Quarta-feira, Março 24, 2010

A Aventura do Auto-Polimento de Ego Colectivo

Bom, calha em boa época, até. Se calhar não será por acaso. Mas de facto, é particularmente nesta altura do ano que se assiste a um autêntico auto-polimento de ego colectivo, derivado quiçá, quiçá, de uma de duas coisas: ignorância ou parvoíce pueril.



A 1ª ainda se perdoa, pois de facto, andamos cá todos para aprender, mesmo que alguns não aprendam de todo até com os próprios erros. Tudo o que sobe desce, todo o que ganha perde and so on and so on. Pacífico, excepto para o ignorante militante - ou seja, aquele que não percebe patavina sobre o que anda a fazer e pior, se julga sapiente sobre aquilo que (não) faz. A parvoíce pueril é que já começa a ser algo mais grave, porque tem como único objectivo o tal auto-polimento do ego colectivo: "aí que bons que nós somos, ganhamos a torto e a direito e blá blá blá". Depois, ao vivo e a cores é a *erda do costume, são todos gente humilde e o que interessa é o convívio e blá blá blá. Muito blá blá blá, é o que é.



E é coisa que atravessa o país tunante de norte a sul, numa lógica muito ao género "virtudes públicas, vicios privados", deve-se dizer. Raramente assisto ao recato do pós refrega por parte de quem, aparentemente, tem todas as - aparentes - razões para colocar em Outdor´s os seus feitos. E quem o faz e pratica mostra pelo menos uma coisa boa: bom senso. E com ele ganha respeitabilidade logo a abrir, relativizando com o seu silêncio as coisas e valorando assim o essencial. Até se percebe - e até certo ponto, note-se - algum orgulho elevado momentaneamente. Mas quando se vê tanto exagero, a lembrar quase os tempos da Guerra dos Boer´s ou outras anteriores, é que já me parece ridiculo por imbecil. Bem sei que hoje somos o resultado do que outros antes fizeram e faziam, assumo a minha quota parte; mas também sei que com o tempo vem o bom senso e acima de tudo, alguma percepção mais realista das coisas, que de todo se compadece com tanto auto-polimento de ego colectivo a que assistimos hoje em dia. É que dito por outros é uma coisa, sendo nós mesmos a polir o nosso ego e a meter o cartão de visita no bolso de terceiros já é outra.



O reconhecimento é dado pelos outros, já que será sempre do ser humano achar-se que aquilo que fazemos é que é bem feito, coisa quase redonda. O problema nem será acharmos que somos bons ou os melhores lá da rua; o problema é querer-se à força impingir aos outros o polimento que se faz ao nosso ego. É que não leva a lado nenhum polir o ego colectivo e depois cantar aquela dos Xutos " Eu cá sou bom, sou muito bom...." porque precisamente somos nós a cantar a música; não seria melhor deixar os outros cantar a mesma sobre nós?



Quem pratica liturgicamente o auto-polimento do seu ego colectivo apenas e tão só mostra a sua fragilidade, insegurança e puberdade tunante. Percebo que se queira mostrar o orgulho que não arrogância. Mas deixar que sejam os outros a polir o nosso ego e não nós é sinal de força, segurança, convicção. Em suma, sinal de maturidade tunante.

Segunda-feira, Março 15, 2010

A Aventura dos "Felismirnos" (ou a versão tunante dos Óscar´s)

Pronto. Escolhi um nome que fica no ouvido, é marketing puro e rivaliza desde logo com o nome Óscar com toda a facilidade fonética deste mundo.

Os "Felismirnos" poderiam ser muito bem a revolução, o reinventar do conceito de festival de Tunas, sem qualquer problema ou risco de falharem. Então seria assim:

Começemos pela estatueta propriamente dita. Se o "Óscar" é banhado a ouro e custa aproxidamente 400 "aeuriós", Santa paciência meu povo, que o PEC não permite que a gente se estique: O "Felismirno" seria um garrafão de vidro banhado do mais puro vime nacional com Adega Cooperativa de Santa Marta de Penaguião a dar-lhe lastro. Assim, não só se premiava como se poderia do "Felismirno" retirar claro e proveitoso dividendo para lá da vitrine de cada Tuna. Pronto, fica assim o "Felismirno".

Claro está que a entrega seria em palco, com um habitual entretainer de serviço devidamente credenciado para o efeito, fazendo piadas em torno dos nomeados - sim, passaria a haver nomeações para filtrar, o que diminuí o tempo do espectáculo (show bizz a quanto obrigas..)-

Depois a revolução propriamente dita. Era baralhar e voltar e dar, numa perspectiva pós-moderna (tipo a cantada pelo Grupo Novo Rock, agarrando na angústia e fazendo dela uma outra indústria...) com "Felismirnos" para as seguintes categorias:


"Felismirno" para a Melhor Mise En Scene; premiava-se categoricamente tudo aquilo que uma Tuna faz de melhor em palco menos tocar e cantar. Parece-me lindamente face ao que já temos, resulta quase numa redundância mas agora menos cobardolas porque assumida.

"Felismirno" para a Melhor Stand Up Comedy; premiava-se inequívocamente quem mais piadas de mau gosto, asneiras e chistes rasteiros dissesse no espaço de tempo da sua actuação; deduz-se também aqui que tocar e cantar nada vale, podendo até prejudicar neste apartado de forma brutal.

"Felismirno" para o Melhor Guarda-Roupa; a noção retrógada de Traje Académico seria aqui elevada a um patamar absolutamente notável. Quem mais apostasse num Guarda Roupa altamente diversificado, ao mesmo tempo fashion, escandalizante e colorido por variado, estaria nomeado directamente para este "Felismirno". Aqui, Black sucks, colourfull wonderfull, definitivamente.

"Felismirno" para a Melhor Sustentação Vertical; uma ruptura completa com o prémio de Melhor Estandarte, nitidamente Pré-Jurássico, atribuído àquela que melhor sustentabilidade dos rotores conseguir atingir em palco, sendo o intuito máximo a levitação gravitacional sem que com isso o público perceba o que está estampado nas ditas cujas bandeiras vulgo pás de rotor. Portanto, um "Felismirno" altamente técnico.

"Felismirno" para o Melhor Barani Out; a nova era da pandeiretologia, definitivamente. Atribuído ao melhor duplo mortal à frente com meia volta realizada no 2º mortal realizado em palco, após consulta a um colégio de Dif judges - árbitros de dificuldade - que compõem o Jurado, este também profundamente alterado e inovado de acordo com as exigências dos "Felismirnos".

"Felismirno" para a Melhor Super-Produção Cinematográfica: Por evidente, escusa a muitas delongas. Este "Felismirno" seria atribuído pela maior e melhor capacidade em pôr o público a olhar para uma parede e não para o palco, levando o mesmo a não escutar sequer o que se toca e canta.

"Felismirno" para a Melhor Tuna; aqui mantêm-se uma certa dose de nostalgia tipo Casablanca - play it again, Sam... - com um claro acentuar de uns pózinhos de "E tudo o Vento Levou". Seria naturalmente aquela que fizesse melhor em cada um dos "Felismirnos" acima e que, com isso, conseguisse evitar que o público escute e olhe com a devida seriedade e imparcialidade o que se toca e canta.

Bem sei que esta revolução não será acolhida de bom grado no seio de Tunolywood, dado ser algo completamente novo e, portanto, nunca visto, o que provoca claras sinergias de mudança, inovação e invenção em prol do melhor que uma Tuna pode trazer: Show Off. Sim, traduzido literalmente é "Espectáculo fora" e quanto mais "fora", melhor! Porque o Show Off, hoje, é indispensável e deve, deve não, tem de ser valorizado, dê lá por onde der. Lá se cantam e tocam assim assim é coisa que menos interessa, coisa do passado que, por tal, deve ser completamente desvalorizada porque irrelevante face a uma panóplia de novas competências pós-modernas ( volta, Reininho, estás mais que perdoado....) às quais as Tunas Universitárias devem, nem que seja por Decreto, aderir de imediato.

"Felismirnos", eís a resposta para o futuro do formato Festival de Tunas. Assim como assim, já vamos a meio caminho e vamos, portanto, sem medo, avante! Mas quais melhor solista, melhor pandeireta, melhor estandarte!!! Qual quê!? Mas estamos a brincar??? Façamos dos "Felismirnos" as nossas "Novas Oportunidades", que diabo!!! Termine-se um F.R.Á cantado em Hip Hop com um sonoro e alto "I N O VA - S E!". Vamos twittar o conceito Tuna, minha gente!!!!

Termino - consternado mas crente num futuro melhor - com um estracto de um poema do longínquo Século XX do supracitado Grupo Novo Rock:

"Ser Mãe era a aspiração natural de todo o homem moderno
ser o melhor é normal para os novos pobres deste colégio interno
ter medo é a pulsão fundamental do criador & artista
estar sóbrio é continuar permanecer positivista"


E eu remato com um jeitinho meu....

"E dantes as Tunas estavam sempre a avariar...."

Sábado, Março 13, 2010

A Aventura de uma Serenata no Século XXI....

Está este vosso escriva sentado em pleno labor cientifico-tunante e mais ou menos pela meia noite e meia - portanto, passou outra meia hora entretanto - que escuta sons vindos da rua. O meu herdeiro chama-me à janela e eís que me deparo com uma serenata feita precisamente em frente ao prédio onde habito, destinada presumivelmente a uma Donzela que habita no mesmo. Não sendo uma rua grande mas sendo o Porto algo mais "composto", quis a sorte da menina e a minha preserverança nos valores tunantes mais tradicionais que fosse, precisamente aqui, que uma serenata tenha feito eco do seu melhor, do melhor enfim que uma Tuna pode trazer e dar. 3 temas devidamente enquadrados, trajados a rigor, vozes bem audiveis, algumas Donzelas mais incautas à janela julgando quiçá que seria para as mesmas - e foi, de certa forma - e nenhuma ocorrência com a autoridade com esquadra cita mesmo aqui ao lado, o que é sempre de louvar e registar. Em suma, uma Serenata com S grande. Os louváveis autores da "façanha" em pleno Século XXI foram a Tuna da Universidade Católica Portuguesa - Porto, onde consegui de relance mas com o devido recato identificar alguns "resistentes" de outras eras.

Afinal, a Tradição ainda é o que era. Tunos, vozes, Capas e instrumentos e uma grande dose tunante bastam, não é preciso mais. Parabéns, TUCP, pela magnífica surpresa, que não sendo para mim como manda aliás a Santa Tradição (!!) mas antes para a afortunada Donzela e vizinha, não poderia aqui deixar de referenciar, numa época onde rareiam Serenatas expontâneas movidas pelos mais puros laivos tunantes e estudantis. Bravo! E que sirva se não de exemplo pelo menos de incentivo a outras. A Noite está aí, as Capas ganham um outro Negro, as Donzelas ficam enternecidas e assim se faz....Tuna!


Post Scriptum: Curioso, deveras curioso. Numa noite em que Festivais de Tunas é ao pontapé, não precisei sequer de sair de casa para ver e escutar uma - boa - Tuna. Como diria o outro, podia ter ido ver um festival, lá poder podia, mas não era a mesma coisa. É por estas e por outras que me vou rindo à brava com as figurinhas a que alguns - muitos - se vão prestando; ao lado de uma Serenata assim, não passam de trocos de 1 cêntimo....

Quarta-feira, Março 10, 2010

A Aventura do Avatar Tunante...

Avatar. Sinóninos que encontrei algures dizem-nos "Representação pictórica de si mesmo que o internauta usa em ambientes virtuais" ou ainda "Processo e resultado de transformação, metamorfose, transfiguração" ou ainda "Figura assumida por uma divindade quando desce à terra."

Coloquemos de lado a 1ª e a 3ª definições desde logo, uma muito técnica e a outra demasiadamente transcendental para tão terrena tradição. A 2ª serve muito bem o propósito em causa: Processo e resultado de transformação, metamorfose, transfiguração. Se lhe adicionarmos Tunante à frente, percebe-se desde logo que, aqui, não estamos - infelizmente - no mero campo da ficção científica. Aliás, não entendo de todo porque James Cameron e os seus argumentistas não vieram ao mundo tunante português inspirar-se, com tanto avatar tunante que por aqui prolifera. Não sendo um cinéfilo por excelência, aliás, nem ligo muito a cinema e a Oscar´s, devo dizer, não deixa de ser curioso como a cerimónia do Kodak Theatre deste ano acabou por ser uma coisa óbvia no que toca ao melhor filme, por exemplo: de facto, "Estado de Guerra" é um filme e "Avatar" é um jogo de computador, logo, a Academia de Hollywood - sim, estes senhores são uma Academia também, lá está, não é só por cá... - não ia premiar uma coisa que se dizia filme não o sendo de todo, não é? Já no emprego da tecnologia deram a estatueta ao "mestre" da ilusão e ao seu "Avatar". Pacífico.

Caso para dizer que por cá temos muito a aprender. Se Hollywood se deixou de transformações, metamorfoses e transfigurações, dando primazia áquilo que de facto é real, existe, é o que é, como é, sem make-up ou 3D, porque raio a malta por cá não dá primazia e valor ao filme propriamente dito, ao que o filme é de facto? É que com tanta super-produção, com tantos óculos a três dimensões - vendo uns 55 pares, quase novos...- que me põe a tirar pipocas do balde da jovem sentada ao lado, com tanto espalhafato tecnológico, um gajo quase que se esquece do essencial, que é o que as coisas são. Isto, da maneira que anda, ainda vamos ver alguns a fazer corar o Sr. Cameron - já a ex-mulher do mesmo é impossivel, senhora realista, sensata e preserverante, e que por isso, não enganou ninguém, mostrou o que as coisas são - que, com tantos meios para fazer o que tão bem faz nem se apercebe que há por cá quem com muito menos meios consiga precisamente o mesmo efeito, que é "enganar" as pessoas, como é bom de ver. Atenção que eu até nem desgosto de efeitos 3D e quejandos, apenas e tão só com conta, peso e medida, porque de exagero em exagero isto vai dar mau resultado, mais dia menos dia, que será aquele em que o Avatar terá uns 30 Avatar´s dele mesmo e quando, a páginas tantas, já não se consegue ver um filme dito normal com tanta "macacada" a saltar à nossa frente.

Deixem a malta comer pipocas com lisura, higiene e sem dioptrias, de preferência. Quem quer curtir jogos de computador não precisa de ver Tunas para pegar no comando em riste, basta ver e ouvir tunas e está feito ou então vai para casa jogar "Counter Strike"; ok, um ou outro avatar não faz mal a ninguém, até para dar as tais três dimensões à coisa. Mas a coisa é muito mais que tridimensionalismo, mas muito mais. E ainda há quem caía neste Avatar Tunante com uma pinta do caraças, provavelmente porque para além dos óculos 3D não percebe patavina do sentido das coisas; como não percebe, vai daí e saí da realidade direitinha para o colo da tal miuda sentada ao lado, alegando sempre "desculpa, mas isto é bué de x-pe-ta-cu-lar! ". Menos mal se for miuda (o tridimensionalismo pode-se tornar algo constrangedor numa ocasião destas.....)

Se em palco se recria a rua, a tradição, não percebo nessa recriação porque raio a rua desaparece e é substituída por Pandora. A realidade, o genuíno é sempre melhor porque não se nos apresenta distorcida por um qualquer par de óculos tridimensional, que apenas pretende que vejamos as coisas como os Srs. Cameron´s desta vida querem que as vejamos quando afinal, as coisas são como são - e não como alguns querem que seja. Aliás, nesta matéria o Sr. Cameron já nos legou dois bons produtos anteriormente e nesta área do surreal: Titanic e The Abyss. Só ainda não consegui perceber qual dos dois filmes é o mais profundo (literalmente, note-se, porque quanto ao resto estamos conversados....).


À Superior Atenção de alguns "realizadores".....

Terça-feira, Março 09, 2010

A Aventura da Necessária Atenção...

Bom, não há como fugir a eles, entenda-se certames, está mais que visto. Não me alongarei muito mais sobre a profilaxia inerente ou falta dela quanto ao tema, já que largamente abordada aqui e noutros espaços. Será, pois, algo "mais à frente", ou seja, como encarar genericamente o momento competitivo que aí se avizinha, na - - esperança de, quiçá, auxiliar ao normal desenrolar do mesmo.

Deve-se tomar sempre em conta uma questão basilar no certame competitivo: serve o mesmo para promover o fenómeno tunante tout court, ou seja, é uma - de muitas - manifestações de promoção de uma cultura estudantil sui generis, que deve ser encarada com toda a frontalidade, seriedade, certamente com toda a festa e alegria inerentes mas sempre com a responsabilidade inerente a um leit motiv maior, a promoção de uma cultura enquanto tal. E logo na base, neste alicerçe, já temos muito pano para mangas, infelizmente. Raro é o equilibrio entre seriedade e festa, entre responsabilidade e nacional-porreirismo, o que desde a nascença "mata" muito do que deve ser, por génese, um certame. À luz de um grande "tasse bem" festivaleiro vai-se perdendo a noção de respeito inerente a qualquer manifestação tunante, logo, à Tuna universitária em geral; há aqui por via de regra um claro desiquilíbrio em desfavor da seriedade e respeitabilidade do fenómeno.

Como combater esse desiquilibrio, então, sem colocar em causa todo o ambiente festivo que seguramente deve existir? Com a mais que necessária atenção.

Necessária atenção desde logo ao como se organiza e para quem se organiza, escusando falar sequer das limitações de meios existentes por estes tempos na generalidade dos casos, que não influí no como e no para quem. O como se organiza reflecte-se, cada vez mais, nas consequências; há casos que basta ver como se organizou para se perceber facilmente como vai acabar - para o bem e para o mal, note-se. Coisas em cima do joelho, desenrascanço à tuga, regra geral não dão bom resultado em nada e aqui não é diferente. Planear e pensar atempadamente é o código postal para o sucesso. E em nada planear e pensar atempadamente tem a ver com mais ou menos recursos, aliás, quando são menores pensa-se mais cedo em como os contornar -e não o oposto, como vemos frequentemente. Pensar e planear o certame é evidentemente sinal de respeito, 1º pelo público que irá assistir e 2º pelas tunas presentes e logo, pela Tuna em abstracto. O como está para o certame de Tunas da mesma forma que a água está para o peixe. Não é, p.ex., aceitável sequer que não se pense atempadamente em como alimentar e animar as tunas presentes, como também não o é que não se pense atempadamente em informar as mesmas sobre critérios de avaliação e tempos de actuação, p.ex.

O para quem é outro insondável mistério - ou talvez não - que urge descodificar. Para o público, certamente, essa entidade abstracta que pode ir desde o transeunte em pleno pasacalles até ao cavalheiro comodamente sentado na plateia, seguramente. Mas também é o para quem algo intrinsecamente ligado às tunas participantes e até mesmo à própria organizadora - que não raras vezes se comporta como uma entidade "estranha" ao próprio certame em certas ocasiões e já noutras precisamente de forma diametralmente oposta se comporta, coisa estranha, note-se. A organização deve ser como o árbitro de futebol - o bom árbitro, claro está: deve apitar quando é somente necessário, deixando o jogo desenrolar-se calma e tranquilamente, de forma a que os jogadores e público disfutem com toda a plenitude daquilo a que estão a assistir. Deve intervir quando é necessário que o faça e não sistematicamente, a torto e a direito, por tudo e por nada, bem como deve deixar fluir o evento na certeza de que os seus convidados e público lhe oferecem todas as garantias para tal fluidez. Nunca fui muito a favor de organizações omnipresentes e/ou completemente ausentes, bastará bom senso e atenção para com todos.

Depois temos o porquê. Porque se organiza um certame? Para lá do já dito acima, organiza-se por muitas e variadas razões, tendo à cabeça duas desde logo: é um hábito para algumas e para outras uma enorme festa (sendo que noutros casos é um festivo hábito). Nenhuma destas razões, separada ou conjugadamente, são as mais importantes, seguramente, para justificar o porquê, por muito importantes que as mesmas sejam até. O porquê de se organizar um festival prende-se com a intrinseca promoção da Tuna em sentido lato, quer junto do fenómeno (excessivamente e em jogo de espelhos, note-se) mas essencialmente para fora do fenómeno. E aqui, meus caros, é que a coisa ganha outros contornos, por defeito, infelizmente. Poucos são os que se preocupam com esta questão essencial, para todos, para o conjunto do fenómeno. Há pouco cuidado aqui neste ponto, muito pouco. Com um como e um para quem como temos visto, o porquê torna-se evidente: para muito pouco, quase nada ou até mesmo para polimento de ego ou descarga de consciência forçada pelo hábito ciclico e anual (haja euros...!).

O Festival de Tunas existe porque é uma forma previlegiada de promover uma cultura junto da sociedade civil, académica ou não-académica. Há mais, algumas mais. Mas esta é aquela que as Tunas elegeram em Portugal para o fazer, supostamente. Mas não é por causa disso que o fazem, que organizam certames, não, de todo, salvo excepções naturalmente. O porquê do certame de Tunas pressupõe qualidade no como e pensar no para quem devida e atempadamente, com método, rigor, organização e cumprimento de uma Tradição, de uma cultura. Por isso é que quem a ela é alheia, quem a ela nada tem a ver, quem a ela atenta, acaba por transformar um certame de tunas numa mera soiré musical com garantido happy hour na disco ao lado. Bom, pergunto eu, então e...porquê?

A necessária atenção, agora que estamos em plena "festivalitis" aguda. Saiba-se como e para quem, que assim será mais fácil o porquê. Caso oposto, percebe-se logo a causa das coisas, o que ajuda a explicar as mesmas....

À Superior Consideração das 1389 organizações de certames de Tunas....

Quinta-feira, Março 04, 2010

A Aventura da Nomenclatura Tunante....

Nomenclatura, conjunto dos termos técnicos de uma arte ou ciência, diz o dicionário. Termos técnicos, portanto e de uma arte, no caso, a tunante. Esta surge um pouco na sequência do último post do blogue (excelente, por sinal e que recomendo seria e vivamente) Tunos & Tunas, uma excelente crónica de costumes tunantes quotidianos que deveria ser leitura obrigatória de todos.

Indo à nomenclatura tunante, caso para dizer que tal "exemplo" não é virgem no panorama - e note-se com toda a propriedade que nunca a palavra "virgem" assumiu tamanha dimensão pan-tunante como agora. Os espanhoís sempre acharam algo "raro" (ou seja, esquisito) esta coisa bem portuguesa de se apostar na diferença pela diferença, usando para tal prefixos ou sufixos adendados ao termo Tuna. Certo é que os espanhoís acham muita coisa nossa "rara" e vice-versa. A questão nem será por aí. A questão é quando nós mesmos, "tugas", achamos isso também estranho e pelo menos, para não esticar a corda em demasia....

Desde o "boom" tunante - mais quintal menos arroba - que se assiste a este "assumir de diferença" e que, por si só, nem seria criticável. O problema aqui é que à sombra da tal procura desenfreada de "diferença" se acabou em alguns casos por cair precisamente no oposto do pretendido. Pior, quando essa procura da "diferença" serve acima de tudo intentos de chocar pelo chocar, de provocar pelo provocar, ao ponto de estar aqui a escrever, pasme-se, sobre nomenclatura tunante (os meus parabéns desde logo, assumo a tentação...).

Bem sabemos que a contra-argumentação é também ela mais do mesmo; "ahh, surgiu da mais expontânea veia tunante" ou o clássico "é para diferenciar!!" ou o ainda mais clássico "fica no ouvido!", não se percebendo em alguns casos que de expontâneo nada tem, muitas vezes não diferencia pela positiva - antes e sim pelas piores razões - e muito menos ainda fica no ouvido, antes sim na memória que teima em não querer apagar o raio do nome. É que - e concepções estéticas ou direitos à diferença à parte - nestas coisas não basta ser, há que parecer, diz-se. Seria o mesmo que uns país chamarem ao seu rebento recêm-nascido algo como, sei lá, deixem ver....ahh, já sei, Estrambólico; fica no ouvido, é expontâneo e muito seguramente algo de completamente diferente. " Estrambólico, faz os deveres! Estrambólico, põe os óculos!!! Estrambólico, se saires hoje à noite leva preservativos" e por aí fora. O miudo/adolescente/jovem/adulto Estrambólico pode ser o ser humano mais dotado de virtudes e aptidões ao longo da sua vida mas com o nome que os paizinhos lhe puseram - dentro do mais puro direito libertário, note-se - seguramente que as coisas não lhe irão correr lá muito bem; não é por nada, até pode ser uma coisa injusta, mas é mesmo assim que as coisas são....

Desde sempre que sou avesso a prefixos e sufixos, trocadilhos, bem como a composições de termos que englobem o "Tuna" pelo meio. Não encontro nenhuma boa razão sequer para isso ter ocorrido excepto as acima mencionadas profissões de fé que oscilam entre o "porque me apetece" e o "fica no ouvido". Nada como o nome certo: Tuna/Estudantina + académica (ou sem este termo) + feminina ou mista + universidade/faculdade/instituto/localidade + local de origem. Daí em diante ou é marketing, mera piada inconsequente (que pode trazer consequências) ou mau gosto puro e duro.

O 1º passo para credibilizar a Tuna é não a descredibilizar logo à nascença. Mas repito que o erro não é de hoje, há precedentes históricos e alguns até de fazer corar a Briana Banks (pseudómino muito bem escolhido, note-se, por parte desta casta jovem...). Em todo o caso, para que não fique no ar uma ideia demasiado clássica da minha "aventura" de hoje, e porque pelos vistos é mais dificil inventar nomes assim do que simplesmente chamar-lhe o nome natural, óbvio e evidente, cá vão umas sugestões - mesmo correndo o risco de, porventura, a patente de algumas já ter sido registada......


Versões clássicas:


" Tuna de Medicina de Murça - extensão Adega Cooperativa"

" Tuna Feminina do Colégio Maior Paserelle - Lisboa"

" Estudantina Feminina do Bagdad - Porto"

" Tuna Académica da Recta da Coina"

" Tuna Universitária do Instituto Superior Chaimite - Matosinhos"


Versões "neo-liberais":


"Ora-Tuna-na-caneca"

" Tu-Ning" (óptimo para tunas macaenses)

" En-Tuna-Ó-Copo"

" TUNAtes Pelados" (para mentes mais vegetarianas e/ou eróticas)


Descansem, que não os registei na S.P.A......

Terça-feira, Março 02, 2010

A Aventura da Saudade....

De facto, Lusíadas, Chega de Saudade!!! Onde andam vocês, valha-nos Deus!!?????

Vamos ter de nos "chatear" seriamente, eu regressar - a parte pior... - e fazer uma subscrição pública para podermos ver-vos por estes dias???

Vá, toca a ensaiar!!!!!!!!!!!