A Aventura do fim da Co-Laboração......

Colaborar. Laborar com. Alguém. A meias, como se diz.

Parece que chegamos a um ponto de ruptura. Desde o "boom" tunante de meados dos anos 80, inícios dos de 90, que os orgãos da Praxe, grosso modo, co-laboraram com as tunas e vice-versa. A bem dizer, foi mais vice-versa que versa-vice, é pois o que nos mostram todos estes anos e até hoje. A cada passo, era sempre a pré-disposição porreira das tunas a ser testada e muitas vezes, ignorada pelos Senhores da Praxe. Foram as Tunas, nestes 25 anos mais coisa menos coisa, mais usadas a bel prazer do que o oposto. Muito por "culpa" da nossa boa vontade, boa vizinhança, carácter altruísta, que muitas vezes caiu nos exageros de se tocar aqui e acolá a troco de umas sandochas e uns finex´s, deixando as tunas fora do muito que se foi fazendo. E a malta das tunas, porreira como só ela, lá foi alinhando nas tangas e deixando-se andar enquanto se construíam impérios financeiros em torno das Queimas, Semanas Académicas e afins. Um maná, ao fim e ao cabo: Quando deu jeito as tunas eram porreiras, quando não, estorvavam e fora com isso. Nem aos calcanhares do Quim Barreiros chegamos. Pudera: Não damos retorno na bilheteira....

E lá fomos co-laborando, em prol do bem maior, a Academia. Uns a laborar no seu metier, na boa, porreiros; outros a laborar para os seus interesses comezinhos e particulares. Tava visto que mais dia menos dia ia dar borrasca e da grossa. A única dúvida seria como, quando e onde: o porquê é fácil de verificar.

Quando se começaram a aperceber do óbvio - hoje, muito do que é Academismo a sério, vivência universitária, etc e que arrasta gente atrás, ainda hoje, é à pala da malta porreira das tunas. Enquanto isso, os Senhores da Praxe foram ficando cada vez mais á mostra, carecas, desnudados, face ao que pregam e ao que realmente praticam. E começaram a ficar sem palcos, sem público, sem caloiras e caloiros. Tinha-se iniciado o Calvário para eles: "Como vamos fazer o que sempre fizemos sem gente atrás de nós como antes era, que justifique esta cena toda, sem dar nas vistas?" (como se a malta fosse toda papalva...). Tinha-se acabado o eterno argumento da " vetusta Academia, tudo por ela, nada contra ela". Lá se tinha ido à vidinha o álibi que desde sempre tinha "funcionado". Olharam para o lado e só viram, da época de ouro, uma coisa que restava em pé, plena de força e pujança apesar de tudo: A Tuna.

Como bom menage-a-trois feito desde então, a Praxe, a Universidade e a Tuna andaram sempre metidas umas com as outras. Um dia, saltou fora a Universidade, que mandou a Praxe e a Tuna passear, depois de as usar e abusar delas até à exaustão para se promover; a crise tem destas coisas, como bem sabemos. Quando a Universidade saltou fora porque farta de empatar dinheiro, restaram os outros dois amantes, que por o serem, nunca estiveram sequer casados, nem tão pouco em união de facto. De facto, a uni-las, só o fato: O Traje. De resto, era eminente a separação. Faltava apenas algo a despoletar tal cenário; a Tuna continuou a lavar a loiça, a aspirar a casa, a passar a roupa a ferro e quando a Praxe chegava a casa ainda por cima reclamava e dizia "jovem, isto está tudo uma bandalheira do caraças, não sais de casa nos próximos 3 anos!". Claro que no final, a Tuna ainda agradecia o mimo e até, em alguns casos, oferecia pateticamente, um ramo de flores à Praxe, que entretanto, na Queima e afins, dormia com o Quim Barreiros em pleno Queimódromo, entre uns free pass´s e umas borlas nas barraquinhas...

Paradoxalmente, se alguém tinha - e tem - razões objectivas para correr com a parceira, seria a Tuna, que sempre amochou, trabalhou, laborou a troco de quase nada que a Praxe lhe deu nos ultimos 25 anos. Pior, vem de familias antigas, centenárias, a Tuna, e vexou-se desde à 25 anos por ser como é, afinal. Um dia destes, chegou a casa e viu a Praxe a meter-lhe as malas à porta, dizendo-lhe ainda por cima que "se dormires com esta e aquela e aqueloutra, tás lixada!". Em suma, vestiu-lhe a Burka e arriou-lhe porrada sem razão alguma....

Razão alguma? Temo que não seja exactamente assim. A Praxe e os seus Senhores nunca perceberão que a Tuna tem pedigree, tem história, passado, muito anterior a eles mesmos. É uma centenária Senhora e eles nem deram conta de tal. Nem dariam, porque entretidos a tratar das suas vidinhas, não percebendo, até hoje, que estavam a "mandar" afinal, neles mesmos: Já ninguém lhe liga patavina.Ora, percebendo - finalmente! - o evidente, haveria que fazer algo, junto de quem ainda hoje continua, humildemente, a fazer o seu papel: a Tuna. Descobriram na Tuna que, afinal, ela até, para cota, tinha umas curvas porreiras que atraía multidões, precisamente as que hoje faltam e tanta falta fazem à Praxe, vazia delas. Que melhor maneira de voltar a ser o que foram, nem que seja pela força?

As Tunas, hoje, são o Viagra dos Senhores da Praxe, pensam eles. Pensam mal. É que eles um dia destes caem, a Tuna não. Se tivesse de cair, já tinha caído com tanta porrada que tem apanhado nos últimos 25 anos. Se não caiu até agora, não vai ser hoje que ela vai cair. Já outros não podem dizer o mesmo. Curiosamente, vai ser o único serviço que a Praxe vai prestar à Tuna desde sempre: Uni-la, fortalece-la. Lá se foi a co-laboração. Agora, graças a eles, a Tuna vai laborar, sozinha: afinal, nada de novo para a Tuna, é o que faz desde....há 100 anos para cá.

Comentários

WB disse…
Muito bom! Grande analogia e uma grande lição neste teu artigo!

Parabéns!
Marta disse…
Numa única palavra: soberbo!!! Muitos parabéns!!
Beijoka.
Pardejo disse…
Simplesmente, Parabéns!
El Yacaré!!! disse…
Os meus parabéns meu querido amigo. Nem mais, nem menos. Mesmo na mouche!

Descreveste sem dúvida nenhuma a realidade actual e o panorama da Praxis vs A Tuna. A primeira está a morrer e a segunda dificilmente morrerá... por isso é que se querem agarrar a ela em vez de se preocuparem em adaptar a Praxis e as Tradições aos novos tempos. Mas como isso dá trabalho, tem que se pensar e tem que se dar o braço a torcer em muitas coisas... é mais fácil atacar quem está bem e que nunca quis mal à Praxe!

Um grande abraço!

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