A Aventura do P.R.E.T. - Processo Retroactivo de Educação Tuneril: Adágio

Adágio.


Não pretendo com a presente análise qualquer historiar dos ultimos 20 anos, nem tão pouco tal é objectivamente possivel, por variadissimas razões desde a mais escolástica até à mais sensata de todas, o perigo que tal análise encerra e desde logo. Já uma análise de costumes se verifica mais plausível porque vivida na 1ª pessoa a mesma timeline; é com base nessa vivência que se segue o exposto, que por tal a mim exclusivamente me vincula. E por tal entendo que é necessário neste momento iniciar-se um PRET - Processo Retroactivo de Educação Tuneril.


Após alguns anos subsequentes ao "boom" tuneril dos anos 80/90 do Século passado, e numa análise mais perspicazmente horizontal da timeline que nos conduz aos dias de hoje e de há 20 anos para cá grosso modo, cruzando as informações agora trazidas à estampa com os comportamentos adoptados pelas tunas nacionais e (des)evoluções tidas por força de factores externos à tuna, concluo que:


1º) A Tuna portuguesa passou por vários estádios condensados em "modas" tão efémeras quão interessantes (umas mais, outras menos) bem como por vários pontos de vista (musical, estético, etc) que a enriqueceram e/ou empobreceram/agrediram;


2º) A Tuna nacional foi paulatina e lentamente ignorando neste período a influência da tuna espanhola na sua própria cultura, o que, na procura sedenta da sua própria identidade, 1º aceitou-a timidamente, depois olvidou-a e mais tarde, em certos meios, hostilizou e/ou ridicularizou a mesma;


3º) A Tuna Portuguesa - e no dealbar do "boom" - foi liminarmente usada, 1º pela Praxe, depois hostilizada pelos organismos ditos da mesma e hoje é violentamente agredida pelos mesmos atrás citados, numa clara mistura de estações que em primeira e ultima análise só prejudicou e prejudica a tuna; Mais adianto, tem-se revelado mais recentemente de custo elevadissimo esta promiscuidade contra-natura;


4º) A Tuna nacional acantonou-se progressivamente no certame e por força disso e com tal, regressou ao modelo indoor da transição do Século XIX/XX sem saber sequer de tal facto, numa espécie de repetir da História; Por força de tal, saiu das ruas que ocupou no "boom" e nos anos imediatamente subsequentes, bem como deixou a Serenata espontanea praticamente desaparecer;


5º) A Tuna Portuguesa foi-se progressivamente segmentando, sendo que se hoje se encontram algumas  ainda no paradigma "jurássico" que se traduz no chavão "tuna é garrafão de vinho e arrebimba-o-malho e siga!!!!" as restantes - maioria - se foram posicionando em função do tempo e espaço que cada uma foi ocupando, ora de forma natural ora em função da força atractiva do certame competitivo explicado no ponto 4º; nessa segmentação urge verificar a emergência 1º da tuna feminina e depois das tunas de carácter mais abrangente/alargado e mais recentemente ainda das de veteranos/quarentunas.


6º) A Tuna nacional é profundamente néscia - e na generalidade - no que toca à sua própria génese, natureza de facto, espaço vital, importância cultural e acima de tudo, no que se reporta à sua própria percepção daquilo que é de facto, a tuna estudantil; subsiste o equivoco Supremo: "Sou tuno, logo sei tudo sobre a tuna". Nada de mais falso por arrogante postura.


Serão desenvolvidos ao longo dos tempos estes pontos, quer de forma isolada, quer de forma interligada, como parece óbvio, tratando-se de uma cultura tão dinâmica como esta é. Por ora estas - admito, polémicas - declarações que mais não são do que constatações. Minhas. Estão, pois abertas as hostilidades que indiciam o PRET.

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