Domingo, Novembro 22, 2009

A Aventura do Comezinho Tunante...

Um pouco no seguimento do que o meu amigo J.Pierre escreveu aqui em tempos, surgiu-me mandar umas larachas sobre esta matéria não propriamente sobre o mesmo prisma mas por outros mais, digamos, profundos, mais na génese da problemática em questão.

A 1ª conclusão - à laia de introíto - que retiro é efectivamente uma inevitabilidade: Já não bastam as ciclicas questiunculas comezinhas - ou não... - intra comunidade Tunante para nos "divertirmos" todos e ainda temos como extra que "levar" com questões comezinhas - ou não... - de fora da comunidade Tunante para dentro desta. Ou seja, por que razão é que p.ex. uma Junta de Freguesia se acha no direito de organizar um festival de Tunas e porque, na mesma razão de lógica, Tuna alguma não se achará no direito de organizar uma Assembleia de Freguesia, p.ex.? Está certo, decorre esta ultima da Lei Geral, efectivamente. Ora cá está uma coisa que a comunidade Tunante não tem, por génese até, uma Lei Tunante Geral (ou por outra, ter tem, de Direito Consuetudinário, mas adiante...).

Ora, tem esta questão a ver essencialmente com o que somos enquanto cultura tradicional do que propriamente com outra coisa qualquer, aparentemente. Todos nós sabemos que de Juntas de Freguesia a Câmaras Municipais, passando pelos comerciantes da localidade e terminando quiçá na Paróquia ou Bombeiros locais, já para não falar nos "carolas" que um dia até foram estudantes universitários e vai daí, untados pelos santos óleos académico-tunantes do saudosismo estudantil (ahhhh, Saudade!!!), a tudo já assistimos como "organizadores" de Festivais (se fosse somente como deveria ser de espectáculos musicais, encontros como dizemos, seria bem menos desagradável como regra geral o é...).

Torna-se clarividente que, se uma Tuna não está vocacionada para organizar sessões de plenário Camarário ou de Freguesia, bem como simulacros de incêndio ou até mesmo aulas de catequese, não me parece de todo, passe o acima dito, que o contrário seja sequer plausivel. O problema é que é, a prática mostra isso mesmo, por culpa nossa, de todos, claramente. E essa culpa passa pela tal "espontaneidade" a que me vou referindo ciclicamente no "Aventuras", que nos leva, na flor da mocidade, a ser uma espécie de "maria-vai-com-todos" e todos querem ter lá a formosa, alegre e desprocupada (e barata, também, note-se) Tuna Universitária. E como todos sabem também, à mulher de Cesar não basta parecer, tem de ser, coisa que muitas vezes, a troco de um prato de comida e de uns garrafões, não somos e em alguns casos, nem sequer parecemos, note-se novamente.

Todo este cenário facilita o "paraquedista-que-se-julga-expert-em-Tunas-e-aí-de-quem-disser-o-contrário", figura mutante e mutável, que pode surgir quer na pêle de um vogal de Assembleia de Freguesia "expressamente do pelouro da cultura" enviado desde os ceús mais celestiais, quer na pêle do entusiasta de Tunas que julgando ter visto muitas e muitos já tem o Mestrado que lhe confere o direito "inalienável" de mandar umas "bojardas" pela boca fora em tons de sapiência tunante. Mais uma vez, culpa nossa, que não só os "aturamos" como ainda por cima lhes vamos dando a pretensão de enfiarem a colherada onde não são manifestamente chamados. É a tal "esponteneidade" mas em versão foleira, fraca, má, chunga.

Regra geral, com estes paraquedistas quem paga a factura são as Tunas Universitárias, que para além de terem de lidar com a sua realidade ainda têm de levar com a pretensa realidade que os outros de fora julgam deter quando nada sabem sobre a matéria, da mesma forma que uma Tuna nada sabe sobre as tais Assembleias de Freguesia. Isto acontece - esta permissividade da nossa parte - porque somos como somos, logo, vamos permitindo que quem nada tem a ver connosco vá "esticando a corda" ao ponto de nas suas cabecinhas acharem que já são parte de algo que nunca foram nem são (nunca se saberá se um dia serão...). Esta mania bem portuguesa de transformar um bom jogador de futebol num péssimo cantor já chegou às Tunas Universitárias...

E é aqui que reside o 2º factor - a par da nossa espontaneidade e cultura - de instabilidade externa criada por quem nada tem a ver com o meio tunante e que origina, regra geral, uma de duas situações: ou uma imensa risota pelo ridiculo com que se cobrem (menos mal, há que haver alegria e boa disposição...) ou então mau resultado de facto quando se põem a querer fazer coisas para as quais não possuem conhecimento, credibilidade e vocação e mais diria, autorização moral ou material para tal. E se isto acontece, a culpa é nossa, das Tunas Universitárias. Se quem invade o nosso espaço o faz com cumplicidade nossa, então a culpa já é nossa, logo, quem o permite não se pode queixar: colhe antes o que semeou.

Daí esta "Aventura". Regra geral quem nada tem a ver connosco ao querer "invadir" o nosso espaço com a nossa permissão, logo, cumplicidade, está a trazer para o nosso seio por via de regra o comezinho, a trica e a nica, o diz-que-disse, o feito à martelada julgando que está a fazer direito, o organizador de festivais de tunas "desde os tempos da Guerra dos Boers" e por aí adiante. E quando isso acontece - como se já não tivessemos nós, no nosso seio, as nossas coisas para nos "entretermos" - está obviamente o caldo entornadíssimo, trazendo com ele mais uma boa dose de algo que dispensamos todos - porque o que temos, nosso, que basta.

Bem sei que historicamente tivemos alguns que nunca tendo sido estudantes universitários sequer deram um grande contributo à cultura estudantil: Cito Augusto Hilário ou ainda Loubet Bravo, por exemplo. Contudo, excepções à regra foram e não consta mais recentemente que tais figuras tivessem tido sucessores à altura pelo menos. O que nos mostram os factos, a realidade, é que quando deixamos a quem não é deste meio tunante coisas que são do nosso fôro colectivo enquanto cultura estudantil, regra geral temos granel, temos "festa", temos confusão. Pode não ser por mal, pode ser até com a melhor das intenções. Mas uma Tuna bem intencionada continua a não poder organizar uma Assembleia de Freguesia somente porque lhe apetece.

Está, pois, por vários factos que se vão sucedendo, comprovado que quem é de "fora" não pode "rachar lenha". Se o fizer, das três uma: ou é mal intencionado, ou é demasiadamente convencido do facto de ser demasiadamente bem intencionado ou então é porque as Tunas deixam. A nossa respeitabilidade geral enquanto cultura estudantil assim o obriga, temos de nos dar ao respeito para ser respeitados. Enquanto deixarmos "paraquedistas" emiscuirem-se em assuntos nossos vamos continuar nesta "treta" inevitavelmente. Se nos assuntos internos de uma Tuna os seus caloiros não opinam sequer sobre os mesmos não se percebe esta permissividade para com estranhos. Com os resultados que todos nós sabemos.

Deixemos, portanto, o comezinho tunante dos outros para...os outros. O andebol universitário é igualmente muito interessante mas como não sou jogador de andebol não pio sequer, não sei nada sobre isso e limito-me a escutar quem saiba. Nas Tunas é a mesma coisa. Deveria ser. Se não é, não se queixem depois.

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

A Aventura do Engasganço....

É o que dá quando se faz a mesma pergunta só que ao contrário.

No PortugalTunas deixei, faz uns - largos... - dias estas questões abaixo:

"Existe alguma relação directa ou indirecta - partindo do pressuposto que as Tunas universitárias por cá, hoje, são musicalmente melhores que nos anos 90, p.ex. - entre tocar-se e cantar-se melhor e trajar-se um fato de astronauta, patinando suavemente de palco em palco?Será que por usar-se uma farpela tão "careta" como a Capa e Batina se canta e toca pior? Será que o gorro da Praxe asfixia - tema na moda, também - as cordas vocais? Há alguma relação directa entre Podologia e Musicalidade?"

Até agora nenhuma alma me soube responder sequer, que fará com cabeça, tronco e membros.

Ainda assim, aguardo com habitual parcimónia - e confesso, alguma expectativa...- que alguém me responda.....

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

A Aventura do Servidor...

Ao que parece o PortugalTunas está a mudar de servidor, fazendo com que esteja em baixo durante uns dias. De acordo com fonte fidedigna ressurgirá em breve com novidades. Será aguardar, portanto!

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

A Aventura do Burlesco Tunante....

Tema recorrente, de facto. Sem qualquer dúvida. Prova cabal e inequívoca da sua pertinência; se o mesmo fosse despiciente morreria no segundo seguinte ao que foi despoletado. E é precisamente por essa razão que, mais uma vez, cá estamos a falar sobre este tema tão sensível quanto revelador do actual estado geral em que o fenómeno se encontra.

1ª Constatação: se o assunto fosse por si só um disparate ele não se colocava hoje e/ou ciclicamente. Curiosamente, de cada vez que se coloca mais força ganha a sua razão em ser colocado.Coloca-se hoje - e outra vez, pela enésima vez - porquê? Bom, coloca-se novamente porque é insensato ou despreocupado quem acha que o mesmo não tem razão de ser colocado. Ninguém debate um assunto em concreto, tenha a opinião sobre ele que tenha, se o mesmo não lhe merecer pelo menos razão de ser, pertinente portanto.

Vejamos a garrafa agora meia-vazia: a quem não interessa colocar este assunto à tona? Na versão da garrafa meia-cheia, a quem interessa - novamente - colocar o assunto? Por si só estas duas visões da mesma garrafa atestam, desde logo, a importância - e o medo de alguns - em que o tema renasça ciclicamente. É óbvio.Por força do atrás dito, concluí-se sem grande dificuldade que há quem não queira ver este assunto debatido. Porquê?

Uns por "Nacional Porreirismo" (modalidade olímpica nascida em Portugal) que se traduz num sempre psicadélico por despreocupado "i´m free to do what i want any old time" tão bem "rasgado" pelos Rolling Stones, essa grande Tuna britânica. Outros por manifesto cagaço interesseiro que se traduz brilhantemente num tema do saudoso Tony de Matos intitulado "Só nós dois é que sabemos", quase que a dizer que os outros trezentos e pico não sabem coisa nenhuma e andam todos a nanar e por isso, vai daí, vale tudo em palco ou fora dele.

Ou seja, entre um "I´m free" e um "Só nós dois é que sabemos", apetece-me logo cantar a "Queda do Império" do não menos grande Vitorino, pois entre uns e outros, sobre Tunas só mesmo perguntando ao vento, que o que os outros dizem e escrevem de nada vale. Uma paródia vanguardista, basicamente, que se sintetiza no tema "black or white" cantado por Michael Jackson que, como todos sabemos, é o paradigma da coerência entre o branco e o negro, politicamente correcto nos tempos em que corremos, note-se.

Cruzando com esta noção acima que, com expressões e razões distintas apenas se limita a tentar justificar o injustificável, temos uma verdade incontornável a sustentar a mesma: a espontaneidade do fenómeno Tunante, noção de sempre - ainda que em dadas alturas o fenómeno sobreviveu por força da falta dessa mesma espontaneidade, numa excepção à regra: Nos tempos do Franquismo, por exemplo, de onde nós, tunas portuguesas, fomos beber tantas coisas, como por exemplo os símbolos na Capa. Será investigar, portanto, que é o que se costuma fazer quando nada se sabe, como fiz e faço, admitindo desde logo a minha ignorância sobre a matéria que procuro contrariar diariamente.

Como antes achava hoje continuo a achar. Uma associação/federação entre Tunas - sejam elas 5, 50 ou 500 - é tão voluntarista quanto justificável e por isso, mais que viável, haja quem assim o queira fazer. Se não foi feita até hoje 1º) isso não significa que não aconteça e 2º) porque provavelmente não temos pernas ainda para dar tamanho passo. Será, pois, questão de tempo, mais do que propriamente vontade. Agora, que a mesma é um imperativo - e se até hoje não existe a mesma e as coisas caminham para um cenário caótico e de completa bandalheira - tal é um facto inegável, ultrapassados que estejam alguns pontos quentes para entendimentos mais abrangentes. Quem não alinhar fica como está, entregue a si mesmo, parece-me pacífico e legítimo até por parte de quem não se queira alinhar e nem sequer é isso importante neste contexto. O importante neste futuro cenário será observar-se o que ocorrerá por parte daqueles que vêm neste possivel entendimento uma clara ameaça ao seu modus facienti; como eu os compreendo, pois é caso para recear de facto.

A espontaneidade do fenómeno Tunante não é a mesma coisa que permissividade tunante ou uma espécie de "laissez faire"; são conceitos distintos entre si, porque a espontaneidade de sempre do fenómeno tunante nunca serviu para justificar o injustificável. Espontaneidade por força de se ser Tuno (e com tudo o que isso abarca) e não espontaneidade para desatar a provocar, chocar por chocar, vestir e calçar o que bem se entende e por aí fora. Isso não é espontaneidade, isso é parvoíce e em alguns casos, calculada e pensada para atingir um objectivo apenas: publicidade - e sendo esta cara hoje em dia, já nem se coloca a questão se negativa ou positiva, desde que exista e provoque reacção, seja ela X ou Y. Ou seja, um fenómeno onde se inserem claramente exemplos como o Zé Cabra ou o Tino de Rans, apenas para citar alguns entre muitos - e se me lembrei destes é sinal que a publicidade chocante funciona.

O que é deveras chocante é a tremenda contradição a que assiste neste meio peculiar: Sendo estudantes universitários, chegados à Tuna Universitária o comportamento geral é de alergia ao conhecimento tunante. Pois, já sei, o meio é espontaneamente inculto, sim, pois, claro, of course. Ou seja, entre o atrás dito e o Zé Cabra não há grandes diferenças, vamos convir. "É pá, até é giro, a malta ri-se bué": outra modalidade olimpicamente "tuga" que consiste no facto de se colocar um bom actor a cantar mal, um bom futebolista a passar modelos sofrivelmente ou um bom político a contar de forma fraca e sem graça alguma anedotas – E consta que o Tino de Rans era e é um excelente calceteiro.

Ou seja, esta noção de que qualquer um pode ser o que quiser (julgando que) com sucesso quando se acaba de perder, ates sim, um bom profissional na sua área para se "ganhar" um péssimo “outra coisa qualquer”. É a chamada "interdisciplinaridade" dos tempos modernos que faz com que Darwin deixe de ser, num ápice, quem foi e passe a ser um desgraçado qualquer sem importância, portanto.

Depois, nesta equação errada à nascença, entroniza-se e desculpabiliza-se até o burlesco paratunante colocando logo de imediato o rótulo conservador - esse sim, bem conservador o que no meio de tanta "espontaneidade" não deixa de ser grotesco - a quem é tunante e tradicionalmente competente. Coisa maniqueísta que, se colocada ao contrário, faria todo o sentido. Mas não, "os gajos até são engraçados, free to do what they want! Não sejam caretas, pá, cambada de energúmenos que tem a mania que sabem destas coisas das Tunas!!". É uma maçada, saber-se, investigar-se. Quase criminoso! Aguardo a minha medida de coacção, preferindo a da moda - apresentação periódica na esquadra da residência…

Bom, não vos maço mais pois até para estudantes universitários acho que já me estiquei em demasia (ou “bué” como se diz agora de forma espontânea). Acontece é que com tanta evidência à frente dos olhos, só não vê quem não quer realmente ver. Uma Tuna universitária não é a mesma coisa que um grupo de estudantes da mesma universidade vestidos da mesma maneira e que tocam umas coisas. Não é. Isto é um facto, não é uma opinião. Até eu que nada sei destas coisas de Tunas percebi isso a seu tempo, com estudo e investigação sobre o tema. Mas admito que haja quem sem ler uma linha saiba muito mais do que eu sobre estas coisas; Quando for grande quero ser assim, como o Zé Cabra…

Domingo, Novembro 01, 2009

A Aventura do Senhor Rádio

Nada a ver com Tunas, seguramente. Desconheço até se António Sérgio gostava ou não de escutar Tunas. Mas como ex-radialista, presto a minha homenagem a este Senhor da rádio portuguesa, um dos seus maiores vultos, dedicando exclusivamente à Rádio durante mais de quarenta anos e que nos deixou pérolas como por exemplo "Som da Frente", que tanto influenciou estéticamente a geração nascida nos anos setenta do século passado. Foi seguramente com António Sérgio que muitos de então conheceram em 1ª mão grandes nomes da música nacional e estrangeira. Citando Morrisey e os The Smiths - que António Sérgio me "apresentou" em tempos idos - There Is A Light That Never Goes Out...

Foto: Jornal Destak.