A Aventura da Queda dos Mitos







Recupero uma "Aventura" (parte da mesma, no caso) com quase 20 anos - e a propósito da recente propositura da Tuna do Marão e Alvão a Património Cultural Imaterial Nacional.


Os negritos são propositadamente da minha lavra. A negrito e a sublinhado o mais importante a reter. Escreveu o Dr. Alberto Sardinha, autor do livro "Tunas do Marão", o que consta em baixo:


"Valsas e contradanças, mazurcas e pasodobles, marchas e polcas, todos esses géneros que integravam a moda erudita do século XIX foram sendo absorvidos na rede de transmissão oral. 

Umas vezes apenas como adaptações instrumentais de tocadores populares, outras transformados em canções a que o povo juntou letra, outras pela criatividade de autores modestos que imitavam as formas de composição dos nomes consagrados - e tantos nomes grandes, a começar por Mozart, tinham composto valsas e marchas.

Mas quase sempre a porta de entrada eram estas formações musicais itinerantes, maioritariamente constituídas por instrumentos de cordas. Formações que animavam festas, romarias e procissões, alegravam descamisadas e vindimas, acompanhavam peditórios e cerimónias religiosas. 

Depois há um fenómeno interessante nestes tocadores, que aprendiam os rudimentos do solfejo com padres, regentes de bandas, professores primários que sabiam música e mandavam vir pautas da cidade, tocavam em arraiais e bailes por sua conta. Aí, longe do regente, tocavam repertório não só da tuna, mas o propriamente popular. 


Aí tudo se começa a misturar. 


Tocavam chulas, tocavam valsas. Tudo no mesmo repertório, tudo a fluir no circuito da tradição oral.

Em finais do século XIX, todo o território nacional tinha tunas. Muitas eram urbanas, estudantis, tanto universitárias como liceais, e outras até de associações de empregados de comércio. Mas muitas outras eram rurais.

Chegava mesmo a haver aldeias com duas tunas rivais." (fim de citação)



Uma vez mais:


Este pequeno excerto pura e simplesmente destrói alguns Mitos Tuneris sobre o que é, de facto, uma Tuna, suas origens e ramificações, sobre o que tocavam então e o que hoje uma tuna universitária pode e deve tocar, por exemplo.

O que está em cima não é da minha lavra. É da de um reputado estudioso da Tuna popular, no caso. Para evitar a fulanização, fica o reparo.

É um estudo sério, levado a cabo há décadas, com recolhas e pesquisa in loco, inventariação de material cultural, gravações, filmagens, edição de livros, uma panóplia de trabalho que a própria Lei em razão de matéria obriga.*

Nada acontece por acaso.

Eis um processo exemplar de Patrimonialização sobre a Tuna, executado como deve ser. 

Com Discrição, Noção, Trabalho e Eficácia.



Cabe aqui referir o papel fundamental neste processo do Dr. Rui Marques, etnomusicólogo e investigador do INET-md / Universidade de Aveiro e membro da Academia de História da Tuna , Parceiro institucional (em exclusivo) do Portugaltunas.



Nota: De referir que, até à presente data, não existe qualquer processo de candidatura, registado no local próprio e de acordo com a  Lei, da Tuna Estudantil nacional - e para consulta pública.



* Links pertinentes:

https://www.patrimoniocultural.gov.pt/wp-content/uploads/2026/09/Anuncio-Inscricao-n.o-245_2026.pdf 

https://www.patrimoniocultural.gov.pt/2026/09/manifestacao-toque-tradicao-das-tunas-do-marao-e-do-alvao-inscrita-no-inventario-nacional-do-patrimonio-cultural-imaterial/ 





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