Quinta-feira, Agosto 26, 2010
A Aventura do (re)pensar do ENT
O ENT é e sempre foi um espaço privilegiado de debate e conhecimento, antes e acima de qualquer outra coisa. O ENT é e sempre foi, pois assim nasceu com essa função, um espaço único onde tunos de várias origens e proveniências debatem a tuna, pensam a tuna, falam sobre a tuna, conhecem mais a tuna. Por tal, nunca foi função primeira do ENT nem é tudo aquilo que não seja o debate, o pensar, o dialogar a tuna. Caso oposto, não estamos perante um ENT mas sim antes perante outra qualquer coisa.
Ao longo destes anos e desde Évora – sua 1ª edição – que o formato, digamos assim, foi mais ou menos o mesmo e que basicamente se resumia a dois momentos gerais, um a dar lugar ao conhecimento – com palestras, mesas redondas e tertúlias – e outro a dar lugar ao que se convencionou chamar de workshop´s – no caso, de instrumentos, regra geral. Casos houve onde foi dada – e muito bem quanto a mim – primazia ao conhecimento, diálogo e debate, outros houve – erradamente quanto a mim – onde foi dada primazia aos workshop´s, em doses excessivas e que na esmagadora maioria dos casos não servem para rigorosamente nada, excepto “encher” tempo.
O que se tem vindo a verificar à medida do decorrer dos anos será um desvirtuar claro do que deve ser por génese o momento máximo, central de qualquer ENT, o diálogo, somando-se a esse desvirtuar o excessivo e até pueril exagero nos workshop´s – iguais uns aos outros de ano para ano, exceptuando um ou outro honroso caso – que também eles estão desvirtuados. Ou seja, urge clarificação quer na componente primeira e central do ENT – o conhecimento – quer na componente acessória e residual – os famosos workshop´s.
É, por isso cada vez mais pertinente a estrutura do ENT ser devidamente repensada. É importante que as palestras sejam mais curtas e feitas com mais interacção com os tunos presentes – interacção e não debate, ou seja, seja quem seja o orador deve este ter a clara sensibilidade e noção de que não pode debitar em monólogo dados atrás de dados, antes sim procurar de forma pró-activa gerir a sua palestra e envolver na mesma os assistentes. Ou seja, deverá haver um claro cuidado na forma de passar a mensagem. É necessário cuidado neste aspecto, alertando as organizações os oradores convidados para a máxima importância que a forma tem, para lá do conteúdo em si. Não se motivam as pessoas com “secas”, é evidente. Há, então, que as motivar da melhor forma, procurando usar-se técnicas amplamente conhecidas que permitem envolver ainda mais o orador com os participantes.
Não me parece correcto e muito menos producente a existência de “não-temas” – chamemos-lhe assim, como já ocorreu em alguns ENT´s. Os “não-temas” são aqueles parlapies colocados a debate entre todos mas que só interessam a uns poucos, residuais portanto, comezinhos até – que interesse tem num Encontro Nacional de Tunos um debate sobre a rivalidade entre a tuna de Cima e a tuna de Baixo, ambas da mesma cidade??? – ou então aqueles “não-temas” que são ocos de conteúdo, contexto e histórico temporal; debater Quarentunas em Portugal num ENT é absurdo quando temos apenas duas ou três e o fenómeno tuneril português, grosso modo, tem 20 anos, será algo como dois paizinhos discutirem para que universidade irá o puto ainda antes da concepção do mesmo.
Este exemplo demonstra perfeitamente que a vertente cimeira, nuclear, principal de um ENT pode ruir como um castelo de cartas numa corrente de ar, não por falta de vontade dos organizadores mas antes por erros que eu considero de palmatória nesta fase do campeonato: Há que ter cuidado com a forma de passar a mensagem e o mesmo cuidado deve existir na escolha dos temas. Devem os organizadores, por força do atrás dito, alertar quem convidam para animar os debates, palestras e afins precisamente para estes dois pontos.
Evidente que quando claudicam os pontos atrás mencionados no mais importante de um qualquer ENT – o diálogo sob vários formatos – é evidente que os workshop´s servem como tábua de salvação a todo o encontro. Aqui, continua-se a errar grosseiramente, com mais do mesmo todos os anos, onde parece ser importante haver muitos workshop´s, desde bandolim até campainhas de porta, esvaziando completamente a lógica do que deve ser um verdadeiro workshop – sim, o que se tem vindo a fazer nada tem a ver com workshop´s a sério, bem estruturados e organizados como deve ser. Aqui dá-se primazia à quantidade e não à qualidade; duvido que muitos aprendam seja o que for neste formato que não se presta a rigorosamente nada de interessante ou produtivo. Exceptuo um ou outro que foram realizados e que sintomaticamente foram bem pensados quer no objectivo final, quer no formato de passagem da informação.
Estive presente na grande maioria dos ENT´s já realizados, em várias funções, indo desde a de orador até à de mero participante e com todo o gosto o fiz, realço desde já. É tão louvável estar atrás da mesa como à frente da mesma, onde regra geral se aprende bastante; mas atrás da mesa também se aprende imenso, afirmo-o claramente. Da experiência retirada das várias edições onde estive presente, fazendo a súmula das mesmas, permitam-me sugerir, modestamente, alguns pontos que quanto a mim, farão toda a diferença num próximo ENT:
1º) Primazia ao conhecimento sobre a Tuna; Há que entender que essa é a função principal do ENT, foi para isso que ele nasceu. Deturpar a mesma génese é matar o ENT e transformar o mesmo num mero fim-de-semana de copos e pouco mais. O “workshop” está para o ENT como o prolongamento está para um jogo de futebol: até pode dar para marcar o golo da vitória se for caso, mas é sempre um tempo extra.
2º) Cuidado extremo na escolha dos oradores mas principalmente na forma como esses irão passar a mensagem; há que ser mais interactivo com quem está sentado, reduzindo os monólogos e potenciando a participação dos assistentes. Pode-se – e há conhecidas técnicas que permitem fazer isso facilmente – envolver o publico palestrando-se sobre a história da tuna p.ex., ou seja, cuidado extremo na forma de passar a mensagem.
3º) Gestão de horários realista: Para quê marcar seja o que seja para as manhãs quando todos sabemos que não funciona? A parte da diversão nocturna – que também gosto e acho muito bem que haja! – provoca necessariamente um pensar racional na gestão de horários. Assim, os trabalhos devem começar o mais tardar pelas 14.00, com tempos limite para todos os diferentes painéis, não permitindo os organizadores mais do que 5 a 10 minutos de atraso, cortando liminarmente se for caso a palavra seja a quem seja, de forma a não se prejudicar o normal andamento dos trabalhos (como ocorreu p.ex. ano passado). Aos oradores mais não lhes resta do que aceitarem/recusarem as regras do jogo.
4º) Gestão dos diferentes painéis: Uma boa palestra, um debate com introdução e contraditório seguinte, uma tertúlia aberta a todos e um único workshop de âmbito generalista bastam a meu ver. Quatro momentos apenas mas todos com tempo suficiente, isto sempre no Sábado de tarde e Domingo de tarde o workshop. Quatro momentos bem produzidos, bem estruturados e bem apresentados são muito mais eficazes e produtivos para todos do que uma sucessão de actos que apenas se atrapalham uns aos outros, potenciando apenas a saturação e desinteresse geral.
5º) Cuidado extremo nos temas a debater bem como no workshop: É cada vez mais pertinente que exista muito cuidado na escolha dos temas, seja em que formato seja – palestra, debate ou tertúlia – escolhendo-se temas realmente pertinentes e universais, não caindo na tentação dos “não-temas”, bem como o mesmíssimo cuidado deve existir na temática do workshop; este ultimo deve ser abrangente e ao mesmo tempo cirúrgico. Exemplo?
Um verdadeiro workshop sobre como organizar um certame de tunas, desde a tomada de decisão em o organizar até ao Domingo do certame, simulando a mesma organização e distribuindo tarefas entre os participantes, obrigando-os a interagir uns com os outros na procura de soluções face aos constrangimentos de uma qualquer organização. Parece-me um workshop interessante, produtivo, pró-activo e proveitoso futuramente a todos.
Banir, pois, os “workshop´s” repetitivos e inócuos de instrumentos isolados é imperativo, porque não servem para rigorosamente nada.
Com estas 5 sugestões, o ENT, a meu ver, ganha maior dimensão e importância, porque potencia o essencial e reduz o acessório ao que ele é. Por outro lado, é uma reforma face ao formato actual, desde logo. Permite assim ser mais cativante e cumprir com a sua função genética, de tunos para tunos e centrando-se apenas e só nestes, naturalmente, como não poderia deixar de ser.
Finalmente uma ultima reflexão: a continuidade do ENT à imagem e semelhança do que ele sempre foi pode estar em causa a prazo, a continuar-se com o actual estado de coisas e de formato. Urge claramente repensar o ENT nessas matérias e elevá-lo a um patamar superior, com mais seriedade e menos amadorismos.
Post Scriptum - Os meus votos de sucesso para a próxima edição do ENT que será em Bragança, cumprindo-se desde logo com uma das suas missões, descentralizar o mesmo.
Terça-feira, Agosto 24, 2010
A Aventura da Tese de Doutoramento
Em Valladolid, a esposa de um Tuno da de Direito dessa cidade defendeu a sua tese de Doutoramento intitulada "La tuna universitaria en Valladolid: La Tuna de Derecho. Legado histórico y aportaciones a la educación musical".
Verónica Castañeda Lucas obteve na defesa da sua tese doutoral a classificação de Sobresaliente cum laude - ou então Summa Cum Laude (Com a Maior das Honras).
Deixo-vos com a transcrição da conclusão da mesma tese pela autora, para reflexão, para lá da importância da mesma e seu significado:
"Para terminar y como un balance final de todo nuestro trabajo queremos dar la importancia, el respeto y el valor musical que la tuna, en nuestra opinión, se merece después de todo lo que hemos descubierto através de esta investigación. Aquellos primeros pasos que comenzaron con el estudio de un grupo de estudiantes universitarios que hacían música ha terminado aportándonos una visión mucho más valiosa, amplia y enriquecedora de lo que hubiéramos imaginado. En ocasiones, cuando hemos comentado que nuestra tesis estaba basada en la tuna, algunos le han restado valor, simplemente por no conocer todos los aspectos que ésta nos aporta. La tuna no es sólo un grupo de personas, que cantan y tocan, que llevan un traje de otra época, que beben, que piden y que ligan con mujeres. Esta es la descripción de personas que no conocen realmente la tuna, que ignoran lo que la tuna atesora, una imagen quizá desfigurada, en la que no se encuentra el verdadero valor y verdadero sentido, porque detrás de ese traje y de ese instrumento, están muchos años de historia, muchos valores que ya quisiéramos más vivos en nuestra sociedad, nos aporta tradición, intercambio de culturas,buenas relaciones con otras personas, con otros países, donde está patente un trabajo y una labor musical considerable que ya quisiéramos muchos profesores y profesoras que tuvieran nuestros alumnos y alumnas, métodos y valores pedagógico musicales, fomenta la actividad musical entre la juventud y la acerca a todo tipo de colectivos, es maestra de vida, y como principal protagonista, la música. Esperamos que esta tesis haya servido para acercarnos desde otra visión muy distinta, mucho más valiosa al mundo de la tuna. Ojalá que ésta, quizá la institución musical universitaria más antigua de la historia, la tuna, no desaparezca nunca.
¡Aupa tuna!"
À Autora os meus sinceros parabéns: esta é a única postura possivel para dignificar e elevar a Tuna ao seu verdadeiro papel e importância.
Quinta-feira, Agosto 19, 2010
A Aventura Pré-Quarentuna
Quarta-feira, Agosto 18, 2010
A Aventura das Motivações....
A aparência da facilidade resume tudo a uma “forma de estar” divertida e passageira na linha temporal entre a adolescência e a maioridade, a juventude portanto. O “nacional-porreirismo” que serve de guarda-chuva a uma forma de estar e viver a vida universitária desta maneira, quiçá, dirão alguns – como se outras não existissem diria eu até secundando por Jacques de la Palice na óbvia constatação. Poder-se-ia pensar que outras formas de passar pela mocidade louca, ingénua e generosa pura e simplesmente não existem, isto visto da tal forma simplista. Afinal, umas guitarradas entre amigos não são logo, de imediato, tout court, uma tuna; até pode vir a ser uma tuna mas não é condição sine qua non para sê-lo, vamos convir. Será então que hoje as motivações que movem alguém a fazer parte de uma tuna são as mesmas de antes, de há 20 anos, mais coisa menos coisa? Temo bem que não sejam, o que responde desde logo à tal aparentemente fácil equação acima: afinal, não é assim tão simples…
A motivação de quem começou nestas andanças, sujeito a impropérios na via pública do género “fascistas!” e outros “mimos” não é seguramente, sequer, a mesma motivação daqueles que estiveram, por exemplo no “boom”, um ano para a frente um ano para trás. Quando tudo é novidade, a motivação é distinta de quando tudo é saturante e satura pela massificação, como é óbvio. O gozo da novidade é também na medida do risco da mesma; por oposição, o gozo do “mais que batido” só pode ter contornos distintos até por ser bem mais “quentinho” e silenciosamente tolerante – o que não significa anuir ou concordar com essa silenciosa tolerância, note-se. Antes o tuno português descia à rua e era respeitado; hoje no limite simpático é ignorado. Hoje, em Espanha a maioria das pessoas silenciosamente “toleram” tunas – regra geral, quando não mandam bocas do género “Tuno vete al siglo XVII” – quando antes as aplaudiam entusiasticamente; curiosamente, em Portugal parece que se caminha para ¾ do que sucede no lado de lá da fronteira. Pergunta-se então porque razão mais profunda isso ocorre, hoje? É que entre o tuno chamado então de “fascista!” do rebentar das águas no parto do “boom” até ao tuno “cambada de bebedolas!” de hoje (!?) muita coisa ocorreu, muita coisa foi feita, boa e também má, vamos todos convir. Seremos todos então “bebedolas” e não passa daí?
Resulta esta reflexão de um “rewind” a um conhecido fórum online, onde se podem constatar precisamente essas crases, onde se pode verificar que o tal intervalo a que aludo teve muita lenha para queimar – e queimou-nos, a todos – por força de uma brutal e insípida violência desgovernada na suposta (des)evolução tida até hoje, onde por um lado se constata uma profunda ignorância da esmagadora maioria sobre o que realmente andava a fazer e, por outro, uma tremenda evolução quer na quantidade de grupos quer na qualidade de uns poucos que apenas são, no todo, claras excepções neste capítulo. Mas quando falo em qualidade raramente anda a mesma casada no que toca às várias vertentes exigidas na qualidade pretensa de uma tuna: não só a musical mas também a restante e aqui a falta ainda é maior, como é bom de verificar. À luz da nossa diversidade, tão patente quer nos trajes como mas posturas e por aí fora, demos à luz mutações de mutações, onde apenas e numa só coisa coincidimos – quando coincidimos: somos todos tunas. Coisa tão “tuga” e aqui há, goste-se ou não, um imenso oceano a separar a tuna portuguesa da espanhola.
Não se veja esta ultima afirmação – ou melhor, constatação – pelo lado mais negativo, ao contrário, pelo lado positivo deve ser vista a mesma: afinal, a uniformização de um único conceito no caso espanhol não será, visto com a devida distância e desapaixonadamente, um mal, antes pelo oposto. Já no nosso caso a pretensa democracia patente nos “vários-conceitos-de-tuna-onde-o-meu-conceito-vale-mais-que-o-teu” tem os resultados práticos hoje perfeitamente visíveis, não se percebendo com tal a tremenda arrogância que encerra uma postura perfeitamente isolada e isolacionista da parte de cada uma e um, que levará – já leva – inevitavelmente à tão conhecida e elevada já a desporto nacional, “bandalheira”.
Não se veja nos exemplos dos outros uma profissão de fé tuneril, nada disso, que também têm os seus “je ne sais quoi” de “diz-que-disse”, atenção. Mas de facto, como o caso português não há paralelo em qualquer latitude ou longitude do planeta tunante, não há, é um facto. Um tuno espanhol facilmente se baralha por completo quando cá vem a um certame, por exemplo, e a páginas tantas já não sabe quem é quem e muito menos o quê. Em 2006 um dos intervenientes no tal fórum acima disse, a páginas tantas que “as tunas espanholas nem deviam existir, que aquilo é uma cópia das portuguesas e que não têm a tradição que nós temos…” (citei). Há 4 anos atrás, conclui-se, ainda havia quem dissesse e achasse (e ainda deve haver) por cá tal barbaridade – e não me “lixem” que não é por falta de informação hoje em dia – que apenas revela um tremendo fosso, uma tremenda “branca”, um tremendo e assustador Cabo Bojador para muitos ainda dobrarem nas suas mentes, pelo menos. Porque entre o tuno “fascista!” e o tuno “bebedolas!” de hoje (!?) muitos disseram, pensaram e fizeram como o moço acima acha, pensa e disse, saltando olimpicamente de uma vez só, qual Naíde Gomes, uma série de escadas sem ter a noção de que o importante era paulatinamente calcar cada degrau.
Colhemos, pois, o que semeamos. Urge explicar-se com toda a calma e inteligência possíveis – e não adianta bater em quem sabe só porque sabe, pois se sabe fez por isso, quis aprender, sentou-se na carteira, não inventou, calou-se e ouviu, amochou… - o porquê de se ter, necessariamente, de percorrer um caminho por oposição a um constante saltar de etapas sem qualquer critério excepto um (ganhar, nem que seja a feijões!) onde o sobejamente conhecido “meu-conceito-de-tuna-e-daqui-não-saío!” é, talvez, a maior das arrogâncias que subsidia inequivocamente a actual óbvia constatação: Nem tudo por cá chamado de tuna o é e muito menos ainda se comporta como tal. Hoje pode-se afirmar que entre as ditas de tunas temos orquestras, murgas e comparsas carnavalescas, rondallas estudantis, velocistas de 100 metros barreiras, clãs das Highland´s e afins (tudo conceitos respeitáveis e altamente recomendáveis até mas que não tuna) quase a lembrar outros tempos e outros lugares; afinal, a História repete-se apenas com uma – enorme – excepção: todos querem chamar-se e passar-se por tunas, vá lá saber-se porquê (eu sei mas não digo até porque acima já o disse….); Tanto talento se perde para os teatros universitários, para os desportos universitários, para os grupos de escanções amadores universitários e por aí fora….
A actual barbárie desonestamente intelectual assente em pedestais narcisistas construídos no imediato em qualquer vão de escada ou mesa de tasca é completamente oposta à noção tuneril por excelência e tradição, de partilha, respeito, de caminho a percorrer. Vamos pagar a factura mais dia menos ano. Diria mais, já estamos a pagar e disso muitos nem se dão conta sequer….
Segunda-feira, Agosto 16, 2010
A Aventura do "Big Bang" tuneril...
"...Em 1912 havia, no Porto, a frequentar a Universidade do Porto, menos de 100 estudantes - isto é, menos do que o número de alunos que entraram para o 1º ano do curso de Línguas e Literaturas em 1984 (ano em que eu entrei). Ainda no Porto não havia universidade e já havia tuna.
Mesmo que nos reportemos ao período que antecedeu a 2ª Guerra Mundial, o número de alunos no ensino superior em Portugal era inferior, mas muito inferior, ao número de alunos que frequentam a Fac. de Engenharia da U.P., por exemplo.
As propinas eram pesadíssimas - comparativamente, eram mais pesadas do que as actuais - muito mais. Sempre (é força de expressão) houve tuna(s) e continuou a haver.
Muito simplesmente, o que acontece(u) é que a tuna, quer como postura de vida, quer como agrupamento musical, fazia sentido, era culturalmente significativa, ou, por outras palavras, "dizia-lhes" alguma coisa.
E será que ainda é assim? Será que a tuna dá/dará resposta a alguma "necessidade" das actuais e futuras gerações de estudantes?
Como postura de vida, sim, quer com o nome de «tuna» quer com outro nome qualquer. Como agrupamento musical, tenho sérias dúvidas.
Não se tente - este é o meu conselho - arranjar causas exteriores à tuna para se tentar explicar o seu eventual (in)sucesso. As tunas vão desabar porque os alicerces estão corrompidos. Ou melhor, porque, na maioria dos casos, nem alicerces há, nem telhado nem paredes, nem de vidro nem de outro material qualquer: simplesmente não há um projecto coerente e consistente que aglutine todo o «material» (humano) amontoado no mesmo terreno.
Será necessário haver tantas tunas? Será desejável haver tantas tunas? Se o próprio universo explodiu num «big bang», haverá, forçosamente, uma altura em que deixará de se expandir e retrocederá. Nada a fazer. Estrelas que se apagam, outras que renascem dessas cinzas. Ou não.
Por que é que com as tunas havia de ser diferente?" (fim de citação)
Sexta-feira, Agosto 13, 2010
A Aventura da SMS
Segunda-feira, Agosto 02, 2010
A Aventura da "Tunologia"
Pois permitam-me Vºs Senhorias que assim não o ache e muito menos assim o entenda, principalmente no caso português, conclusão que deriva precisamente do estudo da tuna em Portugal, algo que por sua vez deriva da própria configuração da mesma. Ao contrário da vizinha Espanha - que nestas matérias possuí vastíssima documentação e referenciada em tempos e circunstâncias várias - bem como embora em menor escala no caso Sul-Americano, em Portugal praticamente nada existe à data de hoje - exceptuando o livro do Dr. João Paulo Sousa, um pequeno livreto do Dr. Dionísio Vila Maior e meia dúzia de escritos mais ou menos crediveis e pontuais em razão de matéria que se podem encontrar na rede ou em outros formatos - quanto a pesquisa e publicação sistémica de dados referentes à Tuna portuguesa, sendo mais do que claro e evidente que muito do material em questão sobre nós está situado, precisamente, em arquivos espanhoís.
Já aqui afirmei e noutro post que a eventual "tunologia" portuguesa até à data de hoje é um misto entre arqueologia e história, que nos leva a pesquisar por entre os mais insuspeitos lugares e fontes coisas que, aparentemente, parecem irrelevantes mas que conjugadas com outras informações se tornam precisamente no oposto. Não há, claramente e até hoje, qualquer grande pesquisa de facto e de fundo - que se tenha conhecimento público de, note-se - sobre a Tuna portuguesa. Daí afirmar com toda a propriedade que não se pode rotular, hoje - o que não significa que não venha a subir a esse patamar - tal pesquisa como sendo uma ciência autónoma rotulada e no caso de "Tunologia". Será um claro e manifesto exagero afirmar tal por várias ordens de razão e desde logo:
- A informação sobre a tuna portuguesa de facto é escassa, muito escassa, nos meios supostamente óbvios para dela se poder retirar claras elações;
- Para lá de escassa, está altamente dispersa como um imenso puzzle de mil peças de onde apenas se tem 200 delas sendo que das restantes 800 peças desconhece-se o paradeiro de pelo menos metade, o que obriga o estudioso a recorrer à tal arqueologia que acima mencionei; Quantos e quantos ex-tunos não possuem, nos seus baús de recordações, material absolutamente único e de uma valia incomensurável para o estudo da tuna portuguesa, material esse que continua "titanicamente" submergido e sem data para ver a luz do dia?
- A relativamente novidade que, no tempo, constitui a tuna portuguesa não permite -e esta razão resulta da própria pesquisa sobre o tema - atribuir a esse estudo a condição de ciência autónoma;
- A falta objectiva de trabalhos anteriores de fundo que abordem de forma genérica a tuna portuguesa - já que os poucos existentes ou abordam um dado grupo em concreto ou são demasiadamente genéricos dada a pouca informação existente;
- O anacronismo que existe quando hoje muitos vêm a tuna de antes como ela é hoje, quando não o é, de todo;
- A tremenda arrogância do comum tuno nacional que achando que por sê-lo tudo sabe sobre o metiér, o que provoca automaticamente o oposto ao saber, ou seja, mais ignorância, dificultando o estudo de facto por ser terreno mais minado que os campos do Kosovo; Não se calcula, hoje, quanta mentira já passou - e passa - por verdade dogmática, já descontando os inúmeros disparates ao abrigo da "teoria neo-tunante" tão em voga por estes tempos.
Configuram todas estas razões evidentes por factuais um imenso deserto quanto à investigação de fundo e de facto sobre a tuna nacional. A acrescentar a tudo isto a relativa jovialidade do fenómeno tuneril português que em muito contribui para este deserto de material de facto sobre a tuna nacional, resultado da pouca propensão e desde o "boom" tunante" por parte das tunas universitárias em compilar e catalogar a sua própria história de facto -que não se basta aos corriqueiros textos insertos em sites e/ou livretos de certames.
Por todas estas razões, não existe -e até prova inequívoca em contrário - a noção de Tunologia. Nem em Portugal haverá, hoje, qualquer Tunólogo - ao contrário de Espanha ou Chile, por exemplo. Mais ainda, o que por cá temos é estudiosos que, por serem precisamente isso, estudiosos, se colocam hoje na carteira de pau, procurando com o seu saber e sem "mestre-escola" algum, saber ainda mais e mais. Não há, objectivamente ninguém em Portugal que possa, do alto do estrado, intitular-se Tunólogo, porque não há Tunologia portuguesa hoje em dia que justifique tal epiteto. Esperemos antes e sim que surja - e ao que sabemos irá surgir - algo que e pela primeira vez, registe, classifique e catalogue todas as informações pertinentes ao fenómeno tuneril nacional desde os tempos mais remotos até, pelo menos a uma data recente que permita - como bem mandam as regras do estudo do historiar - de forma abolutamente isenta e desapaixonada, credibilizar esse mesmo estudo, numa perspectiva temporal que não inferme de erros na tomada de vista a ter-se.
E mesmo após o surgimento de algo que assim o seja, cientificamente correcto e completamente abrangente quanto ao tema no tempo e espaço, mesmo assim haverão vários riscos a correr quanto ao facto de poder-se, eventualmente, intitular-se o estudo da tuna portuguesa como sendo Tunologia. O tempo o dirá e mais, confirmará precisamente isso. Obviamente que quem desbrava caminho recolhe o mérito e reconhecimento disso mesmo. Veremos o que porventura, recolherá precisamente disso o todo do fenómeno, eís a questão de facto.
Da minha parte, sempre sentado na carteira de pau, a estudar a Tuna: caso oposto só ensinaria e nada aprenderia. Partilho na esperança de que essa partilha seja benéfica a alguém. Simples. A melhor forma de combater o paradoxo entre Ser-se Tuno e saber-se algo sobre a Tuna é evitando um imenso fosso entre ambos.