Quarta-feira, Março 30, 2011
A Aventura das Aventuras Organizativas....
Ao longo dos anos, e falando somente de certames competitivos, tive a honra e o gosto - pois prazer será necessariamente outra coisa... - de co-organizar 12 eventos desta natureza, sendo que e desde o 3º inclusive, os mesmos tiveram carácter internacional de facto (e não de nome apenas). Ou seja, tive(mos) de lidar com tunas quer portuguesas, quer espanholas, porto-riquenhas, peruanas e mexicanas, no caso. Em uma ou outra edição, estiveram até representados precisamente os 5 países acima, dando-lhe uma multitudinária visão do fenómeno, coisa rara nos dias de hoje, note-se. A diversidade de culturas numa mesma cultura, a Tuna, é deveras gratificante para todos.
Ora, evidentemente que ao longo desses 12 anos de trabalho que começava no dia a seguir ao final do certame e assim sucessivamente, muita coisa sucedeu, muito erro foi cometido e com eles se aprendeu, diminuindo assim a probabilidade de insucesso e, como não poderia deixar de ser, muita estória hilariante (mesmo que na altura algumas delas de engraçado nada tivessem tido...) existe para contar e partilhar. Será o que irei fazer de seguida, tanto quanto o Alzheimer (com o devido respeito) me permitir....
Recordo, neste momento, uma cena quase que diria, típica, e para quem lida com tunas estrangeiras, o famoso "roer da corda" em cima do acontecimento. Felizmente, em 12 anos, provavelmente só ocorreu tal umas 3 vezes, o que é - e atendendo ao panorama - uma média baixíssima.
Nesse ano, que não sei precisar, a Tuna X de uma cidade espanhola conhecida e que tem uma belíssima Plaza Mayor (para deixar umas 30 em cima da mesa....) tinha sido convidada e confirmara, então, com a antecedência costumeira - no máximo 4 meses antes já o cartaz estava fechado -a sua presença na edição do certame desse ano. So far, so good. Na época era fax pra lá e fax pra cá, por vezes um telefonema ou outro e mais nada, e a coisa resultava, asseguro-vos. A uma semana do certame recebemos um fax da dita cuja Tuna, assinado pelo seu Jefe de Tuna, com um bonito cabeçalho - nome da tuna, símbolo e afins - que nos dizia, em traços gerais, que infelizmente não poderia aceder ao convite, afinal, pelo facto do seu Reitor ter agendado para esse mesmo fim de semana uma actuação na sua Faculdade, o que os impedia de viajar até ao Porto. Bom, que remédio, lá tivemos de aceitar - já com cartazes, livretos e afins impressos - e life goes on. O espantoso é que, cerca de 2, 3 horas depois, se tanto, recebemos outro fax, da mesmíssima tuna em questão, com um bonito cabeçalho e blá blá blá - mas agora assinado por outro elemento que não o Magister - informando-nos que não poderiam estar presentes no certame em virtude de no fim de semana anterior alguns elementos da tuna terem tido e cito "um acidente de viação, o que levou à hospitalização de alguns deles e por tal, ser impossível poder viajar até ao Porto"....Bom, ao menos poderiam ter combinado melhor a "cena", de tão mal feitinha que foi. Excesso de "zelo", vá; a maioria nem diz nada, estes deram duas respostas!
Noutra edição, com uma tuna sul-americana, tudo às mil maravilhas, fax pra cá, fax pra lá e por aí fora, cerca de 15 elementos a caminho, porreiro. Chegados ao aeroporto, eis que me deparo com uma tuna que cabia...num táxi: 4 elementos. Ainda perguntei se por algum acaso viriam, vá, mais 2 ou 3 entretanto mas... não, de todo. Problema para resolver. O que fazer perante tal cenário? Grande "discussão" no seio da organização sobre se subiriam ou não a palco. Após conversa com os 4 "Magníficos do táxi", lá se concluiu que sim, que subiriam, pois auxiliados seriam por um elemento de uma tuna portuguesa que nem sequer iria estar neste certame, fazendo assim a mais compostinha cifra de 5 tunos (4 sul-americanos e um tuga naturalizado à ultima da hora...). E em boa hora assim se decidiu pois, por incrível que possa parecer, nem sequer tocaram ou cantaram mal e muito pelo oposto, animaram o certame sobre maneira; houve quem, com muitos mais em cenário, tocasse e cantasse pior...Não ganharam prémio algum então; mas eles também não vieram cá para isso.....(!!)
Noutra edição, mais rica em orçamento, decidiu-se gravar directamente todo o certame para posterior edição em DVD - o que não ocorreu, depois.. - colocando um autêntico estúdio móvel dentro do Coliseu do Porto, com cameras por todos os lados e mais algum, literalmente, sendo feita a mistura das imagens directamente, ou seja, enquanto as tunas actuavam. Havia, pois, planos picados, contra-picados, desde as galerias, do chão, do próprio palco, planos abertos, planos americanos, enfim, uma produção de nível em termos de imagem e som, como seria de esperar para tal missão.
Obviamente, a organização, então, teve de dar conselhos adicionais às tunas presentes, mais técnicos digamos, de forma a que as próprias tunas não comprometessem a captação quer das imagens quer de som, pondo em risco a qualidade do possível DVD. Coisas simples como alertar p.ex. para o "parlapié" entre os temas tocados, "cacetadas" nos microfones, postura em palco, indumentaria (lá está, lá está..!!!) e outros "pormaiores" que, nestas circunstâncias especiais, se revelavam altamente cirúrgicos e assumiam uma outra dimensão. Até aqui, tudo bem, todas acederam a cumprir com os quesitos de tal empreitada.
Certa Tuna espanhola sobe então a palco - de referir que nesse ano esse mesmo palco era não o original, que tinha ardido uns meses antes, mas sim um outro construído à frente do original, condicionando ainda mais toda a logística e sua gestão, obrigando então a uma produção de palco quase profissional... - e a 1ª coisa que faz, contra tudo o dito antes e assim combinado, é....retirar todos os microfones do lugar - e falo em cerca de 30 ao todo....), arrastando-os para trás, liminarmente, para desespero da organização, técnicos de som e imagem.... Entram em cenário, após esta "cena", cerca de 40 garbosos Tunos e....pasacalles à antiga espanhola, ocupando toda a largura e comprimento do palco, num espectáculo de rara beleza que mais tarde, as imagens captadas comprovaram, algo absolutamente bem feito e de enorme qualidade, sem som como é bom de ver mas audiveis em toda a sala, atónita com tal entrada em palco. Um must que, obviamente, não invalidou o resto: imagens lindissimas e som...péssimo, pois só para afinar novamente os micros foi um autêntico martírio.....
E estava aqui o dia todo nisto, acreditem. Dava um livro, sem problema algum. Tudo isto para dizer que, mesmo com tudo bem organizado, previamente, tudo XPTO, o imprevisto acontece....
Terça-feira, Março 29, 2011
A Aventura do Eticamente Correcto.....
Parece evidente que para lá das habituais regras que balizam a avaliação de um jurado em ambiente de certame competitivo – e já me escuso de comentar que em muitos nem sequer os há, que fará aplicar seja que regra seja …. – haverá que constar, e universalmente para qualquer componente de um Jurado, a existência daquilo que se poderá chamar de ética, que, na sua essência nuclear reporta-se aos actos do ser humano, enquanto ser possuidor de razão. Os actos que são livres e, enquanto tais, "correctos" ou "incorrectos", "justos" ou "injustos" – de um modo mais simples, "bons" ou "maus". Não só cabe esta constatação ao Jurado como antes à própria organização de um qualquer evento competitivo; se não há qualquer sinal ético a montante, não se esperará que haja a jusante.
Como parece evidente, não há postulado regulamentar algum que controle a ética dos componentes de um Jurado, seja em que campo seja e, na estrita esfera de um jurado de certame, não haveria, pois, de ser algo distinto, como facilmente se depreenderá. Muitos certames em Portugal por demissão, por um “quero-lá-saber” ou mesmo incúria, estão-se particularmente nas tintas para a ética – e bem sabemos que em muitos casos as “organizações” só se lembram do Júri na véspera, aparecendo o que se sabe e vai vendo, sabe Deus, Alá ou as sagradas vacas Indianas como e porquê. Se não há ética a organizar, porque carga de água haveria de se esperar a mesma no final das “hostilidades”?
Aliás, a existência de regras e depois a sua pura e dura não aplicação não bastará para conferir ética à suposta competição; de que vale ter regras para depois os papeluchos estarem aos pés do Jurado, deixando-o ao sabor de cada uma das éticas presentes no mesmo? Ora, haver regras não significa, pois, que haja ética em todo o processo, pois se não aplicadas e com ética, de nada valem, será igual a não haver regras. A montra não espelha o armazém, se assim quisermos. Mais adianto, infelizmente, esta situação é o prato do dia.
Mas detenhamo-nos concretamente na questão da ética de um Jurado. A missão por si só é deveras complicada, seja para quem seja mas sempre com o mínimo de ética; só é fácil avaliar outros seres humanos numa de duas circunstâncias: quando não se é eticamente correcto ou então quando se está absolutamente por fora do objecto a avaliar. Não tenho dúvida alguma que para um Presidente de Junta avaliar Tunas é uma espécie de “frete” que, por sê-lo, o faz então com uma perna às costas, não dando importância sequer à missão que detém em mãos. Por isso mesmo é que o “paraquedista” não deve nem pode compor um jurado de um certame de tunas, precisamente porque o assunto lhe é completamente indistinto, logo, indiferente, logo, uma “seca”. Poder-se-ia aludir então – com carácter preventivo - ao seguir das regras tout court mas aqui, nesta circunstância, pedir ao “paraquedista” tal missão é tão perigoso como colocar num salto de para quedas um “caloiro” que apenas teve aulas teóricas de como puxar o fio e nunca entrou dentro de uma avioneta, sequer. Mais uma vez, as regras teóricas não bastam.
Por outro lado – e no campo estrito da ética – um jurado composto por meros interessados na matéria revela-se algo eticamente duvidoso; se nuns casos pode resultar até, noutros oferece sempre uma dúvida à priori, que se mede pela estrita natureza do seu interesse, apenas. Se nunca fez parte, se nunca foi, se nunca esteve, como consegue eticamente gerir a posição de avaliador de alguém que está, é e faz parte? Se num jurado de um concurso de meros talentos diversos se pode ter um humorista, p.ex., já não se me afigura plausível e eticamente correcto numa cultura tão especifica quanto única – que possuí quesitos, dados concretos, DNA, cultura intrínseca - assumir-se tamanha responsabilidade sequer, que fará levar, de ânimo leve, aceitar-se compor um jurado de um certame de tunas. Só a responsabilidade deveria, por pura ética, afastar esta hipótese. Aliás, o ânimo leve com que regulamente se encara esta questão é a antecâmara da mais que provável asneira avaliativa.
Excluo naturalmente – e porque um jurado se quer equilibrado em várias vertentes que são pertinentes à cultura tunante – pessoas qualificadas musical e vocalmente, a par com pessoas do meio e que obviamente, procura tal mescla um upgrade ao aspecto meramente avaliativo. Uma coisa é convidar para um jurado um músico com provas dadas, outra é convidar o carola que é aficionado de tunas e por aí se fica. Sou grande apreciador de comida chinesa mas tal não me qualifica como potencial jurado de um Hell´s Kitchen em versão macaense. Vejo muito futebol mas a UEFA não me atribui a categoria de árbitro por essa razão somente. E como sabemos, um árbitro não é jogador ou treinador. E melhor se percebe que o fervoroso adepto que devora os jogos de todas as Ligas mundiais na televisão não é, por isso, treinador ou jogador de futebol.
No campo oposto, temos a ética a ser ferida de morte quando se convida para jurado alguém que, manifesta e sensatamente, deveria até recusar o mesmo convite, por manifesto decoro e ética, lá está. Já recusei inúmeras vezes compor jurados por manifestamente não ético e até por objecção de consciência e face ao que se me colocou então e caso a caso. Não me parece de todo aceitável que um antigo elemento de uma dada tuna componha um jurado de um certame onde a sua própria tuna está a competir, ainda que tenha feito parte activa da mesma no século passado. Nem coloco em causa a posição do dito cujo, admitindo a sua santidade quase Papal até, antes coloco logo a abrir é toda a credibilidade do evento em si mesmo que, desnecessária e puerilmente (ou até propositadamente…), mostra estar-se nas tintas para a ética daquilo que está a fazer.
Eticamente, um jurado na sua composição deve obedecer às mais elementares regras de bom senso, por evidentes até. A não observância do atrás dito é logo a abrir um atestado de e pelo menos, duvidosa credibilidade e antes disso, de perigosa colocação em causa de todo o evento competitivamente saudável como se pretende, supostamente. Já basta e porque dado incontrolável a própria natureza do ser humano, mesmo daqueles que estão habilitados em razão de matéria para a missão em causa; aliás, é precisamente por isso que o estabelecer de regras e critérios e sua estrita aplicação é importante, para assim reduzir ao máximo possível tudo aquilo que implica a subjectividade e gosto pessoal dos que estão habilitados a compor um jurado de tunas. Ora, se constatando essa natureza humana em pessoas habilitadas à função, naturalmente, imagine-se o que poderá (e ocorre) quando os jurados são compostos por pessoas manifestamente desadequadas e néscias para a mesma. É o potenciar do mais que provável erro elevado ao cubo, basicamente.
Um jurado não existe para penalizar, antes para premiar; não procura o erro, potencia antes o bem-fazer. Eleva o Ser Tuno e não outra coisa qualquer. Patrocina o essencial e descarta o acessório. Glorifica a musica da e na Tuna e não o que anda à volta do que importa realmente. Premeia a audácia com nexo e ignora a invenção arrogantemente contra natura. Todos nós temos algures – tipo a virtude, aquela coisa que está ali no meio mas que ninguém sabe definir em concreto… - uma noção de justiça. A par dessa noção deve existir outra e nestes contextos, o de isenção. Ora, como ninguém detém a exclusividade quer da Justiça, quer da Virtude, quer da Isenção, só resta em consciência reduzir os riscos da falta de todas – algumas ou mesmo até só uma – as características atrás citadas. Daí a importância de regras, acima das Doutas cabecinhas de todos nós, de critérios claros e objectivos tanto quanto possível em arte, aplicar os mesmos com isenção e rigor deixando de lado tanto quanto possível outros factores mais que humanos, até e com tudo isto, assegurar a ética mais do que necessária para a credibilidade de todos nós, ao fim e ao cabo.
Não há nenhum método infalível, que fique bem claro, seja em que tipo de avaliação seja. Aqui não haveria, pois, de ser distinto. Há, claro, injustiças. O que se vê aqui – e ao contrário de outras avaliações nos mais diversos ramos de actividade sejam quais sejam – é precisamente o oposto do que deveria ser: ao invés de refinar-se a base, vê-se é o destruir dos alicerces, ao invés de se ter cuidados preventivos, assistimos antes a cuidados paliativos ou nem isso até (“que se lixe, o importante é curtir!”). Ao invés de se ter regras, critérios e um jurado sério e a sério, não há regra ou critério algum e com jurados tão competentes para a missão como serão competentes os nossos partidos para nos tirar da crise, ou seja, nada. O cenário geral já foi pior, também o sei. Há desde há muito tempo uma pedagogia nesse sentido e que já colheu frutos a bem de todos, o que me congratula. Já há mais espírito crítico face a determinadas “coisas” que ocorrem amiúde. Já se vê certames “à rasca” com a argolada que meteram um dia. Mas também há ainda muita “tragicomédia” pré-anunciada. Eticamente desnecessária. Que só implica os promotores da mesma.
Toda esta “conversa em família” apenas visa quem se põe a organizar, não mais ninguém. É na raiz das coisas que a mesma conversa faz sentido. Porque, para os outros, é e será sempre subjectivo, isto ou aquilo, é da natureza humana, lá está. Fica ao sabor da ética ou falta dela de cada um de nós. Portanto, despiciente. Já todos nós fomos vitimas e beneficiados pela tal falta de ética. O que todos nós sabemos também é que quando a ética impera de base, diminui-se largamente as probabilidades de erro. E ao fazê-lo, é toda esta cultura que ganha com isso, não somente quem esteve ali, naquele evento, naquele fim-de-semana. Como o contrário sucede, quando alguém resolve “inventar” ou então nem isso por manifesta demissão face ao assunto, quem fica a perder somos todos nós, é a Tuna. Parece-me evidente que se a malta não se dá ao respeito, logicamente continuaremos a ser vistos de esguelha. Pode parecer um exagero meu e neste contexto. Mas à Mulher de César não basta parecer….
Post Scriptum: Numa altura do ano em que a nossa sazonalidade nos indica estarmos no meio do turbilhão festivaleiro, deixo o apelo derradeiro: Há material mais do que suficiente, publicado em vários locais na Internet, que auxiliam quem se propõe aventurar-se nestas coisas. Mas atenção, de nada vale o mesmo se, depois, ou se esquece dos papeis ou então se colocam taxistas e jardineiros a avaliar tunas....
Segunda-feira, Março 21, 2011
A Aventura do "Erro de Percepção...."
Um orgão de informação informa. Parece estúpido dizer, até, o óbvio. Mais ainda, informa quando a informação vem "de lá para cá", ou seja, de fora para dentro (pode ser também informação de cá para lá ou seja, feita por quem cabe informar). Cabe confirmar as fontes em caso de dúvida nas mesmas - anonimato, boato, etc - ou então, partindo do pressuposto da idoneidade de quem nos envia uma notícia - um Magister em nome da sua Tuna teoricamente merece idoneidade, p.ex., e até prova em oposto. Parte-se, portanto, de um principio de boa fé, deixando que os outros informem e usem os meios que têm à sua disposição para informar. Caso essa informação esteja errada ou levante dúvidas, caberá a quem de direito exercer o respectivo contraditório, o que é mais do que normal, até louvável que assim seja, a bem da verdade. Se quem informa desatar a pôr em causa a idoneidade de tudo e todos, mais não lhe resta do que deixar de informar, dando por impossivel essa mesma missão. Até aqui, parece óbvia a constatação.
O "problema" começa quando alguém, não gostando do que lê, desata a pôr em causa o mensageiro ao invés de exercer o tal contraditório, pondo o outro lado da moeda à mostra sobre o tema em questão. E aqui, meus amigos, a coisa muda automaticamente de figurino. Pior será quando alguém - independentemente de ter e quanto à questão substantiva, razão ou não - vem sugerir a quem informa que "deve retirar a notícia" e sugerir audazmente que quem informou deve "banir o autor da sua base de dados de utilizador". Não, não me apetece sequer desatar a cantar "kirikirikirikiriki" de megafone em riste, de todo. O assunto é mais sério do que isso.
Por momentos, senti-me um cidadão libio natural de Benghazi, confesso. Algo se está a passar mas para todo e qualquer efeito, a versão que vale pró mundo exterior é o do Kadhafi porque os outros são da Al Qaeda, meia duzia só e está tudo bem porque o povo é feliz e sereno! Aqui, quem vale à verdade? O videofone do reporter, a internet? Ou o canal estatal do Kadhafi? Se algo se passa e "não bate certo", o que vale mais, o contraditório ou um mero diktat em sentido único? Como é que a malta cá fora sabe que, hoje, na Libia, anda tudo ao estalo? E porque andam ao estalo? O mensageiro é outra vez o gajo que fica mal na fotografia ou, afinal, há mesmo algo a contar cá prá fora? A quem interessa, em suma, não se contarem as estórias tal qual elas são?
Bem sei que, por vezes, a bem da nação, mais vale estar sossegado, de forma a não amplificar algo que tem um valor residual e que, por força dessa amplificação, pode ganhar outra dimensão, desmesurada até, face ao assunto substantivo. Nem se trata, aqui, de constatar o óbvio: as comadres zangam-se, logo, isso só interessa à familia das comadres. O problema é quando a comadre Maria abre o livro publicamente e a comadre Manela, ao invés de dizer de sua justiça pelos mesmos meios (pode também estar calada, lá isso pode...) vai ter com o carteiro e diz-lhe "tire a carta que a Maria pendurou na porta da Junta de Freguesia e saque-lhe o Cartão do Cidadão, tá?".
Ainda há, concluí-se, quem, das duas uma, ou se ache o Kadhafi (e aí meus amigos, problema do mesmo...) ou então não perceba patavina como funciona uma sociedade actual, que se quer informada e formada, dirimindo com elevação, educação e até alguma ciência, diria, o contraditório, de forma a que todos (já que instados a tal) possam perceber e concluir por si mesmos e não a concluir unilateralmente algo que alguém quer forçosamente que os outros concluam, sonegando-lhes a hipotese de pensarem sobre todas as vertentes da questão em jogo.
Um orgão de informação que se preze não pactua, de todo, com tal "erro de percepção" e por duas razões: porque não pode e depois porque, se porventura o fizesse, deixaria automaticamente de ser um orgão de informação e estaria, por isso, a soldo de alguém. Constato, nos dias de hoje, haver quem não saiba lidar de facto com o contraditório, preferindo a tentativa (goradíssima!) de calar terceiros. Ora, não vivendo nós na Libia ou na Coreia do Norte, não percebo sequer como é que ainda há alguém que ache que, lunaticamente, possa impedir, condicionar, castrar, sonegar informação. Note-se, até pode estar errada a mesma mas não é impedindo-a de chegar que ela se confirma como falsa ou verosimel. Aliás, pela lógica, se alguém a quer impedir de chegar ao destino será porque então tem interesse objectivo em que a mesma não se conheça. Ora, daqui em diante estamos conversados.
Tudo isto seria cómico se não se tratasse de universitários e tunos. Parece que, afinal, os bota-de-elástico saudosistas da opinião única não são somente da geração dos nossos pais e avós. E isto é algo preocupante. Não pelo que estes pretendem (tiro à agua!) mas essencialmente por provar uma certa forma de estar em que este pequeno grande mundinho das tunas nacionais se encontra.....sinceramente, quero acreditar que é erro de percepção. Se não for, é-me igual, admito...
Sexta-feira, Março 18, 2011
A Aventura do "Parente Pobre"...
Bom, maiores no que toca ao sentimento, contexto e tradição, porque quando toca ao negócio das barraquinhas de comes & bebes (mais bebes do que comes...) aí o caso não é maior, é industrial. Seria, por isso, bem interessante correr o país associativo todo para se perceber de que números estamos a falar. E ao percebe-los, perceber por que raio se tratam as tunas ao pontapé, nesta parentalidade pobre, em plena época onde, supostamente, deveriam ser um dos parentes ricos no processo.
Evidentemente que todos sabemos que os Xutos e Quim Barreiros dão muito mais lucro do que "aturar" a malta das tunas (curioso, quando lá vai o P.R. em visita oficial aí já não "aturam", passam a mão pelas costinhas ...) que, pasme-se, até nem é exigente (deveriam algumas fazer como os Los Sabandeños, pelo menos levavam uma "nega" mas com classe...) pois não pede cachet, alojamento em hotel 5 stars, camarins, umas quantas grouppies, duas ou três "Vitos" para transporte até ao local do espectáculo e umas quantas garrafas de Moet & Chandon. Quando a malta das tunas pede o minimo dos mínimos exigivel, Aqui D´El Rey "que estes gajos têm a mania que são artistas!!" and so on....
Sou-vos muito franco: Mandava-os todos àquela parte mas o ano inteiro. De uma ponta à outra, sem qualquer tipo de patuá sequer. Curto e grosso. É que nem perdia mais tempo, sequer. Quando se ganham verdadeiras fortunas à custa da tradição e das Queimas e blá blá blá com autênticos monopólios comerciais nem sequer, quanto a mim, perderia tempo a atura-los. Por estas e por outras é que o caminho, nas tunas, é cada vez mais de autêntica separação face a qualquer estrutura, seja ela qual seja, livres da mera ideia sequer de dependência à luz do que quer que seja. O caminho é para ser seguido sozinho, mesmo que isso custe ir-se ganhar dinheiro com actuações ao invés de se esperar pelos míseros trocos que alguns, diligentemente, vão dando aqui e ali para enganar o lorpa. Nada como ser-se independente, seja de quem seja.
Tunas que alinhem nessa dependência são como os putos das "Jotas" que abanam a bandeirinha em dia de campanha eleitoral: Tão lá para embelezar o boneco e no fim, Sumol e sandes de fiambre para todos (quando há...) e ...tá pago! Irritam-me solenemente os putativos candidatos a Secretários de Estado do ano 2020 acharem que estão a lidar com chavalada; pior é quando a chavalada se porta como tal, ao invés de se comportar à altura do que são: Tunas.
Terça-feira, Março 15, 2011
A Aventura da Investigação....
Por oposição, a asneira, invenção de ¾ de mês e calinada monumental abunda como areia na praia, ou seja, é maior em quantidade. Para “ajudar” à “festa”, 99% das mesmas é precisamente emanada por tunas, o que por si só torna ainda mais densa a investigação, porque obriga, desde logo, a uma redobrada atenção por parte de quem investiga – diferente daquele que somente lê ou copia simplesmente.
E o copiar – copy/paste em linguagem actual – é o 2º cancro que ataca a investigação sobre o fenómeno da tuna estudantil portuguesa, primeiro, porque a copia é desprovida de qualquer sentido critico, logo, passível de expandir o erro ao limite mais incomensurável possível, que será e no caso, a transformação de uma mentira repetida vezes sem conta numa…”verdade”. Posso-vos adiantar que o atrás dito foi o “prato do dia” na investigação que fiz juntamente com mais 3 “mosqueteiros” bem mais habilitados que eu para estas andanças do “esgravatar” da memória.
Obviamente que perante este cenário, andar atrás da verdade sobre tunas foi – e é – quase como tentar caminhar sobre as águas: à 1ª distracção afundamo-nos a pique, qual “Titanic”, sem apelo nem agravo. Daí o particular cuidado de que se reveste o estudo da tuna estudantil portuguesa, que tem em Espanha muito mais informação catalogada devidamente do que no nosso próprio país, por incrível que possa parecer. A fustração do investigador resume-se em alguns episódios verídicos como p.ex. sentar-se numa biblioteca municipal toda uma tarde e dela recolher apenas um documento minimamente plausível. Em contrapartida, a “festa” do investigador é quando sucede o oposto, ou seja, indo a um local onde supostamente não seria expectável descobrir nada de particularmente entusiasmante e, touché, eis que surge ouro na peneira….
Daí esta “Aventura”, porque provavelmente quem se presta a este tipo de trabalho está nos antípodas da exposição mediática do palco em noite de festival de tunas. É um trabalho que actualmente pouca gente ligada ao meio das tunas valorizará, até por falta de algo igual ou parecido, até aos dias de hoje. Não existe, pois, a cultura da cultura, passou a redundância, no que se reporta á defesa e preservação da nossa, no caso, cultura tuneril. Espero e desejo que não sejam estes tunos armados em investigadores vistos como uma espécie de nerds cá do sítio. Porque não o são, de todo. São iguais a todos vós, apenas com um senão a par de uma predisposição: são curiosos e por isso, persistentes. Não esperam deferência, apenas respeito.
E se há algo que pessoalmente, abomino, é gente que não sabe e não quer saber a tentar "gozar" com aqueles que realmente sabem somente...porque sabem, como se o saber por si só fosse alguma doença infecto-contagiosa e a ignorância uma prevalência. Aliás, esta inversão total da lógica é uma das principais razões - a par da famosa dôr-de-coto - para que este país esteja no estado em que está....
SMS do dia...
E pronto, that´s it. Algum dia teria de ser. Doravante será diferente mas também gratificante.
A malta vê-se por aí e eu continuo por aqui, nas minhas - e nossas, espero - "Aventuras".....
Terça-feira, Março 08, 2011
A Aventura do Census Festivaleiro....
Estamos em ano de contagens de âmbito nacional, como saberão, procurando tirar com tal o retrato social do nosso país e no caso. Aproveitando essa embalagem, o "Aventuras" - e seguindo a tendência de uma "Aventura" recente - analisa de seguida o actual panorama relativo a eventos de tunas, com base na mais que fiável agenda que o PortugalTunas nos oferece e desde sempre.
Por partes então:
1º) Até ao presente dia, estão agendados 45 eventos de tunas e até ao final do ano civil, partindo do pressuposto que este numero falha por defeito, pois os eventos são cada vez mais agendados perto da data da sua realização, faltando, por isso - e vendo a fonte acima - alguns eventos que se realizam por hábito e anualmente.
2º) Destes 45 eventos acima agendados, apenas 2 o estão para lá do Verão, ou seja, no próximo ano lectivo; assim, concluí-se que 43 eventos - e pelo menos - se realizarão entre Março e Maio.
3º) Destes 43, cerca de 22 são eventos de Tunas, sendo que os de tunas femininas e de tunas mistas praticamente detêm, cada expressão, metade dos restantes eventos. Os eventos de tunas mistas ocorrem praticamente todos a sul do Mondego.
4º) Só na zona de Lisboa, temos e pelo menos, 9 eventos. No Porto, 11. Faro, Figueira e Viseu com dois eventos agendados. Os restantes espalham-se pela geografia nacional.
5º) Destes 45, 43 são festivais competitivos. Destes 45, cerca de 15 têm 10 ou mais edições realizadas sucessiva e anualmente. Os restantes têm menos de dez edições.
Faltam, ainda, em agenda, vários eventos que sabemos ocorrerem anualmente, o que obviamente, inflacionará o nº acima de agendamentos, para lá de - e com quase toda a certeza - amplificarem as conclusões retiradas acima, não alterando em muito o panorama actual.
O que se pode concluír? Continua a ser o Festival competitivo a opção 1ª quanto à realização de eventos, concentrados nas duas maiores cidades do país a par de uma descentralização que é cada vez mais identificável e circunscrita, onde os eventos de tunas femininas e de tunas mistas são mais do que eram até há uns anos atrás, com uma forte prevalência de certames relativamente novos a serem organizados face aos mais "jurássicos" com dez ou mais edições, concentrados cada vez mais no trimestre Março a Maio.
Qvis Jvris?
SMS do dia....
"Notas & Melodias", esse retiro retemperador é mesmo só isso ou vem aí uma "revolução" com mais e melhor para nos oferecer?? Estamos à espera! Já agora, "Tunos & Tunas", para quando mais algumas das vossas excelentes reflexões?
Abraços!
Terça-feira, Março 01, 2011
A Aventura do Carrocel......
Antes de tudo o mais, devo dizer claramente que acho em absoluto rigor, algo absolutamente natural; afinal, trata-se de uma forma de agir perfeitamente legítima e que, até, no nosso dia-a-dia social acaba por ser prática comum (jantares, visitas, etc). Portanto, nada de estranho ou fantástico sequer. Trata-se apenas - e falando de tunas agora - de uma forma, como outra qualquer, de convidar X ou Y. Perfeitamente natural.
No entanto, essa naturalidade mais do que legitima, até, pode ser algo perniciosa pelo simples facto de - inconscientemente ou conscientemente, sempre casuístico - tornar refens os seus intervenientes de uma dada lógica, retirando a dado passo a noção de cortesia e retribuição e substituíndo-a por outra, que se pode resumir a uma espécie de "obrigação" ou "inevitabilidade"; regra geral, a cortesia da retribuição é perfeitamente sustentável, explicável e até facilitadora na organização de um evento; a prazo pode-se assistir a autênticos casos de "Sindrome de Estocolmo mas-ao-contrário" ou, se preferirem, a uma espécie de conforto mútuo: é sempre mais "quentinho" saber que se conta com os habituais A, B e C do costume do que "arriscar" a mudar, de ano para ano, cerca de 90% das tunas presentes. Já nem sequer abordo a legitima e tradicional clausula regulamentar que nos indica, em N eventos, que "a Tuna vencedora desta edição está automaticamente convidada para a próxima".
Nem só se suporta esta noção em razões meramente de cortesia ou conforto, casos há que até por razões económicas e/ou outras até, se assiste a este carrocel; aí, caberá aos intervenientes a explicação para tal e caso a caso, seguramente. Não menos certa será a noção - derivada da anterior - que, em muitos eventos, se repetem ano após ano, o grosso da coluna dos participantes, mudando-se uma ou duas aqui e ali e pouco mais.
Certo, certo é que, e pela óptica do utilizador, a repetição constante de cartazes ano após ano é, no minimo, estranha e até, em alguns casos, caricata. Provavelmente para uma qualquer pessoa que, fugazmente, assiste a um dado certame, nem se apercebe de tal. Outros haverão que, espectadores regulares, apercebem-se disso mesmo, ainda que no final todos saiam contentes - espera-se - com o espectáculo. Não menos errada será a noção de que, para os aficionados que conhecem o meio e vêm vários eventos, já lhes bastará a não renovação de reportórios, que fará serem sempre as mesmas ano após ano. Bom, dirá o organizador: "desde que a casa encha....". Perspectiva legitima. Tão legitima quanto a constatação da repetição, vamos convir. Ás tantas, concluí-se que a legitimidade e direito inalienável do organizador poderá ser, a prazo, uma das causas para que 1º) outros eventos ganhem maior destaque e interesse face ao seu e 2º) uma das causas principais para a emergência do desinteresse em torno do seu próprio evento por parte do público, mesmo sendo o "seu" público.
Que não seja mal interpretado: Em casa de cada um mandam os seus, como é óbvio e desejável que assim ocorra. Nem sequer se trata de beliscar esse direito inalienável. De todo. Acho muito bem que assim seja, eu próprio assim procedi quando fiz parte de várias organizações. Acontece que também sei e por experiência própria que muitas vezes escolher pode ser algo tão fácil - basta repetir - quanto dramático - basta variar. E variar implica escolhas, não inevitabilidades. Variar implica noção de timing, noção maior de evento, de espectáculo, de risco até, de alguma imprevisibilidade que só o conforto do óbvio e repetido retira - retirará, pergunto??? - ainda assim. Também sei - sabemos - que muito do óbvio ocorre por razões variadas, algumas até que nos levariam a outra "Aventura" bem mais picante e/ou polémica. Mas no que respeita ao essencial da questão, à base da mesma, aqui só há uma coisa a reflectir sobre: o evento de tunas é feito para público ver ou para tunas se espelharem entre si?
Repito, percebo, entendo e acho natural a cortesia da retribuição. Que fique bem claro. Mas depois de retribuida a cortesia, dever-se-ia - questiono - dar por finalizada a obrigação social ou, então, concluir que de cortesia em cortesia só muda a data e o local, constatando-se quase haver, ao fim e ao cabo, um mesmo certame mas várias vezes ao ano e rodando por vários locais? Bem sei que muitos dirão que quem organiza - pois há quem não o faça por variadas questões que também darão uma outra "Aventura" a seu tempo - tem um ascendente precisamente por força dessa disponibilidade, investimento e risco até. Entendo, também já fui, como disse antes, organizador. Mas curiosamente, constata-se que nem esse preceito é linear, muito pelo contrário, se repararem bem e olhando com olhos de ver. Ou seja, por aí, não se acha uma pretensa lógica, sequer; tunas há que não conseguem retribuir essa cortesia, sequer, mas mesmo assim, estão lá, por outras razões, a começar desde logo pela validade dos seus trabalhos. Qvid Jvris?
Não me alongarei mais sobre isto, termino dizendo o que francamente entendo sobre a questão nuclear: Falta clara e objectiva de certame de tunas enquanto noção de espectáculo, de evento com E grande, virado para o interesse maior do público. Por oposição, excesso de situacionismo, prevalência de facilitismo, medo do risco que organizar grande eventos de facto implica sempre, numa noção pouco ambiciosa de capelinha, de quinta, de coutada particular para caça associativa no deleite do proprietário só e apenas. Ou seja, a diferença simétrica entre uma Gala de Natal da TVI e os Óscares.
O carrocel está prestes a reiniciar-se, como todos sabemos. Legitimo, repito novamente. Mas também estão prestes a iniciar-se outros eventos, com clara noção de espectáculo, de evento, para o público essencialmente. Curioso, todos falam no público no final dos certames; poucos são os que se preocupam com o público de facto antes de ocorrerem. Cada um saberá, seguramente, de si. Sempre fui um acérrimo defensor da segmentação de mercado, logo, basta tal noção para que se perceba a questão de fundo.....