Quinta-feira, Maio 26, 2011
A Aventura da......:(((
A tuna une-nos, a todos. É neste momentos que, pequeninos como somos e nos sentimos, percebemos que afinal não nos bastamos a nós mesmos; precisamos uns dos outros. Como familia que também somos, afinal.
Bom, vou desligar isto, não me apetece de todo escrever, estou francamente aborrecido, chateado, sinto que perdi, que perdemos. Lembro-me agora dos amigos que foram antes de nós e ainda mais chateado fico. Não consigo sentir outra coisa, sequer......:((((
Segunda-feira, Maio 23, 2011
A Aventura da Alegoria.....
Era uma vez um passarinho que não gostava de migrar para o sul no Inverno. Então, num certo ano, resolveu que não viajaria. Contou aos seus companheiros que, em vão, tentaram demovê-lo da ideia. Chegado o tempo de partir, todos os demais se despediram, ficando ele sozinho.
Com o passar dos dias a temperatura foi caindo, percebendo que realmente seria impossível ficar e então preparou-se para viajar. Mas a sua decisão fora tardia: começou a voar e, após algum tempo, viu que suas asas congelavam e seu esforço não seria o bastante para continuar. Foi perdendo altura, perdendo altura... até cair num pátio de uma estrebaria.
Quando lançava o que pensava ser seu último suspiro, surge então um cavalo que enche o pássaro de bosta. Indignado, pensou o passarinho: “vou morrer e, ainda por cima, cheio de bosta de cavalo!!!!”. Notou, porém, que a bosta quentinha o aquecia, devolvendo o passarinho lentamente à vida.
Cantou de felicidade, cada vez mais alto, feliz com a sua sorte. Mas eis que um grande e gordo gato que passava por perto, ouvindo o seu chilrear, saltou o muro e... comeu o passarinho.
Moral da história:
Nem sempre é inimigo quem na bosta tem põe;
Nem sempre é amigo quem da bosta te tira;
Se você está quente e confortável, mesmo que seja na bosta, mantenha o bico fechado…..
À Vª Superior Inteligência...
Segunda-feira, Maio 16, 2011
A Aventura da Troika Avaliativa....
E é este 3º tipo que causa inevitavelmente maior confusão/alarido/contestação porque enferma de dois vícios processuais: Está à partida escudado numa pretensa seriedade – a existência dos tais critérios avaliativos – e depois ao não aplica-los de facto, chegados ao final o resultado prático consegue ser pior que no supra citado modelo “meia bola e siga prá frentex!”, onde obviamente tudo pode acontecer, como aliás, é “mato” ver-se. Ou seja, é este 3º tipo uma espécie de “concurso público à portuguesa” com a única diferença de que, aqui e chegados ao final, não haverá – vamos supor – resultados antecipados, antes uma espécie de “ao calhas” confinado ao facto de os critérios avaliativos ficarem debaixo do banco e se aplicar, pois, no final, os critérios de cada um, ou seja, o seu livre arbítrio/gosto pessoal/etc, não se regendo ninguém por coisa alguma excepto a sua vontade.
Os dois 1ºs modelos, nesse aspecto, note-se, são de uma brutal coerência, quer um quer outro, pois resultam de uma postura clara e nada ambígua logo à partida; Ora, sujeitam-se a ambos quem assim quer, pois assim eles são, completamente opostos entre si mas ambos coerentes no que toca ao tal modus faciendi: o 1º “está-se nas tintas” e o 2º é rigoroso, ambos desde o princípio até ao fim, o 1º no “nacional-porreirismo” o 2º na seriedade. Já o 3º modelo é precisamente o contrário, uma espécie de Porche Panamera mas com motor de 4L, potente por fora mas fraquinho por dentro. O que engana. Obviamente. Então se engana, que lógica é esta?
Parece, por tal, evidente, que não basta ter-se os tais critérios/itens avaliativos à priori, sendo que a não aplicação dos mesmos anteriormente propagados aos sete ventos resulta, na prática, em pura e simplesmente não os ter, ou seja, no resultado comummente visto no 1º modelo, com a diferença de, na aparência exterior, começar pela base do 2º modelo, ou seja, indiciar competência avaliativa e suas concretas consequências, quando no final ocorre precisamente o oposto.
Poder-se-á dizer que a coisa é levada muito a sério no 2º modelo. Até admito essa carga de seriedade. Mas tal só resulta pelo facto simples de que essa mesma seriedade avaliativa parte de quem quer passar essa mesmíssima imagem/conotação/prestigio ao evento e não de mais ninguém. Ora, assim sendo – porque a opção é de quem a toma, não dos destinatários da mesma – mais estranho se torna a existência do tal 3º modelo. Mal por mal, não se querendo dar uma excessiva carga de seriedade ao formato, então opte-se pelo 1º modelo: pelo menos está tudo claro antes, durante e depois.
Como nota prévia a toda esta questão: Não há modelos avaliativos 100% eficazes, nenhum o é e no que toca a tunas portuguesas – todas diferentes entre si – então, muito menos. Um jurado português tem pelo menos o dobro do trabalho (sendo um evento sério) que um jurado de certames só com tunas espanholas – muito mais homogéneas entre si do que no nosso caso. Bastaria só essa constatação para que todos optassem ou pelo 1º modelo ou pelo 2º. Estranho é quando se assiste, antes, à “aplicação” (entre aspas pois não acredito que quando tal ocorre seja premeditado sequer..) do tal 3º modelo. Parece-me este 3º modelo fruto muito mais de época, de circunstância pontual, de contexto, de laxismo puro e duro, do que propriamente de outra coisa qualquer. O que não invalida o resultado sempre pernicioso de tal “lógica”. Este 3º modelo é um efectivo perigo em si mesmo porque não é assumido, levado a cabo de forma assumida, antes o resultado de – e usando o “tunolês” – algo entre o “deixar andar” e o “que se lixe!”, sempre muito “académico” mas nada justo, sério ou até – e para quem o leva a cabo – prestigiante. Este 3º modelo é aquele que “enterra” um certame, tanto ou mais do que o 1º modelo (espécie de lotaria, basicamente, que por o ser, até pode andar anos a fio a correr lindamente, até ao dia em que deixa de correr bem, claro está.).
Repito: nenhum modelo avaliativo é 100% fiável, quem disser isso nada percebe do que estamos a tratar, sequer. Agora, que os há uns mais do que outros, lá isso há. Que os há uns mais coerentes que outros, também há. Que os há, uns, mais justo que outros, também haverá. Que os há, uns, que são modelos avaliativos de facto e outros que não são nada porque não existem sequer, há, claro que há. No meio disto tudo a malta vai é divertir-se e divertir os outros, claros que sim, sempre. Mas como nunca estigmatizei a saudável competição, no limite, espero que a existir a mesma ela seja coerente, sistémica, organizada, previamente publicitada, consequente, com uma lógica de causa/efeito, perfeitamente razoável e atendendo à especificidade quer de quem organiza quer de quem participa. Será, pois, o mínimo que se exige, havendo saudável competição. Aliás, essa salubridade competitiva só é suportada por força da inequívoca e lógica interpretação do que será o dito 2º modelo, que eu advogo, independentemente de qual seja (e há alguns até que são diferentes na forma mas iguais no conteúdo, criar efeito causa/consequência de forma sistémica, acima das cabeças das pessoas).
Recorda-se aqui alguns factos e sobre este tema em concreto: O modelo de certame que temos é importado do modelo espanhol dos anos 70, adaptado aqui e ali consoante os casos. A tipologia de prémios que temos é a mesma dos espanhóis, tirando um ou outro e acrescentando mais um ou dois, no geral, é a mesmíssima. Este nosso modelo tem tantos anos quantos os que decorrem do “boom” até hoje, ou seja, apanhou o comboio espanhol nesta matéria já ele tinha dado 10 voltas a Espanha com passagem por Ceuta e Melilla incluídos. Mais uma vez, por cá, não inventamos rigorosamente nada, importamos de lá para cá num copy/paste que apenas pontualmente teve e tem ligeiras alterações. Mais, já o modelo avaliativo espanhol de certames foi ele mesmo evoluindo ao longo dos tempos; o que era usado nos anos 70 foi já uma evolução do que era usado nos tempos das tunas espanholas do Franquismo, modelo muito mais rigoroso e que não admitia muitas das liberdades que mais tarde, nos anos 70, passaram a existir – e muito bem.
Outra coisa: O jurado deve potenciar o positivo e não amplificar o negativo, desde que este ultimo não seja para lá dos limites claros e impostos pelos critérios avaliativos, claro está. Procurar o bem feito e não “andar à caça” do mal executado. Tomar notas de tudo e mais alguma coisa pode não significar por si só uma avaliação correcta porque aí escapa-se a tomada de vista geral em favor do detalhe pontual. O jurado não pode vestir a pele do público pois não está nessa função; por outro lado, o jurado é jurado e não polícia. Deve o jurado imbuir-se num misto de espírito aberto com rigor avaliativo, sendo que espírito aberto não é “fechar os olhos” nem rigor avaliativo será estar com eles demasiado abertos. Deve perceber que lá em cima está gente que com trabalho, dedicação e esforço, tudo faz para agradar a quem o vê e escuta, sendo certo que a parte que cabe ao jurado é que “tudo” foi esse, como se insere no previamente pretendido e como é coerente ou não, para lá da execução em si mesma, obviamente. Note-se que falo aqui do que pretensamente é oferecido como sendo normal, aceitável e com propósito: já fui, enquanto jurado, “forçado” a fechar o livro porque manifestamente em nada adiantava ou atrasava mantê-lo aberto, sequer – e digo-o essencialmente com pena - precisamente porque à luz dos tais critérios avaliativos mais não me restou fazer.
A melhor forma de diminuir riscos e potenciar efeitos será sistematizar com lógica, sem excessos mas com regras claras e objectivas, todo o processo. Disse diminuir, note-se, não desaparecer. Uma das coisas mais ingratas da vida será um ser humano avaliar outro, por génese. Então, para quê complicar ainda mais, não se fazendo as coisas bem feitas, a tempo e horas?
Quarta-feira, Maio 11, 2011
A Aventura da [dita] Musica Popular
Não sou eu o que o digo, de seguida. Leiam esta peça constante neste site - da responsabilidade do Rancho Folclórico da Rinchoa-Sintra - e retirem as vossas conclusões.....
" A partir mais ou menos do século XIX surgiram, entre nós, músicas e danças provenientes do exterior que o povo por sua vez adaptou às suas tradições populares tendo contribuído, em grande parte, para a sua divulgação: as Filarmónicas, os cavalinhos, os tocadores de bailes, os sol-e-dós e as tunas que no meu entender, foram os mais importantes difusores dessas espécies citadinas, pela preponderância que tiveram na animação das festas, dos bailes, dos concertos nos coretos das aldeias, das vilas ou das cidades onde essas novas espécies musicais eram interpretadas.
Dessa incidência resultou o aparecimento de novas formas de danças e de melodias mercê das influências com que o povo, naturalmente, as impregnou. A mensagem musical difundida por esses agentes culturais, deu, pois origem a que o povo das nossas aldeias se apropriassem de outras melodias e de outras danças: das valsas, das polcas, das mazurcas, das xotiças etc., que o povo naturalmente recebeu, adaptou, deu uso e após o processo aculturativo passaram a ser também partículas das suas características culturais, da sua personalidade e, com o decorrer dos tempos, penetraram nos costumes da comunidade que as recebeu, passando a fazer parte do seu património lúdico.
Os antropólogos e os etnólogos, acordaram há poucos anos num princípio que diz que tudo aquilo que um povo recebe de outro povo, assimila à sua maneira de ser e mantém pelo menos cem anos, passa a ser próprio desse povo, embora a sua origem não esteja nele.
Ora tendo em conta esse princípio, não poderemos deixar de considerar como músicas e danças populares alguns viras, a moda a dois passos o passo de quatro, o passo largo, e outras danças só porque as suas estruturas músico-coreográficas tiveram as suas origens respectivamente nas valsas, nas mazurcas e nas polcas, que vieram do estrangeiro.
De uma maneira geral, os hábitos sociais e os modos de vida da aristocracia e da burguesia, pelo menos os da alta e média burguesia, são internacionais.
A burguesia e aristocracia portuguesa do final da idade média e dos séculos XVI a XIX dançaram, como no resto da Europa, ao som das músicas suas contemporâneas.
Já a partir dos anos quinhentos se verificaram frequentes casos de danças cortesãs que passaram ao povo que, por sua vez as adaptou à sua mentalidade: a exemplo da pavana, da galharda, da giga, do minuete etc. Mas ao longo do século XIX, tal fenómeno tornou-se ainda mais frequente: as transformações sociais e sociológicas consequentes do liberalismo, e o próprio progresso técnico que caracterizaram o século XIX, tiveram uma profunda repercussão em determinados aspectos dos usos e costumes do povo.
É de certo modo um momento, senão de viragem, pelo menos de grandes alterações nos costumes populares portugueses, alterações essas que se repercutiram não só no vestuário, como na música, nas danças etc. Grande número de cantigas e de danças burguesas, foram então importadas e assimiladas pela nossa gente à sua maneira.
Entendem alguns, aos quais modestamente me associo, que não se pode rever apenas como espelho ou reflexo da elevação social do povo, a arte erudita.
A sabedoria popular não deve merecer menor atenção. São tão importantes uma como a outra.
Os seus testemunhos são corolários vitais de cada povo e as cantigas, as danças, as músicas são documentos colectivos que fazem parte das terras das regiões e dos países.
Sabe-se que no século passado, nomeadamente nas cidades, nas vilas e aldeias e nos meios mais desenvolvidos onde as danças populares deixaram de ser entretenimentos das populações, sendo o seu lugar ocupado pela dança e música citadinas nos salões de baile da burguesia. Porém, as danças de salão, das quais ainda hoje se encontram raízes no nosso folclore, já muito pouco tem de comum nos aspectos coreográfico, melódico, e rítmico com as que foram utilizadas de inicio pela burguesia. Há radicais transformações nesses exemplares, tendo em conta as espécies originais, de proveniência citadina que serviram de modelo ao povo humilde das nossas povoações. É que essa gente simples das aldeias, ao ouvir tocar e ver dançar essas espécies vindas do exterior – a que, aliás deu os mais variados nomes a seu belo prazer – usou-as e adaptou-as ao seu génio particular, dando-lhe o cariz popular... e o tempo fez o resto."