A Aventura do Eça, esse grande futebolista.





Mais um Clássico. Poderia "espetar" a famosa Carta de Eça de Queirós a Camilo Castello Branco e ficava resolvido, mas já o fiz, aqui, anteriormente.


Siga, então.


Sempre que há uma tema “quente” – diga-se assim, porque muitas vezes, de quente nada tem – lá surge, e legitimamente - reforço, legitimamente – quem salte a terreiro para, ou colocar água na fervura  ou regar a fogueira com gasolina.

 

Até aqui, tudo bem, normal, é disso que é feita a Democracia, até – e sem a colocar em causa em tempo algum.



Quando alguém que sabe sobre o tema – o que não configura qualquer ilícito, o Saber, acho eu ... - salta a esse mesmo terreiro e esclarece, surgem, regra geral, os ditos contestatários ao Facto. Continua tudo ok e na mesma base da Democracia em movimento.



Mas – e há sempre um mas – a mera contraposição do opinativo face ao Factual é já, por si só, um inato desequilíbrio: Uma Verdade comprovada vale sempre mais que uma Opinião, mesmo que altamente respeitável.



E porquê? Precisamente pela natureza de cada uma: 


Um Facto (“o ser humano precisa de ar para viver”, p.ex.) é sempre superior a uma Opinião, mesmo que do Papa (“não é necessário ar para viver, basta uma Bíblia, Fé e a Vinha do Senhor”). Respeitável mas inverosímil, por falso – ao contrário do facto comprovado cientificamente, que será o ser humano necessitar de ar para viver).


Até pode dar-se o caso da nossa Opinião ser igual ao Facto em apreço. O que não diminui/aumenta nem o Facto, nem diminui/aumenta a Opinião em causa.


Depois, a questão do direito a opinar. Sim, todos têm direito a dar a sua Opinião, certíssimo. Tudo ok.


Mas qualquer Opinião que não coincida com o Facto não invalida quem o divulga/comprova/relata e menos ainda invalida o FACTO em si.


É, precisamente, ao contrário: O Facto está acima de qualquer Opinião, pela mera natureza distinta dos dois conceitos. 

Ora vejamos:



FACTO: 1.Coisa realizada. = ACTO , FEITO · 2. Acontecimento.



OPINIÃO significa a manifestação de uma forma de ver, representando o estado de espírito e a atitude de um indivíduo ou de um grupo em relação a um determinado parâmetro ou realidade.



COISA REALIZADA Versus FORMA DE VER. Não esquecer que o tema substantivo são Tunas, no caso.


Dito tal, se a mesma for observada, corre tudo dentro da mais natural sequência: 
Opina-se, a torto e a direito e, entretanto, surge o FACTO que é o objecto das opiniões.


Mas o “problema” começa quando alguém, confrontado na sua opinião (que não coincide) com o FACTO, não podendo contra-argumentar (lá está, porque é um FACTO) passa para a fase seguinte: A fulanização daquele que divulga/comprova/relata o FACTO.


Aí, surgem os epítetos mais ou menos “simpáticos” a quem apresenta o FACTO, na tentativa, 1º, de diminui-lo e 2º, fintar o tema substantivo para evitar, assim, ser confrontado com o tal FACTO – que, obviamente, não é alinhado com a sua opinião.


Traduzo: Percebendo que “meteu as patas” em ramo verde, ao invés de reconsiderar e aceitar o FACTO (e até podendo manter a sua opinião, atenção), ataca o fulano que o reproduz: 

O tal Clássico.


O FACTO não se contesta até nova prova cientifica em oposto (e em Tunas já ocorreu). Nenhuma Opinião altera um Facto.


Bom, não sendo a minha área de estudo a psicologia, poderia tecer aqui uma série de considerações sobre quem se comporta desta forma supra citada. Já é penoso q.b. – por ridículo - assistir a ”isto” em estudantes universitários.


Fico-me, pois, á laia de conclusão, por uma citação de Eça de Queirós, num excerto de “As Farpas”:

Aproxima-te um pouco de nós, e vê. O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os carácteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há principio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos…[…]

 

                    A ignorância pesa sobre o povo como uma fatalidade.”



Sempre actual, o "tio" Eça.


Mas se achas, na tua sacro santa forma de ver, certamente legitima e respeitável, que Eça de Queirós foi ponta de lança do Belenenses na época 1958/59, tal é obviamente a tua opinião.


Nos antípodas do Facto. Mas tua opinião.





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