Quinta-feira, Setembro 30, 2010

A Aventura da Migração Tuneril....

É, de facto, uma das mais nobres e tradicionais características da Tuna enquanto tal, a capacidade de espalhar noutros pontos cardeais a sua cultura e a vários niveis, bem como proporcionando o oposto, "beber" outras culturas.

Desde as formas pré-tunantes, passando pelo período da transição do Século XIX para o de XX com o advento das estudantinas e continuando pelo século passado até ao actual, a cultura tuneril tem como um dos seus catalizadores principais esse carácter migratório, fazendo com que a mesma cultura se espalhe de forma eficaz e ao mesmo tempo, se mistura com as culturas que vai visitando retirando delas sempre algo de interessante.

Num mundo como o de hoje, perfeitamente em real time, o carácter migratório da Tuna assume quanto a mim uma dimensão ainda maior e mais concreta na sua importância, pois permite aferir das diferenças entre p.ex. ver-se uma tuna do outro lado do mundo via Youtube e visitar esse mesmo país, com tudo o que essa diferença potencia e faz presumir. Lembro aqui que p.ex. na época Franquista em Espanha as tunas eram usadas como propaganda fora de portas do Spanish Way of Life, ainda que controladas ao milimetro na sua liberdade; não foi aí que começou essa exportação - a Figaro tinha-se encarregue de o fazer muitos anos antes e com tremendo sucesso - mas é um exemplo vivo da importância da migração tunante. Mais ainda, os certames que ocorrem em inumeras cidades são fundeados nessa lógica, precisamente, mais ancestral.

O carácter migratório da Tuna foi e é um dos maiores pilares da própria lógica tuneril, precisamente pela capacidade de misturar culturas, de trocas de experimentação, usos, costumes e por aí fora, característica essa que não é comum noutras formas de expressão cultural, mais residentes digamos assim. A migração tuneril é, ela mesma, até, uma das formas de subsistência no tempo da própria Tuna enquanto tal. Atravessa diametralmente todos os países e em qualquer tempo onde tenha existido tuna.

Nos dificeis tempos que atravessamos, onde a capacidade para uma Tuna poder efectuar essa dialéctica cultural é cada vez mais reduzida (monetária, de disponibilidade, etc), assume ainda maior importância essa perspectiva de troca intercultural subjacente ao aspecto migratório, mantendo assim laços importantes junto de quem nos escuta e vê por um lado e potenciando para as tunas experiências in loco que um Youtube não consegue de forma alguma substituir.

A migração tunante é, por isso mesmo, um quesito tuneril histórico e intemporal da máxima importância quer para a própria tuna, quer para o todo do fenómeno, quer para aqueles que, algures, têm o previlégio e concedem a honra à tuna de a escutar, manifestação da tradição estudantil e tuneril por excelência, unindo povos distintos, culturas distintas, hábitos distintos.


Segunda-feira, Setembro 27, 2010

A Aventura do Notas & Melodias

Só posso dar os meus parabéns, essencialmente pela dedicação e esforço em prol de um bem comum, de todos nós. Mas pelo resto também, é o Notas & Melodias um autêntico serviço público tuneril que nesta ocasião o "Aventuras" saúda efusivamente. O mais importante é haver ainda quem se "chateie" com estas coisas das tunas universitárias e afins, afinal, o que fica de facto. Importante é sempre a presença, a mensagem deixada para quem dela quiser pensar alguma coisa por mais pequena que seja. Levar a malta a pensar é o essencial, por isso todos os blogues de tunas estão também eles de parabéns, pelo dinamismo, pela presença, pela persistência e esforço em existirem.

O "Aventuras" limita-se a estender a sua vetusta Capa à passagem de tão ilustres Tunos. Nem mais, nem menos. Sempre fui apologista de mais informação, com formas de expressão distintas que mais não são do que caminhos diferentes para se chegar ao mesmo destino. O resto é o resto. Todos são importantes. Só é pena haver poucos blogues assim, haveria de haver muitos mais.

A Aventura do Third Life.....

Num mundo mediático e imediato como o de hoje, já se consegue e sem muito esforço, note-se, perceber que o mesmo é usado por algumas personagens numa nova dimensão que não a first ou mesmo a second life, indo um bocado mais longe - julgam ... - e inventando uma espécie de third life para poderem fazer aquilo que não fazem - por cobardia ou chico-espertice parola - quer na vida real - por falta de coragem para se assumirem frontalmente - ou até mesmo no uso saudável da chamada second life - que se bem gerida e frontal se limita a usar os meios que hoje dispomos para ser precisamente o que se é, sem grandes dramas.

Veio à memória um post de alguém que em tempos enfatizava precisamente essa incapacidade de se ser online o que se é no mundo real, escudando-se por via electrónica. Bom, assumo desde já que porventura haja quem misture alguma incontinência verbal escrita com falta de ditos cujos, noções diferentes entre si: uma coisa será escrever-se nestes meios muito e já outra é não assumir entre dois copos o que se escreveu aqui, ali e acolá. Usar o meio que se dispõe sem "fintas", basicamente. Use-se ironia, sarcasmo, figuras de estilo ou até sofismas mas assine-se, sempre, assim, sabe-se a quem perguntar. O que muda tudo.

Ora, constata-se de quando em vez uns certos "artistas" a ir mais além, julgando enganar tudo e todos, possuídos por uma incomensurável cobardia que é basicamente o albergue deste third life a que aludo: escreve-se muito e mal, sem assumir a identidade e julgando com isso que ninguém vai perceber porque o faz e para quem o faz. Regra geral, com os meios que dispomos hoje em dia, apanhar estes "especimens" é a coisa mais fácil do mundo, com as devidas consequências a prazo, já se vê, regra geral a cairem nos mesmos. De tão básico o intuito subreptíco até chega a ser hilariante. É o third life o meio mais quente e caro aos cobardes, tristes de espírito e infelizes que não suportam a ideia, sequer, de ouvir um par de verdades, porque não sabem lidar com elas, pura e simplesmente. É o third life o alter-ego dos que fazem auto-polimento ao próprio umbigo, à falta quiçá de quem lhes reconheça uma única virtude. É o third life uma espécie de manicómio online, em resumo, de tolinhos com falta de carácter ou de carácter duvidoso.

Que custa assinar, se tão tolinhos são para outras tantas coisas? que custa assumir quando todos já perceberam tudo e mais alguma coisa? porque se presta alguém a estes divertidos por tristes papeís, que só enterram o remetente com sete palmos de vergonha em cima?

Troquem-se galhardetes à vontade, preferencialmente cara na cara. Agora, esconder a cara numa terceira vida só demostra falta de vergonha na mesma, na mesma cara, na mesma vida. E deste tipo de "especimens" o mundo tunante não precisa seguramente. Totalmente dispensáveis nem que sejam os  mais virtuosos dos virtuosos a tocar. Deveriam ser todos "cotados" numa bolsa pública à mostra de todos. E alguns acabam por lá ir parar à mesma, sem darem por ela, já foram....


Quinta-feira, Setembro 16, 2010

A Aventura IndiferENTe.....

A ele me referi aqui em tempo mais que oportuno. Hoje, já é possivel saber um pouco mais sobre o que será a edição deste ano.

Com todo o respeito, seguramente, pelo esforço e dedicação que tal empresa acarreta, atrevo-me a dizer - e pelo menos para mim - que o ponto mais importante deste ano será a decisão sobre onde será realizada a 8ª edição.....

Sexta-feira, Setembro 10, 2010

A Aventura do Rótulo…




É outra das coisas que, de facto, não faz qualquer sentido no nosso mundo tuneril, só se explicando através de visões belicistas por puerís e por isso, distorcidas da realidade, por um lado, e, por outro, explica-se pelo enorme medo que o novo – que não “pop” ou travestido de tuna – trás num ambiente tão serodiamente cristalizado no pseudo-conservadorismo de vão de escada, que apenas revela uma coisa aos conservadores militantes: medo. Resta é saber de quê e…porquê.

Ora, quem é, por exemplo, apreciador mediano de vinho tinto das várias Regiões Demarcadas nacionais, sabe que muitas vezes, mesmo muitas, o que o rótulo indica não corresponde, necessariamente, ao seu conteúdo qualitativo e ainda muitas vezes o valor pedido por um determinado rótulo está ora inflacionado, ora deflacionado face a esse mesmo conteúdo. Quantas vezes ao adquirir uma determinada garrafa não nos confrontamos com um rótulo bonito e depois, desilusão das desilusões ou então, quantas vezes não se adquire uma determinada garrafa aparentemente vulgar e que ao degustar se revela em todo o seu esplendor? Ora, uma tuna, como um vinho, mede-se pelo que é e pelos traços que a fazem como sendo o que efectivamente é e não pelo rótulo ou “valor de mercado”, revelando-se – ou não – no momento certo, após a abertura da garrafa e posterior degustação, afinal, do importante aqui, o vinho.

O ambiente tuneril pós boom assentou precisamente numa lógica de rótulos, onde isso foi e é supostamente o mais importante, quando “se esqueceu” – em alguns casos, convenientemente – de que o importante era o sumo, o néctar do que se fazia e faz. E pior, a gestão do rótulo não raras vezes aconteceu fruto precisamente da perfeita inconsciência daquilo que realmente é o mais importante, o que dentro da garrafa está. Claro que alimentado o mito de que o rótulo é o mais importante, garantia suposta de qualidade, facilmente a populaça tuneril nacional caiu no mesmo erro mitigado, demorando a perceber que de facto, o vinho só é bom ou mau depois de degustado. Quase que se poderá dizer que o culto do rótulo foi por um lado, abono de vida longa e, por outro, forma encapotada e indirecta de criar mais um “mito”, quase uma tradição dentro da própria tradição maior, a tuneril: O rótulo diz tudo. Dirá? E porque se valoriza tanto o rótulo tuneril e deprecia em ordem inversa o conteúdo tuneril?

A somar a esta “mitologia” - que tão bem serviu e serve interesses instalados nos seus pomposos tronos - temos uma terceira premissa mais recente, a garrafa dita de vinho que lá dentro tem sumo ou capilé, ou seja, não bate sequer o rótulo com o produto, fazendo quase crer que há Regiões Demarcadas de groselha, ice tea ou mesmo de leite pasteurizado, quiçá. Publicidade enganosa, enfim, a potenciar a confusão e a ajudar à fraca análise daquilo que deve efectivamente ser analisado, o vinho. Evidentemente que há rótulos que batem rigorosamente certo com o vinho e mais, até valorados na sua justa medida; apenas não serão a maioria dos casos, como uma visão desapaixonada e atenta o demonstra. Há rótulos vetustos e respeitáveis que revelam após a abertura da garrafa zurrapa como há rótulos modestos que parecem não ser prenúncio de um vinho de qualidade e que se revela como tal depois de degustado. Alguns escanções tuneris já começam a saber decantar devidamente os néctares e caso a caso, o que vai revelando alguma maturidade, atenção e sobretudo descomplexo; infelizmente, não se trata da maioria, havendo até quem recuse liminarmente rótulos porque provavelmente, quiçá, numa prova cega teria uma agradável - e convenientemente disfarçavel depois… - surpresa.

Não se entenda mal, o rótulo também é importante, obviamente. É a apresentação, se quiserem, o outfit, a montra, daí a sua importância e num mundo cada vez mais em real time como o é hoje. O que não se deve misturar é a montra com o armazém, mesmo que por via de regra a montra prenuncie esse mesmo armazém. Pode prenunciar como não pode. E a única forma de se perceber que se está perante um vinho de qualidade é abrindo a garrafa, mesmo que antes o rótulo não apele a tal ou, pelo contrário, quase que “obrigue” a abrir a dita cuja. Muitos “barretes” se enfiam neste particular, é certo, faz afinal, parte de um percurso de apreciadores de bom vinho – já que os normais consumidores se estão rigorosamente nas tintas para rótulos e conteúdos, cada vez mais se regem pelo preço e só. Mas também nas tunas, aqui, é como nos vinhos: há néctares que custam fortunas e depois se revelam corriqueiros e banais como há vinho com baixo custo que posteriormente se revela de alta qualidade. Por isso mesmo é que o dogma do rótulo é falacioso e serve apenas interesses comezinhos, que não o todo do universo tuneril. Mais, cavalgam-se rótulos por puro receio não se percebendo de quê e porquê. Afinal, quem produz bom vinho e é consciente desse facto não receará em rigor nada. A qualidade geral do vinho deve ser promovida e todos sabemos que para isso ocorrer não pode haver uma postura isolacionista e/ou tendenciosa que apenas diz que o único vinho bom que existe é o meu, desvalorizando assim o bom vinho que outros porventura, produzam.

É de uma infantilidade atroz, ao fim destes anos, que ainda não se tenha percebido que a grandeza de um bom vinho se mede justamente pela grandeza dos outros bons vinhos; nega-se preconceituosamente essa possibilidade, até, como se a produção de vinho fosse monopólio apenas de alguns produtores e houvesse algum Decreto Régio a chancelar tal noção que revela somente medo, preconceito e em alguns casos, inveja, pura inveja.

A mistificação em torno dos rótulos é, em síntese conclusiva, um termómetro do panorama: Há muitos rótulos que nada têm a ver com o vinho que anunciam e há, por isso, muito bom vinho que alguns teimam em não querer beber apenas porque têm medo de que o mesmo lhes passe divinamente pelos seus sacrossantos palatos e, acto continuo, não saberiam (??) como assumir essa delicada evidência. Resta a constatação mais do que evidente: que o bom vinho vinga sempre, haja o que houver, demore o tempo que demorar, "custe" a que palato custar. Por oposição, a zurrapa desaparecerá mesmo que tenha um rótulo desenhado por Nazzoni.

Vai uma prova cega, como fazem as boas mostras de vinhos até???

Quarta-feira, Setembro 01, 2010

A Aventura da "Tradição"....

João Caramalho Domingues no seu fantástico blogue Porto Académico fez-lhe merecida e pertinente referência . Aqui, repito-a com particular acutilância: Um magnífico artigo de Miguel Esteves Cardoso - 25/08/2010, Jornal o Público - sobre a tradição, essa ilustre desconhecida, que assenta na perfeição no que se reporta a muita "coisa" estranha que se vai passando no seio tuneril nacional....


"Manda a Tradição" - Miguel Esteves Cardoso.

Quanto tempo leva a criar uma tradição? E por quanto tempo se pode interromper antes de se perder? Eis a primeira frase de uma notícia no PÚBLICO de ontem: "Um homem entrou num forno de lenha aquecido a mais de 250 graus, durante a recriação do chamado milagre da Urgueira, que atrai anualmente milhares de pessoas." Respirei fundo, invocando a tolerância pelos velhos costumes e cantarolando o velho jingle do café Sical: "Cada terra com seu uso, todos com Sical."

Mas o resto do primeiro parágrafo desasossegou-me: "A tradição tem origem em finais do século XIX, mas esteve interrompida desde 1904, ano em que morreu o homem que a protagonizava, sendo relançada em 1996 pela Associação Etnográfica Os Serranos." Se a tradição começou no fim do século XIX - digamos 1890, só durou 14 anos. Quando morreu o homem que entrou no forno, decidiram acabar com ela. Continuou acabada por mais 90 anos, de 1905 a 1995. Desde 1996 foi retomada durante mais 14 anos. Quando a interrupção de uma tradição é maior (90 anos) do que o número de anos em que é cumprida (28 anos), foi a tradição que foi interrompida ou a interrupção que foi retradicionalizada?

Portugal está cheio de tradições deste género, que brotam e se desenterram por toda a parte, respeitando-se ou esquecendo-se conforme as conveniências. É à vontade do freguês. Que se há-de fazer? Nada. Esse à-vontade relativista é uma espécie de liberdade - e é a nossa verdadeira tradição. " (fim de citação)


Touché!