Segunda-feira, Abril 25, 2011
A Aventura do "Eu cá sou bom, sou muito bom....."
Domingo, Abril 17, 2011
A Aventura da muita "Cagança" e da pouca "Pujança"...
Já lá dita o F.R.Á, a paginas tantas, aquela frase quase dogmática que nos indica "e com toda a cagança e toda a pujança...", uma mistura de politica de intervenção do PREC tuneril com imagem de marca, que fica(va) sempre bem no final das actuações dos agrupamentos de indole tunante estudantil....
Bom, em claro rigor, lá cagança sempre houve e em doses para lá de imensas, para dar e vender, para alugar ou arrendar - consoante fosse bem movel ou imóvel ... - e até provavelmente em leasing, quiçá; a cagança está para a tuna estudantil como a bola para um jogo de futebol, sem ela nada feito, concluí-se. A bem dizer, a culpa tem 25 anos grosso modo. Há que o reconhecer.
O problema mora portanto, na pujança, ou melhor, na falta dela, aliada à acima transcrita cagança; parece agora inversamente proporcional, regra geral. Apela-se a tudo menos à real característica que deve presidir a qualquer tuna dita desse nome. A pujança esvai-se a cada nota, regra geral, tornando a coisa mais engraçada pelas tais doses de imensa cagança, compensando a competência musical com a famosa ilusão de óptica que a imensa cagança proporciona. Note-se que de forma algum renego a natureza dita "académica" - e sobre isso já discorri aqui, há academices e academices - no entanto, montada nesta muita coisa salta cá para fora como muito animada mas pouco competente. O espantoso será, ao fim de cerca de 25 anos, ainda haver quem, pasme-se, montado na cagança ache que a pujança é pura e simplesmente dispensável, ou seja, basta ter-se imensa piada lá em cima com academices de carácter genérico e tá feito, independemente do que se toca e de como se toca.
A cagança não pressupõe competência, a ninguém. Já a pujança pode incluir alguma cagança, preferenciarmente quando esta aparece em quem mostra pujança. Se é pujante pode-se dar ao luxo de ser cagante, vá. O oposto é que já não, cagança a mais não reproduz pujança alguma, antes denota outras coisas como truque, ilusão de óptica e afins, nos quais apenas caí ou quem quer ou quem é néscio nestas matérias.
Seria preferivel haver mais cuidado com a pujança e menos com a cagança. A Tuna não é palco para Stand Up Comedy e sem prejuizo dela existir e muito bem. Apenas pressupõe que haja tanta qualidade pelo menos na cagança como na pujança. Se se vai ver tunas não se vai escutar aquelas musicas engraçadas no meio das anedotas contadas pelo animador de serviço, é ao contrário, a primazia é da música, não dos chistes e afins, para não dizer outras paródias do género ou pior.
Gosto de uma boa cagança, gosto. Se depois vir a mesma pujança. Caso oposto, sinto-me enganado, sou sincero. Ja lá diz a lenga lenga " e com toda a pujança e com toda a cagança..."; ora, toda para um lado e toda para outro. Acontece é que ultimamente vejo muita cagança mas depois.......mais nada.
Sábado, Abril 16, 2011
A Aventura das Duas Décadas....
Evidentemente que a ressurreição - (resurrectione), grego (a·ná·sta·sis). Significa literalmente "levantar; erguer" - tem sempre o seu quê de misto de nostalgia com esperança nos tempos vindouros. Afinal, celebrar duas décadas de existência é algo que não acontece todos os dias numa Tuna portuguesa, hoje em dia. Mais para mais quando dessas duas décadas delas fiz parte activa década e meia. Não é, por isso, coisa banal, seguramente.
Mormente passos anteriores mais penosos e outros mais gratificantes - afinal, normal em duas décadas de existência - configuraram estas celebrações humildes, muito introspectivas, sem grande pompa e menos circunstância ainda ( e ainda bem!) um aferir de algo obvio: Valeu a pena. Seguramente que então, recuando duas décadas, ninguém se atreveria - para lá do mero desejo em si mesmo - a vaticinar fosse o que fosse; afinal, o caminho faz-se caminhando. Foi isso que, durante esta semana de comemorações "caseiras" e humildes ficou dado à estampa. Dizia-se então em idos que os nossos filhos um dia nos iriam julgar pelo que fizemos então. Hoje, constata-se que poderão os nossos rebentos alegremente constatar que deixamos algo, uma semente, um legado, e que dele façam o que bem entenderem quem hoje por lá anda, como nós um dia andamos.
Mais pedra menos pedra no caminho, fomos todos nós com elas construíndo um belo castelo. Para lá do som que se ouve, da forma de estar, da postura, de tudo, o castelo está lá. Sólido. O legado também é pesado, vamos convir. Responsabilizante. E vi agora que para lá do peso, sabe-se lidar com ele, afinal, à maneira de hoje mas sabe-se. Se lá estivesse hoje provavelmente não faria assim aqui e ali. Mas percebo e entendo e até incentivo que façam como estão a fazer. Afinal, eles têm também o seu caminho a percorrer, às suas custas, sem caganças do passado para cavalgar, passado esse que eles, afinal, não viveram. Ou seja, só faz sentido o legado, o passar do testemunho, quando ele é efectivamente transmitido e não assumido de treta e de parlapié bonito e institucionalmente musculado para terceiros ouvirem e medirem.
Gostei. Principalmente pelo caminho deles ser mesmo deles - e não o meu ou o daquele meu companheiro ou do outro de idos de 1990. Acho muito bem que hoje olhem para nós com deferência e respeito e não com subserviência ou como se fossemos reliquias sagradas. Sabem qual a História e procuram, à maneira deles, honrar a mesma mas sempre à maneira deles. E fazem-no muito bem. É a diferença real em honrar a História que eles não fizeram - mas em contraponto procurando viver e fazer a sua própria e cavalgar a História pura e duramente como se dela, hoje, os que lá estão, tivessem tido alguma responsabilidade efectiva. Em suma, honram a mesma procurando eles mesmos fazer mais e mais História.
Gostei. Às vezes, as grandes instituições precisam de se procurar a si mesmas. Acho que estas duas décadas mostram isso mesmo, de forma descomplexada, natural e assumida. Comemorar duas décadas de actividade ininterrupta é, mais do que a efeméride em si mesma, uma completa ressurreição e no caso. E assim, sim. Por mais tortuoso ou fácil que o mesmo caminho tenha sido de então para cá. Faz parte do show.....
Sexta-feira, Abril 08, 2011
A Aventura da Disciplina e da Representação...
Não, não é uma "Aventura" sobre Teatro, de todo. Adiante:
Entendo – sempre entendi, aliás, – a disciplina de grupo como algo que funciona de duas formas: devemos servir a disciplina e ela a nós. Ou seja, a procura cega de cumprimento de regras e normativos internos – no caso, de uma tuna – pode ser meio caminho andado para o efeito precisamente oposto. Já o cumprimento das regras e normativos de forma a gerir paulatinamente o desenrolar do grupo parece-me mais interessante. Aqui, como disciplinador que sou e sempre fui, posso dizer com toda a clareza e frontalidade que já fui alvo precisamente da mesma, em situações muito pontuais e que, lá está, corroboram a tal noção da disciplina a servir-nos. Não acredito – porque nunca acreditei – que a falta de disciplina de um grupo tenha uma única coisa que seja de positiva. Obviamente que por isso sou um disciplinador por natureza, interna e externamente.
Evidente que, dito isto, há duas coisas a verificar desde logo quando esse grupo regrado – com regras, portanto – interage fora do seu seio: Ou espelha a sua disciplina interna fora do seu grupo também (e interligadas estão, obviamente, as duas vertentes) ou então temos o binómio “virtudes privadas-vicios públicos”, ou seja, dentro do grupo tudo muito bem mas fora dele aquando da sua representação, tudo muito mal, um fartar vilanagem, não se observando a prática interna e sua disciplina. Ora, sendo a disciplina um reflexo da aplicação das regras internas, não deixa de ser algo paradoxal que, estando fora do seu seio interno, as mesmas não sejam observadas perante terceiros.
Agora, daquilo a que se convencionou chamar “representação” de um grupo, quando começa e termina a mesma:
A jurisprudência tuneril portuguesa nesta matéria – e não cabe agora discutir se bem ou mal – indica-nos claramente que a mesma começa quando devidamente trajados e com o símbolo ao peito da instituição onde estamos. Sem prejuízos de normativos internos que especificam claramente quem, quando, como e porquê essa representação se dá, por via de regra e aos olhos de terceiros a prática instituída do envergar do traje e seu símbolo aposto na Capa bastará para lhe conferir de imediato – excepto se claramente dito antes o oposto por quem e a quem de direito, o que na prática não vislumbro como, note-se – o estar em representação de. Como disse antes, não discuto se bem ou mal, mas é efectivamente – como me parece mais do que pacífico – que assim é. Será, em suma, Direito Consuetunidário de âmbito tuneril, no caso.
Se reparamos, ao não ser assim, terá então o comum mortal a opção de 1º) não se apresentar trajado ou 2º) ir trajado mas ocultando o símbolo então da instituição a que pertence. Ao não o fazer, está implicitamente a dizer a todo e qualquer terceiro que está na qualidade representativa em sentido lato do grupo ao qual pertence. Poderá, note-se, não o estar de forma oficiosa, oficial ou até delegada e/ou autorizada, como disse anteriormente, cada grupo terá os seus normativos quanto à noção de representação – e aí cabe ao mesmo decidir sobre a matéria e de forma soberana, logicamente.
Ou seja, a prática comum dita a “lei”, porque sempre aceite por todos que tal assim é e significa. Como é banalmente aceite que todo o individuo - que não atleta - vestido com a camisola do Barcelona é presumivelmente seu adepto, associando de imediato aos olhos de terceiros a relação existente, que é representar em sentido lato o Barcelona mas não de forma oficial e oficiosa o mesmo clube, como é bom de ver. Ou seja, os actos do adepto não vinculam legalmente a instituição da qual é adepto/associado mas por outro lado, os mesmos actos associam-se de forma indelével à instituição que defende. Porque óbvio e não carecendo de contraditório, avançemos.
Não se trata, portanto, da visão legalista tout court mas antes a visão que associa de forma evidente a instituição a determinado individuo. Só assim se compreende que, e num absurdo extremado, um adepto do Real Madrid vista a camisola do Barcelona, arremesse pedras ao autocarro do seu próprio clube mas que, aos olhos de terceiros, tenha sido um adepto do Barcelona a fazer tal. Ou seja, serve à noção de representação, sempre e em qualquer circunstância, a evidente associação que outros fazem entre determinado indivíduo e os símbolos que enverga, porta, carrega, mostra, ostenta. Nihil obstat . Ora, felizmente que, em tunas, ainda não se chegou a tanto, mormente a profusão de símbolos nas Capas de muitos, que poderá induzir em erro, até, nessa mesma associação.
Dito isto, quando termina então a dita representação lata da instituição a que um individuo pertence, partindo do pressuposto que ostenta o símbolo da sua intituição devidamente trajado? Termina quando termina o acto onde está presente? Termina quando chega a casa e se destraja? Termina quando ele bem entender, numa subjectividade colossalmente pertinente em razão de matéria, assunto e local?
A resposta à questão acima é só uma: Termina, sintomaticamente, quando o individuo quiser, como facilmente se depreenderá. O que desde logo, assumindo que tal final de representação ocorre em X momento, tal é a prova cabal de que essa representação em sentido lato existe, então; Ninguém termina algo que não começa. Ou seja, se alguém decide a dado momento que a representação termina está obviamente a assumir que a mesma representação então existiu, começou, continuou e assim terminou a dado tempo. Nem La Palisse diria melhor. O que nos leva a outra pergunta pertinente: Assim sendo, se subjectivamente cada individuo termina a sua representação quando bem entender, onde começa então a responsabilidade da sua instituição e termina a do individuo e vice-versa? Não haverá, nesta subjectividade, uma zona cinzenta, uma zona desmilitarizada, um Paralelo 38 onde ninguém representa nada nem nada é representado, com tudo o que isso significa? Não será algo perigoso escolher-se esse campo de ninguém de forma absolutamente arbitrária e pelo próprio interessado na matéria?
Não cabe, pois, na cabeça de ninguém na sua plenitude mental que, ao sair-se de casa orgulhosamente trajado e com o símbolo da sua instituição na Capa apenso e visivel aos olhos de terceiros está, em sentido lato, em não representação da mesma instituição. Se assim fosse, não se trajaria ou, fazendo-o, colocava a sua Capa de forma neutral, tão simples quanto isso. Ora, quem assume essa associação está obviamente a atravessar-se e a atravessar a sua intituição. Nada de mais simples por óbvio. O orgulho em se assumir publicamente os simbolos da sua instituição é directamente proporcional à responsabilidade em os carregar quer perante os seus, quer perante os outros.
Naturalmente que essa representação em sentido lato obedecerá, por regra, à noção de disciplina interna de um grupo. Há normas especificas para tal, em toda e qualquer instituição que se diz e quer respeitável e por isso, respeitada por terceiros. Nestas instituições regradas - assumindo que as há não regradas ou pior, nem sequer se preocupam com estas questões - esses normativos estão directamente entroncados com a noção de representação quer interna - caloiros assim, tunos asado, veteranos frito e assim sucessivamente - quer externamente à sua instituição. Ou seja, há uma relação entre a norma disciplinar interna e a representação de todo e qualquer dos seus componentes, esteja cada um deles na qualidade que estiver. Sumariamente, a representação de uma instituição está vinculada à disciplina interna da mesma.
Aos olhos de terceiros, parece por tal lógico afirmar que todo e qualquer estando trajado e com o simbolo apenso da sua instituição na Capa e em situação pública está a representar essa mesma instituição de uma forma geral, lata e abstracta. Aos olhos de terceiros, não lhes cabe aferir ou deixar de aferir se o mesmo individuo é mero adepto, simples componente, director de balneário ou Presidente do clube. É, para terceiros, tudo a mesma coisa. Os terceiros não têm de adivinhar, saber ou presumir sequer que essa representação do individuo X termina às zero horas do dia xpto, qual Cinderela, transformando-se daí em diante no Quim Manel. É precisamente por essa razão que existem os tais normativos de disciplina interna da instituição, a quem lhe cabe aferir -se assim o entender - como, quando e porquê o mesmo Quim Manel resolveu, arbitrariamente, deixar de representar a sua intituição e passar, em cima da sua charrete-abóbora, a ser o mero Quim Manel. Para todos os outros, passa-lhe completamente ao lado tal questão interna dessa instituição, será bom de ver; caso oposto, os terceiros estariam a imiscuir-se na disciplina interna e forma de representação de outros, o que não é todo lógico por inadmissivel até.
Tal assume importância quando confrontados, sistematicamente - e já dou de barato a profusão de trajares e simbolos em capas a parecer um exame de Código da estrada e afins... - com a mais que natural, porque jovial, "cagança" e orgulho em se polir o simbolo da instituição de forma pública. Provavelmente porque tudo corre lindamente, estas questões são, digamos, naturais e não carecem de reflexão como a presente. Acontece é que, felizmente, alturas há em que esta reflexão assume toda a pertinência. Chegados aqui, algo teremos a concluir, seguramente.
Assim, surge a 1ª conclusão: A disciplina interna de um grupo está directamente relacionada com a representação dessa mesma instituição mesmo que em sentido lato, abstracto e universal. Sendo um instituição regrada, mais não lhe resta que assumir de forma pacífica por óbvia que a representação em sentido lato bem como a representação institucional obedece a regras internas que procuram, com as mesmas, assegurar a imagem pública e privada dessa mesma instituição. Tudo o resto são questões paralelas à questão principal, devendo ser tratadas precisamente no âmbito restricto dessa mesma instituição. Nada de mais óbvio.
A 2ª conclusão: Se o adepto do Barcelona atira uma pedra ao autocarro do Real Madrid que passa na Cibeles em noite de derby, parece óbvio que nem sequer qualquer outro adepto do Barcelona presente e por tal, assistente presencial do acto, irá negar tal, mesmo que alegando que a 1ª pedra partiu do interior do autocarro do Real Madrid. Em suma, quem fica mal no momento é a instituição Barcelona, ponto período, por muito que se prove até a legitima defesa, protecção própria e defesa da honra. Não discuto se está certo ou errado, repito; constato o que é evidente apenas. Mais não resta ao Quim Manel que se defenda enquanto individuo que é, pois não estou a ver o Barcelona a pagar custas de advogado e afins por cada adepto do clube que atire pedras a autocarros de adversários.
A 3ª conclusão: Se cada instituição regrada, respeitável e respeitada, por oposição, assumisse por ridiculo a defesa do Quim Manel e da sua pedrada ao autocarro do Real Madrid, está então por força da lógica a assumir implicitamente a representação do mesmo adepto mas agora de facto, caso oposto, não teria de o fazer. Ou seja, fazendo essa defesa está a dizer que afinal, o Quim Manel não estava a titulo meramente pessoal a atirar pedras; ninguém defende publicamente alguém sem que haja entre a defesa e o defendido alguma relação, logo, representação de facto. Se a instituição o fizer, está a atravessar-se forte e feio, para o bom e a para o mau. O bom senso diz-nos, precisamente, que deve ocorrer o oposto, tratando em sede disciplinar interna - no seu recato e privadamente - se assim o entender, a questão da pedrada do mero adepto. Isto se ele for sócio, pois se nem isso, então o ridiculo é maior. Casos de Polícia trata a mesma.
4ª conclusão e última: Parece evidente que há uma desarticulação clara entre o que é a tal representação lata e genérica e o que cada individuo acha dessa mesma representação, diferença tão grande como a que há entre a Madre Teresa de Calcutá e a Silvia Saint. Que apenas revela o quão desestruturada será a noção de disciplina - hoje, só se clama direitos mas quanto a obrigações a amnésia instala-se.. - no seio de uma instituição. Obviamente que mais não resta à mesma que uma de três soluções: Ou passa à frente, ou assume a dores do Quim Manel e amplifica a pedrada numa imensa guerra nuclear da qual vai sofrer inevitáveis consequências ou então trata internamente a questão conforme mandam, aliás, pasme-se, as suas próprias regras disciplinares. Parece-me que a 3ª via é a correcta, sensata e mais adianto, óbvia por lógica.
Bem sei que estas questões se podem revelar até algo complexas na sua análise. Mas precisamente por essa razão é que a noção de disciplina interna e a de representação assumem toda a pertinência.