Quarta-feira, Setembro 28, 2011

A Aventura da Próxima Aventura....

Depois desta abaixo, outra virá, fica em 1ª mão a revelação. Está já a laborar, até. Será sobre a Tuna no Porto e sua História. Por ora, ficam com este preview.

A Aventura da Missão C(o)umprida....

5 anos, mais coisa menos coisa. Dava para tirar uma licenciatura, daquelas a sério, sem bolonhices. Um percurso comprido mas efectivamente, quero julgar, cumprido.

Contudo, e em vésperas do seu lançamento, há alguns considerandos que gostaria de tecer:

O 1º de todos: Que não se julgue, querendo decorar parágrafo a parágrafo, virgulas e pontos finais incluídos, que tal fará do excelso leitor um Iluminatti em Tunas, que fique bem claro. De todo. Se não o faz e no que toca aos autores da mesma obra, muito menos o fará nos destinatários da mesma. Este percurso comprido teve vários momentos que, grosso modo, corresponderam ao tamanho da empreitada que se tomou em mãos, com tudo o que tal significou. Muitos avanços, alguns recuos, dúvidas muitas, esclarecimentos vários, pesquisas feitas até nos sítios mais insuspeitos e por aí fora. Momentos de ânimo, de algum desânimo, de êxtase, de calmaria, todos eles corresponderam a um pano de fundo que, basicamente, nos indicou o final deste caminho percorrido. E esse final diz-nos, hoje, várias coisas importantes.

Uma dessas importantes conclusões - para lá da supracitada - é que inverdades - mesmo mentiras - com 25 anos irão cair face a verdades de mais de 100 anos. É também esta obra uma assumidela dos autores, que também eles se enganaram a seu tempo dizendo coisas que, hoje, se provam não serem assim, antes assado. Ora, mais não poderemos pedir, ou mesmo exigir, que tomando-se a seriedade da presente obra como dado adquirido, os putativos leitores da mesma terão, forçosamente, de assumir da mesma forma o seu conteúdo, até prova em oposto. Repito, até prova em oposto. Prova essa que carece de pesquisa continuada, tal qual a que os autores fizeram para chegarem até aqui. De nada adianta, pois, fulanizar algo bem maior que qualquer douta cabeça; o trabalho é sério, cientificamente elevado e até prova em oposto, tomado como tal.

Não é a "Biblia" tuneril nacional, de todo. Aliás, eu pessoalmente abomino tal comparação ou pretensa elevação a um patamar de "imaculada verdade"; Antes, prefiro que se continue a questionar e investigar o fenómeno e, se para tal, for posto em causa o trabalho contido neste livro, óptimo, desde que tal seja feito de forma elevada, cientifica, provada e comprovada, tal qual feito pelos autores da presente obra. Se alguém der continuidade a esta empreitada, futuramente, então a presente obra teve desde logo um mérito: Ter dado pioneiramente o pontapé de saída para elevar a tuna a patamar de respeitabilidade ímpar até hoje. Perdoem-me tal soar algo petulante, mas a falsa modéstia nestas coisas pode ser considerada uma forma de arrogância.

Finalmente e quanto a esta obra, o mais importante e quanto a mim: Saber ler a mesma; é que não basta devorar o livro e ponto final. Sabemos, por conhecermos o meio onde nos inserimos, que a suprema tentação em isolar frases para proveito próprio é enorme; esta obra não se compadece com tal, vamos assumir tal desde já. É de leitura algo densa aqui e ali e que por tal não permite, mormente a facilidade de comunicação que se imprimiu à mesma, isolar "a metro" afirmações. Tudo tem um contexto, uma história, uma causa e sequência, não surge X do nada. Mais do que ler o livro será importante, antes, saber ler este livro. Caso oposto, é tempo mal empregue por parte do leitor. Da parte que me toca, dever cumprido.

Terça-feira, Setembro 27, 2011

A Aventura da Fumaça...

Tranquilamente dizer que podem continuar a cá vir, não foi desta que a "ETA" conseguiu....

Abraços!

Quinta-feira, Setembro 22, 2011

A Aventura do fim da Co-Laboração......

Colaborar. Laborar com. Alguém. A meias, como se diz.

Parece que chegamos a um ponto de ruptura. Desde o "boom" tunante de meados dos anos 80, inícios dos de 90, que os orgãos da Praxe, grosso modo, co-laboraram com as tunas e vice-versa. A bem dizer, foi mais vice-versa que versa-vice, é pois o que nos mostram todos estes anos e até hoje. A cada passo, era sempre a pré-disposição porreira das tunas a ser testada e muitas vezes, ignorada pelos Senhores da Praxe. Foram as Tunas, nestes 25 anos mais coisa menos coisa, mais usadas a bel prazer do que o oposto. Muito por "culpa" da nossa boa vontade, boa vizinhança, carácter altruísta, que muitas vezes caiu nos exageros de se tocar aqui e acolá a troco de umas sandochas e uns finex´s, deixando as tunas fora do muito que se foi fazendo. E a malta das tunas, porreira como só ela, lá foi alinhando nas tangas e deixando-se andar enquanto se construíam impérios financeiros em torno das Queimas, Semanas Académicas e afins. Um maná, ao fim e ao cabo: Quando deu jeito as tunas eram porreiras, quando não, estorvavam e fora com isso. Nem aos calcanhares do Quim Barreiros chegamos. Pudera: Não damos retorno na bilheteira....

E lá fomos co-laborando, em prol do bem maior, a Academia. Uns a laborar no seu metier, na boa, porreiros; outros a laborar para os seus interesses comezinhos e particulares. Tava visto que mais dia menos dia ia dar borrasca e da grossa. A única dúvida seria como, quando e onde: o porquê é fácil de verificar.

Quando se começaram a aperceber do óbvio - hoje, muito do que é Academismo a sério, vivência universitária, etc e que arrasta gente atrás, ainda hoje, é à pala da malta porreira das tunas. Enquanto isso, os Senhores da Praxe foram ficando cada vez mais á mostra, carecas, desnudados, face ao que pregam e ao que realmente praticam. E começaram a ficar sem palcos, sem público, sem caloiras e caloiros. Tinha-se iniciado o Calvário para eles: "Como vamos fazer o que sempre fizemos sem gente atrás de nós como antes era, que justifique esta cena toda, sem dar nas vistas?" (como se a malta fosse toda papalva...). Tinha-se acabado o eterno argumento da " vetusta Academia, tudo por ela, nada contra ela". Lá se tinha ido à vidinha o álibi que desde sempre tinha "funcionado". Olharam para o lado e só viram, da época de ouro, uma coisa que restava em pé, plena de força e pujança apesar de tudo: A Tuna.

Como bom menage-a-trois feito desde então, a Praxe, a Universidade e a Tuna andaram sempre metidas umas com as outras. Um dia, saltou fora a Universidade, que mandou a Praxe e a Tuna passear, depois de as usar e abusar delas até à exaustão para se promover; a crise tem destas coisas, como bem sabemos. Quando a Universidade saltou fora porque farta de empatar dinheiro, restaram os outros dois amantes, que por o serem, nunca estiveram sequer casados, nem tão pouco em união de facto. De facto, a uni-las, só o fato: O Traje. De resto, era eminente a separação. Faltava apenas algo a despoletar tal cenário; a Tuna continuou a lavar a loiça, a aspirar a casa, a passar a roupa a ferro e quando a Praxe chegava a casa ainda por cima reclamava e dizia "jovem, isto está tudo uma bandalheira do caraças, não sais de casa nos próximos 3 anos!". Claro que no final, a Tuna ainda agradecia o mimo e até, em alguns casos, oferecia pateticamente, um ramo de flores à Praxe, que entretanto, na Queima e afins, dormia com o Quim Barreiros em pleno Queimódromo, entre uns free pass´s e umas borlas nas barraquinhas...

Paradoxalmente, se alguém tinha - e tem - razões objectivas para correr com a parceira, seria a Tuna, que sempre amochou, trabalhou, laborou a troco de quase nada que a Praxe lhe deu nos ultimos 25 anos. Pior, vem de familias antigas, centenárias, a Tuna, e vexou-se desde à 25 anos por ser como é, afinal. Um dia destes, chegou a casa e viu a Praxe a meter-lhe as malas à porta, dizendo-lhe ainda por cima que "se dormires com esta e aquela e aqueloutra, tás lixada!". Em suma, vestiu-lhe a Burka e arriou-lhe porrada sem razão alguma....

Razão alguma? Temo que não seja exactamente assim. A Praxe e os seus Senhores nunca perceberão que a Tuna tem pedigree, tem história, passado, muito anterior a eles mesmos. É uma centenária Senhora e eles nem deram conta de tal. Nem dariam, porque entretidos a tratar das suas vidinhas, não percebendo, até hoje, que estavam a "mandar" afinal, neles mesmos: Já ninguém lhe liga patavina.Ora, percebendo - finalmente! - o evidente, haveria que fazer algo, junto de quem ainda hoje continua, humildemente, a fazer o seu papel: a Tuna. Descobriram na Tuna que, afinal, ela até, para cota, tinha umas curvas porreiras que atraía multidões, precisamente as que hoje faltam e tanta falta fazem à Praxe, vazia delas. Que melhor maneira de voltar a ser o que foram, nem que seja pela força?

As Tunas, hoje, são o Viagra dos Senhores da Praxe, pensam eles. Pensam mal. É que eles um dia destes caem, a Tuna não. Se tivesse de cair, já tinha caído com tanta porrada que tem apanhado nos últimos 25 anos. Se não caiu até agora, não vai ser hoje que ela vai cair. Já outros não podem dizer o mesmo. Curiosamente, vai ser o único serviço que a Praxe vai prestar à Tuna desde sempre: Uni-la, fortalece-la. Lá se foi a co-laboração. Agora, graças a eles, a Tuna vai laborar, sozinha: afinal, nada de novo para a Tuna, é o que faz desde....há 100 anos para cá.

Domingo, Setembro 18, 2011

A Aventura do Topete......

Após um explendido jogo de ténis esta tarde - e enquanto a Troika ou os seus "acólitos" não se lembrarem de taxar o uso de raquetes e court´s... - eis que chegado a casa me deparo com o seguinte no Portugaltunas, passo a citar:

"O Magnum (do Porto) decretou (ou vai decretar, ou iria decretar) a saída da Portucalense do próprio Magnum. Aqui aqui tudo bem. É um assunto que tanto me aquece como arrefece.
O Magnum (do Porto) decretou (ou vai decretar, ou iria decretar) a saída da Portucalense do próprio Magnum. Aqui aqui tudo bem. É um assunto que tanto me aquece como arrefece.

O problema principal é que estão ordenar (ou vão, ou iriam) às Tunas de outras faculdades que não podem aceitar convites para os festivais das tunas da Portucalense, nem tão pouco convidá-las para os seus festivais
O problema principal é que estão ordenar (ou vão, ou iriam) às Tunas de outras faculdades que não podem aceitar convites para os festivais das tunas da Portucalense, nem tão pouco convidá-las para os seus festivais." (fim de citação)


A ser verdade - o que entretanto confirmei - e quanto à questão substantiva - os pormenores carecem ainda de mais informação - estamos perante de facto, muito topete: Mais do que "Cabelo levantado na parte anterior da testa", ou mesmo "Penas alongadas na cabeça de algumas aves" (estas das raras...), isto é seguramente muito atrevimento e ousadia, para lá de pretensioso. 

Em tempos tinha alertado no mesmo forum para a eminente possibilidade que, pelos vistos, se confirma agora; os mais atentos nem sequer se poderão dizer surpreendidos, pois tudo caminhava e caminha para este ataque sem precedentes ás tunas da Academia. Nada que não tivesse - infelizmente - alvitrado faz tempo.

Os considerandos e desenvolvimentos seguintes estão aqui patentes, escuso por isso de me alongar mais, convidando-vos a ler atentamente a mesma hiperligação.

Uma coisa é certa; Se assim for, da minha parte responderei à letra e sem qualquer receio seja de que espécie seja. Bastará confirmar tal imbecilidade e cá estarei a defender as tunas em sentido lato.

Outra promessa caso este topete seja efectivo: Se alguma tuna cair "nisto" será "chapado" publicamente o seu nome em praça pública. Espero e desejo que não seja forçado a publicitar qualquer nome ; Vou acreditar que não. Mas caso ocorra, cá estarei a dar fé e publicidade a quem "alinhar" com "isto". Agora ficará ao critério de cada um/uma. Se há topete para alinhar, então a publicidade do acto será até muito... suave.


Quinta-feira, Setembro 15, 2011

A Aventura Fonográfica....

Descobri hoje mesmo. Uma pérola, até porque permite ouvir-se e "sacar" os vários discos existentes. Soberbo.

http://discosdetuna.blogspot.com/

É explorar e aumentar a discografia. Uma ideia genial e que permite manter o legado com mais eficácia. Clássicos, tunas conhecidas e outras nem por isso mas muita música, ao fim e ao cabo, historiar, manter viva a Tradição. Muito bom, a acompanhar!

Terça-feira, Setembro 13, 2011

A Aventura da Suprema Aventura....

Nunca um refrão de um tema de Marco Paulo - o nosso Sinatra, a ver pelo que a seguir a ele surgiu... - assumiu tamanha pertinência: "Quem vier por bem, venha, venha, também..."; Ivan Lins, por sua vez, um dia cantou qualquer coisa como isto:


"Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido"



Melhor é impossível. Está tudo aqui em cima: a pertinência, a vontade, o entusiasmo, depois a tenacidade, a alegria de ver nascer, a angustia de sobreviver, as pedras que nos colocam no caminho só porque nascemos, o cair 7 vezes e levantarmo-nos 8, enfim, todo um percurso de quem se predispõe a mandar uma pedra ao charco, muitas vezes enlameado e opaco do mainstream, bafiento e empoeirado como ele só, típico de quem tem pavor a tudo que de novo surge.


Tudo o que se propõe a começar de novo merece desde logo o meu mais profundo apreço; porque encerra a humildade dos grandes que percebem que é possível começar de novo, mais a coragem de ir contra o Adamastor costumeiro. Não ter medo de começar de novo é por si só já uma grande coisa. Tirando a maluqueira do acto em si - que não a sanidade da convicção - depois de se dar o 1º pontapé na bola é que se percebe que o jogo tem 90 minutos e ainda faltam 89 dele jogar. E já se sabe que vai haver árbitros, adversário, claques antagónicas, comunicação social, etc, a fazer tudo para que quem começa de novo desista à 1ª pantufada na canela. O que enobrece e torna Maior quem a tal se propôs; é que é muito fácil ser contratado para jogar a titular no Barcelona; difícil é criar um novo clube, do nada, pô-lo a jogar e contra tudo e todos, vê-lo um dia depois a disputar a Champions. Isso sim, é "começar de novo" com tudo de nobre que tal encerra; Aqui, não há papinha feita, não há "mama", não há "estrutura", não há nada, excepto vontade, tenacidade e muita ousadia. A lata normalmente tem um custo. Mas também pode trazer beneficio.


O clube com que mais simpatizo em todo o mundo tirando o meu é a Juventus de Turim; não por qualquer razão em especial excepto uma: foi fundado por meia dúzia de carolas num banco de jardim. Tirando o lado romântico, chegar onde chegaram parece-me um postulado de competência, persistência, querer. Começar com uma mão cheia de nada e outra vazia de tudo é, por si só, digno.


Note-se clara e efectivamente que nada obsta a quem chega a casa e tem roupa e cama lavada mais comida na mesa, de todo é esta Aventura um exercício maniqueísta: Apenas louvar e dar relevo a quem, do nada, algo de positivo consegue fazer. Just. É fácil chegar-se com tudo feito e no seu devido lugar. Porreiro. Difícil é nada ter e desse nada algo acontecer.


Dedico esta Aventura, por isso, a todos os heróis e heroínas que um dia disseram - como disseram os The The - "This Is The Day". E lá foram, em frente, com mais ou menos dificuldade, a "começar de novo", vindo por bem, claro está.....

Segunda-feira, Setembro 12, 2011

A Aventura da Primazia....

Resulta do estudo aturado e ao longo dos anos esta curiosa percepção: Porque raio há uma obsessiva e quase psicopata procura pela primazia, pelo "ser-se o 1º" ou o "mais" ou o "melhor"? Mais, porque é que em tunas então a coisa assume contornos de alguma aldrabice - por um lado - e, por outro, de alguma fanfarronice, quase que a dizer "cuidado, respeitinho, que nós somos os mais isto e aquilo..."????

Bem sabemos que a linha entre orgulho e arrogância pode ser algo ténue, concede-se pois nessa zona cinzenta. O certo é que, em Tunas, muitas vezes se retroactiva ao Paleolítico coisas, fundações, etc, que não só não fazem sentido algum como, ainda por cima, são desprovidas de qualquer prova de facto, de jure, que as sustente ainda que seja somente de forma indirecta. Muitos procuraram - e ainda procuram - em Foz Côa que as pedrinhas lhes dissessem o quão antigas são as suas Tradições - as dos outros são quase sempre muito mais recentes, tá bom de ver...

Em Tunas - e é mais um hábito, costume, no caso deste, mau costume, que herdamos da tradição tuneril Espanhola - é deveras impressionante - há casos que, para lá de impressionante, chega a roçar o indecoroso... - a tal obsessão em retro activar o mais possivel, de forma a conferir uma - suposta - superioridade, ascendente, um pedestal único e por aí fora. O problema é que, e como dizia um amigo meu espanhol e tuno, afirmar que a Tuna X é a mais antiga do mundo tout court será como dizer em que preciso dia nasceu o Barroco. Tratando-se de uma tradição, aculturação que se vai transformando ao longo do tempo e do espaço, de facto, parece algo inverosímil apontar uma data em concreto, sob pena de se arriscar sobremaneira e com isso alguma exposição ao ridículo, até. Mais até, definir desde logo, tratando-se da Tuna, tal coisa, é por si só um exercício perigoso e que carece à partida e a abrir de algo crucial: definir de facto quando é que a Tuna se torna uma instituição e deixa de ser somente um hábito, o tal correr a tuna. O que carece, antes disso, de se saber e conhecer a evolução que houve do hábito para a institucionalização; não creio que se saibam onde moram os alicerces, que fará o resto da casa....

Claro que nestas coisas, o salto é sempre maior do que as pernas podem realmente dar; chega-se, em Espanha, a encontrar documentos que falam dos "estudiantes de leyes" que tocavam umas violadas e, vai daí, a tuna de Direito de XPTO é datada de Mil Setecentos-e-troca-o-passo: valente tropeção, caso para dizer, ao se confundir a prima do mestre de obras com a Obra Prima do Mestre. Uma coisa é dizer-se - como aqui já o disse - que a 1ª tuna instituição, com carácter permanente, hierarquizada, reconhecida como tal - será, pretensamente e ao que se julga saber, a Tuna Compostelhana; Outra será afirmar a pés juntos tal coisa como sendo uma insofismável verdade. Do que se sabe e tem conhecimento, é assim; Mas pode não o ser, haja prova em oposto.

Claro que o Tuno "tuga", aqui da Tunolândia, vai daí e, imbuído de um espírito Aljubarroteiro, não vai querer ficar atrás do vizinho Castelhano e, qual Padeira, arruma com umas larachas de primazia temporal e dizeres vários tão ou mais engraçadas do que as espanholas. Não deixa, contudo, de ser algo que até na Serenata acontece: Vai-se sempre cantar à Donzela que ela "é a primeira" e que "é a única....", apenas com uma diferença, ela sabe que não o é (saberá?).....Ai como é belo o romantismo em Portugal!!!!!!!!!

Como por cá existe um imenso buraco negro onde não se consegue discernir retroactividades supostas, pretensas ou até mesmo as  - poucas - verídicas e com nexo causa-efeito, vai daí, caí-se numa autêntica corrida ao Ouro Tuneril: Encontrar os tetravós da nossa, da própria Tuna, para assim passar-se a ter uma aureola quase angelical e celeste de competência, bem saber e fazer e por aí fora. A chatice é que quase sempre nunca se encontrou nada de facto antes que justificasse o agora e, quando se encontrou - muito pouco, mesmo - raramente se fez essa transposição com sabedoria, competência e acima de tudo, lucidez; muita coisa dita que antes aconteceu em Portugal a nivel de tunas em 99% dos casos surge, hoje, despernada, contada a metade ou a 1/3 da mesma, isolando frases, momentos ou acontecimentos precisos que, convenientemente , omitem outros. Mas que aconteceram e estão documentados devidamente.

A procura dessa suposta Primazia histórica nunca ou raramente assentou numa recolha efectivamente correcta das fontes documentais que comprovam várias coisas -e não só uma ou duas que até dão jeito explorar hoje até à exaustão, "esquecendo" todo o resto do percurso tido. Ao que julgo saber, isso irá mudar em breve, fruto de trabalho de pesquisa intenso, isento e cientificamente correcto, deixando o atrás dito bem claro, de forma inequívoca, diria até. Ou seja, muita coisa vai finalmente dar à tona da água e, provavelmente, alguns ficarão algo mal na fotografia que sempre quiseram tirar e onde apareceu somente quem quiseram que nela surgisse, usando uma tesoura virtual para cortar quem ou o que não interessava que na mesma fotografia lá estivesse. Bem como o oposto irá ocorrer: alguns e algumas coisas surgirão, finalmente, à luz do dia.

Um dos sinais que mais reflecte esta procura louca pela primazia foi quando no "boom" se procurou dizer o indizível: Tunas que foram outrora mistas deixam a dada altura de o ser e vai daí, as duas que surgiram dessa reclamam as suas fundações respectivas para a data da anterior tuna mista. Será, quiçá, um dos mais claros exemplos dessa postura. Por outro lado, há casos onde a data de fundação apenas e só reflectiu uma mera data mais significativa, por força da maior preocupação em fazer, em exercer do que propriamente outra coisa; ás tantas até haverá Tunas que se dizem nadas num determinado ano mas antes dele já exerciam actividade de facto enquanto tal, enquanto instituição. Pelo oposto, haverá também quem faça uma espécie de reescrever da sua própria história procurando os tais dizeres nos calhaus da sua Universidade que, de alguma forma, atestem alguma coisa, seja lá essa coisa o que for, que nunca é a coisa que conta.

Claro que o colocar em bicos de pés assenta sempre que nem uma luva aos que mais abanam o estandarte da antiguidade, tenham-na ou não; caso houve em Portugal, pasme-se, de duas tunas reclamarem a mesma Tuna como "mãe", sendo certo que pelas amostras de DNA concluí-se que a mesma não terá deixado qualquer descendência directa. Ou seja, duas tunas a querer a herança que não existe porque não a legou seja a quem seja; Esta nem o CSI conseguiria resolver....

Respeitar a história de uma Instituição não é colocar-se em bicos de pé; só o faz quem, por alguma razão, sabe que a história que conta está ou mal contada ou contada às pingas, desfasada, desgarrada, desconectada, não contando toda a história. Até por isso a Primazia acaba por ser, quando é apregoada aos sete ventos sem razão aparente, uma mostra de tremenda insegurança quanto ao que se é, pois não se percebe porque antes se era assim; É muito fácil cavalgar coisas de gente que não se conhece....

É por estas e por outras que a coisa do Primvs Inter Pares acaba por ser do mais inócuo que pode haver. Faz-me lembrar certa ocasião, numa festa popular do interior do país, onde por "acidente" fui parar, quando, e no público à futrica estando, olho para cima do palco das festividades e escuto dois "compinchas" de outras tantas tunas que lá estavam prestes a tocar e passo a citar "estão aqui as duas melhores Tunas de Portugal"! Por momentos, senti-me um cidadão do Kiribati, esperando que as águas me afogassem no meio daquele público, não fosse alguém no mesmo me reconhecer como Tuno e me viesse pedir alguma "satisfação" pelo dito acima em palco, como se eu tivesse alguma coisa a ver com aquilo......