto de estar mais próximo de algo nosso, mais a ver com a tuna nacional, do que propriamente seguir o roteiro espanhol neste contexto. Outra prova de que, por um lado, "bebemos" muito do como se fazia do lado de lá - unica fonte à data - e por outro lado, que alguma "patriotice" que singrou e singra não tem qualquer sustentabilidade porque, a ter, teria sido aqui também aplicada com mais ênfase, o que grosso modo, não ocorreu. Uma incongruência, basicamente, que resulta precisamente da diferença entre o discurso "patrioteiro" - o que renega tudo o que for estrangeiro somente porque é estrangeiro... - mas a seguir não deixa de lado o modelo onde foi beber, o espanhol no caso; se assim não fosse, o discurso teria de bater certo com a prática, inovando - não inventando, inovando de facto - e assim, alterando o conceito de festival por cá. Tal não ocorreu na esmagadora maioria dos nossos certames. Até os que só têm tunas nacionais correm precisamente o mesmo "diktat" do modelo de certame espanhol, mais coisa menos coisa. Nunca vi um prémio de melhor arruada seja em que festival seja.

Já há muito tempo atrás conversei, então, com ilustres da nossa praça precisamente sobre esta questão. Ainda iam alguns certames, então, na sua 5ª, 6ª edição e já se ouviam alguns mais atentos a dizer que "o modelo de certame teria de se refundar, alterar" sob pena de saturação rotineira. Ou seja, não é assunto dispiciente, mais para mais quando e cada vez mais, o certame de ontem é igual ao que vai ocorrer para a semana, ou seja, mais do mesmo.

Será, então, pertinente colocar na mesa uma questão: Havendo tanta vontade em alguns meios em inovar, modificar, alterar, porque não vemos essa vontade - só aplicada a outros contextos mais, digamos, imediatos - em refinar o próprio conceito de certame? Calma que não advogo com isto uma solução de completa ruptura (com p antes do t, ruptura), de todo. Quanto a prémios, por exemplo, distinções a atribuir, há sempre os clássicos aos quais não se consegue de todo fugir. Não, vou mais além.

E aqui ir mais além é questionarmos a função primeira do certame com elevação, percebendo o contexto nacional tuneril que hoje temos. Deverá o certame e o seu modelo adaptar-se sim mas com inteligência suprema e a favor do todo do fenómeno. Exemplo? Deixo sugestões às organizações, haja coragem e bom senso:

Incluir a obrigatoriedade de um tema original a pontuar na classificação final em pé de igualdade com os restantes prémios sectoriais - pandeireta, solista, estandarte, etc. Essa obrigatoriedade eleva muito mais a tuna em sentido lato do que a patética noção de que "tuna que é tuna só toca originais" que para lá de falsa é inoqua. Obrigando a um tema original obriga a renovar reportórios, desde logo, numa altura em que se vai ao baú buscar coisas do próprio reportório com 20, 15 anos banhados de lifting para soar a "novo". Seria muito mais eficaz para lá de produtivo do que o simples prémio de melhor original por si só, pois o que se verifica é que muitas das tunas presentes nem concorrem a tal prémio pura e simplesmente. Ou seja, englobar a lógica do melhor original pela perspectiva mais profilática - e não pela perspectiva bacôca do original pelo original. Porventura "mexeria" com factores de ponderação para os 3 prémios cimeiros, até, o que seria aproveitar os mesmos para elevar o tema original e, logo, potenciando o surgimento mais preemente de muitos originais.

Outra sugestão será premiar a existência de facto em palco e fora dele do Estandarte, ignorando as bandeiras pura e simplesmente de forma definitiva. Muito dos erros escandalosos na atribuição deste prémio residem no oportunismo que uma bandeira cria e potencia, logo, disvirtuam a lógica do prémio em si mesmo.

Ainda outra sugestão e que certamente será mais do agrado dos que elevam a musicalidade ao lugar cimeiro: Não se entende, hoje em dia e olhando para a tuna nacional, que os arranjos quer musicais, quer vocais, estejam simplesmente resumidos às ponderações para os 3 primeiros prémios. Cá está, se por um lado o melhor instrumental é presença assidua, não se entende então porque o melhor vocal não é igualmente e na mesma importância valorizado. Sei saber que alguns Jurados resolvem a questão - e muito bem - nos 3 prémios finais, afinal, a voz é o instrumento que todo e qualquer tuno tem por génese; ora, ou os instrumentos estão a ser inflacionados ou as vozes estão deflacionadas na sua importância. No limite, instrumentos musicais e vozes no mesmíssimo pé de igualdade. Com isso, os arranjos e sua qualidade potenciam-se mais e melhor a meu ver. Lembrar aqui que o prémio de melhor instrumental vem de Espanha e dos tempos dos certames em plena ditadura Franquista e por uma simples razão: Até então as peças clássicas, meramente instrumentais, eram presença frequente nos reportórios musicais das tunas. Ou seja, mais uma incongruência entre o que de lá herdamos e o que por aqui acontece, pois desde o final desses certames do S.E.U. que os reportórios tuneris assentaram mais nos temas cantados e tocados do que nos exclusivamente tocados intrumentalmente. Olhando à realidade de hoje, não se percebe porque a voz é o parente pobre e o instrumento o parente rico. Algo está desiquilibrado neste apartado e no figurino actual do certame por cá.

Depois, há prémios que caíram numa rotineira e enfadonha inevitabilidade, como sendo o pasacalles - invariavelmente para uma tuna espanhola, claro está e salvo honradas e pontuais excepções . O de serenata, cada vez mais a soar a uma espécie de obrigação e muito pouco a sair com naturalidade, pertinência e propósito final. Talvez terminar com eles enquanto prémios isolados e incluir por sua vez estas prestações nos critérios dos 3 prémios cimeiros não fosse de todo mal visto, muito pelo oposto. Hoje em dia e no actual cenário perfeitamente abandalhado a este nivel talvez não fosse de todo despiciente valorizar a postura em cena, passando desde o trajar à disposição em palco, apresentação dos temas, etc. Cuida-se muito do aspecto musical quase exclusivamente e esquece-se o resto e tuna também é esse restante.

Quiçá não haverá muita volta a dar ao modelo de certame que temos na sua generalidade; já na especialidade pode-se - e deve-se - mexer aqui e ali, cortar com o acessório e valorizar o essencial, fazendo uma espécie de revolução silenciosa em prol do todo tuneril nacional, mais adaptada à nossa realidade sem descurar o lado tradicional da tuna, como é evidente. Não se pode terminar liminarmente com o prémio de melhor pandeireta, como me parece evidente. Pode-se sim ser mais metódico e potencia, via festival, o que de melhor deve ser realçado e não, como ocorre no modelo actual, potenciar a ilusão de óptica, o despropósito ou ignorar-se factores de real importância no todo geral do que se espera da tuna.

São pistas, somente. Ideias que resultam do que se vai vendo e ouvindo. Pode não alterar muito numa 1ª análise, mas pelo menos mantem o certame na sua lógica primeira, potenciando a envolvência e dando enfase ao essencial e, no limite, ignorando o acessório e perfeitamente dispensável por improvável ou despropositado. Ajudaria, até, a meu ver, a uma melhor gestão no tempo e no espaço, do programa de um qualquer evento tuneril competitivo, até. Não seria algo completamente novo mas seria seguramente diferente, inovação lógica e adaptação aos tempos de hoje, que requerem do certame competitivo uma clara reacção e não fossilização: estamos a organizar hoje certames como o fazíamos há 20 anos atrás só que com tunas de hoje. Ora, se temos um paradigma de tuna claramente definido, não seria pertinente adaptar esta manifestação na defesa desse mesmo paradigma, hoje, com tudo o que se vai vendo e ouvindo?


Qvid Jvris?

Terça-feira, Janeiro 04, 2011

A Aventura do (Des)acordo Ortográfico

Em jeito de SMS e com honras de 1ª "Aventura" de 2011:

Aqui não se escreve brasileiro, escreve-se português, mesmo que com erros aqui e/ou acolá, será em português. Estou-me nas tintas para o resto e nem sequer é nacionalismo bacôco, é mesmo "porque de facto" não é a mesma coisa que "porque de fato"; De fato se veste, de facto a malta se despe da nossa língua....

Não concordo com esta aCtualidade ortográfica, phoda-se!!! Vou continuar efeCtivamente a escrever em português neste meu blog, até fora dele assim farei. Quem não gostar pois que vá à Pharmácia....