A Aventura da "Coltura"...

Já várias vezes escrevi sobre tal temática, quer aqui, quer noutros locais. A percepção mantêm-se e não só, avoluma-se. A "Coltura" na cidade Invicta está como quer. Já a cultura, a real Cultura, das gentes, das suas agremiações, instituições muitas delas de renome nacional e internacional, a cultura mais próxima do que é o Porto de facto e da sua génese histórica, ligada ao povo, próxima do comum mortal Portuense, essa, cada vez mais está moribunda ou não existe sequer.

A "ultima" da "Coltura à la Câmara" foi o corte liminar no apoio ao reputado e decano Festival Internacional de Folclore da Cidade do Porto, organizado pelo Rancho Folclórico de Paranhos, que todos os anos contou com a preciosa e merecida ajuda da C.M. Porto, até ao ano passado, retirando o habitual subsídio para o evento. Até aqui, poder-se-á compreender numa lógica em que o cliché "crise" se pode aplicar - ao contrário da sua não aplicação por exemplo nas corridas de pópós na Boavista, algo muito mais "chique", cosmopolita e dado às "Caras" e "Lux´s" tão queridas das almas mundanas e fúteis. Mas este ano, a coisa já foi mais além: Nem o tradicional apoio logístico (palco na Baixa e apoios colaterais como cadeiras, etc etc) foi cedido, deixando a Organização do Festival de Folclore que leva o nome da cidade entregue a si mesmo. Claro que para os serviços da C.M.Porto montar um palco em frente à mesma Câmara é muito mais custoso e oneroso do que montar quilómetros de bancadas e rail´s para as corridas do WTCC, claro. No mínimo, tem piada.

Em tempos manifestei a minha apreensão por esta "Coltura", esta noção pseudo-fashion perfeitamente aparolada e terceiro mundista, que não sabe, sequer, o que significa de facto e em toda a sua real dimensão, o que é Cultura com C grande. Resumida que está a Invicta às paródias de La Féria, que em nada contribuíram para a verdadeira cultura portuense, servindo apenas pequenas e residuais elites quer por força do seu "conteúdo", quer por força de uma imposição de uma noção de "Coltura" a toda uma população que tem tradições, hábitos, usos e costumes que fazem, no seu todo, a sua própria Identidade Cultural. Tentou-se nestes anos - e com estas brincadeiras de mau gosto - literalmente "assassinar" a alma, entidade e carácter tão sui generis daquilo que é a Cultura em sentido lato, universal e mais concretamente, no que se refere à Cultura tradicional do Porto, suas gentes, associações, instituições que, algumas delas, fazem o que fazem por pura carolice apenas pelo gosto de o fazerem e por saberem do mesmo gosto por parte dos destinatários das mesmas acções culturais.

Tudo se fez para boicotar o Porto real, o que existe de facto, importando-se "modelos" pseudo-cosmopolitas para uma cidade que sempre prezou os seus usos, costumes e tradições muito próprios. Poderia até ter havido coexistência entre formas distintas de acção, culturalmente falando; nem todos gostam de folclore ou de corridinhas de pópós ou de aviões. O que se afigura deveras lamentável é esta desproporcionalidade atroz entre uma certa noção de "Coltura" elitista e a verdadeira cultura de facto.

Onde é que as Tunas entram nesta conversa em família? Ao que me parece, os factos são claros e falam por si mesmos. Quantos certames existiam apoiados pela autarquia nos anos 90 p.ex. e quantos os há hoje? Há mais factores a ponderar nessa comparação contabilística, certamente, a começar pelas próprias Tunas. Mas estou seguro que a comparação ainda assim se coloca e é inequivocamente cabal na sua conclusão.Até lá, a "Coltura" é La Féria, carrinhos na Boavista e pouco mais. Quanto a apoios a Tunas para eventos, mais vale nem falar: não há. Porque pelos vistos, não são "Coltura"; o que vale é que há mais autarquias por perto que acarinham, incentivam e apoiam a verdadeira cultura.


Post Scriptum. -  Louvado seja o oásis que configura a casa da Música. Até contra as minhas expectativas iniciais, reconheço. É hoje esta Casa da Música o único serviço multi-cultural de facto credível na cidade.

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