Vou focar as próximas "Aventuras" em temas de Tunas que, de alguma forma, marcaram a minha vivência Tuneril e desde sempre - por vários motivos mas sempre, sempre, sem descurar a sua interpretação.
Começo hoje com esta estratosférica interpretação de "Txanton Piperri" - ou Chanton Piperri - uma ópera de Buenaventura Zapirain com libreto em basco de Toribio Alzaga, estreada em 6 de janeiro de 1899 no Centro Católico de San Sebastián, aqui magnificamente interpretada pela Tuna Universitária de Deusto, Bilbao.
Ainda hoje é das melhores interpretações que existe deste tema, totalmente vocal, com esta letra em Basco:
Euskal Herriko semeak gera zor dioguna bizia.
Beraren alde emango degu zainetako odol guztia.
Euskal Herriko alabak gera zor dioguna bizia.
Beraren alde emango degu zainetako odol guztia.
Bere lege ta hizkuntza ederrari, diogun maitasun guztia.
Hil arte oihu egingo degu bizi bedi Euskal Herria! (BIS)
Bere lege ta hizkuntza ederrari, diogun maitasun guztia.
Hil arte oihu egingo degu bizi bedi Euskal Herria! (BIS)
Euskal Herria!
Em Português,
Os filhos do País Basco devem-nos as suas vidas.
Daremos todo o sangue que temos em nossas veias por ele.
As filhas do País Basco nos devem a vida.
Daremos todo o sangue que temos em nossas veias por ele.
Todo o amor que temos por sua bela lei e linguagem.
Gritaremos até morrer, viva o País Basco! (BIS)
Todo o amor que temos por sua bela lei e linguagem.
Gritaremos até morrer, viva o País Basco! (BIS)
O País Basco!
Mais além da interpretação em causa - que como disse antes, para lá de genial - algumas notas que devo realçar, agora, aqui, em contexto de época.
O canto Basco é, por excelência, prova de vigor de um País que sempre sofreu, politicamente, às mãos do Estado espanhol, ainda antes da ditadura Franquista, até, continuando pela Democracia dentro. Uma das formas de aculturação mais usadas é, precisamente, substituir a língua mãe pela "de Estado", sendo que, ainda hoje, se assiste a uma tentativa de banir não só o Basco, como o Catalão e mesmo o Galego, por parte de Madrid.
Nos anos 90, tal era factual. Por essa mesma razão, uma Tuna sediada no Pais Basco era, per si, já algo de especial relevância, por inusitado, corajoso e audaz. Cantar em Basco era ir ainda mais além. Desta forma sublime, então, quase uma afronta diplomática. Só por isso, já vale a referência.
Depois, porque não deixa de ser "curioso" que a facção mais à direita, Franquista, no actual espectro politico parlamentar castelhano - no caso, o partido Vox - é liderado por alguém que, curiosamente, foi licenciado na Universidad de Deusto - Bilbao, cidade onde nasceu, de onde é, precisamente, originária a Tuna de Deusto.
Fica, essencialmente, a curiosidade mas, principalmente, esta magistral interpretação da Tuna de Deusto - atém da coragem, ao cantar esta obra prima Basca.
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