A Silly Season deste ano começou, definitivamente, mais cedo, todos o sabemos.
Entre algumas pérolas que têm surgido ultimamente da mais pura veia hilária - merecendo indiferença de modo a deixar as mesmas no seu lugar devido, a irrelevância - eís esta que chegou à caixa de correio do PortugalTunas, tomando eu a liberdade de usar o seu conteúdo - que não os intervenientes, preservados aqui na sua identidade, por todas as razões e mais uma ... - para ilustrar o tamanho do dislate desta Silly Season fora de época.
Mas vamos ao - inusitado mas não inédito - email primeiro, e às considerações depois.
"Venho por este meio expressar a mais profunda perplexidade, indignação e, ouso dizer, legítima suspeição relativamente aos resultados do XXXXXX Festival XXXXXXXX.
É com enorme estranheza que se constata que a XXXXXXX — grupo amplamente reconhecido pela sua excelência musical, presença em palco irrepreensível e capacidade ímpar de elevar o espírito académico — não tenha arrecadado absolutamente *nenhum* prémio.
Nenhum.
Tal cenário levanta, inevitavelmente, questões sérias sobre a transparência e integridade do processo de avaliação. Não podendo, em consciência, aceitar que tal desfecho resulte de mera coincidência ou de critérios puramente artísticos, resta-nos considerar uma hipótese mais plausível: a existência de um complot.
Um conluio cuidadosamente orquestrado nas sombras, com o objetivo claro de arredar a XXXXXX dos corredores da fama que, por direito, lhes pertencem.
Exige-se, por isso, a abertura imediata de uma investigação rigorosa, independente e — se possível — com recurso a auditorias internacionais, incluindo uma revisão detalhada de todos os aplausos registados no stream.
Adicionalmente, propõe-se a atribuição retroativa de todos os prémios à XXXXXX como medida corretiva mínima.
Com elevada consideração
O maior fã da YYYYYYYY " (fim de citação)
Bom....
Antes de mais, a legenda, para melhor percepção: XXXXX é uma Tuna, YYYYY é outra Tuna que não a XXXXX. Não será pormenor para a leitura do mesmo, pelo oposto; táctica antiga para (tentar) desviar atenções sobre o remetente da missiva. Em todo o caso, para aqui é irrelevante, apenas se menciona pelo "recurso táctico" usado - algo óbvio, vamos convir. Ao longo de 23 anos temos várias "destas" em arquivo. Adiante, vamos ao sumo.
Todo um clássico: "perplexidade, indignação e, ouso dizer, legítima suspeição relativamente aos resultados". Até aqui, nada de novo, há disto todos os fins de semana, arroz.
Agora, a "abertura imediata de uma investigação rigorosa, independente e — se possível — com recurso a auditorias internacionais, incluindo uma revisão detalhada de todos os aplausos registados no stream" é muito bom, vamos convir. Mandar para o Ministério Público? NATO??? Quem irá investigar??? A UNESCO, essa ilustre (des)conhecida??? Mandar... o quê?? Como se faz e cito "uma revisão detalhada de todos os aplausos registados no stream"????
É aqui que começamos a oscilar entre brincadeira de malta desocupada e manifesto desequilíbrio mental da mesma. Segue-se a frase assassina e cito "resta-nos considerar uma hipótese mais plausível: a existência de um complot." E é aqui que tudo ganha outro sabor. As tais perguntas que se impõem: Como e Porquê.
E eís que e cito "Um conluio cuidadosamente orquestrado nas sombras", o que indicia premeditação e pelo menos; Ora, se foi cuidadosamente orquestrado tiveram (uso o plural porque eles mesmos o usam) de saber antes da entrega de prémios que a coisa ia correr mal. Se foi durante a entrega de prémios que se produziu o conluio, então, estamos pior ainda: Isto "melhora" a olhos vistos...
Todo esta lunática mistificação e/ou brincadeira de gosto tão duvidoso quão idiota termina com um eterno clássico: "propõe-se a atribuição retroativa de todos os prémios à XXXXXX como medida corretiva mínima". Ora cá está.
A imaginação desta malta de hoje é, de facto, muito fraca; se soubessem quantos emails exactamente iguais foram recepcionados ao longo de 23 anos, seguramente que não perderiam tempo com mais um. Se a ideia foi mera diversão, também foi tempo perdido dado a anedota ser mais velha que a Sé de Braga. Se a ideia foi outra, mandaram o email para o destinatário errado, seguramente.
O maior fã da YYYYYYYY é, afinal, a caricatura perfeita daqueles que, ciclicamente, nos divertem com os seus despropósitos, como bons folcloristas que são - condição que lhes reconheço sem qualquer mácula - e que são, em suma, os catalizadores das Silly Seasons cada vez mais fora do seu tempo, conclui-se.
Se antes era só perto do início do verão, por falta de temática tuneril, agora é mais alargado no calendário, seguramente por necessidade de auto-afirmação - à falta de relevante obra feita.
Lá está, silly.
Adiante...

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