A Aventura de 2015



Curiosamente, um ano pontualmente distinto, a fugir um pouco, aqui e ali, ao banal remanso das ondas tuneris que, ainda assim, se faz sentir - o que torna este balanço quase um replay do ano anterior.


Genericamente, quem prometeu cumpriu; quem estava a definhar eclipsou-se. Foi um ano de confirmação face ao que 2014 indiciou, com uma ou outra surpresa - quer pela positiva, quer pela negativa - aqui e ali a servirem de sal e pimenta ao fenómeno.

Tunas que "ameaçaram" em 2014 - e já anteriormente - atingir o patamar cimeiro conseguiram-no de forma cabal, com resultados a condizer, mantendo consistência e qualidade, por coerentes no seu percurso. Tunas houve que "hibernaram", não se sabendo, por ora, a que corresponderá futuramente tal sabática pausa que, regra geral, pronuncia novidade. Outras, que já caminhavam para a mais que previsivel queda, confirmaram-na de forma olímpica, urgindo quiçá reflexão que apreenda as causas de tal (quando possivel), não bastando para subsidiar tal capacidade cognitiva apenas citar pomposamente renombrados escritores - pois estes não tocam nem ensaiam. Noutro plano, novas Tunas surgiram este ano e com festivais competitivos, até, numa dinâmica que apraz registar, com destaque para tal ocorrência não se centrar nos habituais pólos universitários e, em alguns casos, no interior do país - o que é sempre de saudar e louvar, pois dissemina o fenómeno pelo país de forma mais equalitária. Algumas Tunas clássicas que andavam "escondidas" ressurgiram com mais pujança e presença, o que se louva em definitivo. A Tuna em registo feminino está aí para durar - conforme se previu atempadamente - por N factores de vária ordem que indiciavam tal consistência, bem como se realça a Tuna mista, com uma dinâmica muito própria que é, afinal, a de sempre.


No plano mais teórico, mesmo sem E.N.T. tivemos outras actividades mais dadas ao debate e conhecimento, o que vai compensando, numa dinâmica muito interessante, por partirem não dos mesmos de sempre mas sim de outros, mais novos, que anseiam Saber mais sobre a Tuna estudantil, o que é positivo. Sei neste momento que 2016 trará novidades a este nivel, com novos formatos e figurinos que pretendem, precisamente, o Pensar a Tuna estudantil - prova final que o semeado a seu tempo começa timidamente a dar frutos. Finalmente, apraz a confirmação - mesmo que ainda haja quem seja refém - do afastamento da Tuna Estudantil nacional da Praxe, onde cada vez mais o comum cidadão - pese a reacção e colagem inevitáveis por décadas de sobreposição, confusão e usurpação - começa a associar a Tuna às palavras «espectáculo» e «música», o que é, por si só, uma pequena vitória: A Tuna é, antes e acima de tudo, uma expressão musical, ponto. Começa tal a vingar junto da opinião pública.

Escrevi ano passado, aqui, por esta precisa altura e cito-me: "Previsões para 2015? Sempre complicado mesmo atendendo aos factores apontados em cima que caracterizam o hibernar do fenómeno. Mas em todo o caso, prevejo mais do mesmo, sendo certo que veremos muito provavelmente algumas agremiações a vingar com mais pujança, a maioria a manter o profile e algumas a cair para a subcave de forma estrondosa, até."

Ora, não sendo necessário perceber o evidente, quase que se diria ser uma previsão óbvia. Alguns poderão dizer que se poderia usar tal preview todos os anos. Concedo. Mas tempos houve em que não foi assim. Este preview quase óbvio resulta, precisamente, de um ciclo mais genérico que ainda não encerrou. Mas que se encerrará, dando lugar a outro. Como disse no outro dia no TUNx - brilhantemente organizado pela Tuna de Direito da U. do Porto - o Futuro é daqui a 15 minutos. E será o que dele quiserem fazer, a dado passo, cada Tuna e cada Tuno.

Por falar em TUNx, denotar algo que ocorre sempre que se faz e realiza algo do género: Um surto de Inveja. Não se entende - excepto pela tipica pequenez dos invejosos - sequer; deveria ser ao contrário. Depois do surto, a vacina online e depois passa. Até ao próximo surto. É sempre assim. Lamenta-se, apenas.

Um 2015 parco em "Aventuras" e na sua quantidade. Mas seguramente não parco no interesse despertado pelos seus conteúdos - a ver pelas estatísticas inside - do interesse de antigos e "novos-velhos" clientes, o que compreendo perfeitamente - mormente o interesse dos clientes antigos não ser o mesmo dos "novos-velhos" clientes, uma espécie de voyeurismo silencioso pincelado com um Pot-pourri de fundado receio e velada vergonha, tipicos de um certo bas-fond altamente comprometido: Óptimo, excelente sinal!


Bom Natal e um Melhor 2016!


Post Scriptum: Todavia, estou a pensar seriamente em regressar. Aos palcos, bem entenda-se. Mesmo que em tempo algum os tenha verdadeiramente deixado....

Comentários

El Yacaré!!! disse…
Gostei de saber que pensas retornar aos palcos. Nao regresses apenas por regressar... regressa mas regressa bem!

Sobre 2016 e o futuro, não tenho grandes previsões. Apenas um desejo. Gostava apenas que as Tunas portuguesas olhassem para o lado (Espanha) e seguissem os bons exemplos do percurso (mais vasto e longo) que os nossos vizinhos já percorreram. Alguns exemplos:

Certames e festivais onde as tunas pagam para estar presentes. Funciona e traz uma enorme
qualidade ao festival. E só começar e ver...

Tunar pela arte de Tunar e nao Tunar em busca do prémio e da estatueta.

Criar um fosso cada vez maior entre o que e a Praxe e o que e a Tuna. E necessário e fundamental.

Não há tunos mais velhos. Ha tunos, independente das idades, ponto final. Qual e a diferença entre ter 20 anos de Tuna ou 5 anos de Tuna? A experiência, claro, mas ao final do dia um Tuno com 20 anos de Tuna ou 5 anos de Tuna sao a mesma coisa... TUNOS! Vamos deixar de ter vergonha disso...

Um grande abraco e um excelente 2016

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