A Aventura de Uma Década




"O tempo é o teu capital; tens de o saber utilizar. Perder tempo é estragar a vida" - Franz Kafka.


Para quem tem uma mera existência, em 10 anos pouco ou nada sentirá de diferente, à medida do avançar do tempo. Normal.


Mas quando em 10 anos concluímos da intensidade, vertigem, evolução e desevolução, vivência, alegria e desilusão, amigos e haters, presença e ghosting e por aí fora, então 10 anos passam a voar. O que, per sí, é atestado de vida. Como dizia Baudelaire, "Só nos esquecemos do tempo quando o utilizamos". Uma ressurreição atrás de outra.


Pequeno rewind:


O "Aventuras" nasceu em sequência de um outro blog, o "Novos Goliardos", embora com contexto distinto. Não havia à época, Facebook ou Twitter. Então - finais de 2005, início de 2006, outros tempos - o "Aventuras" pretendeu fugir à cartilha que debita a sempre fácil retórica tuneril "o-que-deve-ser-e-o-que-não-deve-ser". Foi mais além:


Carregado de opinativo - se não, para quê um blog? - mas sempre balizado pelo hoje mais que evidente bom senso tuneril, com umas pinceladas aqui e acolá de previsão - onde, regra geral, mais cedo ou mais tarde acertou - uma pitada de Bem Fazer Tuneril, meia dúzia de pesquisas mais ou menos certeiras e uma ou outra incursão em territórios alheios à Tuna (que nada de pernicioso tiveram, bem pelo oposto). Um poutpourri, portanto, próprio de um conversa à mesa, com os devidos ingredientes de um opíparo repasto - no caso, virtual.


O "Aventuras" tornou-se, assim, numa pertinente Crónica de Costumes, o que o distingue de qualquer outro espaço virtual sobre o tema, marcando assim um tempo e um espaço próprios - que o adevir irá, porventura, ajuízar. Sem paninhos quentes mas com eficácia - a ver pelos hits mensais e suas origens - de forma abstracta e universal, cabendo depois ao leitor interpretar como bem entender aquilo que lê. Assim têm sido estes 10 anos de "Aventuras" - mais prato de azeitonas, menos copo de "Barca Velha" (sim, tasca mas com classe...).


O que constato ao fim de uma década é que - pese a maior ou menor frequência da minha parte - será quase inevitável mudar algo. Não o layout ou a essência mas talvez a forma de comunicação. Veremos. Deixemos o tempo voar.


Por outro lado, após uma década, emerge um pormaior nada despiciente: Cheguei a um ponto onde em exclusivo rigor nada me prende, obriga ou condiciona, somando-se a tal uma inexistente parcimónia para com o opróbio, o que me "obriga", assim o entenda (e por mero gozo, admito) a tourear olimpicamente quem se presta a faenas do mais fino recorte rasca.


Tal significa que não estou na disposição de emprestar - quer o "Aventuras" quer eu próprio - nem um segundo mais a quem não existe; Já dizia Dante "Aquele que mais sabe, mais lastima o tempo perdido". É que, ao fazê-lo, estou indirectamente a patrocinar os mesmos, parasitismo que não posso subsidiar por cavalgar o mérito alheio. Ainda assim, salvaguardo uma cláusula de excepção, assim a tesoura a tal obrigue.



Uma década. Com franqueza, só me apercebi de tal no final do mês passado. O que não deixa de ser sinal de despreendimento, por um lado, e de naturalidade, por outro. Como deve ser uma conversa, à mesa, com amigos. Despretenciosamente degustada, mesmo que aqui ou ali surja um pimento padrón mais picante. Enquanto isso, o Chef - que tem vida própria desde sempre - lá vai cozinhando umas "Aventuras", assim vá permitindo o rolar da tunanteria, que volta e meia nos brinda com umas pérolas a merecer patuá - já outras nem isso, tipo o FITA das Caxinas e assim - sempre com as pernas por baixo da mesa, claro está. E tanto tenho aprendido com os Grandes desta Arte.


Aos meus Amigos, o abraço fraterno de agradecimento por passarem por cá com alguma frequência. Aos visitantes, alargo o agradecimento e convido-os a sentarem-se à mesa um destes dias. Citando Gracian y Morales "Não devemos perder uma hora, pois não estamos seguros nem de um minuto": Ora nem mais.


Vamos lá então a mais 10 anitos, esperando eu ter tempo - o bem mais precioso para quem aspira a grandes coisas.



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