A Aventura do P.R.E.T. - Moderato



“A Tuna Portuguesa - e no dealbar do "boom" - foi liminarmente usada, 1º pela Praxe, depois hostilizada pelos organismos ditos da mesma e hoje é violentamente agredida pelos mesmos atrás citados, numa clara mistura de estações que em primeira e ultima análise só prejudicou e prejudica a tuna; Mais adianto, tem-se revelado mais recentemente de custo elevadíssimo esta promiscuidade contra-natura”


 Tuna Académica da U. de Coimbra - 1899/1900


Não irei adiantar muito mais sobre a temática pois recentemente, aqui - http://asminhasaventurasnatunolandia.blogspot.pt/2012/07/aventura-do-boome-visao-periferica-do.html - resumi este preciso ponto, para lá de anteriormente o ter feito várias vezes, por vários pontos de vista.

Reforça-se, contudo, a ideia: Não foi o ressurgimento da Praxe nos anos 80/90 que trouxe a Tuna à Universidade, ela já lá estava antes desse ressurgimento como a História tuneril nacional o atesta. O que ocorre é um incremento de nº de tunas nacionais, num contexto social e politico muito próprio – cita-se novamente o exposto sobre a matéria no “Qvid Tvnae” - onde os actores são os mesmos, ou seja, quem faz ressurgir então a Praxe são os mesmos que fazem parte da formação das tunas, então. Aliás, resulta até claro que muito devem esses "organismos" da Praxe desta época à tuna em sentido lato, que dela retiraram, então, larga projecção para atestar e justificar o seu modus faciendi.


Mais se adianta, foi a tuna, em cada Universidade/Faculdade/Instituto usada pela Praxe numa 1ª fase como “tropa de elite”, linha da frente na representação de cada uma dessas casas, de cada uma desses ditos “organismos” de Praxe que então surgiram no panorama – não confundir esses ditos “organismos” com a Praxe em sentido lato – precisamente por força dessa sobreposição de actores. A hostilização à Tuna por parte da Praxe – entenda-se os ditos “organismo” – começa quando deixa de existir sobreposição dos actores e cada um começa, no fim do 1º ciclo de licenciaturas pré-Bolonha (5 anos) a deixar as Universidade por força da conclusão dos estudos, o que originou uma renovação dos contingentes quer das tunas, quer dos ditos “organismos” da Praxe, apartando os actores cada vez mais, distinguindo assim os componentes quer das tunas, quer das ditas “comissões” e “conselhos” de Praxe.


Com o advento da importância das tunas nessa representação de cada Casa de Altos Estudos a coincidir com a cada vez menor atracção exercida pelos ditos “organismos” da Praxe – e dispenso-me aqui de articular as óbvias e evidentes razões, pois este blog trata a Tuna somente – a fricção entre a tuna e os ditos “órgãos” da Praxe foi aumentando exponencialmente por força, essencialmente, da cada vez maior atracção que a tuna exercia quer junto dos restantes estudantes, quer junto da sociedade civil em geral. A subsidiar toda esta conjuntura a enorme ignorância em torno da tuna então e neste período, que serviu de tapete para passar a falsa, errada e oportuna ideia mitológica de que a tuna é um fenómeno Praxista, quando não é de todo: É o que diz a História da tuna.

A promiscuidade contra-natura actual no relacionamento que os ditos “organismos” da Praxe querem tentar impor à tuna é condenável, absolutamente abjecta e completamente inaceitável por nada ter a Praxe a ver com a Tuna; a zona cinzenta que coloca o estudante na tuna não obriga per si a ser a tuna “da Praxe”, deve ficar claro. O estudante que está na tuna pode ser Praxista e em nada tal facto obriga a tuna onde milita a ser da Praxe. Confundiu-se, então, as estações e as condições, criando-se a errada ideia de que uma tuna universitária tem de ser Praxista. Errado. Pode ser, como pode não ser. E ser da Praxe não significa de todo estar sob alçada dos ditos “organismos” da mesma: pode estar se quiser, como pode estar sob alçada da Reitoria ou da Junta de Freguesia local ou até mesmo de uma padaria; é rigorosamente a mesma coisa para a natureza da tuna. A Tuna estudantil portuguesa é muito mais antiga que os ditos “organismos” da Praxe. Facto.


Vive-se, hoje, um erro crónico, fruto de um erro anterior que nasce no “boom” tuneril dos 80/90. A Tuna não deve nada à Praxe e muito menos aos seus ditos “organismos”. A Tuna é autónoma, independente e apenas e só pode de forma voluntária – nunca imposta - subjugar-se seja a quem seja. Alienar soberania é uma coisa – que algumas tunas fizeram – outra será invadir a Tuna – acto hostil, portanto. O que se tem vindo a assistir, portanto, em casos pontuais delimitados, é a uma violência sobre a tuna completamente inaceitável, que apenas irá provocar - paradoxalmente - o inevitável - e digo eu, desejável - apartar das águas e/ou definição de algumas tunas perante o cenário onde se inserem.


Um erro de 25 anos vividos não pode substituir a Verdade. Muito menos quando esta tem mais de um Século: Mais um facto que corrobora a necessidade de um P.R.E.T.


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