A Aventura da Competição





Sobre a não-questão da competição e quarentunas.


De facto, é "tradição" - as aspas são prepositadas, já explicarei adiante porque - importada do caso espanhol - ora cá está, de novo... - a não competição entre esta tipologia de tunas.


Ou talvez não.


Se entre esta tipologia é normal, por hábito, a não competição nos seus eventos e entre as mesmas, o mesmo já não se poderá dizer quando alguma(s) desta(s) participa(m) em certames com outras tipologias de tunas e que são, por tal, competitivos. Ou seja, é cada vez mais frequente assistirmos - ao contrário do dito por alguma residual vox pop e da IA made em Temu - a inúmeros exemplos de participações deste tipo de tunas em competição tuneril com outras tipologias - as chamadas tunas masculinas, femininas e mistas.


Aliás, nos últimos anos temos assistido, por cá e até em certames em Espanha - como uma simples pesquisa na www comprova - a uma maior participação a concurso deste tipo de tunas com outras tipologias, o que é algo absolutamente normal; qualquer preconceito errado criado algures nos tão remotos quão românticos anos 90 do século passado não passa disso mesmo, de um preconceito. Se não era hábito, pode muito bem passar a sê-lo, como está, aliás, a ser. Regra? Claro que não. 


Não existe regra cravada em tábua de Moisés alguma, em lado algum, nem remotamente na História tuneril nem hoje, que obrigue uma quarentuna a ir/não ir (escolha p.f.) a concurso em certame competitivo. Um hábito é um comportamento automático e repetitivo que realizamos quase sem pensar; regra é uma norma externa estabelecida por um grupo, instituição ou sociedade que exige conformidade.


Feita a distinção supra, serão várias as causas que advogam a cada vez maior participação deste tipo de tuna em certames competitivos. Entre as que se poderão alvitrar há uma, contudo, que me parece ser a mais relevante: As afinidades entre cada uma dessas tunas e as organizadoras de eventos competitivos. O que comprova, desde logo, uma mudança de hábitos a este nível, que faz todo o sentido: 


O mais importante são os relacionamentos pessoais - e não falsos ditames tão castradores quão falsos, que induzem desde logo ignorância sobre o todo do fenómeno. Se a Tuna estudantil é de finais do Século XIX, a quarentuna é tão recente de 5 décadas e, por cá, de 3 se tanto. Parece estranho, no mínimo, querer conferir "regras " que nunca existiram a algo que nem sequer atingiu 30 anos. A não ser que a asneira seja à conta da herança...


A questão da competição em Tunas estudantis não é nem dogma, nem regra, nem sequer importante. Nunca o foi, aliás. Conferir um qualquer rótulo, seja a quem seja, pelo mero facto de ir a concurso é tão absurdo quão estúpido. São opções tomadas a cada passo pelos intervenientes em questão, tão simples quanto isso. Mais uma vez, nunca houve regra alguma neste apartado tuneril - tal como em 99% dos outros.


Dito tal, concluí-se ser algo absolutamente natural - até porque acontece e cada vez mais - uma quarentuna ir a concurso em certame competitivo tuneril. 


Até alguns que acham que não vão a concurso tuneril, pasme-se.



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