A Aventura das Duas Décadas....

Evidentemente que a ressurreição - (resurrectione), grego (a·ná·sta·sis). Significa literalmente "levantar; erguer" - tem sempre o seu quê de misto de nostalgia com esperança nos tempos vindouros. Afinal, celebrar duas décadas de existência é algo que não acontece todos os dias numa Tuna portuguesa, hoje em dia. Mais para mais quando dessas duas décadas delas fiz parte activa década e meia. Não é, por isso, coisa banal, seguramente.

Mormente passos anteriores mais penosos e outros mais gratificantes - afinal, normal em duas décadas de existência - configuraram estas celebrações humildes, muito introspectivas, sem grande pompa e menos circunstância ainda ( e ainda bem!) um aferir de algo obvio: Valeu a pena. Seguramente que então, recuando duas décadas, ninguém se atreveria - para lá do mero desejo em si mesmo - a vaticinar fosse o que fosse; afinal, o caminho faz-se caminhando. Foi isso que, durante esta semana de comemorações "caseiras" e humildes ficou dado à estampa. Dizia-se então em idos que os nossos filhos um dia nos iriam julgar pelo que fizemos então. Hoje, constata-se que poderão os nossos rebentos alegremente constatar que deixamos algo, uma semente, um legado, e que dele façam o que bem entenderem quem hoje por lá anda, como nós um dia andamos.

Mais pedra menos pedra no caminho, fomos todos nós com elas construíndo um belo castelo. Para lá do som que se ouve, da forma de estar, da postura, de tudo, o castelo está lá. Sólido. O legado também é pesado, vamos convir. Responsabilizante. E vi agora que para lá do peso, sabe-se lidar com ele, afinal, à maneira de hoje mas sabe-se. Se lá estivesse hoje provavelmente não faria assim aqui e ali. Mas percebo e entendo e até incentivo que façam como estão a fazer. Afinal, eles têm também o seu caminho a percorrer, às suas custas, sem caganças do passado para cavalgar, passado esse que eles, afinal, não viveram. Ou seja, só faz sentido o legado, o passar do testemunho, quando ele é efectivamente transmitido e não assumido de treta e de parlapié bonito e institucionalmente musculado para terceiros ouvirem e medirem.

Gostei. Principalmente pelo caminho deles ser mesmo deles - e não o meu ou o daquele meu companheiro ou do outro de idos de 1990. Acho muito bem que hoje olhem para nós com deferência e respeito e não com subserviência ou como se fossemos reliquias sagradas. Sabem qual a História e procuram, à maneira deles, honrar a mesma mas sempre à maneira deles. E fazem-no muito bem. É a diferença real em honrar a História que eles não fizeram - mas em contraponto procurando viver e fazer a sua própria e cavalgar a História pura e duramente como se dela, hoje, os que lá estão, tivessem tido alguma responsabilidade efectiva. Em suma, honram a mesma procurando eles mesmos fazer mais e mais História.

Gostei. Às vezes, as grandes instituições precisam de se procurar a si mesmas. Acho que estas duas décadas mostram isso mesmo, de forma descomplexada, natural e assumida. Comemorar duas décadas de actividade ininterrupta é, mais do que a efeméride em si mesma, uma completa ressurreição e no caso. E assim, sim. Por mais tortuoso ou fácil que o mesmo caminho tenha sido de então para cá. Faz parte do show.....

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