Esta coisa do “maior da minha rua!” é comprovadamente uma táctica de guerrilha, de forma a por um lado, inflacionar o que não tem por onde – sem prejuízo do que bem porventura faz, e/ou mal – por força de um discurso obstinadamente do género “ou és desta rua ou estás contra esta rua! “ – como se porventura não se pudesse criticar/elogiar sem tomar partido de rua alguma porque, pasme-se, se mora numa praceta até – cuja única intenção é tentar impor pela força desse maniqueísmo a tal noção acima de que de facto sou o “maior da minha rua!” e ponto final. Quase que um atestado de impunidade, uma profissão de fé, um pedestal imaculado à critica seja de onde seja – o que não deixa de ser curioso nos dias de hoje, onde até o Papa Ratzinger admite (embora em situações especiais) o uso do preservativo, num anacronismo por demais óbvio. Por outro lado, esta táctica de guerrilha do parlapié é nada mais, nada menos do que o assumir das próprias fragilidades, pois caso oposto não necessitariam de um discurso belicista, deixando o fenómeno auto regular-se tranquilamente. Dá a impressão que o “Maior da minha rua!” não quer mais ninguém na sua rua, é o partido único e ponto final. Nada tuneril, diga-se.
É praticamente uma espécie de ditadura do “patuá”, do “parlapié”, onde tudo que seja dito contra o santíssimo “Maior da minha rua!” dá direito a queima amarrado a pelourinho, ou seja, criticar um milímetro é sinónimo de final tipo Joana D´Arc. Faz-se birra e tudo, como os putos do liceu, insulta-se até se for caso, e siga a histeria para a frente que “na minha rua é assim e mais nada!”. Seria até engraçado não fora tratar-se do meio tuneril, supostamente de gente com alguma – vá – elevação e educação, capaz de exercer o contraditório sem desatar aos berros. É como na Coreia do Norte, ignora-se tudo e todos, até o que está à frente dos olhos, desde que se tenha um discurso “musculado” e 1.000.000 soldados em armas a gritar pelo “Grande Líder”, que é o “Maior da minha rua!” lá do sitio, é bom de ver. Uma espécie de “ilha” no livre pensamento, isolada dele para assim não ser infectado pelas mais que naturais e óbvias vivências democráticas do resto do mundo, ou seja, das “outras ruas todas”. Claro que se foram ao Google Maps, ao procurarem a Coreia do Norte irão reparar que é a única nação que, “inteligentemente”, não mostra o seu mapa ao mundo. Esses sim, é que estão certos, os outros países todos, “cambada de burros que estão contra nós, é tudo para mandar abaixo!!!!!!”. Boa malha!!!
De facto, “O Maior da minha rua!” regra geral é um tipo Chico-esperto, que não percebe nada de nada sobre o essencial mas sabe todos os truques acerca de como berrar mais alto que todos os outros. Por via de regra, é sempre ele o “dono da bola” e dita por isso as regras dele: quem for por ele está nos tais 1.000.000 de correligionários – todos eles inteligentes e com Comenda de Gratidão dada pela Pátria; quem for um bocadinho que seja pela opinião que a sua própria consciência dita é um “traidor” a caminho da “execução” perante “pelotão de fuzilamento” legalmente composto pelo “Comité Central” lá da “rua” do “Maior”. Isto em pleno Século XXI não deixa de ter a sua piada, até. Já num meio universitário não tem rigorosamente piada nenhuma, pela tristeza que revela. Já no meio estritamente tuneril é definitivamente para servir de anedota geral. Ou seja, lá na rua a coisa é séria mas no plano toponímico da cidade é a chacota geral. Constata-se que os únicos inteligentes desta cidade moram todos, por obra Divina quiçá, na mesmíssima rua do “Maior!”: Esta nem o Hitler conseguiu, carago, tamanho o grau de pureza seleccionado!!!
Em suma, “o Maior da minha rua!” a manter-se neste registo autista e a não saber conviver com as outras ruas todas, fechando a sua nas extremidades e cortando a TV Cabo a toda a malta lá da rua, mais dia menos dia arrisca-se a deixar de ser o “Maior!” lá do sitio e depois passará inevitavelmente a ser, antes sim, o “Maior!”…do quarto dele. É que caso não se tenha reparado, vivemos todos no mesmo mundo, mesmo havendo quem pense que o “seu mundo”, a “sua rua” basta.
Sintetizo: O Mourinho é o “maior da rua dele”, da rua onde morou em Inglaterra e em Itália e provavelmente em Espanha. Em suma, é o maior das ruas todas. Mas ao Mourinho compreendo-lhe a arrogância – pese não concordar – ao dizer que é o “maior”. E porquê? Porque tem razões objectivas para isso. Já outros….
Post Scriptum: Dedicado a todos aqueles que sabem Estar e Ser neste mundo tão especial. É, se quiserem, uma "Aventura" aberta a todos aqueles que entendem as coisas de forma séria, saudável e objectiva.
4 comentários:
Tens de escrever textos mais curtos... é que demorei onze minutos a ler isto tudo :)
Abraços!
Para bom entendedor, meia palavra basta.
Alguns irão assobiar pró lado fingindo não ser para eles, outros não perceberão, e outros ainda não terão como.
Mas que dizer, há construturores de bairos novos que constroem sem plano director municipal, sem alvará ou licença, e depois acusam tudo e todos de não serem tipos porreiros e fecharem os olhos.
outros ainda ficam tão deslumbrados com a sua ilha que chegam até a acusar a restante cidade de estar fora de prazo e de arquitectura ultrapassada e feia.
São dos que, depois, se atribuem os prémios em sede própria e se encarregam de publicar os seus proprios jornais para neles se poderem auto-elogiar, achando que o elogio em boca própria é fruto da opinião de todos.
Note-se que falo de questões meramente comportamentais, não de mais nada e em rigor. Para que conste.
Abraços!
é, pá.
Como nos últimos tempos os meus interesses têm andado virados para outro lado, ao ler o texto, quase me parecia estares a falar do meu bastónário António Marinho e Pinto...
hehehehe
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