A Aventura da Tuna Bracarense



Todos sabemos da inegável importância efectiva que Braga trouxe ao fenómeno tuneril nacional no dealbar dos anos 90 do Século XX e que se prolonga até hoje.


A primeira Tuna de carácter estudantil, no caso, Liceal, que surgiu em Braga foi a Tuna do Liceu Sá de Miranda [1] - numa época  - Estado Novo - onde as tunas liceais fervilhavam a nível nacional, sendo que hoje, dessas, apenas resta a do Liceu de Évora.


Ainda que já existisse a Braga Faculdade de Filosofia, fundada pela Companhia de Jesus em 1947 - a mais antiga instituição universitária da cidade de Braga e primeira Faculdade de Universidade Católica Portuguesa, o Liceu Sá de Miranda era então o verdadeiro pólo académico. Com os Saraus do 1º De Dezembro e o Enterro da Gata mimetizava de tal forma as academias do ensino superior que em solidariedade com os estudantes do ensino superior suspendeu todas as iniciativas com o luto académico de 1969.

Será já com a Universidade do Minho que as tradições estudantis renascerão na década de 1980. Primeiro com grupos informais ligados ao fado e depois de forma mais formal com o Grupo de Música Popular (1984) o decano de todos os grupos que hoje existem, o grupo de fados e o grupo de poesia, núcleo inicial da ARCUM (1991).

A primeira Tuna na Academia Minhota – a Tuna Universitária do Minho, surge em 1990, com uma ligação umbilical ao Grupo de Música Popular.

Na Academia Minhota, o período de 1990 a 1996 é de tal forma rico que tudo parece ter nascido em simultâneo:


O Coro Académico da Universidade do Minho e o Teatro Universitário do Minho primeiro (1989), juntamente com a implementação do traje que hoje conhecemos na U. Minho - o Tricórnio - sendo que antes trajara Capa e Batina. Depois surge a Tuna Universitária do Minho. E ainda em 1990 surge ainda o grupo de Jograis – Jogralhos. Em 1991 a OPUM DEI - Ordem Profética da Universidade do Minho (mais próximo de uma Orxestra Pitagórica do que propriamente do modelo tuneril). No mesmo ano, os grupos participantes - Grupo de Música Popular, Tuna Universitária, Grupo de Fados e Grupo de Poesia, Guitarra e Flauta - na viagem EUROPA 90 ( uma digressão rodoviária até Leninegrado, hoje São Petersburgo, onde com os Jogralhos criam a ARCUM).


A Azeituna em 1992 (então como Tuna de Ciências da U.M.) e no mesmo ano a Tun’Obebes - Tuna Feminina de Engenharia da UM, a primeira Tuna do polo de Azurém, Guimarães e a primeira tuna feminina na academia minhota. Na ARCUM, em 1992, surge o Grupo Folclórico. Segue-se uns 5 meses depois a Gatuna, em 1993, a primeira tuna feminina do polo de Gualtar, em Braga. Posteriormente, em 1994, surge a primeira tuna masculina do polo vimaranense, a Afonsina - Tuna de Engenharia. Fora da Uminho, em 1994 surge a Tuna da FacFil - Faculdade de Filosofia da Universidade Católica de Braga (extinta em 2000). A tuna que encerra a sucessão intensa de surgimento de tunas – 6 tunas em 7 anos – é a Augustuna - Tuna Académica da Universidade do Minho, que surge em Braga no ano de 1996, e que colmata a falha tipológica, então, na Academia Minhota: É a sua primeira tuna mista. Está encerrado o boom cultural e tuneril na U.M. de então.








As Tunas que nascem posteriormente surgem todas em Braga - até hoje mantém-se o duo exclusivo Tun’Obebes / Afonsina em Guimarães, servindo ambos os sexos. Nos anos 90, aliás, não surge mais tuna nenhuma e existe um interregno de 13 anos no que à fundação de Tunas diz respeito.






Neste lapso temporal dão-se algumas mudanças, a maior das quais é o desaparecimento da Augustuna. Em 2003 passam ao formato tuna masculina, em 2004 organizam o seu primeiro festival, em 2006 tentam organizar o segundo (não se encontram registos do mesmo), em 2007 está documentada uma festa dos 10 anos da Tuna e em 2008 já não há rasto da Augustuna. Mas mais abaixo iremos novamente à Augustuna.


Em 2007 nasce a Estudantina de Braga, mais uma tuna masculina na cidade dos Arcebispos.


Entre 2009 e 2013 surgem mais 3 tunas, um mini-boom à escala Bracarense, em parte explicado pelo crescimento sucessivo da Universidade do Minho em número de alunos.


A Augustuna não viria a desaparecer ad eternum, vindo a ressurgir durante o mini-boom de tunas que se dá entre 2009 e 2013.


A Tuna de Medicina, que nasce em 2009 e que inicia este período temporal de fervorosa actividade cultural, é a primeira Tuna mista ainda em atividade enquanto tal; em 2010 a Augustuna regressa definitivamente e em 2013 fundam-se as últimas tunas (e até hoje) em Braga: a Tun’ao Minho – Tuna Feminina Académica e a Literatuna – Tuna de Letras (mista).


Convém referir ainda a LexTuna, uma Tuna de Direito que surgiu em 2007 no contexto das comemorações da Associação de Estudantes de Direito da UM, mas que nunca chegou efectivamente a vingar, tendo a sua existência ficado circunscrita a 2 atuações, nenhuma das quais aberta ao público – fica registado, contudo, o facto - sendo ainda possível aceder à sua página do Facebook. Parece ter havido uma tentativa de ressurgimento em 2011 e depois em 2012, mas tanto quanto se sabe, nada daí resultou.


Quanto a Festivais, hoje em dia todas as tunas organizam o seu, à exceção da Augustuna e da Literatuna. De todos estes, existe a curiosidade de haver dois festivais que contam com dois dias de espectáculo, algo que começa a rarear no panorama nacional: o FITU Bracara Avgvsta (da T.U.M.) e o CE.L.T.A. (da Azeituna), os dois grandes certames por excelência da Cidade de Braga, com efectiva carga histórica e, consequentemente, relevo de facto no panorama nacional e internacional.


Referir ainda As Líricas - Tuna Feminina da Universidade Católica Portuguesa de Braga, fundada em 2003 e a Tuna do Externato Infante D. Henrique, apresentando-se publicamente em 1992 - tuna essa que não pertence ao ensino superior.





[1] -  “Capas Negras”, “Despedida”, “Ilusões”, “Recordando” e “Risos de Estudante” são alguns dos temas da Tuna do Liceu Sá de Miranda legados pelo seu autor, Armindo Maia, à TUM e que foram gravados pela Tuna Universitária do Minho.


(Editado em 2/5/2018)



N.B. - Agradecer penhorado a excelente colaboração do José Pedro Rodrigues na elaboração desta Aventura, bem como ao Engenheiro Luís Veloso, fundador da T.U.M. pelas pertinentes adendas.



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