Quarta-feira, Dezembro 23, 2009

A Aventura do Essencial..

Provavelmente será esta a última "Aventura" do ano. Bom, vamos a ela...

A escocesa Susan Boyle é seguramente por todos nós conhecida. Participou no programa "Britans´s Got Talent", uma espécie de "Idolos" da Grande Ilha. Hoje, um caso de sucesso tremendo não só no seu país como também no estrangeiro. Uma voz magnífica, sem qualquer dúvida.

Curiosamente, não foi ela a vencedora do concurso. Pergunto eu: Sabem quem é que o venceu?

Pois...será procurar no Stº Google....retirem-se, pois as elacções que bem se quiserem retirar. Para mim, o que interessa é a essência, o óbvio, o evidente....


Para todos um Excelente Natal e um ainda melhor 2010!

Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

A Aventura da Prova dos Nove...

Gostava nesta ocasião de fazer uma declaração, um statement, muito pessoal, note-se.

No passado Sábado ocorreu-me algo que, em muitos anos de Tuna, francamente não me recordo de ter ocorrido. Mas como em tudo na vida, há sempre uma primeira vez para tudo e eu não sou - nem quero! - ser uma excepção à condição humana, que nos diz que o erro faz parte da mesma condição.

Ao solar o "meu" primeiro tema - de três que me couberam em sorte - a dada quadra da 2ª estrofe pura e simplesmente "bloqueio"e troco a dita cuja, cantando outra rima que não a correcta, embora do mesmo tema (vá lá, podia ter-me dado para cantar um verso de uma qualquer ramaldeira...), o que não me serviu de grande consolo, note-se: É que o tema em causa, dos três que cantei nessa actuação, é precisamente aquele onde nunca na vida poderia errar e "só" por um motivo, é que é cantado em simultâneo por dois solistas, o que faz com que qualquer falha fique imediatamente a nú sem piedade nem misericórdia. E foi precisamente o caso, eu para um lado e o Manel para outro (ele certo, eu errado)....

Assumindo a minha condição humana, assumi o erro, envergonhadíssimo como calcularão, logo após a saída de palco, pedindo desculpa a todos os Tunos do meu grémio que, em abono da verdade, foram uns "porreiros" ao não me baterem com um gato morto só parando caso o mesmo miasse. Até aqui, pese o caso em questão, ainda vamos indo, pois resolvi exorcizar o erro em causa gozando com a situação - a cantar com os meus companheiros nos "bastidores" e imitando a dita cuja troca/bloqueio/whatever....

Mas o que vos quero contar é o que aí vêm - e na sequência do acima. Chegados à entrega de prémios eís que o Exmº Jurado entrega o respectivo prémio....sim, adivinhem lá, vá (um rufo de tambor......) pois adivinharam, nem mais nem menos que à única Tuna presente que nunca poderia ser indicada como a que tinha o melhor solista da noite: a "minha" Tuna, pese os restantes solistas terem estado à altura e sem ataques momentâneos de Alzheimer....(sem desrespeito a quem sofre desta tão terrivel doença, note-se).

Há coisas que, de tão óbvias, nem precisam de constar de qualquer critério avaliativo e no caso, para o apartado de Solista, ou para outro apartado qualquer. Não é suposto sequer colocar nos critérios quanto ao Solista algo como "acertar na letra é obrigatório" por óbvio e natural. Como não é suposto noutros apartados avaliar-se coisas que nada têm a ver com o que é de facto para avaliar, dando depois nisto que vos relato.

A única diferença é que o conto na 1ª pessoa e não tenho qualquer problema em o fazer e muito menos assumir, porque pura e simplesmente não merecemos a distinção que nos foi dada, ponto período. Por mim, nem teria recebido a mesma, recusando-a liminarmente. Aliás, para todos os efeitos sei que não mereço a distinção por evidente, demasiado evidente. O melhor solista da noite, de qualquer noite de Tunas, não se pode enganar na letra. Ponto final. Eu enganei-me, forte e feio....

Para se poder exigir seriedade nestas coisas há que ser sério. E continuam a existir coisas neste nosso pequeno grande mundo que de sérias, como acima de percebe, nada têm. Cada um que conclua -e acima de tudo perceba - como e porque acontecem certas coisas...


Post Scriptum: Ao que me constou, atribui o Jurado o prémio porque e cito "apresentamos vários solistas", concluíndo-se assim que o critério para a sua entrega foi a quantidade de solistas (critério que não constava dos critérios previamente fornecidos pela Organização....). Sem comentários excepto um: pela montra já se percebe o armazém...

Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

A Aventura de 2009

Apesar de ainda estarem previstos alguns eventos, já se pode fazer uma pequena resenha do que foi o ano de 2009 em matéria tunante nacional. Não mudou muita coisa face ao costumeiro mas isso todos nós já sabemos, talvez porque reiteramos os mesmos erros de sempre, regra geral, tornando por tal a análise muito simples.

Contudo, denotou-se alguns "desaparecimentos" do mapa tunante, restando saber se estratégicos ou se por dificuldades objectivas, só o tempo o dirá. Com isso denotou-se também um fenómeno engraçado que se resume à elevação das cópias face aos originais, que mais não é que um sintoma claro de moda; provavelmente em breve virar-se-á o bico ao prego outra vez. As Tunas nacionais continuam regra geral, a tratar das suas santas vidinhas, num esquema organizativo institucional - a maioria - que considero jurássico mas que vai servindo os interesses de hoje de cada uma delas, grosso modo. No entanto, ao manterem esse esquema de outros tempos na sua organização interna estão a prazo a hipotecar a possibilidade de renovação e continuidade do próprio grupo. Hoje já se nota. Amanhã notar-se-á muito mais.

Continuam amiúde a surgir novas Tunas, não se sabendo muito bem como e de onde em alguns casos que se denunciam depois com a sua não actividade de facto. Algumas jurássicas instituições continuam a definhar e outras a manterem-se a custo, sendo certo que outras - poucas - conseguem sobreviver airosamente, com mais ou menos dificuldade consoante o habitat onde se inserem. Nada de novo, portanto.

Foi ano de ENT, finalmENTe, que poderia ter sido no que toca ao importante bem mais acutilante, com a participação costumeira e os boicotes também eles costumeiros que apenas lhe conferem a importância que o ENT detem.

Quanto a eventos Tunantes, o Festival domina claramente com maioria mais que absoluta, sendo certo que alguns vetustos certames se revelam este ano como completas desilusões, outros como "mais do mesmo" só mudando o ano e a cor do cartaz e outros ainda - poucos - surgem como apostas claras numa noção de certame completo, diversificado e em prol do público e por isso, mais eficaz. Em suma, muita parra e pouca uva para tanto evento tunante, sendo certo que com tanta parra o campo de manobra de alguns começa a ser desmesuradamente enorme, já para não falar dos "teoricos" do "sistema", que ainda assim nos vão divertindo à brava.

Em suma, não haverá muito mais a dizer: erros do costume, falta de alguma seriedade no que se é e faz, demasiada competição e as marés a "afogar" alguns "marinheiros" de doca seca e por aí adiante.

Pouco ou nada de novo em 2009. Esperemos por 2010.

Post Scriptum - Quase me esquecia mas este ano uns tolinhos quaiquer resolveram meter mãos à obra e investigar a fundo a génese da tuna portuguesa. Seus Marialvas!!! Hereges !!! A abrir o cofre do Santo Graal Tunante e a puxar com isso o tapete a alguns!!! Era bater-lhes com um gato morto e só parar quando este...miar!

A Aventura das Marés....

Há mais marés que marinheiros, já diz o Povo e muito bem. E o Povo, afinal, somos nós, não é "alguém" que está "ali ao lado", entidade terceira à qual, arrogantemente, quando usamos estes clichés, nos furtamos de ser, como se nada fosse connosco. Mas é.

A não observância desta frase de imensa popular sabedoria é um erro de "meninos" e em Tunas então, de meninos com M grande. Mais, é um erro corrente - por falta de gestão do silêncio, outra noção que deveria ser cara às Tunas - a par da falta de consistência em algumas coisas que são ditas quando a "maré está alta", esquecendo-se quem o faz que a seguir, outras marés vêm aí, a mostrar claramente que afinal, nestes rochedos, os mexilhões não colam, ao contrário do que se bradava antes. Depois lá vem uma maré baixa e lá fica o marinheiro "à rasca" porque o que bradou aos sete ventos caí como um castelo de cartas, sendo que é na maré baixa que fica à mostra tudo e mais alguma coisa. Em suma, quem não percebe que há mais marés que marinheiros está a expor-se claramente a um imenso mar de risota, que apenas diverte o Povo, ou seja, todos nós.

Bem sei que estas questões à maioria das Tunas nacionais lhes é perfeitamente irrelevante, pelas mais variadas razões. Mas como estas coisas ainda vão acontecendo, fica à mostra o topete, para lá de ficar à mostra muitas mais coisas. O Tempo é o melhor aliado da razão e com o passar do mesmo acaba por ficar tudo bem claro. Maré Alta e grande alarido retórico, mará baixa e o silêncio é imperioso por falta manifesta de sustentabilidade objectiva. Pena é que aquando da maré baixa não haja tanto "parlapié" como há com Maré Alta.

Gerir o silêncio é algo importante em Tunas. Faz parte até, diria, do DNA da Tuna enquanto tal, saber recatar-se nos momentos certos e intervir nos momentos também certos. Mas o que vamos vendo silenciosamente e com atenção relativa é o oposto, o que só "afoga" os marinheiros desavizados. Calculo até que muita da espuma na maré baixa não seja só das ondas.....

Saber Ser e Estar. Mais marés que marinheiros. Gestão do silêncio. Está tudo relacionado. E tudo isto bem gerido eleva a Tuna em sentido lato. Mal gerido, é uma "américa" de risota e de descredibilidade....