Há ou não, no mundo tuneril, um culto da ignorância?
Claro que há. Mas vamos mais além da resposta óbvia.
Já nos podcasts feitos durante a pandemia se falou sobre tal - penso que nos da AHT mais especificamente. Porque é muito mais fácil romantizar, inventar sobre a invenção, dado que não obriga a ler uma linha que seja. Ouve-se "umas coisas" e desde que sejam agradáveis de se ouvir, repete-se, tal como um papagaio faz, sem qualquer pensamento critico.
A romantização da Tuna é objectivamente perigosa para a Verdade, porque assenta no aleatório estado de espírito do romancista - e não na realidade histórica e factos adjacentes.
É, aliás, precisamente, a diferença entre os dois campos: A 1ª brota apenas da imaginação, alimentando, assim, a mentira; o 2º serve apenas a Verdade.
É muito mais interessante para os ouvidos do ignorante, escutar e reproduzir confortáveis romances, logo, fraudes - como sermos brasonadamente nados no Século XII, p.ex, quando tal é factualmente falso - há muito desmontados, até.
Então, se estão há muito desmontados, porque se insiste em romantizar?
Porque romantizar - ou inventar, é igual - não obriga a ler e a pensar.
Ao invés da pivotal realidade, prefere-se a sibilina ficção. A grande diferença é que qualquer um pode romantizar - e já muito poucos podem factualizar.
Tal é ainda mais grave, quando a informação de facto está disponível a todos, como nunca esteve: Não é privilégio de alguns, é propriedade de todos.
Assim sendo, só se pode aferir uma coisa em quem continua a romancear: Má formação ética.
Quem espalha mentiras mesmo correndo o risco de, acto contínuo, ser desmentido publicamente, é porque sabe que o crime compensa.
E se compensa - como ele acha - é porque o meio onde se insere assim o aceita e ratifica.
Se há campo para a mentira lavrar e há quem a propague, então nenhuma culpa pode ser imputada a quem procura e difunde a verdade. Aliás, pelo oposto: Devem estes últimos ser superiormente enaltecidos.
Quem vive da e na mentira, está nesse registo conscientemente. Seja por preguiça em ler ou maledicência típica da inveja.
Eis-nos, pois, chegados à conclusão:
Quem romanceia e inventa sobre a Tuna é, em síntese, o pior inimigo desta última.

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