A Aventura do Trovador








1979, por aí.


Houve um tempo - e citando António Manuel Ribeiro dos UHF - em que o rock português era feito em cima de atrelados de tractores e onde o único fumo era o que saía dos grelhados de sardinhas e bifanas.


Luis Represas e os Trovante, então, fizeram parte desse pioneiro tempo, dando mais profissionalismo ao espectáculo e, por conseguinte, ao fenómeno que, então, despontava - a par dos citados UHF, Heróis do Mar, Xutos ou GNR, entre outros. Naquele tempo, contou Rui Pregal da Cunha, as pessoas da “província” ficavam estáticas e mudas a ouvir “Paixão” ou “Amor” - uma contradição em si mesma. Os Trovante eram dessa lavra.


A sua paixão por Cuba e sua cultura é quase genética - cantou Silvio Rodriguez, da Nueva Troba Cubana, p.ex. - a par com a sua musicalidade a pincelar poemas de Florbela Espanca, por exemplo - entre outras densidades estéticas com mensagem de facto, que o tornam único enquanto cantautor. O povo Maubere sabe quão denso foi Represas.


E sempre esteve com a Tuna em sentido lato, já agora. Foi padrinho da 32ª edição do FITU Cidade do Porto, esteve com a Tuna Económicas, entre outras, conexão à qual nunca se furtou e que revela, desde logo, algo maior:


Trato igualitário da Tuna estudantil enquanto fenómeno musical como qualquer outro, sem complexo algum: Caso raro no panorama musical nacional.


Por isso, a homenagem devida.


A Tuna portuguesa, hoje, perdeu.


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